“37% dos açorianos sofre de dor crónica e há muitos que a vivem em silêncio”

Maria-Teresa

Correio dos Açores - Quem é Teresa Flor de Lima?
Teresa Flor de Lima - Sou médica, trabalho nos Açores há 38 anos, primeiro como anestesiologista, depois como médica da medicina da dor e como especialista em cuidados paliativos. Sou muito conhecida nas campanhas a favor dos doentes com dor crónica há mais de 21 anos.
Nasci no Algarve, estudei na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde fiz a minha especialidade. Logo de seguida, casei em Lisboa com um açoriano e vim para os Açores.
Os açorianos defino-os de duas maneiras, os que saem daqui e não voltam e aqueles que ninguém tira daqui, como o caso do meu marido e e por isso é que vim para os Açores.
Do ponto de vista profissional, tive uma experiência muito positiva porque tive que ser pioneira em várias áreas. Fui a primeira especialista em anestesia a estar no hospital de Ponta Delgada.
Foi uma grande conquista porque os Açores, e sobretudo São Miguel, passaram a ter um serviço de anestesiologia actualizado.
Depois fui pioneira na área da medicina da dor, primeiro porque isto faz parte da especialidade de anestesia, temos que tratar a dor quando os pacientes são operados, mas também porque gosto e porque acho que não se deve ter dor ou sofrimento relacionado com a dor.

Quais as suas actuais responsabilidades?
Neste momento estou aposentada. Sou coordenadora do Conselho Científico da Associação de Doentes com Dor Crónica dos Açores, e devido aos estatutos desta Associação, que é divulgar as questões relacionadas com a dor, tenho bastante actividade nessa área.
Por isso mesmo, e porque esta associação está inscrita numa associação europeia chamada Aliança Europeia da Dor, que congrega 41 associações de doentes, eu também represento no Parlamento Europeu, num grupo de deputados dedicados aos direitos dos doentes…

Que pensa da família de hoje?
Penso que a família se alterou um pouco nos últimos anos. Temos vários tipos de famílias, e eu continuo a achar que a família clássica, onde existe o pai, a mãe e os avós, onde a educação dos filhos é repartida por todos é a que eu defendo.
No entanto reconheço que há vários tipos de famílias e nessas famílias a organização é diferente, as repercussões na educação dos filhos é diferente, a sociedade está diferente. É positivo todos se esforçarem por dar as mãos e serem solidários uns com os outros, de ajudar aqueles que estão com problemas.

Há menos famílias tradicionais?
Penso que sim. Ouve-se que há cada vez mais divórcios e mais filhos que estão à partilha de pais separados. Os avós já têm um papel menos activo na educação dos netos, ou porque são muito idosos ou porque estão em lares, ou porque não vivem com os filhos e netos…
Os avós são muito importantes. Eu aprendi a ler no colo do meu avô, e isto é muito importante, sensibiliza muito e acho que é preciso os governos e as pessoas olharem para alguns destes aspectos e tentarem repô-los.
Por outro lado, fala-se hoje em dia no aspecto da vizinhança, uma vez que as pessoas vivem muito isoladas, trabalham…
Há projectos em alguns países em que se apela às relações de vizinhança. Inclusive temos pessoas a viver sozinhas, e se ninguém olha por elas e se não têm família… apela-se muito à vizinhança no sentido de se ser solidário, que é outro aspecto que se perdeu.

Qual a importância dos amigos na sua vida
Os amigos têm sempre importância porque se não fossem os amigos estaríamos mais sós. Penso que a família é muito importante mas há momentos que partilhamos com outras pessoas, ou porque trabalhamos em conjunto ou porque temos projectos conjuntos.
Não considero que tenha muitos amigos, desenvolvi mais a área profissional, tinha uma vida social menos intensa porque não tinha tempo, tive a educação das minhas três filhas, ocupei muito tempo nestes aspectos.
Encontrávamo-nos, fazíamos alguns jantares mas não tive tempo (para muitas amizades). Talvez agora tenha mais tempo para conviver com os amigos.
Gosto de ler e gosto muito de fazer jardinagem. Tenho um jardim que, às vezes, é uma floresta...
Viver junto ao mar é tranquilizador. Quando vim para cá diziam-me “como é que vais viver numa ilha sempre com o mar à volta?”, mas nem tinha tempo para olhar para o mar. Muitas vezes nem nos lembramos que estamos numa ilha, olho para o mar mas não me dá a sensação de viver numa ilha.

