Vândalos destroem bacia nas instalações sanitárias públicas dos Ginetes com recurso a engenho explosivo artesanal
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 26-09-2018
- Escrito por Marco Sousa
As imagens cedidas pela Junta de Freguesia falam por si, reforçadas com as declarações do seu Presidente, André Pavão. “Já são recorrentes situações de vandalismo na Freguesia e já estamos a tomar medidas”, afirma
Alguns actos de vandalismo têm sido recorrentes na Freguesia dos Ginetes, alguns dos quais têm deixado população alarmada. O mais recente destruiu por completo, um lava-mãos das instalações sanitárias públicas situadas no Centro da Freguesia, através do rebentamento de um engenho explosivo artesanal, que deve ser inédito na ilha. “O seu uso, é muito grave, e pode até ser considerado um acto de terrorismo”, segundo as nossas fontes. E como se isso não bastasse foram igualmente danificados 4 autoclismos.
As imagens cedidas pela Junta de Freguesia falam por si, reforçadas com as declarações do seu Presidente, André Pavão. “Já são recorrentes situações de vandalismo na Freguesia e já estamos a tomar medidas. Julgo que já é tempo de parar com estas situações porque estamos a falar de um bem de utilidade pública, pago e mantido com os impostos de todos e como tal é nosso dever zelar pelos mesmos”.
“Não tenho qualquer gosto em agir desta forma, mas depois de colocar quatro autoclismos novos e com mais esta situação, os prevaricadores não deixam margem de manobra”, acrescenta.
O inconformismo de André Pavão vai mais longe na página da Junta de Freguesia na rede social Facebook. “Estes actos de vandalismo são punidos por lei e não é muito difícil descobrir quem os praticou. Julgo que já é tempo de parar com estas situações ou vamos (JFGinetes) agir de outra forma e que passa por denúncia às forças policiais”.
Por falar em forças policiais, a Junta de Freguesia dos Ginetes já tem agendado reuniões com a Polícia de Segurança Pública e com a Polícia Municipal no sentido de encontrar formas mais eficazes de se parar com esses actos de vandalismo e zelar pela tranquilidade e segurança da sua população.
Entretanto, os comentários surgem de todos os lados na mesma rede social. “O Governo sustenta os que não querem trabalhar”; “Já viram, se por acaso entra alguém nessa altura?”; “Não vai a bem, vai a mel, assim é que não pode ficar”; “Vergonha, inadmissível uma coisa destas”; “Uma falta de respeito pela propriedade pública e uma falta de consideração pelos outros”.
Há quem questione, inclusivamente, a falta de um posto policial naquela Freguesia, à semelhança do que acontece, por exemplo, com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada que tem uma secção nos Ginetes.
“Esta é uma situação degradante e não é desta forma que deixamos boa imagem a quem nos visita nem à população dos Ginetes que não se revê nestas atitudes”, sintetiza o Presidente da Junta de Freguesia dos Ginetes.
Acesso pago à zona balnear:
André Pavão concorda
Entretanto, ainda não há novidades em relação à questão da gestão controlada de acesso à zona balnear da Ferraria. Recorde-se que em resposta ao nosso jornal, a Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo ressalvou, estar a estudar o assunto para que o acesso venha no futuro a ser pago para salvaguarda do próprio local.
O Presidente da Junta de Freguesia dos Ginetes disse não haver ainda desenvolvimentos sobre esta matéria, mas concorda com a eventualidade do acesso àquela zona balnear vir a ser pago no futuro. “Concordo, por uma questão de protecção de um local ímpar nos Açores. Agora, os residentes não devem pagar, como é óbvio, porque trata-se de um património que é da Região e dos seus residentes”.
Recorde-se, que uma grande parte dos visitantes além de observarem a zona a partir do miradouro, descem à Ferraria, quer para ir às termas ou para tomar banho e a cobrança do acesso à Ponta da Ferraria, poderia vir a ajudar a resolver os problemas de acumulação de lixo e de vandalismo.
Regras mais apertadas, defende
José Manuel Bolieiro
Também o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, em declarações ao Dinheiro Vivo, em Agosto, disse defender regras mais apertadas nos pontos turísticos de “maior fragilidade ambiental”, com o “objectivo de se evitar “massificação”.
Segundo o autarca, “no mundo inteiro, inclusive na Europa, tudo se paga nos destinos turísticos mais procurados”, defendendo a cobrança de “preços valorizadores”.
Àquela publicação de economia portuguesa de referência, José Manuel Bolieiro, explicou do mesmo modo, que “os espaços de observação e contemplação da natureza precisam de ser qualificados”, pelo que a verba arrecadada teria como propósito o reinvestimento em “locais icónicos e de referência”. A ideia é, ao mesmo tempo, combater a “massificação destrutiva” em zonas como o Miradouro do Rei e as Termas da Ferraria, tendo em vista “a sua protecção e valorização”.
Aliás, o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada já tinha publicamente reafirmado o valor da zona da Ferraria reiterando a disponibilidade para, em conjunto com o Governo Regional dos Açores e a Junta de Freguesia dos Ginetes, assumir uma valorização do espaço, e que, apesar de não estar na alçada do Município, preocupa-o.
O edil reforçara que a Ferraria é um espaço ímpar e que pode ser potenciado e colocado ao serviço do termalismo, da saúde e do turismo, reforçando a posição de Ponta Delgada como um destino turístico sensorial.