“Temos que repensar a sustentabilidade da rede de instituições de apoio social”, diz Noé Rodrigues na inauguração do renovado Lar Luís Soares de Sousa
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- Criado em 26-09-2018
- Escrito por Patrícia Carreiro

O ambiente era de alegria. Entre idosos, familiares e funcionários do Lar Luís Soares de Sousa, percebia-se que todos tinham aguardado este dia com muita expectativa. A obra orçada em mais de 2,2 milhões de euros requalificou o lar e permitiu reforçar a capacidade do seu Centro de Noite para 46 vagas.
Na ocasião, Noé Rodrigues fez questão de agradecer, publicamente, a todos que participaram para que esta obra fosse possível, principalmente ao Governo Regional dos Açores que investiu para o melhoramento das condições físicas e sociais do lar em causa. “As obras aqui realizadas ocorreram durante 20 meses e, por falta de alternativas para realojamento dos nossos idosos e de todos os que nos prestam apoio, idosos e colaboradores partilharam barulho, poeiras e as algazarras próprias da mestrança e de uma obra de grande envergadura. Um esforço permanente para manter condições aceitáveis de limpeza e de serviço de qualidade que prestamos”, garantiu Noé Rodrigues.
Nesse sentido, foi feito um esforço diário e uma mudança ao nível da execução das tarefas para que tudo fosse mais fácil. “Inventamos soluções e planos que diariamente se iam ajustando ao desenvolvimento normal desta obra. Registamos profundos desequilíbrios financeiros, mas nenhum de nós virou a cara e não se vergou às dificuldades.” Noé Rodrigues garante que tal situação foi muito possível devido ao apoio dos colaboradores que “foram imprescindíveis nos cuidados aos idosos, na preocupação que os preparam permanentemente para qualquer inconveniente, na reparação de qualquer contrariedade e no amparo das suas ansiedades”.
142 anos de história
É já há 142 anos que o lar faz a sua história, pelo que o presidente garante que têm que o continuar a fazer. “Merecemos e temos a responsabilidade de continuar este projecto que nasceu da sociedade civil. Temos a responsabilidade de ser parte da política de solidariedade social que a autonomia regional assumiu como seu dever e obrigação.”
Tendo em conta o que exige manter em condições um espaço como este, Noé Rodrigues garante “que queremos ser auditados e acompanhados no uso de qualquer verba que nos dê apoio, no uso de qualquer rendimento, mesmo próprio, dos nossos recursos, na prática de qualquer área de gestão ou administração”.
Na opinião do Presidente da direcção, é necessário que a sociedade intervenha para que a solidariedade social não se perca. “A hora de solidariedade social é de todos nós, de todos os que dia-a-dia a fazem acontecer. Ajudar esta casa não é difícil. Basta ter uma vontade. Há sempre tanta coisa que cada um de nós pode dar; uma visita, um abraço aos nossos velhinhos e um obrigado a quem deles cuida, uma atenção ou um reparo amigo.”
As instituições devem gerar os seus
capitais
Por outro lado, Noé Rodrigues não é alheio à responsabilidade financeira que estas instituições têm que ter. “É certo que temos que repensar a sustentabilidade da rede de instituições de apoio social que a região tem feito crescer de forma impressionante. Não é só à custa de mais dinheiro público que a situação financeira das Instituições Particulares de Solidariedade Social se resolve. Cada instituição tem que cuidar dos seus próprios cabedais, racionalizar as suas necessidades e promover a solidariedade entre todos que dela beneficiam.”
Não obstante, “ao Governo Regional cabe a tarefa de ajudar e de oferecer condições e ferramentas para uma boa gestão destas instituições, identificando carências, recolhendo sugestões, detectando insuficiências e contribuindo para a sua reflexão, mas, principalmente, propondo-se a uma revisão atenta do quadro legal definidor dos apoios, nomeadamente provocando o debate sobre alguns aspectos e questões que há muito se mostram cristalizados no tempo, como é o caso do direito à herança daqueles que não cuidam dos seus idosos, de quem não quis ou não pode assumir o dever de cuidar de quem os criou”, alerta o presidente da direcção do lar.
Sonhar para mais alcançar
Noé Rodrigues realçou a importância de sonhar para mais alcançar, mas disse também que sonham com factores básicos que em muito alteram a vivência destes idosos, como uma boa higiene, boa alimentação e uma cidadania digna. “Depois disso é que sonhamos com investimentos e com interesses patrimoniais. Sonhamos que qualquer responsável político nos possa ajudar. Por exemplo, sonhamos que nos serão aprovados apoios legalmente existentes para investirmos na área social”, revelou Noé Rodrigues.
Com alguma emoção, o presidente da direcção contou que “alguns de nós tiveram a oportunidade de partilhar a alegria dos nossos velhinhos quando foram instalados nas suas novas instalações; alguns de nós guardam a riqueza de um olhar molhado entre o idoso e o seu cuidador a arrumar os seus haveres. O apoio integral que lhes foi dado nesta obra reconheceu e devolveu cidadania a quem um dia julgou perdida e reconheceu mérito a quem trabalha nestas instituições para fazer cumprir a sua missão e a desta instituição”.
Forte ligação entre entidades públicas
e privadas
Por outro lado, na perspectiva do Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, “não é possível conceber o sistema de solidariedade e apoio social que a Região Autónoma dos Açores tem sem ter presente que este sistema resulta de uma parceria entre entidades públicas e as privadas”. Vasco Cordeiro alerta para o facto de que mais do que o investimento que aqui se fez, é importante “não esquecer o dia-a-dia, todas as horas e minutos que fazem funcionar esta rede de solidariedade”, assim como “o cuidado que os colaboradores destas instituições têm. Estamos a falar de mais de 4000 colaboradores de Instituições Particulares de Solidariedade Social e de Misericórdias”, explicou o Presidente do Governo Regional que destaca “o carinho e a atenção que dia-a-dia dispensam” aos nossos idosos.
O Presidente salienta ainda que o Governo Regional tem “dirigido investimento e recursos públicos para a criação, melhoria e requalificação destas infraestruturas. Se contabilizarmos nesta legislatura – que está a meio – as obras que estão concluídas, a decorrer ou que vão ser lançadas, estamos a falar de um valor que ultrapassa os 55 milhões de euros de investimento, para além dos cerca de 60 milhões que todos os anos são direccionados para o apoio a estas instituições”. Mas Vasco Cordeiro está consciente de que “isso não resolve nem esgota a atenção e o cuidado que devemos ter nesta área. Temos a responsabilidade de criar condições, ajudar e colaborar [para] dar melhores condições, não apenas àqueles que já estão numa faze mais experiente da sua vida, mas também à infância e à juventude”.
Formação a cuidadores a decorrer
Nesse sentido, está a decorrer esta semana “uma formação destinada a mais de 100 cuidadores formais que, desta forma, ganham também competências e qualificações para um serviço cada vez mais qualificado, respeitador e profundo que proporciona dignidade e bem-estar a todos aqueles que usufruem destas parcerias, nomeadamente os idosos”.
O Presidente do Governo Regional garante que este é o caminho a seguir, quer para as entidades responsáveis, quer para a comunidade, por forma a que “aqueles que muito deram à sua região possam, também, usufruir da dignidade, conforto e carinho nesta fase da sua vida”.
Assim sendo, o Lar Luís Soares de Sousa vive agora dias de renovação e de mais dignidade física, o que transmite mais bem-estar a todos os seus utentes.