Processo de alienação de capital social da Azores Airlines vai ser lançado este mês

O novo Airbus A321 NEO da Sata foi ontem baptizado com o nome de Marciano Veiga, comandante do primeiro voo da Sata que se realizou em 1947 entre São Miguel e Santa Maria. Na cerimónia Vasco Cordeiro anunciou que o processo de alienação de 49% de capital social da Azores Airlines está previsto se lançado ainda em Fevereiro. O Presidente do Governo Regional considerou também “injustas e hipócritas” as críticas direccionadas à Sata e ao governo sobre o serviço prestado pelos CTT na região. O anúncio foi feito ontem pelo Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, durante a cerimónia de baptismo do novo Airbus A321 NEO da SATA: o processo público de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines “está previsto” ser lançado ainda este mês de Fevereiro. O objectivo é garantir “um parceiro estratégico para a companhia” que possa assegurar “maior robustez, maior resiliência e maior competitividade na consolidação e desenvolvimento da operação da empresa”. Mas Vasco Cordeiro explicou que o grande desafio que a Azores Airlines enfrenta não se resume a uma questão de capital, mas tem a ver, numa primeira fase, “com a aliança a um parceiro estratégico que possa trazer consigo, ou que possa congregar à sua volta, o reforço da capacidade operacional, da capacidade técnica, de frota e de recursos, entre outros, que alavanquem a actividade da empresa e, por essa via, reforcem as condições que a mesma tem para servir a nossa Região”. O Presidente do Governo Regional salientou que se se pretende esse reforço de capacidades na Azores Airlines, também é preciso “ter o mesmo cuidado e ambição de fazer mais e melhor em termos de serviço aos açorianos no caso da SATA Air Açores”. Neste caso, apesar de não se justificar a alienação de capital social, “torna-se imperativo” uma atenção permanente à forma como se pode dar resposta a duas necessidades “verdadeiramente vitais”, que são a mobilidade dos açorianos e a economia das 9 ilhas do arquipélago. Neste sentido, Vasco Cordeiro recordou uma realidade bem diferente da que existia num passado recente em que há pouco mais de três anos, operavam nos Açores duas companhias com gestão 100% pública. Actualmente o cenário “alterou-se profundamente” e apenas a Sata opera nos Açores com gestão pública, sendo que mesmo a nível europeu até as companhias de baixo-custo estão a enfrentar graves constrangimentos operacionais e companhias de bandeira foram absorvidas por capitais privados. Uma nova realidade que obriga a que o papel da Sata “deve ser permanentemente avaliado e actualizado”, lembrando que está a decorrer uma auditoria por uma entidade externa com o objectivo de analisar situações como aquelas que se verificaram no ano passado, com vários atrasos e incidentes envolvendo a companhia aérea regional. Além disso, lembrou, esta nova realidade implica que se tenha “uma visão muito lúcida e precisa do quadro concorrencial e extremamente competitivo” em que a empresa agora se move. Na sua intervenção na cerimónia de baptismo da nova aeronave da Sata baptizada com o nome de Marciano Veiga, Vasco Cordeiro recordou também as “profundas modificações” por que passou o transporte aéreo na região e o aumento exponencial de passageiros que circulam nas nove ilhas do arquipélago. “A caminho dos três anos sobre a alteração do modelo de acessibilidades aéreas aos Açores, essa realidade e a sua compreensão, ao invés de justificar lapsos, apenas reforça a urgência e a ambição de todos quantos, dentro e fora da Sata, querem mais e melhor”, realçou. Circunstâncias que, admite Vasco Cordeiro, “colocam a todos, accionista, administradores, dirigentes sectoriais da empresa e trabalhadores, uma grande e única responsabilidade: a de fazer as empresas triunfarem e, assim, servir os Açores”. Isto após um ano de 2017 “particularmente exigente e desafiante” para o Grupo SATA, com algumas situações que puseram à prova “a resiliência, o profissionalismo e a capacidade de superação da companhia e dos seus colaboradores”. Em 2018 a Azores Airlines inicia este ano com uma “inequívoca nota de confiança no futuro e de convicção quanto à sua capacidade de cumprir o seu papel e a sua obrigação”, a de servir os Açores e os açorianos com a entrada ao serviço de mais uma aeronave. “Este património de serviço aos Açores tem sido bem evidente ao longo dos tempos”, explicou Vasco Cordeiro que destacou dois momentos recentes. Primeiro, o “contributo vital” que deu ao sector turístico na região em especial entre 2009 e 2014, “anos de maior retracção turística na Região”, e também o facto de ter sido a companhia aérea regional que assegurou as ligações do Faial ao exterior, quando a TAP, “pura e simplesmente”, abandonou aquela rota. “E se assim é em relação à Azores Airlines, mais evidente se torna a mesma conclusão em relação à SATA Air Azores. Perde-se a conta das situações em que esta foi acima e para além do que lhe seria exigido, e assim fez para dar resposta às necessidades das açorianas e dos açorianos de todas as nossas ilhas”, admitiu Vasco Cordeiro. Esta “referência da nossa vida colectiva” que é a Sata, não pode segundo Vasco Cordeiro permitir que se considere que “por ser uma companhia pública, por ser uma companhia que tem por objectivo servir os Açores e os açorianos, tudo lhe pode ou deve ser exigido. Isso não acontece, nem funciona assim, em parte nenhuma do mundo e, também aqui nos Açores, não pode acontecer, nem funcionar assim”. “Crítica hipócrita” sobre CTT Um desses casos “em que se exige à Sata, e já agora, ao Governo Regional, que resolva”, tem a ver com o serviço prestado pelos CTT nos Açores. Vasco Cordeiro considera que se trata de uma “crítica injusta e hipócrita”. Injusta porque desde o ano passado, a Sata tem colaborado com os CTT por forma a garantir que em cada um dos voo que parte de Lisboa com destino à Região há disponibilidade de acomodar 250 quilos de correio. Quando a média por voo nos últimos três meses, ou seja, incluindo o Natal, ficou abaixo dessa quantidade, com uma média de 240 quilos por voo. Crítica hipócrita porque “é feita, cá e lá, exactamente pelos dois partidos políticos que, no Governo da República, tiveram a responsabilidade de privatizar a totalidade dos CTT e, por incompetência ou simples negligência, não acautelaram, aquilo que é da única e exclusiva responsabilidade da empresa que venderam solucionar: a qualidade do serviço para os Açores, o não encerramento de estações de correio nos Açores”, explicou. Desta forma, Vasco Cordeiro refere que o Governo Regional, enquanto accionista das Sata, “refuta, absolutamente, a crítica formulada, nem admite que, por causa disso, a Sata deva alterar, reorientar ou por qualquer meio atrasar o seu processo de substituição de frota, nomeadamente saída de serviço dos A310 com maior capacidade de carga, por esse motivo”. O Presidente do Governo Regional entende que a solução para esta questão “reside nas obrigações de serviço público de transporte de carga, cujo concurso público lançado pelo actual Governo da República está em fase de conclusão, esperando que, muito em breve, essas obrigações possam entrar em funcionamento”. O novo Airbus A321 NEO teve como madrinha Marta Neto de Medeiros dos Santos e Sousa, que foi a melhor aluna do 11º ano da Escola Secundária Antero de Quental. A nova aeronave foi baptizada com o nome de Marciano Veiga, que foi comandante do primeiro voo da Sata que se realizou em 1947 entre São Miguel e Santa Maria.
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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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