Cabe ao Governo Regional “arranjar soluções” para problemas que se verificam nas Furnas devido ao Turismo

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O Presidente da Junta de Freguesia das Furnas, Sandro Ferreira, está consciente dos problemas relatados pelos furnenses como o “aumento de movimento e da dificuldade de circulação de trânsito na freguesia, a dificuldade de estacionamento em certas horas do dia, ou a procura de habitação para renda permanente”. Sandro Ferreira acredita que cabe ao Governo Regional tentar arranjar soluções para estes problemas, já que a Junta de Freguesia “não tem capacidade financeira para os resolver”.

Correio dos Açores - Que impacto real, teve este ano o aumento do fluxo de Turismo na própria população das Furnas?
Sandro Ferreira (Presidente da Junta de Freguesia das Furnas) - A tendência relativamente aos últimos anos verificou-se num aumento no turismo, claro que o impacto é sempre grande a nível económico tanto no comércio como na oferta de trabalho nessas áreas.

Que queixas chegaram à Junta de Freguesia por parte da população, relativamente ao aumento do Turismo? E da parte dos turistas, registaram na Junta de Freguesia alguma queixa?
As queixas são sempre, claro, devido ao aumento de movimento e da dificuldade de circulação de trânsito na freguesia, na dificuldade de estacionamento em certas horas do dia, na procura de habitação para renda permanente.
Mas o aumento de Turismo tem o lado bom e lado menos bom, se por um lado muitas famílias furnenses vivem directamente e indirectamente do turismo por outro lado também esse aumento e procura do destino Furnas trás esses contratempos.

Perante esse impacto do aumento do Turismo, como se podem minimizar esses transtornos? A Junta de Freguesia pensa implementar alguma medida nesse sentido? Para quando?
Sinceramente não estávamos preparados para esse “boom” turístico. Nas Furnas já estávamos habituados a receber turismo principalmente no Verão, agora esse aumento verificou-se tanto no Verão como na dita época baixa, que é um termo já fora de uso.
Nós, Junta de Freguesia, com os poucos recursos que temos vamos tentando adaptar-nos às mudanças, e em conjunto com a Câmara Municipal da Povoação temos tentado trabalhar para arranjar soluções de trânsito, de estacionamento, de ordenamento, etc.
Agora na minha mais sincera opinião penso que o Governo Regional dos Açores devia olhar de maneira diferente e tentar arranjar soluções para estes problemas porque tem de haver a sensibilidade de compreender que todos os turistas que aterram no aeroporto de Ponta Delgada vêm às Furnas e isso é muito bom, e queremos que continue, mas também traz esses referidos problemas que por sua vez a Junta não tem capacidade financeira de resolver.
Isto sem falar no problema habitacional nas Furnas com o elevado número de Alojamento Local em que a oferta neste momento é enorme e deixou de haver habitação de renda longa nas Furnas, o que traz uma enorme dificuldade em casais jovens encontrarem habitação e as poucas que existem são de valores incomportáveis.

Como é que a população das Furnas pode aproveitar, ou tem aproveitado, para promover pequenos negócios que podem trazer maior rentabilidade à população? Essa possibilidade tem sido devidamente aproveitada, pela população?
O comércio tem sido beneficiado com o Turismo, como consequência aumenta a oferta de postos de trabalho na área turística e isso é bom para as nossas famílias.
O número de negócios turísticos também tem aumentado e o investimento privado exterior também começa a aparecer cada vez mais.

Agora que a época alta já terá passado, e apesar de as Furnas serem um local de paragem obrigatória para qualquer visitante, o fluxo de turismo está mais calmo? A população sente efectivamente uma maior “calmaria” no turismo?
Sim, nesta altura já se nota uma ligeira diminuição no fluxo turístico, mas mesmo ligeira, porque a tendência será as Furnas durante a “época baixa” manter-se sempre num destino apetecível e atractivo.