“Os Açores fazem-me chorar de cada vez que tenho que ir embora”

23415458 10214391503923337 6883208942856018021 o

Já lá vão 35 anos de profissão, mas José Besteiro, mais conhecido por Joe Best, contou-nos que nem sempre fez da cozinha a sua profissão. “São 35 anos de cozinha em Portugal e Espanha. Não comecei profissionalmente na cozinha, mas comecei a cozinhar aos oito anos com a minha mãe. Fui recepcionista, fiel de armazéns, empregado de mesa de primeira e depois chef de cozinha”, explica. Por isso, Joe Best conta que a sua “matriz é a cozinha regional portuguesa e sempre foi, com as caldeiradas, o arroz de tomate com peixe frito, os rojões, o cozido à portuguesa, a feijoada, entre outros pratos”. Este cariz tradicional continua presente na sua cozinha, mas algumas coisas foram mudando. “Depois da revolução e das novas modas da cozinha comecei a ter alguns apontamentos da cozinha contemporânea, da cozinha de autor e da chamada cozinha tecno-emocional.”
Neste momento, o chef tem apenas um projecto gastronómico em mãos, nomeadamente o daCozinha. “Fazemos, eu e a minha equipa, caterings, eventos gastronómicos e showcookings, por exemplo. Já fomos cozinhar à Irlanda, Paris, Dublin, Londres, pelo que temos internacionalizado o projecto.”
Além disso, Joe Best é presença assídua na Loja Açores em Lisboa, todos os meses, onde trabalha com produtos açorianos, nomeadamente da fábrica A Mulher do Capote. “Em Lisboa fazemos todos os meses dois eventos onde eu uso os produtos dos Açores que vocês me mandam e eu faço com eles a minha cozinha e a minha visão”, explica o chef.
Mas para José Besteiro há uma parte mais interessante ainda no projecto daCozinha: as visitas que faz a casa das pessoas. “Esta é a parte mais bonita do projecto: entramos pela porta dentro e transformarmos a casa de uma pessoa num restaurante. Vai um conjunto de funcionários, levávamos equipamentos profissionais complementares e usamos e arrumamos a cozinha das pessoas. Posso dizer que tenho 90 pessoas em lista de espera há três anos”, conta orgulhoso.
A adesão nos Açores a este projecto também tem sido crescente, mas Joe Best explica que a agenda não lhe permite satisfazer todos os pedidos e que com a sua vinda ao Wine In Azores espera conseguir realizar algumas destas solicitações. “Em são Miguel tinha dois clientes, um ia abrir um bar de tapas e o outro queria abrir um restaurante de cozinha tradicional; ambos queriam que eu lhes desse consultoria. Tenho um pedido para fazer um almoço para 3000 nas Flores, na Aldeia da Cuada, mas já me disseram que não cabem estas pessoas todas na ilha! Tenho então muitos pedidos para os Açores.”
A verdade é que Joe Best considera que tem tido “um trabalho cada vez mais crescente e que o [seu] fã número um é o patrão de há sete anos, nomeadamente o Eduardo Ferreira e a família que [lhe] dão muito trabalho durante todo o ano”.
Com espaço para marcações apenas em Março de 2019, o chef explica que não são propriamente as suas especialidades gastronómicas que o distinguem no mercado. “Sou conhecido pela garantia que dou e pelo bom serviço que presto! É por isso que esgoto a minha agenda todos os anos; eu sou conhecido por prestar um serviço de excelência, eu e a minha equipa naturalmente.” Joe Best orgulha-se de ter uma equipa residente que o acompanha há muitos anos por gostarem de trabalhar com ele.
Apesar de ser o bom serviço a sua distinção, o chef afirma que “obviamente que tenho especialidades, e a minha especialidade preferida é a caldeirada, mas adapto a minha cozinha tradicional portuguesa com um toque de contemporaneidade ao gosto da pessoa. Eu tenho clientes que me pedem mesmo coisas simples, mas se os clientes quiserem flores e borboletas farei um prato com flores e borboletas”.
Questionado por que razão regressa sempre à região para o Wine In Azores, não tem dúvidas e garante que “os Açores fazem-me voltar seja para o que for, desde que eu esteja disponível e que as pessoas me queiram. Os Açores fazem-me chorar de cada vez que tenho que ir embora. Normalmente vou aos Açores todos os anos em trabalho, mas arranjo sempre espaço para ir; ao vosso arquipélago volto sempre que possível e que me queiram”.
Na opinião deste chef, o Wine In Azores “é um festival falado todos os anos no meio da comunicação social e dos cozinheiros, porque engloba gastronomia e vinho. Este ano, ainda por cima, o evento contará com o vinho do “Furnas”, da Mulher do Capote, e não se pode perder isso”, garante.
Quanto aos pratos que vai apresentar este ano, o chef não adianta muito. “Surpresas! A minha abordagem vai ser baseada na utilização dos produtos dos Açores como a pimenta da terra, a carne e o peixe. Vamos embarcar numa aventura e tentar apanhar peixe genuíno e representativo dos Açores. Se formos antes dos showcookings melhor, porque assim apresentaremos estes peixes. Vamos ter uma sobremesa especial engatilhada. A nossa abordagem irá ao encontro da forma como vemos os Açores.”
Segundo o chef, a potencialidade eno-gastronómica dos Açores “é esmagadora. Os peixes e os queijos são fabulosos, o atum é único; os Açores têm carnes maravilhosas, seja no Pico, na Terceira, ou onde for! Além disso, os vinhos e licores são muito peculiares e muito bons. E nós temos a obrigação de pegar no produto, que é o rei, fazer coisas diferentes do habitual e levá-lo à quinta potência. Temos que potenciar todas as características e capacidades dos produtos dos Açores que têm um produto brutal”.
Para José Besteiro, os Açores têm evoluído muito com este festival, “caso contrário todas as casas estavam a fazer apenas a alcatra à moda da Terceira, por exemplo”.
Questionado sobre aonde come e bebe melhor quando vem cá, Joe Best responde de uma forma muito peculiar. “Marcam-me muitos restaurantes e muitas cozinhas para ir comer, mas eu – por minha vontade – almoçava e jantava sempre no “Cantinho do Cais”, em São Brás na Ribeira Grande, seja peixe ou carne. A família gosta muito da “Associação Agrícola” para comer os bifes, mas eu sou mais de peixes. Quanto aos vinhos, gosto muito dos vinhos que os Maçanitas estão a desenvolver e o Frei Gigante é muito bom, por exemplo. Eu gosto dos vinhos dos Açores, há quem não goste mas eu gosto daquele toque vulcânico que os Açores têm nos vinhos.”
Na opinião deste profissional da gastronomia, há comidas que só nos Açores vale a pena comer e que não se faz da mesma maneira em mais lugar nenhum. “O cozido das Furnas ninguém consegue fazer sem ser nos Açores, não há hipótese, por mais que tentem… Já fui às caldeiras da Ribeira Grande e fiz um cozido que muito me orgulhou de servir; muitos açorianos me disseram que eu devia ensinar a muitos por cá a fazer cozidos das Furnas. A feijoada assada ninguém faz como nos Açores, pois toda a gente faz a feijoada no tacho e nos Açores vê-se a feijoada no forno. A alcatra também é muito diferente”, declara.
A verdade é que desde cedo que os Açores estão presentes na vida deste continental. “Desde pequenino que como massa sovada, alcatra à moda da Terceira e uma série de outras coisas açorianas. Eu tinha cerca de oito anos quando o meu tio me ensinou a descascar ananás e o primeiro ananás que eu descasquei era de São Miguel. Os Açores estão-me no sangue, fui adoptado”, confessa.
Com este amor aos Açores, José Besteiro prepara-se para cá vir novamente, o que acontecerá no próximo dia 14. As expectativas são muito altas para a participação no Wine In Azores deste ano, festival eno-gastronómico que já vai na sua décima edição.

