Situação na ATA gera preocupação junto dos seus associados

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Tem sido notório nos últimos dias um ataque cerrado à estrutura de funcionamento da ATA – Associação de Turismo dos Açores, com um conjunto de noticias que têm prejudicado a sua credibilidade e acima de tudo descentrar aquilo que deve continuar a ser o foque da actividade da própria ATA que é a promoção do turismo dos Açores. O CE foi contactado ontem por três empresários ligados ao sector do turismo na ilha de São Miguel, e que são associados da própria ATA, que contra com um conjunto de mais de 180 sócios, dos quais dois associados de referencia, o Governo dos Açores e a Câmara de Comercio e Industria dos Açores, sendo que a partir de Setembro, a SATA deixou de ser associada da ATA. “A maturidade e a notoriedade do nosso destino turístico não são ainda suficientemente fortes para estarmos a perder tempo e a desviar atenções para aquilo que deve ser o papel da ATA, ou seja, promover de forma permanente o nosso destino” salientou um dos empresários contactados.
O CE tentou falar com Francisco Coelho, mas o Presidente da ATA está em Lisboa, por razões de saúde, mantendo-se incontactável.
O rosto visível destas críticas tem sido protagonizado por Rodrigo Rodrigues, que a semana passada veio publicamente anunciar que a ATA estava sob investigação do Ministério Público, declarações que caíram mal junto dos associados da ATA, pois pese embora a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo não seja associada da ATA, a Câmara de Comércio dos Açores é associada de referência e o próprio Rodrigo Rodrigues vai assumir a sua presidência no próximo ano, no âmbito da rotatividade que estatutariamente aquele organismo está obrigado pelas três câmaras do Comércio dos Açores.
Ontem, o CE falou com Rodrigo Rodrigues que afirmou ao CE que a sua crítica não é direccionada para a actual Direcção da ATA, mas sim para o Governo dos Açores, a quem acusa de estar a asfixiar de forma permanente em termos financeiros a própria ATA. “O Governo criou a ATA para ter uma estrutura que se pudesse candidatar aos fundos comunitários para promover os Açores como destino turístico, e desta forma ir buscar 85% de fundos comunitários. É uma questão meramente jurídica, pois ao Governo dos Açores cabe promover a Região como destino turístico, o Governo é, na prática, o único cliente da ATA, e não pode o Governo anunciar agora que vai sair da ATA, assim sem mais nem menos. Para sair o Governo tem que deixar garantias claras de assumir os seus compromissos financeiros, ou seja tem que pagar antes de sair, e tem que renovar o contrato programa para garantir a continuidade da própria ATA. Não serão os cerca de 180 empresários privados que são os sócios da ATA que vão assumir esta responsabilidade, nem pensar nisso”, adiantou Rodrigo Rodrigues que confirmou por outro lado que a Câmara do Comércio dos Açores vai ter uma reunião na próxima semana com o Presidente do Governo dos Açores, onde vão ser solicitadas informações adicionais sobre a saída do Governo da ATA, adiantando que a Câmara do Comércio dos Açores vai mostrar disponibilidade para ter outra responsabilidade na ATA.

ATA abre Delegação na Terceira com a integração
de sete funcionários que estavam na ART e deixa
as instalações da Câmara do Comércio de Angra

