4 de fevereiro de 2018

Recados com Amor

Meus Queridos! Os Tribunais e a função de Juízes têm andado na berlinda, por causa de investigações e de julgamentos que decorrem na capital do ex-império. Não há dúvida que o meu querido Director do Jornal que me acolhe no seu seio foi à frente, quando, há dias, num dos seus apreciados Editoriais dominicais colocou a necessidade de responsabilizar os Magistrados e Juízes pelas seus actos e decisões, à semelhança do que acontece com os demais poderes instituídos. Ninguém pode estar acima da lei, mas quem tem o poder de a administrar está, porque a sua convicção é determinante nas decisões, embora não o devesse ser…E a propósito disso, a minha prima Inácia, que mora num bairro chique de Lisboa, com quem estive à conversa por skype, lembrou-me o que se passou em Beja, onde o Tribunal daquela cidade pediu à directora de psiquiatria do Hospital que fizesse uma perícia médico-legal psiquiátrica a um morto… e por junto… indicava como morada o cemitério e que a consulta, devia ser feita sobre a campa onde o dito cujo jaz. O pedido judicial era feito para tentar resolver uma herança em disputa, porque há herdeiros que querem provar que o homem não estava nas melhores condições psiquiátricas para decidir os termos da herança do modo que decidiu… O insólito da questão resulta do facto de que o Tribunal ou quem decidiu pedir a perícia, devia saber que compete ao Instituto de Medicina Legal efectuar a autópsia mediante uma autorização para exumar o cadáver, e não a uma psiquiatra do Hospital, que cometeria um delito se fosse na cantiga… Tenham dó! Ricos: Hoje é o grande dia de festa na minha cidade norte, a celebrar a padroeira da Matriz e do Município da Ribeira Grande, Nossa Senhora da Estrela, invocação singular da Virgem Maria, a assinalar a Apresentação do Menino no Templo, 40 dias depois do Natal, como manda a tradição, e que nas noites precedentes cantam, noite fora, vários grupos de improvisadores, num misto de religiosidade popular, muito do agrado do Papa Francisco. Quarenta grupos de cantares, oriundos de vários pontos da ilha desfilaram na rua direita na noite da passada Sexta-feira. Na noite de Quinta-feira, foi a vez o meu querido antigo Presidente da Câmara Municipal, António Pedro Costa, evocar a data com uma conferência muito concorrida no Salão Nobre da autarquia. A minha prima Josefina veio, propositadamente, com o marido, à Ribeira Grande para assistir à palestra, e deliciou-se com o que ouviu e ficou a conhecer melhor os primórdios desta tradição que faz parte da nossa cultura e da nossa própria identidade. Contudo, ao saírem da Câmara foram presenteados com uma multa da PSP, por estacionarem o seu pópó aquela hora da noite no passeio do edifício da Repartição de Finanças. A minha prima ficou furibunda com a situação e logo pensou ou a PSP está mesmo com aquele espírito da caça à multa ou os Senhores Agentes não têm mais do que se ocupar se não a passar o papelinho da multa, mesmo a horas remotas, a todos os carros cujos proprietários foram assistir à conferência, dado que os carrinhos não estavam a incomodar ninguém àquela hora da noite. Uma coisa destas não lembra ao diabo!... Meus Queridos! A minha comadre Francelina veio a minha casa jantar na noite das Estrelas, para depois assistir ao desfile dos grupos de cantares que percorrem as ruas da minha cidade norte até à Câmara Municipal. Ela, como de costume, traz sempre consigo um doce e uma grarrafinha de bom vinho, e desta feita trouxe umas saborosas malassadas e vejam só ! uma garrafa de aguardente da terra com a marca impressa de “Maria Corisca” , com a imagem estampada de uma donzela envergando um traje de folclore… A dita aguardente tem como origem as “Caves do Aeroporto”, e a pinga até se bebe bem, mas o que não levo à paciência é que não tenham tido em conta que o meu traje de cerimónia é sempre o vestido comprido azul bandeira, e não um traje de grupo folclore, pese embora a admiração e estima que nutroe por eles . Não sei se continuam a engarrafar aguardente da terra “Maria Corisca”, … mas se o fizerem não se esqueçam de alterar a dita imagem para corresponder ao nome com que baptizaram o produto. Ricos! Li no Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio que a Associação Novo Dia, perante o pedido de apoio feito por um repatriado que se considerou maltratado pelos responsáveis da dita associação por lhe terem negado reforçar a dose dos comprimidos que toma para a tensão e chegando ao ponto de lhe terem ameaçado cortar o apoio à renda da casa. O jornal, foi ouvir como é seu costume um responsável do Novo Dia que por sua vez esclareceu que a medicação em causa foi negada porque “tinham sido entregues 56 comprimidos (segundo posologia médica) a 20 de Dezembro do ano passado”, uma dosagem que deveria ser suficiente até ao próximo dia 14 de Fevereiro, sendo esta então “a altura em que deveria vir novamente levantar medicação”. Paulo Fontes garante que o beneficiário João Rodrigues foi insistente e agressivo para com a assistente social, que vai apresentar queixa. Eu não conheço o caso, mas parece que os comprimidos cedidos ao repatriado não são droga e por isso a Associação devia indagar se o beneficiário teve razões para gastar, como gastou os