O nosso mergulho na ‘Maré de Agosto’
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 26-08-2014
- Escrito por João Paz
Para uns, aos 30 anos, a ‘Maré de Agosto’ deveria parecer mais madura. Para estes, esta foi uma ‘Maré’ cheia que rebentou pelas costuras. A eles juntam-se os críticos que sentiram a falta de grupos açorianos no palco do festival. Mas, na verdade, a esmagadora maioria dos milhares de jovens e menos jovens que estiveram na Praia Formosa gostaram do cartaz do festival, do que viram e do que ouviram. Só que todos eles merecem ser mais bem tratados em Santa Maria. Há coisas que fogem à organização do festival que estão a falhar e já não deveriam ser um problema quando se tem 30 anos.
Há casais de 30 a 40 anos que levam, pela primeira vez, os filhos à famosa ‘Maré de Agosto’. Dão-lhes liberdade, mas pouco, aquilo que se pode chamar uma liberdade condicionada. Muitos destes jovens, de 13, 14, 15 e 16 anos, entram numa aventura que lhes fica na memória ao longo de muitos anos.
É interessante seguir, com atenção, esta relação entre pais e filhos menores num festival carregado do melhor que existe na música (para a idade deles) e de álcool até mais não poder. Há aqueles pais que basta um olhar para dizerem aos filhos: “Estás aqui, mas juízo”. E há os filhos que percebem e aceitam estes olhares e os que fazem vista grossa.
E há muitos jovens a viajar sozinhos pela primeira vez ao lado de amigos em cada uma das ‘Marés de Agosto’. Dão mais importância à liberdade, à música e, a esmagadora deles, à possibilidade de beber as primeiras bebidas alcoólicas. É, sobretudo, entre estes jovens, que ocorrem os abusos e exageros: “Um beber até cair” como baptismo de que são os principais prejudicados. Perdem a sua própria dignidade e expõem-se aos predadores que só lá estão para estas oportunidades.
Todos estes jovens, - os que lá vão para se divertir e ouvir música e até beber sem exagero; e mesmo aqueles que estão na ‘Maré’ com todas as suas excentricidades, abusos e exageros - quando estão na Praia Formosa, pouco se preocupam com as condições em que se encontram. E eles, na verdade, merecem muito melhores condições.
Devem ser bem tratados na Praia Formosa e em toda a ilha de Santa Maria e o tratamento que lhes dão não chega a duas estrelas. E, a este nível, os jovens – a esmagadora maioria deles micaelenses – devem ser mais exigentes na forma como são tratados.
A ‘Maré’ não pode ser apenas música (boa música) – a jovem e a menos jovem – álcool e ‘fast food’ que, por vezes, até faltou. Aos 30 anos de festival, deve ser mais do que isso para que possa perdurar no tempo.
Não se pode transformar um festival como a ‘Maré’, com os apoios governamentais que todos conhecemos, num sugadouro de dinheiros a jovens, ainda por cima, sem lhes dar a devida qualidade de condições em troca.
Apesar de não haver grandes falhas, toda a logística em volta do festival deve ser melhorada.
Não se pode dar tamanho destaque à publicidade e aquilo que se oferece não ter a qualidade mínima exigida. Além de que as opções para refeições rápidas ser muito reduzida.
Hoje em dia não faz sentido haver alguém afirmar em plenos pulmões que “até tenho dinheiro no bolso mas não encontro comida na Praia Formosa”. É com pormenores como este que Santa Maria, ali ao lado, por vezes, se sente que está tão distante.
Nós não temos a solução – mas também essa não é a nossa missão – mas a organização do festival deve reunir em volta de si pessoas que transformem a ‘Maré de Agosto’ num evento de ano.
Ou seja, a ‘Maré’ deve ser a atração principal de um Verão que não pode ser só três dias para Santa Maria.
Os organizadores da ‘Maré’ deveriam criar extensões que liguem os açorianos à ilha – numa corrente continua - durante, pelo menos, os três meses de Verão.
Como açoriano, mais do que micaelense, custa ouvir os jovens dizerem à despedida, - após três dias do festival ‘Maré de Agosto’ – até para o ano. E, acreditamos, há marienses a quem este ‘até para o ano’ deve doer muito.
Se, em São Miguel, por exemplo, uma das grandes batalhas a vencer é que os turistas que visitem a ilha e os Açores, regressem ano após ano; em Santa Maria a batalha deve ser que ao ‘Algarve dos Açores’ devem ir milhares de açorianos, a esmagadora deles, naturalmente, micaelenses, mais do que uma vez em cada Verão. E, neste período, os turistas que lá forem, tenham uma recepção que os leve a querer regressar no ano seguinte. Aceitámos que isto “é querer estar muito à frente’, mas deve ser um objectivo.