O que é a ART – Associação Regional do Turismo e para que é que serve? Foi uma das perguntas que fez um dos associados da ATA que contactou o nosso jornal, e que referiu como sendo um dos pontos de conflito com a actuação da ATA, e isto porque o seu actual Presidente é José Toste, que faz parte dos órgãos sociais da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, que pertencia aos quadros da ATA, e que saiu a seu pedido, invocando que ia dedicar-se a um projecto de turismo rural. Tal com José Toste, que conjuntamente com Sandro Paím tratavam das questões relacionadas com a actividade promocional na Ilha Terceira, saíram da ATA Pedro Arruda, Rui Ámen e Rita Castro. Antes de abandonar a Direcção da ATA, Sandro Paim propôs a integração de 7 funcionários que estavam ao serviço da ART, que se dedica à promoção da Ilha Terceira, pese embora os seus sócios são as autarquias do Grupo Central e Ocidental, não se sabendo muito bem com que dinheiro e com que objectivos. De acordo com as nossas fontes, José Toste estará a prepara-se para que a ART também se candidate a fazer promoção, o que seria um erro estratégico enorme pois a promoção deve estar concentrada numa única entidade, para potenciar recursos e diminuir custos, evitando duplicação de tarefas como aconteceu este ano na BTL, onde a representação dos Açores estava repartida por 4 stands: o stand dos Açores, o stand da AMISM, o stand do Concelho da Ribeira Grande e o stand das Ilhas do Grupo Central, em vez de estarem concentrados numa única estrutura, como por exemplo acontece com a Madeira, que tem um stand em permanente animação. Para potenciar estes sete funcionários que integraram a sua estrutura, a ATA abriu uma Delegação na Terceira, dividiu tarefas, criou a figura de gestores de produto para os Açores e não só para a Terceira, abandonou as instalações da Câmara do Comércio e alugou um apartamento na Rua da Palha, um pouco mais à frente das instalações da Câmara do Comercio. Em Julho, a actual direcção da ATA, composta por Francisco Coelho, Luís Rego e João Gonçalves, deliberou fazer um “Door to Door”, por todas as Ilhas e com todos os associados. Esta semana estiveram na Terceira, falaram com os empresários, ouviram muitas críticas sobre a falta de resposta da ATA às questões colocadas, pondo em causa a actuação do próprio Sandro Paím e de José Toste que tinham o “feudo” das questões para a Ilha Terceira. Com a nova estrutura de funcionamento a direcção da ATA deu instruções para haver uma interligação permanente com todos os empresários e associados da ATA na Terceira.

Aviso do Concurso para 2018 saiu em Setembro:
Divida à banca é de 7,4 milhões de euros

O aviso para a candidatura que a ATA tem que fazer para os Fundos Estruturais para suportar a sua actividade em 2108 saiu apenas em Setembro, o que representa que não tem ainda garantido os fundos comunitários adstritos ao seu Plano para 2018. De acordo com um dos sócios que contactou o CE, quando se pensava que seria publicado agora o Concurso para 2019, agora é que esta a ser feita a Candidatura para 2018, quando o Plano de Actividades já se encontra realizado em mais de 75%. Por isso é natural que a ATA tenha que se financiar em situação intercalar junto da banca, porquanto se assim não fosse estaria completamente paralisada a sua actividade. Esta situação tem que ser revista, e a nossa fonte fez também aqui uma critica aberta ao Governo dos Açores que não pode ao mesmo tempo estar a constranger as estruturas que criou para desenvolver a Região, estrangulando – as financeiramente. No caso da ATA a sua divida é de 7,4 milhões de euros à banca, passivo contratado em 2012, na gestão de Francisco Gil, do qual só eram pagos juros, mas já este ano a ATA pagou cerca de 1,9 milhões de euros de capital. Entretanto sabe-se que EY - Ernest & Young já terminou a auditoria externa pedida pelo Governo dos Açores à ATA, não se conhecendo ainda os resultados da referida auditoria.

Bons exemplos da TAP e da DELTA
- Mau exemplo da SATA

Por último, a nossa fonte recordou dois bons exemplos que se estão a verificar actualmente na ATA. As estruturas promocionais da TAP e da DELTA estão diariamente em contacto com a estrutura da ATA para lançarem campanhas promocionais, e por outro lado “pedem “um Feedback permanente dos resultados, para que a sua actuação seja ajustada. Numa houve este espírito de diálogo e de abertura com a SATA, que não dialoga com a ATA. Se no passado até se percebia esta situação, pois Francisco Gil fazia a ponte entre a SATA e a ATA sem passar pela sua estrutura operacional, a SATA por exemplo na sua operação para Munique nunca contactou com a ATA, numa situação que não se percebe, ou então que se explica pelos mais resultados obtidos com aquela operação, fundamental e de grande importância para os Açores.
“Numa altura em que o sector precisa que se juntem esforços para continuarmos a crescer, estamos envolvidos em guerras intestinas, que passam também pelo interesse político, que também aqui resulta numa clara afectação de recursos para os empresários continuarem a investir e a tornar os Açores como um destino atraente e impulsionador da actividade e do desenvolvimento económico dos Açores”, concluiu a nossa fonte.