Paisagens subaquáticas são uma mais valia para o turismo

retocada

Arranca hoje, em Ponta Delgada, o “Seascape International Symposium 2018” [Simpósio Internacional de Paisagens Subaquáticas 2018], que vai reunir durante dois dias especialistas, gestores, pesquisadores e utilizadores de paisagens subaquáticas. Este Simpósio, que decorre no Auditório do Laboratório Regional de Engenharia Civil, e amanhã na sala de pós-graduações da faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade dos Açores, pretende abrir à discussão a definição de um consenso sobre os critérios que devem ser utilizados na avaliação da paisagem marinha e sua importância para fins turísticos. Este Simpósio, organizado pelo CIBIO Açores/InBio em parceria com o Açores UNESCO Global Geoparque e com o Expolab, pretende também definir o valor das paisagens marítimas e fornecer valor acrescentado para o turismo e os critérios que devem ser abordados para este fim.
A este propósito, a investigadora do CIBIO Açores/InBio Andrea Botelho revela que as paisagens subaquáticas dos Açores são de grande valor e já se tem registado grande procura para o mergulho nessas paisagens. No entanto, alerta que as áreas marinhas protegidas dos Açores que estão classificadas, ainda não saíram do papel. “A sua gestão ainda não é efectiva, não existem medidas concretas relativamente à gestão destas áreas”, revela.

Qual o objectivo deste Seminário?
O objectivo do seminário é ter um debate sobre as paisagens costeiras e paisagens subaquáticas e o valor que é atribuído às nossas paisagens. Fala-se muito nas paisagens terrestres mas pouco nas paisagens subaquáticas e neste caso, este Seminário envolve um conjunto de pessoas que têm trabalho feito na área e que vão tentar chegar a um consenso sobre o que é a definição de uma paisagem subaquática. Nesse sentido, verifica-se qual o valor atribuído a estas paisagens para depois usufruir, mais tarde, em benefício do turismo.

Pela experiência que tem, as paisagens subaquáticas dos Açores são atractivas para o turismo?
Sim, até porque as paisagens subaquáticas são de grande valor. Têm uma grande diversidade de alguns elementos característicos e com algum valor. Apesar de haver um decréscimo daquilo que se vê de cardumes de peixe, de peixes de grande porte, existem alguns pequenos detalhes ao longo da paisagem que podem ser uma mais-valia em termos turísticos para a exploração do produto turístico. Nesse sentido acho que tem um grande valor.
Pode às vezes não ser bem explorado, no sentido de demonstrar esse próprio valor. É nesse sentido que esta pesquisa, esta procura de informação sobre esta temática, visa fazer esta avaliação para retirar o maior valor possível das paisagens e depois divulgar estas mesmas paisagens, com foco nos principais elementos que elas contêm.

Existem zonas de coral próximo das ilhas?
Existem algumas zonas com corais, mas são zonas de grande profundidade que não são possíveis a todos os mergulhadores. Mas existem alguns elementos de corais.

Como caracteriza a paisagem subaquática açoriana?
Existe uma grande diversidade de elementos ao nível da paisagem subaquática. Ainda não existe é muito trabalho efectuado relativamente a este assunto. O objectivo será também procurar identificar os vários elementos. Como existe o GeoParque Açores, que define os Geo Sítios maioritariamente terrestres, existe também uma procura de registar esses pequenos elementos subaquáticos.

Acredita que o nicho de mercado turístico para a paisagem subaquática açoriana pode aumentar muito nos próximos tempos?
Já está a aumentar. Na realidade já existe uma grande procura, não só porque existem vários elementos que nos proporcionam bons mergulhos, nomeadamente a nossa visibilidade, que pode constituir inclusive um elemento da própria paisagem.
Existem vários critérios que vão identificar uma paisagem, não é só pela morfologia do fundo, mas também pela própria visibilidade, pelo que se vê a nível da fauna e da flora, dos elementos geológicos. Existe um conjunto de elementos que de forma integrada proporcionam boas paisagens e nesse sentido, começa a haver mais procura. Porque o conjunto destes elementos são vivenciadores de um bem-estar relativamente às pessoas. Muita gente procura só os grandes pelágicos, os grandes cardumes, mas para além disso existem outros elementos. Isto, com a pouca protecção que temos, porque temos muitas áreas marinhas protegidas classificadas, mas às vezes a gestão dessas mesmas áreas marinhas fica aquém das expectativas e podia eventualmente ser mais efectiva. Nesse sentido, podia dar alguma mais-valia relativamente à reputação de algumas zonas. Isso poderá potenciar mais ainda o próprio valor turístico das paisagens subaquáticas dos Açores.

Devia haver mais cautela com as áreas marinhas protegidas?
Nós temos áreas marinhas protegidas que estão classificadas, mas apenas no papel. Só existe essa classificação no papel. A sua gestão ainda não é efectiva, não existem medidas concretas relativamente à gestão destas áreas e às vezes é necessária uma acção mais direccionada para algumas zonas, precisamente para evitar a degradação desses espaços ou a recuperação de algumas zonas relativamente a áreas como a recuperação de stocks de pesca, por exemplo.