Governo vai pagar mais de três milhões de euros pelos prejuízos da seca mas só no início do próximo ano

 DSC0458

A Federação Agrícola dos Açores ambicionava valores mais elevados disponibilizados pelo Governo Regional para fazer face aos prejuízos da seca deste ano. E estava a apontar para 10 milhões de euros serem distribuídos pelos produtores que tiveram este ano prejuízos nas culturas de milho forrageiro e hortícolas.
O valor será no entanto bem menor, de acordo com a reunião de ontem entre a Federação Agrícola dos Açores e o Secretário Regional da Agricultura, João Ponte, em que foram estabelecidos 1.190 euros de apoio por hectare para o milho forrageiro e o triplo (3.570 euros) para os produtos hortícolas, sendo que a Região comparticipa apenas 75% do valor total dos prejuízos de cada produtor.
O Presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, salientou que a expectativa dos agricultores era bastante mais elevada embora reconheça que esta ajuda “é para minimizar os custos” que os agricultores tiveram. O acordo foi “o possível, nós pretendíamos mais, mas atendendo à situação actual o que nós pensamos é que o governo tenha disponibilidade financeira o mais rapidamente possível para poder fazer estes pagamentos”.
Jorge Rita reforça a necessidade de agilizar os pagamentos “atendendo a que a descapitalização do sector é muita, o Governo sabe desta descapitalização, obviamente que quando tiver todas estas portarias feitas o que nos interessa é que pague o mais rapidamente possível”. Questionado pelos jornalistas no final da reunião, Jorge Rita disse que gostava que as ajudas aos prejuízos da seca fossem pagas até 31 de Dezembro.
Mas o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, diz que só em finais de Fevereiro do próximo ano é que a compensação pelos prejuízos aos 1.500 produtores deverá ser paga.
O governante explica no entanto que os 1.190 euros por hectare para o milho e os 3.570 euros para os produtos hortícolas são valores de referência, uma vez que a Região apenas comparticipa no máximo 75% do valor total dos prejuízos.
“Para aqueles agricultores que tiverem prejuízos da ordem dos 75% nas suas produções, o apoio do Governo Regional será de 669 euros por hectare no caso do milho forrageiro, porque, no caso dos produtos hortícolas, o valor triplica (2.008 euros por hectare”, referiu o Secretário que especificou que no caso da perda de produção de milho forrageiro ser avaliada em 50%, o agricultor irá receber um apoio de 446 euros por hectare e, no caso dos produtos hortícolas, de 1.339 euros por hectare.
Se a perda for de 25%, o apoio aos produtores de milho será de 223 euros por hectare e 669 euros por hectare, no caso dos hortícolas. Tudo valores que irão sair do Orçamento da Região para 2019 e que João Ponte reforço que “se trata de uma ajuda e não de uma compensação total dos prejuízos”.
Agora, depois deste valor fixado entre a Secretaria da Agricultura e a Federação Agrícola dos Açores, será fixado através de Portaria, e depois avança para a fase seguinte que é a aprovação das candidaturas, “que é um mero acto administrativo”, para que os valores possam ser pagos até finais de Fevereiro do próximo ano.
Uma verba que sairá do Orçamento da Região do próximo ano que rondará os três milhões de euros a que irá acrescer a ajuda que foi dada para a importação de palha, concentrado fibroso e feno prensado, que foi representou 1,2 milhões de euros.