Quais eram seus sonhos de criança?
Já em criança queria ser médica.

O que mais a incomoda nos outros?
A mentira. Não tolero e isso põe-me doente às vezes. É o pior que as pessoas têm, o não serem honestas umas com as outras.

Características que mais admira no sexo oposto?
A sinceridade, a calma.

Gosta de ler? Qual o seu livro de eleição?
Leio muitos livros relacionados com os estudos que vou fazendo e tenho feito muitos estudos na área da dor, na área dos cuidados paliativos, na área da morte. Gosto muito da escrita do professor Lobo Antunes e que nos deixou vários livros que nos fazem reflectir muito sobre a vida e sobre a profissão médica.

Como vive com o manancial de informação nas redes sociais?
Só agora é que estou a entrar nelas. Fui resistindo porque não tinha tempo e porque é um manancial de informação que, muitas vezes, não tem interesse. Por isso estou entrando devagarinho...

Costuma ler jornais?
Não posso ler jornais porque sou alérgica ao papel e à tinta, por isso leio on-line às vezes.

O que pensa da política?
Neste momento da política não se pode pensar bem. É muito positiva se for para desenvolvimento dos países e regiões e para apoiar as pessoas e definir o que é preciso para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Mas a política que temos visto é uma política de engano, as pessoas são oportunistas e é para esquecer.

Gostava de ser política?
Não me importava. Sou uma participante activa na cidadania e na minha área. O ser participante activa na política é quase a mesma coisa. Olharia pelos mais carenciados. Temos que acabar com alguns tipos de pobreza, temos que dar educação a todos e em todas as áreas, a educação e a formação são fundamentais. Na área da saúde é preciso haver educação para a saúde, não basta fazer consultas, abrir hospitais ou fazer cirurgias, é preciso que as pessoas sejam educadas para prevenir as complicações e terem boa saúde.

Gosta de viajar?
Fiz várias das viagens dos meus sonhos, não todas. Viajei sempre com as minhas filhas. Fiz poucas viagens só com o meu marido, mas gostei muito de conhecer países como o México. Tnha vontade de ir a outros sítios e não consegui. Não consegui ir para o Oriente porque tive uma filha nessa altura. Não fiz as viagens todas que queria mas gostei de todas as que fiz.

Quais os seus gostos gastronómicos. Qual o seu prato favorito?
Gosto de comidas saudáveis. Tive dificuldade em adaptar-me à comida açoriana porque estava habituada a uma ementa mediterrânica. Em relação ao meu prato preferido, a minha mãe costumava dizer que se eu deixasse de comer lulas é porque estaria para morrer. Por isso, fui sempre comendo lulas mesmo doente ou com alguma dificuldade.

Que notícia que gostaria de encontrar amanhã nos jornais?
Que teria mudado alguma coisa na corrupção no nosso país. Nós temos processos de justiça, mas faz-nos sentir mal que haja pessoas que usam a política a seu favor, e gostava de ver que isso teria acabado. Não sei como, mas também não devia continuar.

A máxima que a inspira?
Gostar da vida. Gostar de estar vivo, gostar da vida, gostar de ser feliz, gostar da natureza.

Em que época histórica gostaria de ter vivido?
Gosto da minha época. No entanto, gostava de ter vivido no tempo das rainhas pelo aparato, pela maneira de vestir. Dizem que a minha época foi uma geração sanduíche, mas eu não acho. Acho que foi muito importante porque foi uma geração em que se construiu muito. Eu contribuí muito e vivi muito a inauguração do Sistema Nacional de Saúde. Penso que foi muito bom ver construir uma coisa porque isso dava-nos um entusiasmo extraordinário e com poucas pessoas, por vezes, fazíamos muito. Uma coisa que hoje é muito difícil mesmo querendo fazer (…). É pena que não se tenha ficado no auge, na melhor qualidade de vida, na melhor qualidade de ensino, no melhor entusiasmo pela vida…
Não gosto nada da dependência de droga nos jovens e isso foram tudo coisas que se foram acrescentando na nossa geração.

