Esgotos a céu aberto, mau cheiro e falta de limpeza na ribeira
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 02-09-2014
- Escrito por Marco Sousa
Os esgotos a céu aberto, o mau cheiro e a falta de limpeza na ribeira, em Santa Bárbara, no Concelho da Ribeira Grande continuam a incomodar a população da freguesia.
Recorde-se, que foi a 23 de Fevereiro de 2013 que aquela freguesia foi fortemente atingida pelo mau tempo, onde algumas habitações ficaram inundadas, e na altura alguns moradores tiveram mesmo de derrubar os muros dos seus quintais, no sentido de escorrer a água cumulada, evitando assim males maiores.
A chuva forte provocou estragos, tendo ainda ocorrido algumas derrocadas no restante Concelho da Ribeira Grande.
Passado todo este tempo, a nossa reportagem constatou que grande parte do trajecto da ribeira foi alargando, e esta intervenção das autoridades contou com uma grande dose de compreensão por parte de muitos dos seus proprietários, que cederam gratuitamente parcelas dos seus terrenos e quintais.
Não obstante esta realidade, os esgotos continuam a chorrar para a ribeira, onde o lixo e os restos de vegetação se acumulam, formando-se alguns charcos, onde a presença de mosquitos se tornam, do mesmo modo, incomodativos.
Há ainda quem eleve a preocupação para outros níveis, elucidando-nos que a ribeira acaba por desaguar para o mar, onde existe ali tão perto o famoso areal de Santa Bárbara, com bandeira azul, atribuída a 3 de Maio passado. E onde decorre uma imotrnate prova de surf.
Câmaras devem dar
mais esclarecimentos
sobre novas centrais de
valorização energética
Uma primeira análise ao Plano Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores 2014-2020, - elaborado pelo Governo dos Açores e cuja versão preliminar foi colocada em consulta público em Agosto deste ano -, solicita um maior esclarecimento junto dos açorianos sobre a instalação nas ilhas de São Miguel e Terceira de unidades de valorização energética por incineração com capacidade para recepcionar o refugo resultante do tratamento de resíduos das outras ilhas.
Recomenda-se no sentido de objectivar, “de forma mais explícita” quais as especificações técnicas associadas a cada uma das infraestruturas de valorização energética por incineração, designadamente, quais as tipologias de resíduos que alimentarão a infraestrutura e origem, “permitindo assim a devida avaliação de efeitos e elaboração de recomendações que se considerem relevantes”.
Da análise concluiu-se que “importa clarificar qual a estratégia a definir relativamente ao destino final da fracção residual de origem animal (carcaças de animais) que não podem ser encaminhadas para valorização como subproduto, ou a opção estratégica definida relativamente aos resíduos hospitalares que atualmente são encaminhados para incineração no Continente”.
Em relação ao sistema de gestão integrada que constitui a rede regional de infraestruturas de gestão de resíduos, fluxos de resíduos e medidas logísticas, recomenda-se “uma maior pormenorização e apresentação de um fluxograma sistematizado que auxilie a análise do sistema de gestão implementado e a implementar”. Esta esquematização, salienta-se, “pode facilitar também a elaboração posterior dos instrumentos de gestão de âmbito municipal ou intermunicipal (por exemplo, regulamentos ou planos de ação municipais)”.
Sugere-se, na análise, que “seja clarificada de forma sistematizada qual a estratégia para a gestão de todas as fileiras de resíduos no âmbito do capítulo das Orientações Estratégicas e Objetivos, definindo-se todas territorializações e existências infraestruturais a implementar e as medidas operacionais e logísticas a estabelecer por ilha”.
Recomenda-se, a propósito, a consideração de medidas que “incentivem à reutilização ‘in loco’ dos resíduos produzidos, designadamente, resíduos de construção e demolição, bem como acções de formação e sensibilização às empresas de construção civil que operam no arquipélago no sentido de as informar sobre as melhores técnicas construtivas e modus operandi com vista à reutilização”
Necessidade de reduzir
o despejo não controlado
de resíduos para o mar
Tal “permitirá demonstrar uma atitude proactiva no cumprimento da obrigação legal e meta definida por legislação regional que prevê um aumento mínimo global para 70% em peso relativamente à preparação para a reutilização, a reciclagem e outras formas de valorização material, incluindo operações de enchimento que utilizem resíduos como substituto de outros materiais, resíduos de construção e demolição não perigosos até 31 de dezembro de 2020”.