Pode ser necessário reforço
do apoio a alimentos

João Ponte alertou também para, de acordo com os dados existentes, poder ser necessário um reforço do apoio à importação de alimentos para os animais. “Vai depender muito também do clima nos próximos meses, porque na verdade isso pode condicionar a produção das pastagens, agora há uma certeza é que no caso do milho forrageiro, 70% da área dos cerca de seis mil hectares tiveram prejuízo superior a 50% em termos da produção. E isso vai-nos afectar quanto à quantidade de alimentos disponíveis para os animais nos próximos meses. Esta é uma realidade. Naturalmente que o apoio que o Governo irá dar pode ajudar na aquisição de algum alimento mas não vai resolver a totalidade. Temos que ter consciência desta situação”, alertou o governante.
Também Jorge Rita considerou que “se a situação se agravar nos próximos tempos, temos que nos sentar à mesa novamente e repensar a situação dos alimentos e a situação de estratégia no sector em relação a muitas explorações que poderão ter dificuldades”.
João Ponte salientou também que a avaliação feita dos prejuízos apresentados pelos agricultores “e aquilo que depois se verificou no terreno pelas equipas de controlo da secretaria é que os valores são semelhantes. Ou seja, houve de parte dos agricultores também uma apresentação e previsão dos prejuízos real e não tentaram aproveitar-se, eventualmente, desta situação, e eu acho que é algo que é preciso dizer e tornar público”. O governante também entende ser este motivo de satisfação para o sector “para verificar que os agricultores foram justos também na sua avaliação que fizeram dos prejuízos. Ou seja não há discrepâncias significativas entre o declarado e o verificado no terreno”.

Reforço da captação de água

Acerca da necessidade de reforçar a captação de água na Região, o Presidente da Federação Agrícola dos Açores revela que será certamente uma intenção, embora a chuva já tenha começado a cair, “não nos podemos esquecer que o Verão passado deixou muitas das dificuldades temos actualmente. Há muito investimento feito na região na captação das águas, mas também há muito investimento para fazer”.
Já João Ponte garantiu que “o abastecimento de água vai ser um grande investimento para os próximos orçamentos” da Região. E explicou que o plano da IROA - Instituto Regional de Ordenamento Agrário, no próximo ano “já contempla uma obra importante para aproveitar a captação de água que neste momento corre para o mar na zona de Água d’Alto, que vai reforçar o abastecimento de água no perímetro de Vila Franca do Campo e Ponta Garça”. Com este reforço vai libertar mais água na Lagoa das Contendas, o que permite reforçar a zona do perímetro central na zona da Maia e Lomba da Maia.
“Estamos a preparar este tipo de investimentos, para além de outros como a construção de reservatórios e já vamos lançar este mês um novo aviso para instalação de reservatórios dos agricultores nas explorações agrícolas, nomeadamente as explorações de leite aproveitando as estruturas físicas que eventualmente estejam disponíveis para a captação destas águas em termos de águas pluviais, um aviso de um milhão e meio de euros”, concluiu João Ponte.

Cineasta vencedor de um Emmy está nos Açores para filmar a rota do chá e quer estreitar relações culturais e económicas entre a China e a Região

Chinês-e

Patrick Lui está há poucos dias nos Açores e diz-se encantado com as paisagens e com as cores mas também com o chá. Veio numa primeira viagem exploratória mas não resistiu a começar a filmar. Com este novo documentário intitulado “um conto de cidades do chá” espera vir a ganhar mais um Emmy.

 

