Companhia aérea garantia 60 mil dormidas anuais nos Açores e a Região já procura alternativa para reforçar o mercado nórdico

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A Primera Air anunciou a falência e deixa de voar para os Açores. Em causa estão 60 mil dormidas anuais nos Açores, já que a companhia aérea low cost era a única a voar dos países escandinavos para os Açores.
A Travel Service é a companhia que vai substituir a Primera em Ponta Delgada, quando faltavam apenas 4 voos para concluir a época de Verão planeada pela companhia islandesa. Apesar de já haver uma alternativa até ao final de Outubro, para o próximo ano ainda é uma incógnita e em causa estão 60 mil dormidas anuais no arquipélago.
A Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, confirma que a Primera Air “trazia fluxos consideráveis da Dinamarca, tem uma operação que está calendarizada até ao fim deste mês, com duas ligações semanais para São Miguel”. Marta Guerreiro, em declarações à Antena 1/Açores, refere que o Governo Regional sabe “que os operadores já terão articulado com outra companhia aérea até finais de Outubro. Naturalmente, compete-nos a nós que estes fluxos não se percam e que no próximo ano tenhamos solução para os mesmos”.
Para a governante “o desafio é encontrar uma operação que permita manter e até potenciar os fluxos onde a Primera estava a fazer a sua operação”, ainda sem qualquer tipo de garantias para o próximo ano.

Reacções à falência da Primera
Perante as notícias de falência da Primera, que deixou de operar à meia-noite de Terça-feira, 2 de Outubro, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores mostra-se apreensiva com o futuro.
Ao Correio dos Açores o Presidente, Mário Fortuna, mostrou-se apreensivo e disse esperar que as agências de viagens que faziam a operação com a Primera encontrem uma solução para o próximo ano, para se continuar a assegurar o fluxo turístico nórdico para a Região.
Outras fontes, contactadas pelo Correio dos Açores, garantem que esta falência da Primera “foi inesperada e apanhou toda a gente de surpresa”. Além disso, poderá criar dificuldades no próximo ano na Região se não forem encontradas soluções para o mercado escandinavo.
O Correio dos Açores sabe, no entanto, que a Região já está a trabalhar para conseguir encontrar uma solução e têm sido feitos contactos internacionais com várias companhias, inclusive com as companhias de bandeira da Escandinávia que já têm manifestado intenção de voar para os Açores. No entanto, dada a dimensão daquele mercado para tantos operadores, não tem tornado o mercado dos Açores apelativo. Mas agora com a falência da Primera, abre-se um vazio que as referidas companhias aéreas podem agarrar no futuro. É com isso que a Região está a contar para conseguir uma solução para o próximo ano, de forma a conseguir que os nórdicos continuem a voltar-se para os Açores. O que já tem acontecido já que as estatísticas dão conta que há mais noruegueses e dinamarqueses a visitar os Açores mantendo-se os números dos visitantes suecos e tendo vindo a aumentar o número de finlandeses que escolhem visitar o arquipélago. Por isso, fontes contactadas pelo Correio dos Açores garantem que é preciso muito trabalho para desenvolver estes contactos mas quanto ao sucesso “tudo depende” da vontade das companhias aéreas de bandeira quererem efectivamente ocupar o lugar deixado em aberto pela Primera.
Além disso, a Região tem uma parceria com a TAP, que está bem implementada nos países escandinavos, e que consegue transportar turistas vindos de Estocolmo, Copenhaga ou Oslo para os Açores, fazendo uma paragem em Lisboa. A TAP sai geralmente pelas 6 horas da Escandinávia, chega a Lisboa pelas 10h45 e pelas 11h45 parte rumo a Ponta Delgada onde chega pelas 13 horas.
Estes voos, apesar de não serem directos, têm conseguido grande afluência e a Região tem vindo também a estreitar relações com a TAP através de campanhas para conseguir trabalhar não só na Escandinávia mas em todas as capitais europeias.
Caso a Região não consiga estabelecer um voo directo com aqueles países há sempre a possibilidade de manter e até reforçar os voos com escala em Lisboa para que se consiga trazer até aos Açores os turistas nórdicos. “Não podemos é estar parados”, diz fonte contactada pelo Correio dos Açores.

Primeira abre falência
A Primera Air Nordic e a Primera Air Scandinavian deixaram de voar à meia-noite de ontem, depois de ter sido anunciada a falência das companhias aéreas. A decisão terá sido tomada depois de uma reunião do Conselho de Administração da empresa na sede, em Riga na Letónia, e divulgada através de comunicado da transportadora islandesa. De acordo com a companhia aérea já há alguns meses que tentava “conseguir financiamento a logo prazo” e perante a “impossibilidade de chegar a um acordo” com as entidades bancária, não foi encontrada “outra opção senão pedir falência”. No comunicado da empresa pode ler-se que a situação financeira da Primera, que teve origem na compra da também islandesa Jet X, fundada em 2003 e comprada cinco anos depois pelo Primera Travel Group, se vinha deteriorando devido a “vários acontecimentos infelizes e imprevistos nos últimos dois anos”, nomeadamente devido à perda de um avião e atrasos na entrega nos novos Airbus 321 neo.