Considera-se, na análise, “insuficiente a formulação de apenas uma medida de prevenção na geração de resíduos” e que visa “apenas a divulgação do Programa Regional de Prevenção de Resíduos (PRPR) no Portal dos Resíduos”. A prevenção de produção de resíduos “deve ser a linha de orientação estratégica mais prioritária, devendo as acções definidas no âmbito do PEPGRA serem abrangentes, contundentes, significativas e proactivas”, defende-se.
Assim, recomenda-se a integração de uma medida de “promoção de acções de sensibilização nas mais variadas atividade humanas que gerem quantidades significativas de resíduos e que visem especificamente a prevenção da produção de resíduos…”.
Critica-se o facto de a problemática da produção e eliminação de resíduos pelas atividades marítimas em ambiente ‘offshore’ não ser abordada de forma directa pelo plano. Recomenda-se, portanto, que “sejam identificadas medidas de incentivo à formação e sensibilização dos recursos humanos destas atividades marítimas, bem como reforço de medidas de fiscalização (em articulação com as entidades com competências nesta matéria), no sentido de reduzir as ocorrências de despejo não controlado de resíduos para o mar e assim salvaguardar os ecossistemas marinhos”.
São necessários guias
e manuais de boas práticas
Na análise designada ‘SWOT’ do Plano Estratégico de Prevenção de Gestão de Resíduos dos Açores (versão preliminar), preconiza-se a definição de orientações (guias ou manuais de boas-práticas) para a proteção da biodiversidade, da paisagem e do património, “assegurando, por exemplo, que a eventual localização de novas instalações não ocorra em zonas de elevada importância ecológica e que, nas restantes zonas, se acautelem os efeitos sobre os valores naturais existentes e que, por último, não interfira com as opções estratégicas delineadas nos instrumentos de gestão territorial em vigor”.
Preconiza, também, a definição de orientações (guias ou manuais de boas-práticas) para a proteção dos recursos naturais (solo, água, biodiversidade, paisagem e património natural) dirigidas às diferentes operações associadas à gestão de resíduos.” Destaca-se assim a necessidade de proceder ao estabelecimento e uniformização das regras de recolha e transporte para todos os operadores no sentido de acautelar a proteção dos ecossistemas presentes e garantir a qualidade”, lê-se.
Quer a definição e fiscalização dos parâmetros mínimos exigíveis na produção de compostos orgânicos provenientes da valorização de resíduos biodegradáveis, assegurando a sua integração e aceitação no mercado.
Defende que a recuperação de passivos ambientais “deve englobar, para além da requalificação/recuperação do solo, a sua descontaminação e reabilitação dos recursos hídricos”.
Assegurar equilibro ecológico
Na análise defende-se, igualmente, que se assegure o restabelecimento do equilíbrio ecológico aquando do encerramento e/ou recuperação de áreas de deposição de resíduos, “tornando o local num reflexo do habitat local circundante, que permitirá nomeadamente a fixação das espécies”.
Na impossibilidade de ocorrer a reposição do habitat, recomenda-se que “sejam criadas ‘ilhas’ ou que se proceda “à sua reabilitação como corredores ou redes de vida selvagem, que ajudem a superar a ‘alteração sofrida’, contribuindo assim para o aumento da biomassa.
“Deverão ser atendidas as questões de salvaguarda do património genético dos exemplares das espécies a utilizar na reflorestação (com origem/proveniência o mais próximo de cada área de intervenção possível, de forma a evitar trocas genéticas entre espécies oriundas de diferentes ecótipos)”.
Quinta dos Açores abre primeiro espaço em São Miguel no Parque Urbano em Ponta Delgada
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 02-09-2014
- Escrito por Ana Coelho
A empresa terceirense, Quinta dos Açores vai abrir brevemente em Ponta Delgada, no restaurante do Parque Urbano, o seu mais recente espaço de restauração e bar, naquela que é a primeira aposta empresarial da família Barcelos na maior ilha açoriana e passados 10 anos desde a criação da marca “Quinta dos Açores”.