O cineasta e produtor chinês Patrick Lui está desde segunda-feira em São Miguel e diz-se encantado com “a beleza, as cores, as paisagens” da ilha. O cineasta, que já venceu um Emmy em 1983 com o documentário exibido em 12 episódios intitulado “Heart of the Dragon” (“Coração do dragão”, em tradução livre), está agora dedicado a um novo projecto sobre o chá e é essa a razão da visita aos Açores.
O projecto começou a desenhar-se na sua cabeça exactamente a propósito do documentário “Heart of the Dragon”, que Patrick Lui produziu há mais de 30 anos. “É uma longa história”, começa por dizer divertido enquanto explica que o documentário sobre a China abrangia os 22 séculos de História chinesa, mostrando a vida na China moderna e focando vários tópicos. “Depois de três anos a filmar, o documentário fez sucesso em todo o mundo”, explica Patrick Lui que acrescenta que daí resultou um Emmy.
Foi graças a esse prémio que em 2012 foi convidado pela Universidade de Brown, nos Estados Unidos da América, para dar uma palestra no âmbito do “ano da China” daquela Universidade a propósito da série documental que produziu. O evento, que contou com várias actividades ligadas à cultura chinesa, envolveu também uma outra delegação de uma província chinesa “que foi à Universidade demonstrar uma cerimónia de chá. E achei aquela cerimónia bastante interessante, até porque a família Brown [que dá nome à Universidade em Providence] fez a sua fortuna há 200 anos a comercializar chá. Os comerciantes de chá chineses e americanos voltaram a encontrar-se e achei que aquele era um bom assunto para explorar”. A partir daquele momento, Patrick Lui questionou: “porque não fazer um documentário sobre o encontro? O Ocidente encontra-se com o Oriente, de novo, através do chá” e foi assim nasceu a ideia de fazer um documentário sobre o chá.
A ideia começou a ser desenvolvida e o Consulado Português em Providence soube dessa intenção e entrou em contacto com a equipa do cineasta. “Disseram-me que os Açores foram as primeiras cidades com chá da Europa e explicaram-me a história” e isso foi meio caminho andado para agora se concretizar esta viagem.
“Fiquei muito contente com essa informação e disse que tinha de vir cá fazer um filme e aqui estou nos Açores”, explica Patrick Lui que acrescenta que depois dessa intenção foi abordado pela SATA Azores Airlines que ofereceu o patrocínio das viagens para que se concretizasse este desejo do cineasta de filmar “um conto de cidades do chá”. Histórias de cidades de chá aqui nos Açores que depois se interligam com histórias de cidades chinesas de chá. “Juntas”, refere ao acrescentar que “deve ser o ponto de partida para os documentários entre o Oriente e o Ocidente, usando o chá como veículo de ligação”.
Ir mais longe
E além de se entrelaçarem as histórias a partir do chá, Patrick Lui acredita que pode haver outros intercâmbios. “Acho que podemos ir mais longe”, explica o cineasta que questiona: “porque não começar uma ligação entre cidades-irmãs, entre os Açores e algumas cidades da China?”.
O cineasta espera que tal seja possível e diz que já há algum interesse demonstrado na China. “Talvez possamos falar com o Governo ou com as Câmaras municipais sobre esta possibilidade de intercâmbio e espero que possa haver mais intercâmbios. Possamos trazer o consulado cá e vice-versa, isso vai dar-me a hipótese de vir cá mais vezes”, diz bem-disposto.
Se tal vier a acontecer, acredita Patrick Lui, daí podem surgir muitas outras trocas, principalmente culturais mas não só. “Estivemos no Teatro Micaelense e se este intercâmbio for em frente, podemos trazer teatros chineses cá e os de cá irem lá. Podem-se fazer muitos intercâmbios, culturais e não só. Também económicos. Porque os chineses virão e podemos encorajar os empresários chineses a vir também”, acredita.
Patrick Lui ficou encantado com o que viu nesta primeira vista que está a fazer aos Açores, mesmo sem saber muito bem onde ficava o arquipélago e sem saber que tinha toda esta história do chá por detrás. “Os fabricantes chineses vieram para aqui muito cedo e visitámos um sítio, uma casa que infelizmente está em ruínas, onde tudo terá começado. Porque não voltar a começar a partir dali? Esta é a ideia do filme também, estabelecer que o chá é o intermediário de ambos os lados”, explica.
O cineasta e produtor visitou por isso as duas fábricas de chá em São Miguel, do Porto Formoso e da Gorreana, que classificou como “locais muito bonitos e passámos a manhã toda a andar por lá, mesmo estando a chover. Mesmo assim havia muitos turistas e mesmo a entrar nos jardins de chá, com a chuva, pensei: “que cena espantosa!” e começou logo ali a recolher imagens quando não era propriamente isso que estava previsto.
“Era suposto desta vez fazermos só uma pesquisa de locais e pessoas a filmar e entrevistar porque é um documentário e vamos aos locais para falar com as pessoas para perceber um pouco a forma como podemos abordar o assunto. Mas estava tão entusiasmado que queria filmar o mais depressa possível”, explica Patrick Lui que diz que também provou o chá verde e chá preto e “é delicioso, muito bom”.
No entanto, desde segunda-feira que tem feito vários contactos com especialistas, professores e outras pessoas ligadas à cultura do chá e tem já “cinco ou seis com quem já contactámos para falar” numa próxima fase. Mas não quiseram desperdiçar esta oportunidade “e imediatamente quisemos começar a filmar, porque a estação de televisão foi muito amável e enviou um repórter de imagem comigo para irmos filmando”.
Depois deste contacto inicial com os Açores, onde Patrick Lui conta com o repórter de imagem nordestense Mário Nelson Medeiros como único membro local da equipa internacional, provavelmente na próxima Primavera haverá uma segunda fase do projecto. “Nessa altura já trarei mais pessoas porque irem trazer uma verdadeira equipa de filmagem”, adianta Patrick Lui que acredita que o documentário deverá levar cerca de dois anos só a filmar. “Temos de falar com as pessoas, temos de os ouvir porque não é a minha história, é a história deles. Temos de ouvir o seu passado, a sua história e é isso que torna o documentário interessante”, explica o produtor.
O documentário deverá ser exibido em episódios, totalizando seis horas, e Patrick Lui pretende chegar aos cinco continentes. “Vamos filmar aqui, depois vamos para o Brasil, para Moçambique. Temos muitos locais para ir. Queremos ver onde é que o chá vai. O chá faz história e mudou o mundo. Daí que vamos filmar onde vai o chá. Temos muito trabalho pela frente”, confirma.
E no final “espero ganhar outro Emmy com este trabalho”, acredita.
É que “o chá aproxima as pessoas. Chá é harmonia. Quando se encontram amigos, bebe-se uma chávena de chá. É internacional. Até os políticos o fazem. O Presidente da China leva sempre chá de oferta quando visita outros países. Por isso é que acho que o chá é um excelente assunto. É uma mercadoria pacífica. E espero que toda a gente goste de chá”, explica.
Encantado com São Miguel, Patrick Lui diz que os dias que aqui tem passado “têm sido uma loucura. Adoro este sítio e temos estado a fazer muita coisa” e assim vai continuar até dia 15 de Outubro quando vai regressar. Mas não sem antes passar pelos Estados Unidos durante 10 dias, “onde também há muitos açorianos e onde vamos tentar perceber como emigraram para lá e como assentaram naquelas cidades”.
Até lá Patrick Lui vai aproveitar para retratar cada paisagem e cada recanto, “que têm cores únicas”, não só por motivos profissionais mas também para enriquecer a sua colecção particular de fotografias que vai armazenando no telemóvel para mais tarde recordar.     
            