comprimidos que havia recebido para um mês. É que segundo ele alega, os comprimidos em falta devem-se ao facto da companheira com quem vive também precisar de tomar o mesmo medicamento, e foi por isso, que ele repartiu a dose que lhe havia sido entregue… Bem sei que nem sempre é fácil aos serviços lidar com casos complexos e muitas vezes até insolentes, mas isso é função de quem ganha para o efeito… É preciso saber compreender tais situações e ter capacidade de diálogo e paciência, em vez do atendimento com arrogância perante quem sem outros meios, depende da ajuda oficial… Meus queridos! Fiquei para Deus me levar quando li no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a notícia de que haviam vândalos a riscar carros no parque de São Francisco Xavier, precisamente onde costumo deixar o meu popó quando vou entregar os meus recadinhos ao meu querido Director. E o pior é que no mesmo dia foram várias as queixas do mesmo acto selvagem. Popós riscados também no Largo do Colégio e na Fajã de Baixo. Até parece que anda por aí um gang de estragar carros. Claro que quase ninguém vai à polícia denunciar, porque a denúncia só serve para aqueles que têm seguro contra todos os “riscos” e não podem actuar o seguro sem participação policial… de resto toda a gente sabe que participar é apenas criar complicações e perda de tempo para nada, porque, mesmo que fosse apanhado, o bandido é sempre protegido… Por isso mesmo depois admirem-se se daqueles que defendem que perante a impunidade dos criminosos o melhor seguro é um taco de basebol dentro do popó… Ricos! Quando tanto se fala de falta de polícias que deixam as localidades mais ou menos ao deus-dará, fiquei a pensar como é que terão pessoal para andar a vigiar quem tem cães e gatos sem licença, em casa… É que, coitada de mim, tenho um bichano quase com vinte anos que apenas quer é um cantinho com sol para aquecer e não sei se devo ir com ele para colocar chip e fazer registo na Junta. E a minha vizinha que tem meia dúzia de periquitos também tem de os registar? É esta fúria legislativa e fiscalizadora que dá cabo do país… Quando cheira a fazer uns trocos, sempre aparece gente para fiscalizar. Por mim, se me baterem à porta a perguntar se tenho gato ou boby, digo logo que morreram ontem e foram enterrados na semana passada! Meus queridos! Muito gostei de saber que os deputados açorianos do Partido Socialista na Assembleia da República liderados pelo meu querido presidente Carlos César, convidaram os seus pares de todas as bancadas para irem à Terceira assistir aos bailinhos de Carnaval e para se aperceberem da injustiça que é a lei das taxas de direitos de autor, e para ver se mudam a dita cuja lei… Espero é que este seja mais um passo para acabar com a pouca vergonha que é a forma como esta taxa está a ser aplicada e que promete dar cabo de tudo o que é festa popular. Parecem autênticos abutres do som, a espreitar onde há uma festa ou um simples grupo que se entretém a tocar para animar um canto de rua. Há festas de aldeia que já nem fazem arraial porque as taxas são de tal forma que nem fica pilim para pagar a quem toca e canta… Os impérios do Divino e seus mordomos não sabem a quem se virar e desgraçado de quem tenha um restaurante ou uma tasca e resolva colocar música ambiente. E o pior é que a maior parte dos autores nunca chega a receber um chavo de direitos… Por isso mesmo espero que os deputados tenham um bom carnaval e no fim sejam capazes de mudar a lei… a bem dos bailinhos da Terceira e outros arraiais! Ricos! Ofereço uma pombinha de alfenim a quem adivinhar quem mandou fazer uns calendários que a minha prima Maria da Praia me mandou para a minha colecção e que têm todos os meses do ano com 31 dias, excepto Fevereiro que tem 28… e há meses, como o de Abril que tem o dia “31” num Sábado, mas o mês de Maio só começa na terça-feira seguinte. Eu sei que há erros que podem acontecer, mas um calendário assim só pode ser brincadeira de Carnaval, com logotipo da Câmara e tudo… E é pena porque a foto de cãezinhos e gatinhos está mesmo linda. Fez-me lembrar a história do menino que quando fosse grande queria era ter uma fábrica de calendários… para ser todos os dias Domingo e um só dia de semana, para ir menos à escola! Mas este fica na minha colecção. É património! Meus queridos! Um ternurento beijinho vai direitinho para o meu querido antigo presidente da minha cidade -norte, António Pedro Costa, pela brilhante conferência que proferiu sobre a origem da tradição do cantar às Estrelas no meu concelho e também em toda a ilha. Foi um momento cultural bonito com uma bela lição de tradição e amor à terra. E, felizmente, este ano, para confirmar o que disse o orador, até São Pedro ajudou com bom tempo em noite fria para os milhares de devotos da tradição que estiveram presentes no desfile e actuação dos Grupos das Estrelas. E também é justo deixar uma palavra de apreço aos três concelhos, Ribeira Grande, Lagoa e Vila Franca por este ano terem feito as Estrelas, cada um no seu dia, sem sobreposições que só estragam a festa, já que em Ponta Delgada a tradição começa a crescer mas não tem dimensão de outros lados… Como diz a minha prima Jardelina, assim a gente entende-se.
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