Tempestade Helene mais próxima de São Miguel do que era previsto

Foi no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) – Delegação de Ponta Delgada, com o meteorologista Diamantino Henriques, que o Correio dos Açores obteve mais informações sobre a chegada da tempestade tropical Helene que, na ocasião, se encontrava “a cerca de 1000 kms do Grupo Ocidental, encontrando-se em deslocamento para norte com alguma velocidade. Deverá atingir, principalmente, os grupos Ocidental e Central a partir das seis da manhã, primeiro com precipitação e depois com vento”, explicou-nos o profissional da meteorologia. “As ilhas das Flores e Corvo serão talvez as mais afectadas, porque são as que estão mais próximas do centro da tempestade, a qual tem uma parte mais activa a norte no sector noroeste. É neste que estamos com maior preocupação, pois pode causar bastante precipitação, uma vez que o centro vai passar a sul.” Pelas nove horas será a vez do Grupo Central começar a sentir com mais incidência este temporal, o qual se “deverá prolongar durante o dia de Sábado e até à madrugada de Domingo, quando ainda se prevê alguma chuva”. Relativamente à agitação marítima, Diamantino Henriques diz que “estamos a prever ondas que vão atingir os oito metros de altura significativa, o que não implica que não existam ondas com alturas maiores, mas é o que se pode prever neste momento. Serão ondas do quadrante sudoeste, ou seja os portos mais afectados serão os mais expostos naquela direcção sudoeste. A onda máxima poderá atingir os cerca de 16 metros”. Como consequência de tal condição meteorológica, as ligações aéreas e marítimas poderão ficar condicionadas, como nos indicou o meteorologista do IPMA. “Poderá haver condicionantes no canal PicoFaial, pelo que naquela zona poderão haver condicionantes a nível de tráfego marítimo. Em relação ao tráfego aéreo, é natural que também haja alguns cancelamentos, porque aquela tempestade deverá ocorrer durante a tarde e os ventos normalmente são proibitivos deste tipo de operações.” Para São Miguel, “estamos a contar com ventos de força de tempestade tropical, que, portanto, poderão ser fortes”, disse. Diamantino Henriques garantiu, na ocasião, que as próximas horas seriam muito críticas, “porque qualquer desvio poderá mudar drasticamente o cenário que estamos a prever, e podem acontecer mudanças à última da hora”. Assim sendo, o IPMA informou, ainda, em comunicado que as ilhas do Grupo Ocidental se encontram sob aviso vermelho devido à precipitação, entre o 12h de Sábado e talvez durante todo o dia de Domingo, enquanto o Central tem aviso laranja das 9h de Sábado às 9h de Domingo. O IPMA refere ainda que o vento médio esperado é de 90 km/h e as rajadas poderão atingir os 120 km/h. Por esta razão, foram também emitidos avisos laranja. Tempestade mais próxima de São Miguel do que se previa A Capitania do Porto de Ponta Delgada ao fim do dia de ontem, emitiu um comunicado, a alertar a população em geral e a comunidade marítima em particular, para o previsível agravamento das condições meteorológicas e do estado do mar, sobretudo no final do dia 15 e no dia 16 de setembro, em virtude da atual previsão de passagem da tempestade tropical Helene mais próxima da ilha de São Miguel, do que o inicialmente previsto. Será por isso expectável, segundo a mesma nota, que, sobretudo a costa sul da ilha de São Miguel, seja assolada naquele período por ondulação de sul que pode ultrapassar os 4 metros de altura, e ventos também de sul na casa dos 30 nós (60 km/h). Face ás condições previstas, em comunicado assinado por José Zacarias da Cruz Martins, Capitão-de-mar-e-guerra, Capitão do Porto e Comandante Local da Polícia Marítima Ponta Delgada e Vila do Porto, pode ler-se ainda: “recomenda-se à comunidade marítima o reforço das amarrações das embarcações e a sua vigilância, em todos os portos e portinhos da costa sul da ilha da ilha de São Miguel. À população em geral aconselha-se que evitem os passeios junto da orla costeira, próximo da linha de água, em particular nos molhes, quebra mares e zonas balneares expostas” Releva-se que é fundamental da parte de toda a população a adoção de uma cultura de segurança ativa e uma atitude prudente junto da orla costeira. Por outro lado, os meios de socorro já estão preparados e colocados de prevenção devido à tempestade em causa. Desta forma, o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) adiantaram “que as diversas entidades com responsabilidade no âmbito da Protecção Civil estarão todas de prevenção a partir do dia de Sábado, nomeadamente os Serviços Municipais de Protecção Civil, as direcções regionais das Obras Públicas e Comunicações, do Ambiente e da Saúde, assim como todas as 17 corporações de bombeiros da Região”, conforme se lê em comunicado. Além disso, a Protecção Civil dos Açores reforçou ontem os meios humanos no Grupo Ocidental, através do envio de um dispositivo operacional e de uma equipa da Direcção Regional de Saúde. Porém, diz a mesma entidade oficial que não será necessário causar alarmismos, “desde que sejam tidas em conta as informações oficiais transmitidas pelo SRPCBA e pelo IPMA, bem como a adopção de medidas de auto-protecção em caso de tempestade, tal como é recomendado pelo Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores”. Como é de esperar de situações do género, as pessoas deverão trancar devidamente portas e janelas, bem como deverão ter também os cuidados habituais nestas situações. A evolução da tempestade Helene vai ser acompanhada pelo SRPCBA e pelo IPMA, bem como por todas as autoridades e agentes de Protecção Civil e serão emitidos novos comunicados sempre que se revelar necessário. Patrícia Carreiro/N.C.

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Categorias: Regional

Tags: Tempestade clima

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