Associação Terra Verde promove hoje workshop “Produção de Cogumelos”
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 28-09-2018
- Escrito por Marco Sousa

Dezoito participantes vão marcar presença hoje no workshop “Produção de Cogumelos”, que a Terra Verde – Associação de Produtores Agrícolas dos Açores leva efeito na sua sede, no recinto da Feira de Santana, em Rabo de Peixe, entre as 09h00 e as 18h00.
Para nos orientar melhor acerca deste workshop, chegamos à fala com Sílvia Bulhões, técnica da Associação Terra Verde. “O workshop surge da necessidade de apoiar algumas pessoas que solicitaram apoio e informações sobre a produção de cogumelos, e não havendo cá especialistas na área, tentamos através dos nossos contactos encontrar um parceiro, a empresa Aromas e Boletos disponibilizou-se em vir cá com formadores experimentados na produção de cogumelos”. Surgiu assim, esta parceria entre a Terra Verde e a Aromas e Boletos, empresa sediada em Leiria com vasta experiência na produção e formação em cogumelos.
Os participantes
são pessoas de várias áreas
Acerca do número de participantes, a nossa interlocutora ressalvou que ficou “surpreendida pela positiva, embora alguns tenham desistido por motivos pessoais e até mesmo profissionais. No entanto, dezoito é um número bom e logo numa área que começa agora a dar os primeiros passos”.
“São pessoas de várias áreas, algumas delas já experimentaram e outros têm a curiosidade, mas grande parte deles têm interesse em produzir cogumelos nos Açores e particularmente em São Miguel”, acrescentou.
Apesar, da Região ter as condições atmosféricas adequadas à cultura de cogumelos, há outros factores que podem influenciar a sua cultura e produção, como o controle de humidade, luminosidade, entre outros. “Sabemos que os cogumelos adaptam-se a locais húmidos, no entanto e para produções em maior escala haverá vários factores a reter, que no fundo é muita da matéria que será abordada neste workshop. Não lhe posso garantir que a produção de cogumelos venha a ser um sucesso nos Açores, mas vamos dotar os participantes com as ferramentas necessárias para que esta possa ser uma realidade”.
Programa vasto
e abrangente
O programa do workshop é vasto e abrangente, incide sobre noções de micologia, principais espécies cultiváveis, métodos de produção, controlo e prevenção de pragas, condições de cultivo, valores financeiros, mercado dos cogumelos, entre outras, e terminará com uma componente prática de inoculação de tronco e substrato para produção de cogumelos.
E porque serão ainda debatidos os valores financeiros e o mercado dos cogumelos, não só regional como nacional e internacional, Sílvia Bulhões também fala da importância de se produzir cogumelos no arquipélago. “Os cogumelos consumidos em São Miguel e nos Açores são todos importados. Havendo a oportunidade e possibilidade de produzir, estaremos a contribuir para a diminuir a importação, para além do facto de estarmos a disponibilizar aos consumidores locais produto fresco, de qualidade e regional, no fundo mais um produto de valor acrescentado disponível na nossa Região. O objectivo é incentivar o investimento em culturas diferentes, que poderão ser um completo a outras actividades, mas que seja desenvolvido de forma profissional e com foco na qualidade, sendo certo que alcançado este objectivo ficaremos todos a ganhar. Importa referir que contribuir para a diminuir a importação é sempre vantajoso para a Região”, sublinha.
Em termos de projectos em carteira, esta técnica da Associação Terra Verde revela ainda que “no seguimento do trabalho que temos vindo a desenvolver queremos disponibilizar aos produtores todas as ferramentas que lhes possam ajudar a gerir as suas explorações e a rentabilizar as suas produções. O produtor deverá focar-se na gestão da sua exploração sem que tenha que se sentar em alguma secretária para analisar uma série de factores da sua exploração, até porque dificilmente tem tempo disponível para isso, queremos que as tomadas de decisão sejam rápidas, conscientes e intuitivas, um passo em direcção à modernização das produções hortofrutoflorícolas. É neste sentido que estamos a trabalhar pois o produtor necessita estar no campo a cuidar das suas culturas e não a tratar de papéis. A Terra Verde, tem vindo a inverter esta situação disponibilizando plataformas digitais, neste caso a Wisecrop, permitindo ao produtor, em pouco tempo, ter uma base de dados e registos no seu computador mas não ficará por aqui."
Mais e melhor informação e formação
A Terra Verde é uma associação sem fins lucrativos, que tem como objectivo a defesa dos legítimos interesses dos seus associados. A Terra Verde “procura acompanhar de perto estes produtores e fazer com que consigam melhores produções assentes em boas práticas agrícolas e métodos de produção sustentável”. É também objectivo da Terra Verde promover uma agricultura sustentável, “mas acreditamos que este objectivo só será alcançado através de campanhas de sensibilização, formação, informação e acompanhamento”.
Em termos de outras realizações, a produção de espargos verdes é um dos temas que será abordados futuramente, com data prevista para Novembro.
O surgimento de novos produtores
“é sempre gratificante”
O surgimento de novos produtores é visto com bastante agrado pela Associação Terra Verde. “É sempre gratificante ver jovens no sector hortofrutícola ou pessoas novas, algumas delas que até não estavam ligadas à agricultura e que vêem nos Açores uma oportunidade, até porque o nosso trabalho também depende disto mesmo, ou seja, do aparecimento de novas produções e de pessoas interessadas em fazer mais e melhor, e portanto, não é só vantajoso para a Associação Terra Verde, mas penso que para o público em geral e para os nossos consumidores é uma grande mais-valia”.
A este propósito relembre-se aqui o exemplo dado por Fernando Luís Furtado, que durante cerca de 30 anos esteve a trabalhar na então Açoreana de Seguros, parte deste tempo em Lisboa. A sua ideia de sempre foi de desenvolver um projecto na área agrícola, tendo apostado na produção de maracujá, dispondo de um terreno com 10 alqueires de terra na zona do Livramento. Numa altura em que a produção de maracujá nos Açores tem sido alvo de alguns dissabores, Fernando Luís, aposta no sector frutícola e em novas técnicas, pretendendo aumentar a sua capacidade de produção numa altura em que se fala da necessidade de motivar os empresários para a diversificação da produção agrícola nos Açores.