A laborar uma gama de produtos na área da carne de bovino, a “Quinta dos Açores” dispõe também de uma fileira do leite em que se destacam os gelados, iogurtes e leite fresco que já estão disponíveis em São Miguel desde 2012.
A Quinta dos Açores é um projecto de família. Teve início em 2004, começando por ser a empresa que viria a trabalhar o leite da exploração Francisco Helvídio Barcelos em alguns produtos de valor acrescentado, tais como os queijos e gelados. Com o avançar do tempo, com as alterações do mercado e enquanto os proprietários estudavam e planeavam o arranque da empresa, passou a ser muito mais do que tinham inicialmente previsto, de uma empresa, abraçou uma marca comercial, mas sobretudo um conceito.
A Quinta dos Açores transforma actualmente as duas principais fileiras agropecuárias dos Açores, o leite e a carne, em produtos de valor acrescentado, criando no edifício onde se trabalham ambas as fileiras, uma enorme proximidade ao consumidor final. No Espaço “Quinta dos Açores”, os clientes, fornecedores e o próprio consumidor podem vir a qualquer hora, ver os processos produtivos através do corredor envidraçado, adquirir os produtos, assim como os produtos de outras empresas açorianas no mercado “Quinta dos Açores”, um espaço destinado à apresentação, divulgação e venda de produtos açorianos e degustação dos artigos em combinação com outros excelentes artigos e matérias-primas da culinária açoriana, na Gelataria “Quinta dos Açores”. A empresa está sobretudo vocacionada para o mercado dos frescos, trabalhando diferentes tecnologias que aumentam a validade do produto, mantendo a qualidade do mesmo. Na área dos lacticínios a empresa é pioneira na microfiltração, permitindo atingir mais dias de validade no leite fresco e recorre também à ultrafiltração que permite a produção de iogurtes sem ter que recorrer a leite em pó. Conta no mercado com mais de duas dezenas de referências de produtos lácteos, na gama dos leites (leite fresco inteiro, meio-gordo, magro em embalagem de litro, leite fresco de chocolate 250 ml, iogurtes Quinta dos Açores (diversos sabores), iogurtes Elegant, linha magra com quatro sabores, Leite fermentado Simbiotic (dois sabores) e gelados Quinta dos Açores no sabor da Chocolate, Baunilha, Doce de Leite, Dona Amélia e Queijada da Graciosa em formatos de 500 ml e de 150 ml). Na área das carnes, a empresa comercializa a “Carne dos Açores – IGP” , em fatiados ATM e em SKIN PACK, embalagem pioneira na carne de bovino em Portugal, que permite apresentar a peça fatiada em vácuo com 25 dias validade. Esta embalagem recebeu na Feira de Sabores, a Menção Honrosa do Prémio Inovação de 2012 do Grupo Continente.
Numa entrevista ao nosso semanário “Atlântico Expresso”, em 2012, Helga Barcelos referia quando questionado sobre se a São Miguel também poderia chegar, no futuro, o “Casual Dining”, a empresária avançou que “a empresa tem dado diferentes passos num curto espaço de tempo e precisa solidificar as diferentes áreas nas quais se tem lançado. O “Casual Dining” Quinta dos Açores tem funcionado muitíssimo bem na ilha Terceira, até porque está associado à indústria e tem toda uma envolvente que consideramos perfeita. Já várias pessoas nos contactaram para franchisar o conceito “Quinta dos Açores”. Este é um passo muito importante e na qual só avançaríamos se tivéssemos a certeza, que onde quer que houvesse um espaço “Quinta dos Açores” e quem quer que partilhasse connosco este projecto, vivesse tão intensamente e tão apaixonadamente a marca, os produtos, as confecções dos pratos e o conceito como nós o fazemos”.
A Quinta dos Açores está a aceitar currículos nas áreas de cozinha e mesa/bar para entrevistas na próxima quinta e sexta-feira. Os currículos podem ser entregues no espaço do restaurante do Parque Urbano em São Miguel ou enviando para o email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
, sendo que as entrevistas terão lugar naquele espaço em Ponta Delgada.
Patrícia Bensaude é a nova Presidente do Conselho de Administração do Grupo Bensaúde
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 29-08-2014
- Escrito por CA
O Grupo Bensaude elegeu recentemente um novo Conselho de Administração, que nomeou para Presidente Patrícia Bensaude, que substitui no cargo Joaquim Bensaude. De acordo com as nossas fontes integram ainda aquele órgão António Castro Freire, como Vice – Presidente, Ana Markovic e Luís Bensaude, que regressa à administração com funções não executivas.
