Redução de desperdícios, aposta no desenvolvimento do ensino e mais trabalho são factores determinantes

A propósito do relatório que será lançado pelo Governo Regional, intitulado “Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social”, o nosso jornal foi ao encontro de alguns cidadãos, nas ruas de Ponta Delgada, com o propósito de ouvir algumas sugestões de medidas que poderiam ser postas em prática pelo Governo Regional bem como medidas que poderiam ser mais valorizadas pelo Executivo. Neste sentido, falámos com Cristina Monteverde, empresária no sector da restauração no centro de Ponta Delgada, que afirmou que uma parte da pobreza poderia ser amenizada se as políticas governamentais fossem mais liberais no que diz respeito ao encaminhamento dado aos desperdícios nos restaurantes: “Como empresária, ao nível da restauração, nós temos sempre algum desperdício que não deitamos fora, porque realmente não se deve deitar comida fora, mas depois é muito complicado entregarmos essa comida a famílias carenciadas, porque a lei obriga-nos às etiquetas que estabelecem a validade do consumo e nós ficamos muito restritos à reutilização dos nossos produtos”, apontando, neste sentido que as entidades governamentais “podiam dar mais alguma liberdade para podermos sair do nosso espaço de restauração e entregarmos essa comida a quem mais precisa”. Neste sentido, a empresária defende ainda que o conceito de reciclagem, considerando que “as pessoas ainda estão com a mente muito fechada para este tema”, que deveria ser mais divulgado, salientando também que seria importante se o Governo Regional “apoiasse mais as famílias na produção de agricultura biológica e caseira, e alertasse mais as pessoas para o ambiente e para o desperdício” que as rodeia. No que diz respeito ao nível de desemprego, a empresária afirma que “apesar ser elevada, esta taxa só irá diminuir quando as pessoas começarem a trabalhar por amor”. Já Verónica Duarte, também empresária no centro de Ponta Delgada, afirma que se deveria apostar mais na educação das crianças e jovens, considerando que “uma população analfabeta pode não ter o mesmo desejo e ambição de quem tem conhecimentos superiores”, e que “não promover e investir na base que é a educação” pode condicionar o futuro das crianças e jovens no mundo do trabalho. No que diz respeito aos aspectos menos positivos que estão presentes na sociedade açoriana, Verónica Duarte afirma que aqueles que são considerados pobres pelo Estado “deveriam depender menos do Rendimento Social de Inserção”, e que deveria existir um “maior controlo” por parte do Governo em relação a quem recebe este tipo de apoio, reforçando, por outro lado, que o Governo deveria também “garantir mais oferta de trabalho”. Esta é uma posição também defendida pelo advogado Paulo Gusmão, salientando, porém, que apesar de ser um dever do Governo Regional “motivar as pessoas ao trabalho e ao compromisso e possibilitar mais empregos”, é entre os açorianos que pode estar a resposta a parte do problema, uma vez que “cada um deve empenhar-se nesta causa” e ajudar aqueles que lhes são próprios e que estão em situações mais complexas: “a maior ajuda que os açorianos podem dar é cada um preocupar-se com aqueles que conhecem e vivem nessas situações. Os responsáveis políticos terão também que responder a isso mas os cidadãos devem também assumir a sua própria responsabilidade”, refere. Falámos ainda com Tiago Sousa, reconhecido nas ruas de Ponta Delgada pela venda dos seus artefactos a locais e turistas, de onde tenta retirar algum sustento próprio, uma vez que não consegue encontrar trabalho há mais de 10 anos, sendo a falta de emprego um dos principais entraves que sente que lhe foram colocados pelo Governo Regional: “Antes havia mais trabalho, o que nos safava melhor, mas tive que ser eu a criar o meu próprio trabalho porque não há muitas ofertas por aí”. Apesar de conseguir alguns ganhos que, segundo o próprio, vão “dando para o dia-a-dia”, Tiago Sousa considera que do total de verbas do Governo, mais deveriam ser distribuídas pelos pobres, pois, na actualidade “o Governo não está a apoiar tanto os pobres como poderia”, ressalvando, por outro lado que no que aos sem-abrigo diz respeito, o Executivo está “a fazer a sua parte, porque um tecto é melhor do que nada”.
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