Eleições na Universidade dos Açores - Conheça as propostas dos dois candidatos

O actual reitor João Luís Gaspar e o professor Tomás Dentinho são os dois candidatos a reitor da Universidade dos Açores, cujo período para apresentação de candidaturas terminou na passada quinta-feira, dia 25 de Janeiro. Será conhecido hoje o novo reitor da Universidade dos Açores. Dois candidatos se perfilaram para liderar os destinos da academia açoriana. Duas recandidaturas, sendo que uma a ser a mais votada, será a renovação do mandato para mais 4 anos do candidato João Luís Gaspar. Recandidatura O candidato Tomás Dentinho coloca a tónica da sua campanha na descentralização e desburocratização males que no seu entender levaram a Universidade dos Açores à realidade: “Menos alunos, em valor absoluto de 4040 em 2011, para 3177 em 2014 e 2738 em 2017. Menos alunos também em relação ao todo nacional com 1,02% em 2011; 0,88% em 2014 e 0,76% em 2017”. A preocupação com a redução das receitas apesar da recuperação da economia regional e nacional é consequência da diminuição do número de alunos, da falta de prestação de serviços à comunidade e da falta de empatia com alguns mecenas que disponibilizaram recursos financeiros que por ineficácia a Universidade dos Açores não conseguiu captar. Em suma a gestão financeira, não consegue a independência das «transferências do Estado”. Denotando rigor técnico a candidatura do Prof. Doutor Tomás Ponce Dentinho, termina considerando que “O Conselho Geral, e os seus eleitores, são responsáveis pelas escolhas que fazem, mas representam toda a academia e toda uma sociedade. Os responsáveis pela Universidade dos Açores devem ser sensíveis à Universidade e à realidade em que se insere”. Candidatura para renovar o mandato O Prof. Doutor João Luís Gaspar na sua recandidatura repete algumas notas que registámos aquando da sua apresentação à candidatura para o mandato que agora finda. Pois recorda-nos a “realidade ao nível do desporto” académico como sendo uma bandeira de integração que ficou por realizar. A “ligação da Academia aos seus antigos alunos” nem de perto nem de longe ficou no seu início. Porém o maior corpo da comunidade académica, com os seus 2738 efetivos, cerca de 85% da comunidade académica é colocado no centro de toda a sua preocupação. O documento novamente intitulado, “Programa de Ação…”, é substancialmente uma estratégia, organizativa, procedimental e política para a Universidade dos Açores. A narrativa revela as realidades que colocaram, a situação financeira acima da linha de água e a reestruturação orgânica. Quanto ao futuro tem a contenção própria de quem está ensombrado pela conjuntura. Depreende-se que depois de muito trabalho e empenhamento o aprofundamento não é consentâneo com o óbvio: “A localização geográfica e a natureza arquipelágica dos Açores são os elementos nucleares para tal diferenciação, devendo, tal como os seus estatutos o preconizam, a Universidade ambicionar ser reconhecida como a instituição de ensino superior de referência internacional no ensino e na investigação das questões insulares, marítimas e transatlânticas, em todas as suas dimensões. Finalmente, há que apostar decisivamente na qualidade. Este é, porventura, o objetivo mais difícil de alcançar e, certamente, o que necessita de mais tempo para se atingir, mas é também o principal fator de atração de mais e melhores docentes, investigadores, técnicos e estudantes e a Universidade não pode negligenciar tão prioritária questão”. Estudantes contestam o acto eleitoral “forjado” Esta tomada de posição foi transmitida ao nosso jornal em comunicado e surge desde Novembro, que o Conselho Geral da Universidade dos Açores decidiu que não é relevante a presença de um aluno como membro conselheiro no seu quorum, e como tal a Associação Académica da Universidade dos Açores, em prol dos interesses dos alunos tem vindo a expor esta situação de forma activa, procurando junto do Conselho Geral a sua pacífica resolução, sendo que a mesma não foi possível, pelo que a Associação Académica da Universidade dos Açores dá agora a conhecer a sua posição em relação a esta situação. “A Associação Académica da Universidade dos Açores após ter efectuado várias diligências, junto do Conselho Geral, designado neste comunicado por CG, e da Reitoria da Universidade dos Açores, para completar o número de representantes estatutários dos estudantes, obteve uma resposta enviesada. A eleição de 2 estudantes para o CG, órgão de governo da Universidade dos Açores, tem a particularidade de representar 85% da comunidade académica. Os dois conselheiros do CG com mais legitimidade representativa. Assim, entendemos que o boicote à representação dos estudantes no CG traduziu-se na desvalorização de lealdade e respeito mútuo institucionais. Considerando que: O CG não considerou as eleições antecipadas para eleição dos representantes dos estudantes; O CG da Universidade dos Açores ao consentir a subtracção de 1 conselheiro representativo dos estudantes não traduz os cerca de 2800 estudantes. Revelou-se ineficácia a insensibilidade para a superação de um problema cuja resolução é da sua competência a estava no tempo ao seu alcance. Considerando ainda que: O CG está ferido de falta do princípio de democraticidade; O CG está ferido de falta de princípio de proporcionalidade; O CG está ferido de falta de princípio de participação; O CG está ferido de falta de igualdade; O CG não procede com equidade; O CG não decide com neutralidade sobre os interesses que aprecia. A Associação Académica da Universidade dos Açores, entende que a eleição do Reitor da Universidade dos Açores forjada, não cumpre no essencial a prossecução do interesse e da protecção da confiança dos estudantes. A eleição do Reitor será feita por um colégio incompleto e de independência por esclarecer, com falsa concepção do valor dos estudantes da Universidade dos Açores, pelo que o candidato eleito apenas representará o entendimento administrativo de um corpo sectorial. Não nos revemos na candidatura parcial, não nos revemos numa reitoria que não tem como principal objectivo a qualidade implícita na condição de estudante do ensino superior, nos Açores”.
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