Patrícia Bensaude é irmã de Filipe Bensaude, e tia de Luís Bensaude, António Castro Freire e Ana Markovic, que a acompanham na administração. Ainda de acordo com as nossas fontes Patrícia Bensaude viu a sua posição accionista ser reforçada no seio do Grupo Bensaude ao adquirir uma parte da participação que Luís Bensaude detém no Grupo.
Conforme havia sido noticiado no princípio do ano Luís Bensaude tinha pedido autorização aos accionistas do Grupo para transferir a sua participação detida em nome individual para uma empresa constituída por si, pela mulher e pelos filhos, pedido que foi ratificado em Assembleia Geral. O CE não conseguiu saber qual a parte da participação detida por Luís Bensaude que foi adquirida por Patrícia Bensaude, e qual a participação que continua a deter.
Entretanto a Comissão Executiva do Grupo Bensaude continua a ser liderada por Vítor Cruz, integrando ainda Luís Pacheco e José Paiva elementos que também fazem parte do Concelho de Administração, como executivos.
A CE tentou junto do Grupo Bensaude uma confirmação destas informações, mas até ao encerramento desta edição não foi possível qualquer contacto.
Martim Coelho Faria já está em recuperação na Clínica Terapicuba da Maia, no Porto
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 02-09-2014
- Escrito por J.P.
Martim Coelho Faria, o menino paraplégico de sete anos de idade, do Rosário da Lagoa, que foi operado a 5 de Julho em Madrid em resultado de uma grande campanha solidária, em que se envolveu o ‘Correio dos Açores’ desde a primeira hora, está desde ontem a fazer reabilitação na clínica Tarpicuba, na Maia, Porto, graças à grande onda de apoios que surgiu da sociedade civil, muitos dos quais provenientes de anónimos, das empresas, da Câmara Municipal de Lagoa e do próprio Governo dos Açores.
Martim Faria, sua mãe Carla e o irmão aterraram domingo no Porto a bordo de um avião da ‘SATA Internacional’ já com a garantia de que disponham de todos os meios financeiros necessários para completar os seis meses de reabilitação do Martim que sonha, um dia, jogar à bola com o irmão Bernardo.
A família vai desenvolver esforços na Maria para que o Bernardo prossiga os estudos ao longo dos seis meses em que estiver com a mãe no Porto. “É que eles são muito próximos um do outro e não quisemos separá-los nesta fase”, afirmou a avó.
Todos se mostram empenhados em, um dia, tirar o Martim da cadeira de rodas para que faça a sua vida de forma autónoma, aquele que é, afinal, o grande sonho do Martim.
Uma das empresas que se mostrou sensível a esta campanha solidária ‘Ajudar o Martim fará a diferença’ foi a ‘Sayonara’, propriedade do empresário micaelense Joaquim Neves. Durante dois meses a loja do mercado tradicional da baixa de Ponta Delgada publicitou na última página do ‘Correio dos Açores’ que, por cada artigo adquirido na ‘Sayonara’, revertia um euro para as sessões de reabilitação do Martim. E a verdade é que, ao fim de 60 dias, a campanha solidária da ‘Sayonara’ totalizou o montante de 2.700 euros que foram entregues, na passada sexta-feira, por Ermelinda e Teresa Neves ao Martim, sua mãe e a sua avó.
Teresa Neves: “Queremos
gerar mais sorrisos”
Martim teve a oportunidade de visitar todos os recantos da loja guiado pelo carinho de uma funcionária enquanto a avó se desdobrava em agradecimentos a todos os que apoiaram a família na recuperação do menino, sem conseguir esconder as lágrimas por tamanha onda solidária.
Ermelinda e Teresa Neves deixaram claro ao jornalista que é dever das empresas valorizar a sua dimensão social, - não só correspondendo às necessidades dos seus funcionários – como também apoiando campanhas solidárias como a de apoio ao Martim, levando um sorriso de esperança a quem vive momentos de incapacidade física, de dor e/ou de dificuldade.
