Afastada hipótese de deslocalização da fábrica da Cofaco que apresenta projecto de construção de 6 milhões de euros

A Cofaco anunciou ontem que vai despedir todos os trabalhadores da fábrica do Pico num total 180. O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia adiantou aos jornalistas, em Ponta Delgada, que ao que julgava saber “de acordo com o que a Cofaco transmitiu, os direitos dos trabalhadores serão garantidos”, referindo que “existem mecanismos de apoio nestas situações, dado que os trabalhadores não podiam estar no activo [durante o período de obras]” Gui Menezes assegurou, citado numa nota do GAcS, que “os serviços competentes em matéria de trabalho, como a Inspecção Regional do Trabalho e a Direcção Regional do Emprego, irão acompanhar os trabalhadores e estão disponíveis para apoiar os trabalhadores em tudo aquilo que for necessário”. Revelou que o Executivo açoriano já designou uma equipa tripartida de apoio aos trabalhadores da Cofaco, com elementos da Inspecção do Trabalho e da Segurança Social, que será instalada nos serviços de Segurança Social do Pico e que ainda não sabe se “todos os trabalhadores voltarão a ser integrados”, referindo que, “tratando-se de uma nova fábrica, há alterações tecnológicas que vão ocorrer”, e referiu: “ O Secretário revelou ainda que já foi feita a candidatura da empresa Cofaco a apoios comunitários para a construção de uma nova unidade fabril na ilha do Pico deu entrada a 20 de Dezembro de 2017, afastando a hipótese de deslocalização. Gui Menezes, questionado por jornalistas, afirmou que a Secretaria Regional que dirige “está em condições de avaliar o projecto”, acrescentando que essa avaliação será feita “o mais rapidamente possível”, para que a fábrica “possa ser reconstruída e possa iniciar a laboração novamente na ilha do Pico”. A obra de reconstrução da fábrica de processamento de atum na Madalena, no Pico, no mesmo local onde se encontra a actual, tem um prazo de 18 meses. O Secretário Regional disse que, Gui Menezes afirmou ainda que “devemos enaltecer a aposta da Cofaco em continuar no Açores, atendendo também a que estas empresas estão sujeitas a uma competitividade enorme e a custos de contexto nos Açores muito difíceis”. A Cofaco submeteu o projecto para a construção da nova unidade fabril, que irá substituir a actual fábrica, com mais de 50 anos, a fundos comunitários no âmbito de uma portaria do FEAMP - Fundo Europeu para os Assuntos Marítimos e das Pescas, para apoios a investimentos na área da transformação de pescado. Segundo Gui Menezes, citado numa nota do GAcS, o projecto apresentado, no valor de cerca de seis milhões de euros, “faz parte de uma alteração estratégica que a empresa quer ter nos Açores para se tornar mais competitiva”. Em comunicado, o Bloco de Esquerda diz que “perante este total desrespeito e insensibilidade social, considera inaceitável que esta empresa continue a receber apoios públicos, porque tem recebido milhões e agora responde com despedimento. Afinal, os apoios concedidos não servem para criar postos de trabalho, servem apenas para encher os bolsos dos acionistas. O Bloco alertou várias vezes ao longo do último ano para o possível encerramento eminente da fábrica da Cofaco no Pico. Perante estes alertas, o Governo Regional respondeu sempre que os trabalhadores podiam ficar descansados porque a empresa não iria sair do Pico. Afinal, o Governo estava enganado. O BE considera que é mais uma tentativa de atirar areia para os olhos dos trabalhadores, uma vez que não há qualquer garantia legal de que tal venha a acontecer. O Bloco de Esquerda já solicitou uma reunião com o sindicato que representa os trabalhadores e vai levar esta questão ao Parlamento, revelou em comunicado. Também em comunicado, os deputados do PS Açores eleitos pela ilha do Pico lamentaram o despedimento colectivo que irá acontecer na Cofaco, localizada na Vila da Madalena e anunciaram já pediram uma reunião de urgência com o Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores. “É uma situação muito complicada. São muitos postos de trabalho, são muitas famílias que dependem daquela unidade fabril que é histórica na Vila da Madalena, na ilha do Pico e nos Açores e que tem uma importância vital para a economia desta ilha”, sublinhou o deputado Miguel Costa na nota enviada. O encontro está agendado para hoje, às 15h00 na delegação da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores na ilha do Pico.
Print
Autor: N.C.

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima