Em frente ao Pico

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Nos últimos dias antes de regressar a Bruxelas para mais um período de trabalho, vi-me em frente ao Pico. Passeei em frente ao Pico, almocei a olhar para o Pico, tomei banho de água salgada sob a vigilância do Pico, li quase na sombra da ilha montanha e, no entanto, formalmente falando, não estive no Pico. Mas, pergunto-me, será que não estive mesmo no Pico?
Há quinze mil anos atrás, durante a última glaciação, o Faial e o Pico eram apenas uma ilha. Como o nível médio da água do mar estava mais de uma centena de metros abaixo do que está hoje, a meia centena de metros de profundidade do meio do Canal não eram suficientes para separar as duas ilhas. Como o cientista Fernando Tempera oportunamente identificou, há mesmo antigas dunas fossilizadas em certas zonas do fundo do canal que hoje separa o Faial do Pico. Ou seja, em termos históricos, o Faial e o Pico são a mesma ilha e estiveram unidas também por praias. Pena que ninguém delas tivesse desfrutado…
Quando pergunto aos meus amigos faialenses de que freguesia são, a maioria das respostas inclui um “mas a minha mãe é de São Caetano”, “São Mateus” ou “vim nascer ao Faial, mas sou do Pico”. Quando oiço as disputas entre estas duas ilhas, não raras as vezes, elas são concluídas com um “e eu até sou do Pico” ou “e eu nasci no Faial”. Neste ponto, a discussão habitualmente esmorece, ficando os interlocutores com o olhar perdido na paisagem do lado de lá… ou será do lado de cá? Muito, mas muito mais do que separa estas ilhas é o que as une e, quase sempre, as disputas são acirradas por pessoas que, dentro ou fora das ilhas, beneficiam do sectarismo e da intolerância.
Vejo os resultados das provas dos botes baleeiros que decorreram por estes dias nas Lajes do Pico. Sem surpresa, o Pico ganhou nos remos e o Faial ganhou na vela. É quase sempre assim, como uma complementaridade que, mais uma vez, encontra confirmação.
Nos últimos dias, eu estive sempre a ver o Pico, sendo mesmo um elemento essencial na paisagem. Por vezes, tento descobrir o Piquinho, tantas vezes escondido entre as nuvens, e olho a Madalena e os seus ilhéus, vejo os barcos a partir para o lado de lá ou a regressar de Oriente. Tudo, nestes dias me foi alimentado pelo Pico. Eu fui mais feliz porque a ilha em frente estava lá, e imponente, o verdadeiro e único topo de Portugal! Se estivesse do lado de lá, com sorte jantando no Ancoradouro, contemplaria o Faial com similar admiração.
Que seria do Faial, e particularmente da cidade da Horta, sem o Pico? Quão pobre ficaria o Pico se lhe levassem o Faial? Estas duas ilhas estão ligadas desde há centenas de milhares de anos e, mesmo por via terrestre, voltarão a estar ligadas na próxima glaciação, dentro de cerca de dez mil anos.
Parto para a Bélgica daqui a pouco. Esse país dividido, extremamente dividido, mas que une a Europa como poucos. Sinto uma certa revolta pelos facilitismos usados por alguns seres humanos para dividir comunidades que têm tudo para aprender e usufruir da mútua companhia. É mais fácil acicatar, acirrar e destruir do que construir e estabelecer pontes perenes. Tal como subir à montanha em frente, o caminho para a felicidade não é fácil, mas fracos seríamos nós se, preguiçosamente, abdicássemos da conquista e da felicidade.

Autocarros para rotas temáticas na ilha Terceira no valor de 6,5 milhões de euros

Governo-moinhos

O Governo dos Açores reconheceu como Projecto de Interesse Regional a ‘Criação de empresa de animação turística para realização de rotas temáticas e encenadas através de passeios em autocarro’, promovido pela empresa Azores on Route, Lda..
Este projecto consiste na criação de uma empresa de animação turística que terá como produtos rotas temáticas e encenadas através de passeios em autocarro, rotas estas que procuram integrar toda a diversidade existente na ilha Terceira e recriar momentos de cariz histórico e cultural, envolvendo um investimento global de cerca de 6,5 milhões de euros.
Este projecto integra as prioridades de desenvolvimento definidas nos planos de orientação estratégica regionais, nomeadamente as grandes linhas de orientação estratégica do PO Açores 2020 e no Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores, sendo considerado “mais um contributo importante para a qualificação da oferta turística, factor importante para consolidar a trajectória de crescimento que se verifica no sector”
O Governo dos Açores aprovou, por outro lado, um diploma que adapta a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas à Administração Pública Regional.
Com este diploma reforça-se a remissão para o quadro normativo regional assente na gestão centralizada de recursos humanos e num regime de mobilidade próprio dos trabalhadores da administração regional, tendo em vista “a necessária coerência e operacionalidade de todo um sistema normativo enquadrador do regime de emprego público, e procede-se à adaptação de normas à natureza e características próprias da estrutura organizativa da administração regional dos Açores”.