Teresa Neves realçou que o êxito da campanha da ‘Sayonara’ se deveu, em muito, à sociedade civil e, em particular, aos seus clientes que, sabendo da campanha, quiseram contribuir para a reabilitação do Martim adquirindo roupas na loja.
A empresária disponibilizou-se para a ‘Sayonara’ apoiar outras campanhas de solidariedade. “Iremos sempre contribuir, dentro das nossas possibilidades, para gerar mais um sorriso”, afirmou Teresa Neves.
“É sempre gratificante ajudar”, completou a empresária.
‘Ajudar o Martim fará
sempre a diferença’
“Ajudar o Martim fará a diferença” foi sempre o lema desta campanha que, mais recentemente, levou a família de Martim Coelho Faria, a realizar dois serões de festa para angariar fundos com o objectivo de levar a criança de sete anos à reabilitação.
Para estas duas noites, a família da criança criou um ambiente de festa popular, com barraquinhas e muita música. A entrada foi livre mas claro para ajudar a levar o Martim a fazer fisioterapia na cidade nortenha e a única forma de contribuir foi consumindo os petiscos à venda.
Neste serão solidário, a família contou com a participação de dezasseis artistas da ilha de São Miguel, que participaram a custa zero, para ajudar o Martim a sair da cadeira de rodas.
Entre as entidades que colaboraram nesta campanha esteve a Câmara Municipal de Lagoa que deu cinco mil euros do Fundo de Emergência Social para que Martim fosse operado em Espanha, a laser, depois de, numa primeira fase, ter surgido a possibilidade de a cirurgia ser feita no México.
Para concretizar, agora, a reabilitação do Martim no Porto, o Governo dos Açores também contribuiu com uma verba num montante que não foi relevado pelo executivo açoriano mas que foi suficiente para concluir os seus meses programadas na Clínica Terapicuba, na Maia, Porto.
Agora, ficamos todos a aguardar que a reabilitação do Martim seja coroada de êxito para que o menino comece a andar e possa jogar á bola com o irmão.
Carpinteiro morre quando pescava no calhau dos Remédios da Bretanha
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 28-08-2014
- Escrito por Bárbara Almeida
“Eu não me demoro”, terá dito Rogério Medeiros, a uma vizinha com quem se cruzou, quando foi para o calhau pescar, na terça-feira. Nessa noite a esposa deu o alerta e na manhã de ontem um mergulhador confirmou as piores suspeitas quando avistou, no fundo do mar o corpo da vítima. Familiares, vizinhos e amigos não tiraram os olhos do mar até o corpo ter sido resgatado para a superfície, pela polícia marítima.
“Era um homem que perdia-se e achava-se no mar”, garante quem conhece bem Rogério Medeiros dos Remédios da Bretanha. Com 60 anos, feitos em Fevereiro, o carpinteiro fazia questão de cumprir o seu ritual de todos os dias ir pescar para o calhau “da chaminé velha”, como chamam os moradores da zona. Magro, com cerca de 1,74 metros de altura, Rogério Medeiros também era caçador e tinha um problema num joelho - resultante de um tiro disparado por acidente – que não o impedia de se aventurar pelas rochas ingremes daquela encosta. Se alguém lhe dizia para não ir sozinho, ou para ter cuidado, Rogério respondia “vou só um bocadinho para a fresca”.
Uma das vizinhas diz, emocionada: “arrepiava-me vê-lo ir sozinho para o calhau, tão escuro, ele não levava farol” e conta que na tarde fatídica, Rogério lhe terá dito “eu não me demoro”.
Saiu por volta das 16horas da tarde de Terça-Feira para ir pescar mas, ao contrário do era habitual, a esposa começou a ficar preocupada porque às “passaram as 10horas as 11 horas e ele sem aparecer”. Outra das vizinhas do casal relata que por volta da meia-noite, a esposa foi aos cafés e às tabernas da freguesia procurar o marido mas “como não o encontrou” decidiu dar o alerta: “ligou para o genro e para o filho a dizer ‘o teu pai foi pescar e ainda não apareceu’”. Explica a mesma vizinha que logo nessa hora se temeu o pior e que os “pequenos vieram para baixo (diz apontado para a zona do calhau), não viam nada, estava muito escuro”.