Aliás, Santa Maria (na Praia Formosa, na Maia, nos Anjos, em São Lourenço – tal como todos os Açores – precisa de estar sensibilizada (e não estamos) para o fenómeno turístico. É preciso e urgente educar os açorianos para o turismo. A ‘arte de bem receber’ não pode ser apenas uma retórica dos discursos.
Da música falam eles
Do cartaz de artistas que subiram ao palco da ‘Maré’ falam os mais jovens. E a verdade
é que a esmagadora maioria gostou do que ouviu. Mas nós, já na casa dos 50, não podemos ler o que Luís Alberto Bettencourt escreveu na sua página do facebook e virar a cara para o lado. Escreveu Luís Bettencourt: “Foi triste, muito triste a ausência absoluta de uma banda da região nos 30 anos da ‘Maré de Agosto’. Mais triste, foi o desprezo total pelos músicos que a iniciaram, e, que de certo modo, a ajudaram a crescer”.
Esta geração de músicos açorianos faz outras críticas a esta ‘Maré’ de 30 anos. Por exemplo, consideram que houve ‘Dj’s’ a mais, coisa que não existia num tempo em que venciam os últimos resistentes a deixar o espaço dos concertos.
A única música açoriana esteve fora do palco, debaixo de um toldo branco que serviu os clientes dos bares em redor. A Orquestra da Graciosa, dirigida por Vânia Bettencourt, actuou no sábado à noite com muitas jovens graciosas no elenco. Em algumas das interpretações, actuaram Inês Melo no órgão e Francisca Vasconcelos na voz.
Todas as actuações foram muito aplaudidas, com uns ‘bravos’ à mistura. Este foi o único cheirinho açoriano.
Todo o grupo da orquestra fez a ligação de barco entre a Terceira, São Miguel e Santa Maria.
Enquanto estiveram a actuar, as jovens estavam todas vestidas a rigor. E, quando a maestrina Vânia Bettencourt deu por fim ao concerto, as jovens trocaram os uniformes por roupas simples e integraram-se, de outra forma, na ‘Maré’.
Quando se pede aos jovens que estiveram no festival para elegerem um dos intérpretes, ouve-se muito falar das actuações de quinta-feira. Aliás, logo que chegámos à Praia Formosa, os amigos do Diogo foram logo dizendo:
“Perdeste o melhor. Foi ontem que…” e depois vêm aquelas designações da música moderna que só a geração deles entende.
E, de quinta-feira, ressalvam os ‘Hilight Tribe’ que são considerados o “alvorecer de uma nova era”, um grupo que “está a desbravar terreno”. O grupo levou todos os presentes na Praia Formosa a uma “viagem além espaço onde o espírito roots orienta o mundo moderno para o caminho do trance”.
Todos os mais jovens nomeiam como outro dos melhores intérprete do festival o Matasyahu que, com os álbuns ‘Live at Stubbs’ (2005) e Youth (2006) foi nº1 na lista Heatseekers e nº1 no Topo de álbuns de reggae, respectivamente, Ambos os albuns foram, posteriormente, ouro e ‘Youth’ foi nomeado para um Grammy de Melhor Álbum Reggae. ‘Ligt’ esteve, em 2009, em primeiro lugar 34 semanas dos tops de Reggae.
O quarto álbum de estúdio de Matisyahu, ‘Sparrk Seeker’ (2011), marcou a sua deslocalização de Brooklin para Los Angeles e a sua exploração de diferentes estilos de produção de hip-hop.
O seu quinto álbum de estúdio, ‘Akeda’, será lançado este Verão.
Na sexta-feira, o destaque foi para Selah Sue. O seu primeiro álbum “é ambicioso. É uma inteligente mistura entre rock elétrico, hip-hop orgânico e soul-funk. As doze faixas mudam entre baladas pungentes como a ‘Mommy’ para estilos mais selvagens como “Crazy Vibes”. Selah Sue pertence “a uma nova geração para quem música não tem limites”.
E, depois, no sábado ouviu-se, a partir da Praia Formosa, em todo o país e a nível internacional, o Jonh Lee Hooker Jr., um dos reis do blues; e a Mariza, a rainha do fado.
John Lee e Mariza (e já antes ‘The Balck Mamba’) encheram o recinto do festival com muita festa e aplausos. Mas, na verdade, nesta noite, foram centenas – para não falar de alguns milhares – os que desceram à Praia Formosa para ouvir a fadista portuguesa.
E Mariza esteve à altura, dialogando com os jovens, que entraram na onda, e interpretando algumas das suas músicas mais conhecidas pelo público menos jovem que estava a ouvi-la. Aliás, Mariza – para que fique registado – foi a única artista aplaudida à chegada ao recinto do s concertos – um aplauso que agradeceu com um sorriso e a incentivou para um concerto que nunca vai esquecer.