                                                  

Futuro projecto para a Quinta da Grená deve cumprir regras das Reservas Ecológicas e o actual edifício só pode crescer 50%

Propriedade-da-grená

Tendo em conta que a propriedade da Grená, situada na margem da Lagoa das Furnas, se encontra à venda em hasta pública desde o passado dia 21 de Setembro, terminando o período para apresentação de propostas no próximo dia 24 de Outubro, Sérgio Medeiros adianta que “todas as construções e reconstruções para a zona da freguesia das Furnas têm que cumprir determinadas regras”, seguindo tanto o Plano Director Municipal (PDM), traçado pela autarquia, como o Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas, traçado pela Direcção do Ambiente.
Assim, segundo o geógrafo da Câmara Municipal da Povoação, em reservas naturais semelhantes à da Lagoa das Furnas, por onde correm cursos de água e onde podem ser encontradas nascentes, há que “ter muito cuidado com o arrastamento às nascentes, porque existem perímetros de protecção para as nascentes quentes e para as nascentes frias, que são as zonas de protecção imediata, intermédia e alargada”, adiantando que “nas zonas de protecção imediata não se pode construir absolutamente nada”.
Já nas zonas de protecção intermédia e alargada, onde de acordo com a Direcção Regional do Ambiente se insere a área da propriedade que agora se encontra a leilão, explica o geógrafo, “podemos construir mas com determinados cuidados e, para além disso, temos de ter muito cuidado com a largada de substâncias perigosas para o solo, bem como a um conjunto de regras extremamente restritas não só para a Lagoa das Furnas mas para toda a zona da própria freguesia”.
Na prática, e de acordo com o publicado em “Diário da República” no dia 2 de Abril de 2012, no artigo que diz respeito aos “Actos e actividades condicionados e proibidos” nas áreas protegidas, não é permitida “a realização de obras de construção civil, com excepção das obras de reconstrução, demolição, conservação de edifícios e ampliação, desde que esta não envolva aumento de área de implantação superior a 50 % da área inicial e a área total de implantação, depois de realizada a ampliação, não seja superior a 100 m2”, sendo o total da área rústica da propriedade 182 280 m2 e o total da área urbana 3 361 m2.
Neste sentido, a localização onde se insere a propriedade da Grená, avaliada no valor base de 400 mil euros, está abrangida no que toca a condicionantes de ordenamento de território, pela Zona de Protecção Alargada às Nascentes Quentes e Frias, pelo Parque Natural da Ilha de São Miguel (PNI), sendo ainda classificada como Reserva Ecológica que apresenta, de acordo com a Direcção Regional do Ambiente, “um elevado risco de erosão hídrica do solo e áreas estratégicas de protecção e recarga de aquíferos”.
Por estas condicionantes, a mesma Direcção Regional afirma que “a viabilidade da implementação de um projecto para a Quinta da Grená estará dependente das características do mesmo, havendo necessidade de cumprir o estipulado nos regulamentos do Plano do Ordenamento da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas, do PDM e do PNI, bem como as disposições constantes dos regimes aplicáveis à Zona de Protecção Alargada às Nascentes Quentes e Frias, e à Reserva Ecológica”.
No entanto, a autarquia afirma “não ter capacidade para tutelar tudo isto”, e por esse motivo há um trabalho constante de coordenação entre a Câmara Municipal da Povoação, através do seu Plano Director Municipal, e o Governo Regional dos Açores, através da Direcção do Ambiente e dos seus planos de ordenamento “muito mais rígidos”.
Dadas as condições restritas da área onde se insere a propriedade da Grená, Sérgio Medeiros aponta que, apesar de a Câmara Municipal apenas tencionar pedir um parecer quando existirem projectos concretos, os futuros proprietários deverão ter “um cuidado extremo” ao ali aplicarem alterações. Porém, “quem irá fazer as recomendações será sempre a Direcção Regional do Ambiente”, salientando o geógrafo que apesar de existirem outros exemplos semelhantes de propriedades restauradas ao longo das margens desta lagoa, “há que fazer o correcto ordenamento do território”.
Esta preocupação pelo correcto ordenamento do território é, de acordo com Sérgio Medeiros, sentida em geral por todos os concelhos, não apenas na Povoação ou na freguesia das Furnas. Porém, “a zona das Furnas é muito diferente de todas as outras do concelho da Povoação e tem que ser muito bem ordenada, por isso é que há um cuidado para não haver apenas um plano, neste caso o Plano Director Municipal mas existirem mais planos que regem aquela área de acordo com as características naturais e culturais do local”.
Porém, naquela que é a realidade vivida nas Furnas, “há sempre preocupações neste sentido ,porque somos um concelho marcado pelo verde e temos muita paisagem natural que poderá ser preservada e mantida de forma genuína. E tem que haver, não apenas um ordenamento, mas um reordenamento do território e não apenas começar a ordenar daqui para a frente. Temos que ordenar daqui para a frente e reordenar o que já esta feito no passado”, salienta o geógrafo da Câmara Municipal da Povoação.
Enquanto um dos responsáveis pelo ordenamento de território naquela freguesia, Sérgio Medeiros afirma que tem existido “um aumento muito significativo” dos pedidos para reabilitação de moradias no concelho.
“Tenho notado que existem muitos pedidos de reabilitação de moradias existentes para o alojamento local. Também há alguns pedidos relativos a concessões mas os mais pedidos estão relacionados com a reabilitação de edifícios existentes, algo que legalmente é muito mais fácil fazer na freguesia de Furnas, pois se a casa está degradada é também do interesse da autarquia que esta seja reabilitada, e por isso as pessoas têm procurado muito a Câmara Municipal para fazer pedidos de licenciamento para obras de reabilitação de casas antigas para o turismo”, afirma.
De acordo com o Governo Regional, esta decisão de venda insere-se numa “estratégia de promoção da diversificação do investimento e do reforço da competitividade”, dado o potencial turístico da propriedade, adquirida pelo Governo português no final dos anos 80 para servir de residência de apoio a autoridades que se deslocassem à Região, propósito que o Governo Regional renovou em 2015, ao anunciar que iria tomar posse de três móveis do Estado no arquipélago, incluindo a propriedade da Grená.
O respectivo imóvel, denominado por Quinta da Grená, apresenta no entanto um avançado estado de degradação, impossibilitando por isso que se tivesse cumprido o objectivo pelo qual terá sido adquirido pela Região. A propriedade em causa inclui um parque arborizado, um curso de água atravessado por uma ponte, um jardim e um palacete, e localiza-se como já foi referido numa área protegida.