Como conheceu o seu marido?
Conheci o meu marido em Lisboa, num jantar de amigos. Casámos em Lisboa e vim logo para os Açores.
Foi uma decisão difícil e fácil ao mesmo tempo, porque o meu marido ainda antes de casar veio à frente para os Açores e depois, das duas uma, ou casávamos e eu vinha ou então não casávamos. Foi uma partida que ele me pregou. Foi uma decisão que ficou muito nas minhas mãos, mas eu tenho facilidade em me adaptar às mudanças.
Por outro lado também tive uma experiência muito positiva na vida. Sou filha única, o meu marido tem mais cinco irmãos e também passei para uma família grande e foram sempre adaptações que para mim foram fáceis, e viver numa ilha também é fácil.
Era difícil quando estávamos três ou quatro dias sem aviões, mas sempre usei um truque que era o de ter sempre um objectivo para sair, como o ter sempre uma viagem marcada, um projecto para desenvolver fora da ilha, por isso acabei por não estar muito tempo de cada vez na ilha. Fui sempre criando objectivos…

Foi pioneira da especialidade de Anestesia em Ponta Delgada…
Sim, a experiência foi positiva.

Não tinha equipamentos, não tinha praticamente nada…
Não tinha mesmo nada e o que tinha, por vezes, não estava em boas condições. A minha especialidade mudou nesta altura. Conheci-a como era antigamente e vivi a mudança. Por outro lado, eu fiz um estágio de quatro meses no Canadá antes de vir para os Açores. Isso deu-me uma posição de conhecimentos e uma maneira de reagir às situações difíceis. Eu tinha capacidade, mas também tinha muito conhecimento na altura para me adaptar a uma situação difícil. Vim para um sítio onde não temos um mínimo de condições e desenvolve projectos e lancei ideias novas e trabalhei. Portanto, foi positivo pela experiência que eu trazia detrás.

Quando veio para São Miguel foi instalando o serviço de anestesia passo a passo?
Não foi bem passo a passo. Tem que se fazer mudanças às vezes radicais. As coisas foram evoluindo, na medida em que primeiro era preciso mudar equipamentos. Numa segunda fase, era preciso mudar instalações. Depois era preciso ter outras pessoas a trabalhar connosco. Foi preciso ensinar os que cá estavam.
Depois, participei no planeamento do novo hospital do Divino Espírito Santo e também foi interessante.

Esteve ao lado do Dr. Estrela Rego…
Sim, com o Dr. Estrela Rego e faço-lhe aqui uma homenagem. Há tanta gente que se esquece que aquele hospital se deve muito a ele.
Estar no planeamento do hospital foi uma experiência positiva porque, na altura, eu participei na definição de vários serviços, não só do Bloco Operatório, da Anestesia, dos Cuidados Intensivos e do Serviço de Urgência. Tudo isto estava relacionado com a área da Anestesia e foi muito importante. Gostei de colaborar.
Já no Hospital novo não colaborei tanto na área da Anestesia porque comecei a trabalhar na área da Dor.

É uma área que dói…
Agora já não dói tanto. Já doei mais. Já estou mais controlada porque a dor deve-se controlar.
Recentemente realizou-se um congresso da dor em Ponta Delgada..
Este foi o I grande Congresso da Associação de doentes Dor Crónica. Tinha objectivos e era um congresso para alcançar conquistas. Estas conquistas foram conseguidas e, portanto, estou feliz e contente.

