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Recados com Amor

Meus Queridos! Tenho seguido o desnorte que por aí vai sobre o chamado “escândalo familiar” no Governo do meu querido Primeiro-ministro António Costa. O homem, com a sagacidade política que se reconhece, já virou a agulha do disco e tornou-se no arauto da moralidade no Governo, fazendo de conta que nada sabia e desconhecia a rede familiar formada por ministros que são maridos, mulheres, pais, filhas… e um conjunto de parentes afins do primeiro ao terceiro grau, que vão desde adjuntos, assessores e técnicos especialistas… Pelo meio de tudo isso ficaram chamuscados o sempre moralista Cavaco Silva, que veio a público “excomungar” o parentesco no Governo de Costa e depois teve de engolir que nos seus governos também houve cinco ou seis pecados iguais, e o proverbial comentador Marques Mendes, que depois de dizer do caso o que Maomé não disse do toucinho, teve de se mostrar arrependido como Egas Moniz… da mulher também ter servido no Governo em que ele era Ministro ou afim… Mas, o que mais me comove é a pressa em fazer leis para regular o parentesco a incluir no Governo, como se tivesse de ser preciso legislar para que os políticos chamados ao Governo não sejam tentados a pecar… Trata-se de uma questão de ética e essa não se resolve com leis. Ela deve resultar do ADN de quem se propõe servir a causa pública e não dela se servir… É uma questão também de carácter… e por isso não se entende a fuga prá frente feita pelo meu querido Presidente Marcelo, com a apresentação de um Decreto - Lei sobre o acesso familiar ao desempenho de funções na Presidência da República. Cheira-me que essa pressa é uma estucada que Marcelo quer dar em Cavaco, que teve ao serviço da sua presidência uma cunhada também… Mas, o desnorte continua, quando depois do que se tem dito e escrito sobre as incompatibilidades dos deputados, o PS volta atrás e vai votar contra a proposta do PSD de permitir que os deputados pudessem intervir em processos das Sociedades onde  e para quem trabalham… Dizem que se trata de uma proposta de pura transparência, mas esquecem que tal proibição que agora se pretende retomar, respeita apenas a processos onde o Estado ou serviços públicos sejam parte… quando o cerne da questão está na feitura da legislação, que como se sabe, passou a ser encomendada aos gabinetes de advogados, e aprovada depois pelos advogados/deputados desses gabinetes que pululam no Parlamento sem qualquer restrição para o exercício da sua profissão… Tenham dó, não nos façam passar por tolos… ‘Tá?!

Revista Pub açorianissima