Vândalos destroem bacia nas instalações sanitárias públicas dos Ginetes com recurso a engenho explosivo artesanal

Destruído-balneárioAs imagens cedidas pela Junta de Freguesia falam por si, reforçadas com as declarações do seu Presidente, André Pavão. “Já são recorrentes situações de vandalismo na Freguesia e já estamos a tomar medidas”, afirma

 

Alguns actos de vandalismo têm sido recorrentes na Freguesia dos Ginetes, alguns dos quais têm deixado população alarmada. O mais recente destruiu por completo, um lava-mãos das instalações sanitárias públicas situadas no Centro da Freguesia, através do rebentamento de um engenho explosivo artesanal, que deve ser inédito na ilha. “O seu uso, é muito grave, e pode até ser considerado um acto de terrorismo”, segundo as nossas fontes. E como se isso não bastasse foram igualmente danificados 4 autoclismos.
As imagens cedidas pela Junta de Freguesia falam por si, reforçadas com as declarações do seu Presidente, André Pavão. “Já são recorrentes situações de vandalismo na Freguesia e já estamos a tomar medidas. Julgo que já é tempo de parar com estas situações porque estamos a falar de um bem de utilidade pública, pago e mantido com os impostos de todos e como tal é nosso dever zelar pelos mesmos”.
“Não tenho qualquer gosto em agir desta forma, mas depois de colocar quatro autoclismos novos e com mais esta situação, os prevaricadores não deixam margem de manobra”, acrescenta.
O inconformismo de André Pavão vai mais longe na página da Junta de Freguesia na rede social Facebook. “Estes actos de vandalismo são punidos por lei e não é muito difícil descobrir quem os praticou. Julgo que já é tempo de parar com estas situações ou vamos (JFGinetes) agir de outra forma e que passa por denúncia às forças policiais”.
Por falar em forças policiais, a Junta de Freguesia dos Ginetes já tem agendado reuniões com a Polícia de Segurança Pública e com a Polícia Municipal no sentido de encontrar formas mais eficazes de se parar com esses actos de vandalismo e zelar pela tranquilidade e segurança da sua população.
Entretanto, os comentários surgem de todos os lados na mesma rede social. “O Governo sustenta os que não querem trabalhar”; “Já viram, se por acaso entra alguém nessa altura?”; “Não vai a bem, vai a mel, assim é que não pode ficar”; “Vergonha, inadmissível uma coisa destas”; “Uma falta de respeito pela propriedade pública e uma falta de consideração pelos outros”.
Há quem questione, inclusivamente, a falta de um posto policial naquela Freguesia, à semelhança do que acontece, por exemplo, com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada que tem uma secção nos Ginetes.
“Esta é uma situação degradante e não é desta forma que deixamos boa imagem a quem nos visita nem à população dos Ginetes que não se revê nestas atitudes”, sintetiza o Presidente da Junta de Freguesia dos Ginetes.

Acesso pago à zona balnear:
André Pavão concorda

Entretanto, ainda não há novidades em relação à questão da gestão controlada de acesso à zona balnear da Ferraria. Recorde-se que em resposta ao nosso jornal, a Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo ressalvou, estar a estudar o assunto para que o acesso venha no futuro a ser pago para salvaguarda do próprio local.
O Presidente da Junta de Freguesia dos Ginetes disse não haver ainda desenvolvimentos sobre esta matéria, mas concorda com a eventualidade do acesso àquela zona balnear vir a ser pago no futuro. “Concordo, por uma questão de protecção de um local ímpar nos Açores. Agora, os residentes não devem pagar, como é óbvio, porque trata-se de um património que é da Região e dos seus residentes”.
Recorde-se, que uma grande parte dos visitantes além de observarem a zona a partir do miradouro, descem à Ferraria, quer para ir às termas ou para tomar banho e a cobrança do acesso à Ponta da Ferraria, poderia vir a ajudar a resolver os problemas de acumulação de lixo e de vandalismo.

Regras mais apertadas, defende
José Manuel Bolieiro

Também o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, em declarações ao Dinheiro Vivo, em Agosto, disse defender regras mais apertadas nos pontos turísticos de “maior fragilidade ambiental”, com o “objectivo de se evitar “massificação”.
Segundo o autarca, “no mundo inteiro, inclusive na Europa, tudo se paga nos destinos turísticos mais procurados”, defendendo a cobrança de “preços valorizadores”.
Àquela publicação de economia portuguesa de referência, José Manuel Bolieiro, explicou do mesmo modo, que “os espaços de observação e contemplação da natureza precisam de ser qualificados”, pelo que a verba arrecadada teria como propósito o reinvestimento em “locais icónicos e de referência”. A ideia é, ao mesmo tempo, combater a “massificação destrutiva” em zonas como o Miradouro do Rei e as Termas da Ferraria, tendo em vista “a sua protecção e valorização”.
Aliás, o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada já tinha publicamente reafirmado o valor da zona da Ferraria reiterando a disponibilidade para, em conjunto com o Governo Regional dos Açores e a Junta de Freguesia dos Ginetes, assumir uma valorização do espaço, e que, apesar de não estar na alçada do Município, preocupa-o.
O edil reforçara que a Ferraria é um espaço ímpar e que pode ser potenciado e colocado ao serviço do termalismo, da saúde e do turismo, reforçando a posição de Ponta Delgada como um destino turístico sensorial.