Quais foram as grandes conquistas?
Foram várias. Primeiro, divulgar a Associação; divulgar o impacto social da dor que é o tema actual ao nível nacional, da Europa e de todo o mundo; divulgar o que é a dor crónica aos meios de comunicação social. Um dos objectivos é conquistar os meios de comunicação social para esta área. Ando há 21 anos a fazer sensibilização, a deixar mensagens e é importante que, a partir de agora, as pessoas estejam todas alerta para aquilo que é a dor crónica. E a comunicação social é muito importante. Nós temos de conquistas também os políticos para esta causa. Vamos conquistar os decisores e tivemos presenças importantes no congresso.
Outro aspecto muito importante é sensibilizar o público. As pessoas têm que saber que a dor se pode tratar e, sobretudo, ter a noção do impacto que a dor tem nas suas vidas. O impacto é sempre negativo. Portanto, se nós queremos colaborar, divulgar a questão do tratamento da dor, o que precisamos é que todo a gente nos apoiei. Precisamos de mecenas. A Associação de Doentes de Dor Crónica tem um papel importantíssimo e tem tido nestes ,últimos 13 anos, a capacidade de dar apoio a algumas pessoas, informar, divulgar, celebrar momentos importantes que existem a nível nacional e a nível internacional.

Têm surgido mecenas?
Não têm surgido mas temos de apelar a eles. Apelar que haja empresas que nos ajudem. Neste momento, por exemplo, precisamos de uma gráfica para nos fazer alguns trabalhos. Precisamos de donativos para desenvolver projectos. Nós temos muitos projectos que não temos conseguido desenvolver porque, primeiro, os apoios da Segurança Social e da Câmara Municipal de Ponta Delgada são fundamentais para a Associação mas não abrangem determinados projectos que temos como, por exemplo, contratar técnicos.
E queremos ter mais sócios com dor crónica, além de outros sócios s voluntários para nos ajudar. Nós colhemos ideias novas e colaboradores nossos entre as pessoas que vieram ter connosco e nos trouxeram imensas ideias.

Que programas foram lançados?
No Congresso foram lançados em Portugal, pela primeira vez, três programas a nível internacional: Um deles é uma aliança euromediterrânico para a dor que englobará vários países e que foi lançada pela primeira vez em Portugal aqui nos Açores. Um outro foi a criação de um Prémio de Boas Práticas. Isto o que é? As pessoas que trabalham em determinados sítios de modo a ter bons resultados poderão concorrer a um concurso de Boas Práticas. São Boas Práticas que possam ser transmitidas a outras zonas e isto ao nível europeu. Este programa foi lançado em Ponta Delgada e vai ser lançada em Lisboa na próxima semana. E tivemos a apresentação de um projecto chamado ‘Parque Contra a Dor’. Como é que uma ilha se pode transformar num parque contra a dor. Ter todos, as empresas, as associações, as organizações, as instituições a ajudar a divulgar esta questão. Estes são programas europeus que foram lançados nos Açores. Tivemos ao apoio de organizações nacionais e internacionais que estiveram connosco aqui a apoiar-nos.
Participamos nas necessidades contra a dor que é um projecto em que já vimos a trabalhar há cinco anos em que nós, um dia, a nível mundial, vamos para a rua, vamos para os centros das cidades falar com as pessoas falar sobre dor crónica. Isso também tem sido muito interessante.
E, para fazer tudo isso, precisamos de colaboradores, de voluntários, pessoas interessadas em ajudar-nos e de mecenas.
Estar inscrita na Aliança Europeia dá-nos muito mais responsabilidades de colaborar, inclusivamente, em projectos de investigação.
Com este congresso, a Associação de Doentes de Dor Crónica cresceu, e pode crescer ainda mais se houver ajudas e a comunicação social nos continuar a ajudar como ajudou até aqui.
Deixe-me lançar um desafio: Há um concurso a nível nacional para jornalistas que escrevam sobre a dor crónica. É o desafio é que os jornalistas açorianos olhem para este tema e concorrem para este prémio, o que é muito importante. E lançado pela Associação Portuguesa para o Estudo da Dor e, por isso, é preciso que a comunicação social esteja connosco.

