“Não sou político mas fiz todos os possíveis por ser educador”, diz o homenageado Tomaz Borba Vieira

“Um professor nunca fala sentado”, foi assim que Tomaz Borba Vieira começou por agradecer, de pé, os muitos elogios que lhe foram direccionados na homenagem que lhe foi prestada ao início da tarde de ontem, no Hotel Marina Atlântico, promovida pelo Rotary Club de Ponta Delgada, no último dia do mês em que se procurou promover os serviços profissionais e as normas de ética que são um exemplo para a comunidade. A homenagem atendeu à vida e a carreira do professor e do artista que marcou muitos dos seus alunos, colegas de profissão e açorianos em geral, quer pela sua “boa-disposição” (destacada por vários dos presentes), como pela sua criatividade e forma de estar na vida. Apesar de referir por várias vezes que, da sua vida pouco há a acrescentar, Tomaz Borba Vieira quis relembrar os presentes na ocasião de que “a educação e a criatividade artística não são, de maneira nenhuma, coisas separadas, mas sim coisas afins”. No ar, o artista açoriano, deixou a sensação de dever cumprido, relembrando, com satisfação, os ideais da filosofia da Antiga Grécia: “Os filósofos gregos diziam que todo o homem deve ser político e educador. Não sou político, mas fiz todos os possíveis por ser educador”, afirmou Tomaz Borba Vieira, referindo ainda, com base em toda a sua carreira, que “o trabalho do professor é um trabalho que tem uma projecção e uma intenção social, e que justifica plenamente a maneira de existir na sociedade e de fazer alguma coisa pela sociedade, não com efeitos imediatos, mas num futuro”. Para reforçar esta sua ideia de que os conhecimentos transmitidos pela educação devem prolongar-se no tempo, Tomaz Borba Vieira transporta-nos para alguns dos mais conhecidos jardins locais, comparando o papel de um professor com o papel de um jardineiro: “Temos tantos jardins importantes na nossa terra em que os homens plantaram árvores e plantas maravilhosas que nós agora apreciamos, mas eles não as viram. Eles plantaram-nas para os outros e é exactamente essa a função do professor, é plantar para deixar que alguma coisa transpareça através dos outros na sociedade”. No que diz respeito ao lado artístico de cada um, o homenageado refere que o criador, “seja de que área for, procura o seu lugar no Universo. E conquista o seu lugar no Universo todo aquele que conseguir fazer alguma coisa de novo, ou que consiga fazer algo que nunca tenha sido feito”. Esta não é a primeira homenagem feita ao pintor açoriano, uma vez que a 5 de Outubro de 2011 foi inaugurada no concelho de Lagoa a Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, onde consta uma colecção de obras oferecida pelo artista, disponível para consulta dentro da biblioteca, num espaço próprio para o efeito. Cristina Calisto foi uma das pessoas presentes nesta cerimónia de homenagem ao artista, tendo inclusive elaborado um discurso de apreciação por todo o trabalho exercido em conjunto com Tomaz Borba Vieira e todo o contributo do pintor para com o concelho de Lagoa. Dar o seu nome à biblioteca municipal foi uma forma de reconhecer todos estes esforços, tendo a autarca referido que “se não o tivéssemos feito não estaríamos a ser justos com alguém que tem dado tanto pelo nosso concelho, não só em termos da sua vida profissional enriquecedora e pelo papel que tem na sociedade, mas também por este papel generoso de partilha e de educação em que tanto trabalha para proporcionar momentos enriquecedores a quem visita a área cultural do município”. No seu discurso de reconhecimento, Cristina Calisto destacou também os momentos partilhados com o artista, e agradeceu por todos os “grandes eventos culturais na Lagoa com o seu contributo próximo, pessoal e de grande amigo”. Por fim, realçou “o seu imenso sentido de humor, pois é sempre uma pessoa muito agradável de se conviver, e a sua humildade. Por isso, só lhe posso desejar de momento muita saúde e que continuemos a trabalhar juntos em prol do concelho”, disse a autarca. Do convívio com o artista, Igor França, que conheceu Tomaz Borba Vieira ainda em criança e foi, na adolescência, seu aluno, destaca que esta é uma “amizade que dura há quatro décadas”, referindo que as suas aulas eram “inesquecíveis e muito interactivas”. Apesar de esta ser uma presença constante na vida de Igor França, desde que é coordenador da biblioteca municipal que adoptou o nome de Tomaz Borba Vieira, sente que a sua relação com o artista atingiu uma nova fase. Assim, o antigo aluno do homenageado considera que Tomaz Borba Vieira merecerá mais actos de reconhecimento, uma vez que “todo o reconhecimento que ele merece e que tem sido de alguma forma garantido não deve terminar por aqui, pois devemos continuar a chamar a atenção para o exemplo que ele é enquanto homem, cidadão e artista”. Já Leonor Anahory, Presidente do Rotary Club, tendo em conta todo o historial do artista, considera que esta homenagem é uma “obrigação perante este grande homem da cultura e das artes que muito tem generosamente dado e contribuído”, e que esta foi uma forma “reconhecer o valor” do pintor açoriano.
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