Mais tarde, continua relatando, com a ajuda de uma lanterna conseguiram encontrar as coisas de Rogério Medeiro: “só estavam as sardinhas e o caniço ainda preso às rochas”. Ficaram até ao dia seguinte sem notícias do desaparecido e logo por volta das 7 horas da manhã, de ontem, “quando já estava a clarear”, deram o alerta para as autoridades.
A primeira pessoa a confirmar as piores suspeitas foi um mergulhador da Ajuda da Bretanha que costuma pescar na zona e que viu o corpo da vítima - “o teu pai está ali”, teve de dizer ao filho de Rogério Medeiros. Nessa altura a PSP já estava a caminho do local e a Policia Marítima tomou conta do resgate do corpo. “Verificou-se que era completamente impossível resgatar o corpo por terra”, diz o Comandante Matos Nogueira, Capitão do Porto de Ponta Delgada, que esteve nos Remédios a comandar a operação.
Família com os olhos presos no mar
até corpo ser resgatado para a superfície
O corpo da vítima, que tinha sido avistado junto às rochas na zona da rebentação, teve de ser resgatado por mar. De Rabo de Peixe saiu um grupo de mergulho forense, com 4 especialistas da polícia marítima, numa lancha semi-rígida e acompanhados por uma mota de água do ISN (Instituto de Socorros a Náufragos). Por causa da ondulação e da proximidade da costa, a lancha ficou mais afastada enquanto os mergulhadores eram transportados na mota de água para área onde iam decorrer as buscas. Quando por volta das 12horas de 28 minutos o primeiro mergulhador começou as buscas, os olhos dos familiares nunca mais de despregaram do mar. Para além da filha da vítima também uma das nove irmãs de Rogério Medeiros, que vive no Canadá, seguiu emocionada as operações da polícia marítima.
Os profissionais da polícia marítima não demoraram muito tempo a identificar o local onde estava o corpo do falecido mas a operação de resgate exige uma serie de procedimentos que levam algum tempo (sensivelmente 20 minutos). As cerca de 30 pessoas que assistiam a toda a operação, do miradouro da rua da Covilhã, não resistiram a tentar adivinhar o que se passava. Alguns dos familiares pensaram que os mergulhadores voltaram à lancha para “ir buscar uma corda para puxar o corpo” enquanto alguns dos vizinhos, que até tinha binóculos, explicavam que “tinham ido buscar garrafas de oxigénio para conseguirem chegar ao fundo”. Alguns dos mais novos que estavam a assistir ao resgate comentavam o estado do mar - “está cada vez a ficar pior” - admitindo que era “fácil para aqueles homens” estar a mergulhar.
Enquanto os mergulhadores faziam o seu trabalho um dos agentes da polícia marítima foi informar a filha e as irmãs de Rogério Medeiros que o corpo tinha sido localizado e que seria preciso indicar um dos familiares para fazer a identificação do corpo. Às 12h58 o corpo chegou à superfície e, devidamente protegido, foi colocado na maca que estava atrelada à mota de água para depois ser transportado para a lancha. Nesta altura as pessoas começaram a dispersar, em silêncio e visivelmente transtornadas.
Queda acidental pode ter sido a causa
Ninguém soube explicar o que pode ter acontecido a Rogério Medeiros que estava habituado a frequentar aquela zona do calhau. Um dos amigos que o acompanhava na pesca conta que na tarde anterior recusou o convite de Rogério - “fui para casa”, diz – e só no dia seguinte, de manhã, lhe disseram que o amigo “estava no fundo do mar”. Desconfia que “do jeito que o mar estava”, Rogério possa ter “caído e batido com a cabeça”. Garante que a zona é arriscada mas explica que “entre o topo do calhau e o mar” existe uma saliência (a cerca de 5 ou 6 metros) para onde o amigo podia ter caído em vez de ir directamente para o mar. Também umas das vizinhas da vítima admite que Rogério se possa ter sentido mal: “porque ele cansava-se muito”, diz.
Também o Capitão do Porto de Ponta Delgada, ouvido no local, explicou que até ao momento não tinham “confirmação das causas da morte” mas, o Comandante Matos Nogueira, admitiu que “tudo indicará que tenha sido um acidente”. Depois de resgatado do Mar o corpo de Rogério Medeiros foi transportado para os poços de São Vicente onde foi entregue aos cuidados das autoridades públicas para seguir os trâmites normais.
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