Hoje o que é a Associação?
A Associação é uma IPSS sem fins lucrativos que tem uns estatutos, tem uma organização, está inscrita no Instituto de Segurança Social. E a Associação tem um grande grupo de voluntários profissionais que dá apoio, de várias maneiras, a pessoas idosas, a pessoas doentes. Colabora com estas pessoas, sobretudo, informando.

Quantos doentes procuram a consulta no hospital?
A consulta no hospital, para mim, parou há três anos. Fiz a consulta desde 2001, com uma determinada organização e uma determinada estrutura. E desde que eu saí a filosofia da consulta foi outra. Portanto, nada lhe posso dizer neste momento. Só sei que passou a haver uma lista de espera.
Tem que haver critérios de referenciação, tem de haver atendimentos urgentes. A consulta deve funcionar, no caso do nosso hospital, diariamente e penso que isso não está a acontecer porque há carência de recursos humanos. Acontece em todo o arquipélago: Há carência de enfermeiros, carência de médicos especialistas. Depois, muitas vezes, as coisas não funcionam tão bem.
O nosso programa de controlo da dor é considerado uma boa prática em termos de formação das pessoas, de todos os profissionais, de formação pré-elaborada na Escola de Enfermagem. É um programa que já está divulgado a nível internacional.
Agora, é preciso dar continuidade, é preciso desenvolver projectos inovadores.
Penso que muita gente percebeu que o impacto dos doentes com cor crónica é muito importante e mais vale tratar os doentes do que não tratar porque não tratar significa que os gastos são maiores.
Foi apresentado no congresso um estudo a nível nacional sobre os custos que indica que, em custos directos e indirectos, é gasta uma percentagem do PIB nacional bastante elevada, perto do 2% e isto é idêntico em outros países. Por isso é que há um movimento a nível mundial para divulgar o impacto sócio-económico da dor crónica, sobretudo melhorar a qualidade de vida dos doentes. Mais vale prevenir e tratar do que não tratar e deixar as pessoas em silêncio. Por outro lado, os próprios doentes devem fazer-se ouvir.

Há muitos açorianos com dor crónica em silêncio?
Há como há em outros países. O que é que acontece? Muitas vezes as pessoas têm dor e não divulgam porque têm medo de perder o emprego, não dizem que estão doentes. Não sabem a quem recorrer, não sabem que há tratamento, não sabem que um profissional de saúde que não esteja bem informado também não é bem orientado.
A população açoriana tem uma média de percentagem de doentes com cor crónica um pouco superior a algumas zonas do país. Mais de 37% dos açorianos sofre de dor crónica. E, depois, como dizia, há dias, o professor doutor Castro Lopes – que tem feito estudos na Faculdade de Medicina do Porto – interessa muito nós tomarmos mais atenção àqueles que têm dor mais intensa. E aí as percentagens já são pouco inferiores, mas importantes. Nos Açores a percentagem anda à volta dos 20%. e temos de olhar para eles no aspecto da dor e isto não está bem definido ou porque não têm médico de família. Temos de repetir a formação para os médicos de família Há muitos doentes em lista de espera e as pessoas desistem. Começam a sofrer em silêncio. Dão imensos prejuízos em termos de saúde. As pessoas isolam-se, ganham depressão, começa a não querer trabalhar. Há uma série de sintomas e queixas que vêm a seguir `dor crónica que vão ter repercussões na vida daquela pessoas mas não só na vida daquela pessoa. É na família. Se for uma pessoa que trabalha e deixa de trabalhar, ou que não consegue rendimento suficiente para a família, o que vai acontecer é que este é um problema não só da família mas também da sociedade. São famílias que vão ficar com carências, que vai ficar de apoios. E estamos a falar, sobretudo, dos custos indirectos que são consequência das pessoas não se tratarem. A dor acompanha determinadas doenças. A dor não se cura, é crónica. Nas doenças crónicas terá que se manter a dor. Nós temos de aliviar a dor e fazer com que os doentes saibam viver com ela. Há estratégias e há técnicas para levar estes doentes a viver com a sua dor.