Seis milhões de euros
para a Ilhas de Valor

O Executivo açoriano autorizar a celebração de um contrato-programa entre a Região e a empresa Ilhas de Valor S.A., no valor de seis milhões de euros, destinado a suportar os encargos com as linhas de apoio às empresas no ano de 2018.
Este contrato-programa decorre do facto da empresa pública ser Entidade Gestora de um conjunto de linhas de apoio às empresas regionais, no âmbito dos mecanismos e medidas implementadas pelo Governo dos Açores para fazer face “à retoma progressiva da normalidade do relacionamento entre as empresas e as instituições financeiras, nomeadamente facilitando o acesso ao crédito bancário”.

10 milhões de euros
investidos no porto do Corvo

O Conselho de Governo apreciou o andamento de um conjunto de processos e investimentos em curso na ilha do Corvo, nomeadamente as obras em curso de repavimentação da pista e da placa de estacionamento de aeronaves do Aeródromo do Corvo, num investimento de cerca de dois milhões de euros.
Esta intervenção implica a aplicação de ‘grooving’, facilitador da utilização da pista em dias de chuva, aumentando a sua capacidade operacional e melhorando as suas condições de segurança;
O Governo visitou ainda as obras em curso do prolongamento do molhe-cais e alargamento da plataforma do Porto da Casa, um investimento de cerca de 10 milhões de euros, que irá melhorar consideravelmente as condições de operacionalidade e segurança nesta infra-estrutura, o abrigo das embarcações, a ampliação da frente de acostagem e a área da plataforma do cais, bem como melhorar a varagem das embarcações na actual rampa.
O Governo autorizou a cedência à AGROMARIENSECOOP – Cooperativa de Produtores Agro-Pecuários da Ilha de Santa Maria, CRL. de um terreno localizado junto ao matadouro desta ilha, destinado a um centro de engorda e acabamento de bovinos, anteriormente a cargo da Associação Agrícola de Santa Maria.
Autorizou, igualmente, a cedência de utilização ao Lions Club de Vila do Porto de uma casa situada na zona do Aeroporto de Santa Maria, destinada a apoiar o desenvolvimento das actividades do clube.
Tendo em conta o pedido efectuado por esta instituição e o seu objecto social, entre outros, “interessar-se activamente pelo bem-estar cívico, cultural, social e moral da comunidade, encorajar pessoas de mentalidade de serviço a servir as suas comunidades sem recompensa financeira pessoal, estimular a eficiência e promover um elevado padrão de ética no comércio, indústria, profissões, serviços públicos e empreendimentos privados, é autorizada esta cedência”.

Vasco Cordeiro visita obra que “dá maior operacionalidade no Aeródromo do Corvo”

O Presidente do Governo dos Açores visitou ontem as obras de repavimentação da pista e da placa do Aeródromo do Corvo, orçadas em mais de dois milhões de euros, que se integram num plano de investimentos destinados a melhorar as acessibilidades aéreas na Região.
“Este investimento, do ponto de vista das acessibilidades aéreas, integra-se num conjunto de outros investimentos que decorreram ou que estão a decorrer em várias ilhas da Região, nomeadamente na Graciosa, no Pico, em São Jorge e na Terceira, e que ascendem a mais de 20 milhões de euros”, afirmou Vasco Cordeiro.
Segundo o Presidente do Governo, que falava à chegada do Executivo ao Corvo para a visita estatutária a esta ilha, o objetivo destes investimentos é garantir “melhor serviço, mais segurança e melhores acessibilidades para os Açorianos”.
Em declarações aos jornalistas, Vasco Cordeiro adiantou ainda que a obra que está em curso no Aeródromo do Corvo inclui, entre outras intervenções, a repavimentação de toda a pista e a implementação do chamado ‘grooving’, que permite a utilização da pista em dias de chuva em condições de maior segurança.
“A consequência prática desta intervenção são menos cancelamentos e melhor serviço com maior segurança”, frisou Vasco Cordeiro.