Vasco Cordeiro defende a limitação de mandatos para todos os cargos políticos como acontece com o de Presidente do Governo

IMG 8698

O líder do PS-Açores, Vasco Cordeiro, admitiu que “a Autonomia dos Açores, também fruto do  “Movimento Açores Primeiro”, precisa de se repensar a si própria, mas, acima de tudo, precisa sobretudo pensar na forma como pode desbravar novos caminhos.  Em relação ao grupo SATA,  que tem uma dívida de 40 milhões de euros, resultado de um conjunto de decisões, Vasco Cordeiro espera que a SATA Air Açores tenha um resultado equilibrado, e que em 2020 continue neste trajecto, que a SATA Internacional em 2019 reduza significativamente, na ordem de 40 a 50%, os prejuízos, que continue neste trajecto de recuperação em 2020 ou 2021 possa ter também resultados equilibrados.

 

Vasco Cordeiro, líder do Partido Socialista-Açores, partido que está na governação açoriana há 22 anos, eleito pelos seus pares em  Junho e aclamado em Congresso, na ilha Terceira, no mês passado, assumiu que a reunião magna dos socialistas não foi um encontro para dentro do partido, mas, sim, teve a ver com aquilo que as famílias e as empresas sentem no dia-a-dia e os desafios com que são confrontados. A função do PS naquele que é o seu momento alto por excelência foi o de perceber “precisamente como podemos ajudar mais e ajudar a vencer nesses desafios”.
Para os próximos dois anos, segundo disse Vasco Cordeiro em entrevista à RTP-Açores num “Especial Informação”, essa é uma ideia transversal”, isto é “como podemos reforçar a coesão social, territorial e económica entre as nossas ilhas, e como podemos, aproveitando a nossa autonomia, qualificar a democracia que temos nos Açores, ainda mais e ainda melhor”.
Questionado pela Jornalista Berta Tavares se sentia ser um líder temido e talvez, por isso, haja menos discussão interna, disse: Não, não me parece que se possa fazer esta leitura e, aliás, foram vários os militantes que comungaram da ideia de haver discussão e debate.
Não quero ser temido e não me parece que as coisas se contabilizem e se resolvam desta forma. O que pretendo é ter a capacidade de liderar o PS e de congregar contributos e ideias boas e de mérito que possam resultar em benefício dos Açores”.
Sobre o “Movimento Açores Primeiro”, Vasco Cordeiro garantiu que só “um partido muito seguro de si, do seu património e da sua história é que consegue lançar um movimento destes. É que não basta o mérito das suas propostas, temos que estar abertos a outras perspectivas. O resultado das nossas propostas também resulta muito da confrontação com visões diferentes, que defendam interesses sectoriais mas que precisam de ser avaliadas, dissecadas, analisadas face a outras realidades e perspectivas e essa é uma das razões pelas quais surge este movimento”.
Realçou o socialista que “o objectivo destes encontros não é o de promover um pensamento único, isso seria a contradição em relação ao que a iniciativa pretende alcançar. Nós pretendemos ouvir e pretendemos explicitar por que razão estamos a escolher este caminho e por que razão entendemos que esta proposta na saúde, na educação, no desenvolvimento económico. E, no fundo, ter também da parte dos participantes uma diferente perspectiva. E cá estaremos para ouvir, para analisar e para decidir”.
Vasco Cordeiro admitiu que “a Autonomia dos Açores, também fruto deste Movimento (…) precisa de se repensar a si própria (…) mas precisa sobretudo pensar na forma como pode desbravar novos caminhos.
Como por exemplo, aproveitar a nossa Autonomia para criar mecanismos que possam reforçar a democracia que temos na nossa Região. Quando temos a capacidade para propor, por exemplo, uma lei eleitoral que permita a eleição em listas abertas para a Assembleia Legislativa Regional, em que o eleitor escolhe não apenas o partido mas ordena também os deputados”.
Quanto à extinção do cargo de representante da República e consequentemente a extinção do veto político, Vasco Cordeiro assume que nos dias de hoje “o veto político, na minha leitura naturalmente, não faz sentido, falta ao cargo que actualmente tem este veto político, o representante da República, a legitimidade democrática para poder fazer uma análise política das matérias que lhe são submetidas e eventualmente decidir neste sentido quanto a mim fere de morte esta questão. Na reconfiguração de competências que é proposta na sequência da extinção de cargo de Representante da República penso que não faz sentido esta avaliação dentro daquele que é o funcionamento dos órgãos do governo próprio da região já é feita por estes mesmos órgãos”.
Confrontado se esta proposta vingar haverá uma discrepância entre o que se passa no continente e nos Açores, Vasco Cordeiro salienta que se trata apenas de “uma questão de princípio. Nos achamos que as competências do actual representante da república, do cargo de representante da república, devem ser competências que não devem ser transferidas para Lisboa, devem ficar nos Açores”,  por exemplo no presidente do governo regional mas também no parlamento dos Açores que passa a ter a responsabilidade através da eleição escolher o presidente do Governo.
A sua proposta propõe um presidente do governo com poderes acrescidos no sentido de se colocar num patamar quer em termos de organização politica acima da própria assembleia, é o presidente do governo regional que assina o diploma, e não considera que esta proposta “coloque o presidente do governo numa posição de supremacia em relação ao que quer que seja”, pois “não é uma solução inédita”, uma vez que acontece  em outras regiões  da Europa, sendo que defende no que respeita à legislação produzida e nomeadamente com aquilo que tem a ver com o suscitar um pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade, é uma competência que deve existir na proposta que consta deste documento, que deve existir à parte, num órgão a criar que deve ter esta como a sua única função e portanto não é o presidente do governo que tem esta competência.