Há 50 anos o Correio dos Açores noticiava a distinção a Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente de República eleito

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A 5 de Outubro de 1968, o Correio dos Açores noticiava pela pena de Dias de Melo, a lápide que foi implementada na casa onde terá vivido Manuel de Arriaga, Primeiro Presidente Eleito da República.
Escreve Dias de Melo que “os do Pico dizem que ele nasceu aqui. O meu companheiro informa: - Até a Câmara pôs uma lápide. Veio gente. Festa rija.
Os do Faial dizem que não: que foi na Horta que ele nasceu. Lá lhe fincaram outra placa no solar. Lá lhe ergueram uma estátua”.
A Dias de Melo não lhe interessa a rivalidade de picoenses e faialenses quanto ao nascimento do primeiro Presidente da República Portuguesa. “Certo é que Manuel de Arriaga nasceu nos Açores; certo é que viveu nesta casa; certo é que, levando consigo um ideal muito grande de generosidade humana, percorreu todos os caminhos longos, difíceis, hostis, que, destes penhascos abandonados em pleno oceano, chegaram ao palácio da Presidência da República, em Lisboa. O primeiro Presidente que os Portugueses elegeram”.
E foi efectivamente Manuel de Arriaga, que a história dá como nascido na cidade da Horta a 8 de Julho de 1840, que se tornou o primeiro Presidente eleito da República Portuguesa a 24 de Agosto de 1911, tendo exercido funções até 29 de Maio de 1915.

A Implantação da República
Foi o resultado de uma revolução começada a 2 de Outubro de 1910 pelo Partido Republicano Português e que terminou a 5 de Outubro de 1910, destituindo a monarquia em Portugal. Da revolução surgiu um regime republicano em Portugal com a proclamação da República a 5 de Outubro de 1910, pelas 9 horas da manhã na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.
Mas tudo começou antes, em 1908, com o regicídio quando o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, foram assassinados na Praça do Comércio. O regicídio de 1908 acabou por abreviar o fim da monarquia ao colocar no trono o jovem D. Manuel II e lançando os partidos monárquicos uns contra os outros.
O Partido Republicano começa então a ganhar terreno e em Abril de 1909 no congresso do partido realizado em Setúbal sai vitorioso o sector mais revolucionário do partido que pretende tomar o poderá curto prazo, tendo recebido do congresso a ordem de “fazer a revolução”.
A 3 de Outubro de 1910 estalou a revolta republicana que teve sucesso devido à incapacidade de reposta do Governo, que não conseguiu reunir as tropas para dominar os revolucionários. Após a proclamação da República, a 5 de Outubro e o embarque da família real para o Brasil, a 6 de Outubro de 1910 o Diário do Governo anunciava: “Ao Povo Português — Constituição do Governo Provisório da República — Hoje, 5 de Outubro de 1910, às onze horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal na sala nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da Revolução Nacional. Constituiu-se, imediatamente o Governo Provisório: Presidência, Dr. Joaquim Teófilo Braga. Interior, Dr. António José de Almeida. Justiça, Dr. Afonso Costa. Fazenda, Basílio Teles. Guerra, António Xavier Correia Barreto. Marinha, Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Estrangeiros, Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães. Obras Públicas, Dr. António Luís Gomes”.
Durante o tempo que esteve em funções, o Governo Provisório tomou uma série de medidas importantes e que tiveram um efeito duradouro. Para apaziguar os ânimos e reparar as vítimas da monarquia, foi concedida uma ampla amnistia para crimes contra a segurança do Estado, contra a religião, de desobediência, de uso de armas proibidas, etc.
O Governo Provisório gozou de amplos poderes até à abertura oficial da Assembleia Nacional Constituinte, em 19 de Junho de 1911, na sequência das eleições de 28 de Maio desse ano. Nesse momento, o presidente do Governo Provisório, Teófilo Braga, entregou à Assembleia Nacional Constituinte os poderes que lhe haviam sido conferidos a 5 de Outubro de 1910.
Dois meses mais tarde, com a aprovação da Constituição Política da República Portuguesa e a eleição do primeiro presidente constitucional da República - Manuel de Arriaga -, a 24 de Agosto, o Governo Provisório apresentou a sua demissão, que foi aceite a 3 de Setembro de 1911 pelo presidente da república, pondo fim a um mandato de mais de 10 meses. Começava a Primeira República.