No congresso foi apresentado uma moção sectorial que determina a limitação de mandatos de três legislaturas para deputados, adjuntos, assessores, secretários e directores regionais, e outros cargos políticos, o que para Vasco Cordeiro “é uma excelente proposta para suscitar este debate e que este também se faça na extensão em que a proposta o coloca, permitindo visões que no princípio não o levam tão longe. Eu tenho já a vantagem de ter um cargo que já tem um limite de mandatos estabelecido por lei, permitindo no fundo esta discussão, conciliar estes dois interesses também de valorização da experiencia e do conhecimento que se vai adquirindo naturalmente com o decurso do tempo com a capacidade de renovação que a proposta por si só já acarreta”.
Mas isso significa que um director regional que faça as suas três legislaturas não possa vir a exercer outro cargo de nomeação política, o que para Vasco Cordeiro esta é “a vantagem desta moção”, pois “para além dos termos concretos em que ela está formulada vai suscitar este debate e isto parece-me verdadeiramente importante”.
Questionado se é importante haver limite porque o poder corrompe, Vasco Cordeiro demarca-se por estender que “a questão não se coloca a este nível. Se a questão se colocasse a este nível o assunto já estaria resolvido há muito tempo. Aquilo que me parece importante é que na forma como o nosso sistema politico funciona e no equilíbrio entre esse interesse de renovação e o interesse de valorização da experiência e do conhecimento se possa encontrar um bom ponto de equilíbrio e esta proposta, esta moção, suscita este debate e permitirá esse debate, coloca este debate em cima da mesa e este é já um dado positivo”.
No capítulo dos transportes, a companhia aérea açoriana esteve em destaque também na entrevista. A SATA fechou o ano passado com uma dívida superior a 40 milhões de euros, considerada histórica - aumentos de custo com pessoal, com aluguer de aviões, de tripulações, devido à falta e indisponibilidade de aviões da própria companhia e uma série de situações levaram a esta situação financeira complicada de falência técnica – disse a jornalista, questionando o líder do PS [presidente do Governo] se se sentia de alguma forma responsável por esta situação, a que Vasco Cordeiro disse: “Em primeiro lugar, eu sinto-me responsável pelo grande serviço que a SATA prestou e presta aos açorianos e à economia dos Açores quando numa altura de recessão acentuada do sector turístico, a sobrevivência do sector do turismo nos Açores muito dependeu daquilo que a SATA fez. Em segundo lugar, sim sinto-me responsável também por, face a esta situação, ajudar a criar as medidas, as soluções que levem a ultrapassar esta situação e isso que já está a ser feito na SATA, no conselho de administração da SATA, sobretudo ao nível de três grupos de soluções que estão a ser trabalhadas; uma que tem a ver com a reestruturação do seu financiamento bancário, que permitirá – é esta a expectativa e justificada – uma significativa redução de encargos com estes empréstimos, uma segunda componente de decisões que está a ser avaliada e analisada quanto à reestruturação operacional quer da SATA Air Açores, quer da SATA internacional, neste aspecto da SATA internacional a conclusão do processo de renovação da frota é essencial porque permitirá, fruto de serem aeronaves novas com tecnologia mais moderna, poupar muito no seu consumo e além disso permitirá também mais eficiência na gestão das tripulações; e um terceiro grupo de matérias que está a ser trabalhada pelo conselho de administração tem a ver com a própria empresa analisando departamento a departamento os recursos que existem, aqueles que são os recursos que porventura poderão ser melhor aproveitados noutras áreas e noutras funções para ganhos de eficiência e de eficácia para a companhia. Estes três grupos de decisões têm como resultado que em 2019 a expectativa seja de que a SATA Air Açores tenha um resultado equilibrado, e que em 2020 continue neste trajecto, que a SATA Internacional em 2019 reduza significativamente, na ordem de 40 a 50%, os prejuízos, que continue neste trajecto de recuperação em 2020 ou 2021 possa ter também resultados equilibrados. É este o meu papel e a minha função de acompanhar quer directamente quer através do membro do governo que tem a tutela dos transportes aéreos esta realidade. Eu acho que nós, sem prejuízo daquele que deve ser um direito de crítica no sentido de aperfeiçoar o serviço, também não é mau se estimarmos aquilo que é nosso”.
Confrontado se a situação actual da SATA se deve-se a políticas e estratégias erradas, Vasco Cordeiro é peremptório em afirmar que “a situação da SATA é a situação que muitas companhias aéreas no mundo passam. Eu sei que alguns não hesitarão em dizer que a falência de uma companhia na Holanda também é minha responsabilidade. Também pode acontecer. Mas são vários os factores, alguns externos à companhia, e porventura alguns internos à companhia. Mas é necessário termos uma noção muito clara daquilo que foram os últimos anos. Hoje é muito fácil desdenhar a SATA, mas quando foi a SATA que fez a diferença entre perderem-se centenas ou mesmo milhares de empregos no sector do turismo, a SATA fez esta diferença. É importante valorizarmos este contributo sem prejuízo de apontarmos os aspectos em que o serviço pode ser melhorado. É importante também reconhecermos e incentivarmos este papel verdadeiramente decisivo que a SATA teve para milhares de açorianos salvarem o seu posto de trabalho que trabalhavam em hotéis, restaurantes… Foi esta a atitude que fez a diferença”.