Quatro mil pessoas assistiram aos 18 concertos da edição deste ano do Festival TheMusicWorld

Na terceira edição do Festival The MusicWorld organizado pela Vox Cordis – Associação Musical que decorreu entre os dias 28 de Setembro e 1 de Outubro em Ponta Delgada estiveram presentes a assistir aos dezoito concertos e espectáculos quase quatro mil pessoas.
Ao todo, segundo informação disponibilizada pela Associação Vox Cordis, nesta edição deste festival e durante quatro dias, em dez palcos e espaços de Ponta Delgada, na sua quase totalidade na freguesia de São Sebastião desta cidade, foram realizados dezoito concertos, nos quais intervieram mais de 180 músicos e artistas.
“Tratou-se de mais uma edição de um festival que já tem uma história para contar, tal como todas as anteriores edições e deixa, com certeza, uma marca relevante no percurso musical e cultural da Vox Cordis – Associação Musical que, desde o primeiro dia tem feito da Música, uma forma de ser e estar no panorama artístico de Ponta Delgada, de São Miguel, dos Açores e tem levado todo este espírito cultural pelos diversos locais por onde já teve oportunidade de demonstrar o trabalho que tem vindo a desenvolver desde 2002”, refere a organização, sublinhando que “a todos, locais e turistas que, durante as manhãs, as tardes e as noites destes quatro dias de festival estiveram presentes, a Vox Cordis deixa o seu muito obrigada, estendendo também este agradecimento a todas as entidades que apoiaram a associação nesta iniciativa”.
Mais. “Este foi um projecto que a Vox Cordis assumiu e que se concretiza sempre que, seja nestes quatro dias de cada ano, ou sempre que esta associação leva avante outros eventos da sua responsabilidade, há alguém de cá ou de lá que aprende um pouco mais com a Música ou a reconhece como uma arte tão ou mais completa que outra qualquer.
Assim quer a Vox Cordis que continue a ser. Assim pretende a Vox Cordis que todos continuem a acreditar no seu trabalho”, diz a mesma em comunicado balanço das actividades desenvolvidas..
A organziação recorda que «“o Festival “TheMusicWorld” é uma celebração do mundo da música na sua plenitude, coincidindo anualmente, no seu calendário, com o Dia Mundial da Música e acontece desde 2016. Engloba na sua realização a vertente educativa, percorrendo, em 2018, as E.B.I. Canto da Maia e Roberto Ivens e as E.S. Antero de Quental e Domingos Rebelo. Nestes estabelecimentos de ensino estiveram presentes, os seguintes artistas: Aníbal Raposo com o seu mais recente trabalho “Bracinhos no Ar”; Os Semicolcheias, o coro infanto-juvenil da Vox Cordis – Associação Musical; Associação Tradições e Jorge Valério e os seus Hang Drum.
Já um pouco por toda a cidade de Ponta Delgada e em diversos palcos, foram nestes dezoito concertos que aconteceram: Arquinteto (Quadrivium); “Eugénio de Andrade pela Música”, com a presença de Eleonora Duarte e Gabriel Costa (declamação); Anne Victorino de Almeida (compositora e violinista); Luís Cardoso (compositor e saxofonista); Inês Lamela (compositora e pianista); Carlos Garcia (compositor e pianista) e Gilberto Bernardo (pintor); Batukes (grupo de percussão); Sinfonietta (orquestra da Quadrivium); Os Vocalistas (grupo de cante alentejano); Musical do Capuchinho Vermelho (com música para crianças) de Lina Freitas; Banda do Santíssimo Salvador do Mundo (da freguesia da Ribeirinha); Quarteto de cordas (Quadrivium); Quintetango (grupo tangueiro); Associação Tradições com uma arruada pelos “Urros das Marés” e o guitarrista Víctor Castro”. lê-se no documento.
A Vox Cordis – Associação Musical pretende assim continuar, em próximas edições deste festival e em todas as suas realizações, tal como tem acontecido até agora e desde a sua fundação em 2002, celebrar a Música na sua diversidade, sem discriminação, percorrendo desde a música popular à erudita”, reamata a associação em comunicado.