O que é que a SATA Internacional pode oferecer à empresa islandesa que está interessada em comprar 49% da SAAT Internacional? Vasco Cordeiro  garante que “a SATA procura reforçar a sua capacidade operacional, de gestão. Aquilo que a Icelandair procura na Sata e acha que a Sata pode oferecer pode ser uma pergunta mais directamente colocada à Icelandair, uma vez que eu não sou nem porta-voz nem representante da empresa. Eu tenho assumido uma postura neste assunto de não comentar o processo de alienação. O que posso dizer é exactamente este aspecto, aquilo que a Sata também procura são mais-valias”, destacando o posicionamento que a SATA tem em todo o espaço da macaronésia. Contudo, Vasco Cordeiro manifesta a opinião de que “esta é uma daquelas matérias em que a pressa não serve os interesses da SATA nem dos açorianos”, ou seja, como admite: “ A decisão há-de ser tomada quando analisadas todas as suas componentes” que permitam “uma decisão segura e uma decisão de mérito para a SATA e para os interesses dos Açores”.
A jornalista da RTP-Açores colocou a questão de que “as relações do PS Açores e do Governo Regional Açores têm encontrado uma mão amiga em António Costa na República, o mesmo já não se passa com os secretários de Estado que não compreendem muito bem estas questões da autonomia”, questionando depois Vasco Cordeiro se o governo regional avançou para a assembleia legislativa sobre o mar, uma tentativa de contornar as decisões do Tribunal Constitucional que não têm sido favoráveis à região. Nesta questão, o líder do PS, enquanto presidente do Governo, assumiu: “Em primeiro lugar, nós avançamos com esta proposta, porque através dela pretendemos resolver aquela que é, em nosso entender, uma decisão errada do Tribunal Constitucional. Em segundo lugar, houve e há contactos com o governo da república sobre esta matéria. Nós entendemos que é chegada a altura de abrir novas vias de solução deste assunto, por isso é que o governo regional apresenta uma proposta na assembleia legislativa regional que depois de aprovada aí será apresentada como proposta de lei para a assembleia da república. O assunto agora está na assembleia legislativa regional, acredito que o assunto esta a ser devidamente analisado e que em breve então haverá uma decisão para seguir para a Assembleia da República. Há algo que nessa matéria o governo regional não desiste nem prescinde: os Açores e os açorianos têm que ter um poder de decisão sobre o nosso mar. Nós não podemos estar remetidos, como actualmente estamos pela anterior lei aprovada pelo anterior governo da república do PSD e do CDS, apenas na posição de dar palpite ou opinião. Nós não aceitamos isso. Já tomamos medidas para alterar este estado de coisas”.
Esse empenho que se vê na questão do mar não se tem paralelo com as questões do espaço, diz a jornalista, mas Vasco Cordeiro entende que há. “Houve ainda recentemente no lançamento deste processo, digamos assim, que quer o ministro quer o secretário regional estavam lado a lado com posições convergentes quanto ao caminho a seguir. Nós temos a felicidade de neste projecto que tem a liderança dos Açores contar com a colaboração do Governo da República. E isso para nós é importante.
Uma situação mal resolvida é a cadeia de São Miguel. O que se passa aqui?, questiona Berta Tavares, a que Vasco Cordeiro respondeu sem adiantar timmings. “O que se passa aqui é que no mínimo o senhor director-geral estava mal informado. No mínimo. Este processo conheceu nos últimos anos desenvolvimentos significativos, um processo – convém também não esquecer – que se arrastou em sucessivos governos da república e que só com este é que ficou definido e é por isso que também todo este processo foi desencadeado pelo governo regional neste sentido. Aliás, a informação que tenho é que este assunto tem prioridade máxima ao nível do governo da república ultrapassadas todas as questões para que seja possível o quanto antes abrir o concurso público da empreitada de construção do novo estabelecimento prisional de Ponta Delgada, obviamente com a preparação de todo aquele terreno para acolher esta infra-estrutura.
Em 2020 terão lugar  as eleições legislativas regionais e Vasco Cordeiro admite não ver razões para não se recandidatar e na altura será seu opositor pelo PSD o novo líder Alexandre Gaudêncio.
Questionado por Berta Tavares se Gaudêncio será mais perigoso do que foram os candidatos Duarte Freitas ou Berta Cabral, Vasco Cordeiro resguarda-se, assumindo: “Todos os candidatos são importantes e todos os adversários políticos devem ser também respeitados e considerados naquela que é a nossa perspectiva de um trabalho comum. Aliás, eu devo dizer que tenho visto, lido e ouvido algumas coisas que me surpreendem sobretudo pela perspectiva de colocar como o grande adversário o partido socialista. Isso marca logo uma diferença muito grande entre o PS Açores e o PSD Açores. O adversário do PS Açores não é o PSD, o adversário do PS Açores é o emprego que ainda queremos criar ou lutar contra o desemprego. Estas são duas perspectivas completamente diferente daquilo que move um partido político e outro partido político. Até houve um candidato que disse que o PS devia tremer quando olhasse para o PSD. O PS tem como adversários estes assuntos que dizem respeito à vida dos açorianos e das açorianas. Os açorianos julgarão qual a melhor postura que serve os Açores”.
Quando for candidato pela última vez conta já ter arrumadas todas estas questões do processo autonómico de revisão do nosso sistema político-administrativo, Vasco Cordeiro a esta questão não se compromete. Apenas realça que “é um trabalho que se vai fazer. Todas estas propostas, questões, criticas à forma como entendemos a redistribuição de competências do representante da república não têm a ver com Vasco Cordeiro. Eu espero que pelo decurso normal de tempo e que pelo limite normal de tempo não serei eu, mas espero que o trabalho que está em curso, e que conhecerá agora um bom impulso, seja um trabalho feito o mais rapidamente possível dentro da ponderação e da reflexão que estes assuntos devem ter.