A artista escreveu, já em Lisboa, na sua página do Facebook: “Saio sempre dos Açores com o coração cheio. Obrigada a todos os que estiveram no Festival Maré de Agosto”.
E, no post seguinte, deixou o excerto de uma dos seus fados predilectos ‘Barco Negro’ do álbum ‘Fado em Mim’: “Eu sei meu amor, que nem chegaste a partir pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo”.
E a polícia? Quase invisível…
Já há vários anos que não íamos à ‘Maré’ e quando lá estávamos, víamos um corpo policial musculado e, por vezes, demasiado repressivo, à procura de droga em todos os jovens que apresentassem o mínimo de sintomas e mesmo perante aqueles que surgiam sem qualquer indício.
Este ano, em relação aos outros anos em que estivemos na ‘Maré’, a acção policial foi diferente para muito melhor. Os agentes da PSP estavam lá mas eram praticamente invisíveis, o que não significa menos eficácia. Pelo contrário, quase sempre, a polícia invisível tem melhores resultados.
E até os dois agentes da PSP que circulavam na rua principal da Praia Formosa com um cão ‘Pastor Alemão’ pela trela nada tinham de agressivos.
Da actividade desenvolvida pela polícia, surgiu no relatório da PSP o registo da detenção de um jovem de 17 anos com 17 doses de haxixe, este fim-de-semana, em Santa Maria. O que não significa que o resultado tenha sido apenas esse.
Da polícia, e a custo, fica apenas um reparo. O agente da PSP que, na sexta-feira à tarde, estava no controlo do acesso de viaturas, pelo recinto da festa, ao parque de campismo, deixava passar uns e proibia outros. E nem ele pode dizer que é mentira porque nos obrigou a ia pé o meio quilómetro fazer o registo no parque e por nós passaram viaturas sem qualquer dístico de autorização permitidas por ele em direcção ao mesmo local. É que a forma de actuar de ‘dois pesos e duas medidas’ não foi só utilizada connosco…
Mas, como “temos cinco dedos numa mão e nenhum deles é igual”, parabéns à PSP, dirigida no local, sobretudo ao nível da intervenção, pelo Comissário Operacional dos Açores, Ruben Medeiros.
Quinze artistas e 30 horas de Música animam vila da Povoação na última festa de Verão nos Açores
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 25-08-2014
- Escrito por Bárbara Almeida
“2014 será bom c’mo milho” garante a Associação de Juventude do Concelho da Povoação que desde 2011 organiza o Festival. O presidente da associação avisa que este ano há uma surpresa preparada para todos os festivaleiros mas, André Ávila, recusa desvendar o segredo: “só poderá ser divulgada no primeiro dia do festival”. Sobre as novidades do Festival da Povoação by Nissan 2014, André Ávila confirma apenas que esta edição vai ter “uma renovação de toda a imagem do recinto, tal como existe nos grandes festivais nacionais e mundiais”.
Para além do recinto as alterações também incluem o campismo que este ano contará com mais uma zona para tendas, “atendendo ao crescente número de campistas que acorrem à vila da Povoação nos três dias do Festival”, diz André Avila. “Em comparação com o ano passado, este ano a venda de bilhetes está a correr muito melhor”, adianta o responsável pelo Festival, recordando que o ano passado as “expectativas foram ultrapassadas em muito” já que estiveram no recinto “30 mil pessoas nos três dias”. Pelas vendas que já foram feitas esperam ter “o mesmo público, ou até mais” e, garante André Ávila, “estamos a ter alguma atenção com o recinto para podermos ainda aumentar um pouco mais e para as pessoas poderem estar mais à vontade dentro do recinto”.
Apesar da grande maioria dos participantes do Festival da Povoação ser o típico ‘festivaleiro’, ou seja, jovens dos 13 aos 25 anos, André Ávila considera que como o “cartaz da Povoação inclui também o Fado”, há dias em que se “consegue aumentar a franja da população que vai ao festival”. Nos últimos 4 anos, recorda, “as nossas noites de fado têm vindo a crescer” e, garante André Ávila, no ano passado ultrapassaram “uma centena de pessoas”.
“Toda a vila
está envolvida”
A organização do Festival é da responsabilidade da Associação de Juventude do Concelho da Povoação mas André Ávila garante que “toda a vila está envolvida no espirito festivaleiro”. Explica que “durante onze dias” há 9 pessoas da Associação que estão a trabalhar “em permanência” para o festival. No entanto, durante os três dias do Festival, para além dos membros da associação, juntam-se muitos mais voluntários: “durante o festival, incluindo os voluntários e toda a logística do festival, são cerca de 70 jovens da Povoação que fazem esse trabalho voluntariamente”, diz André Avila.
Desde o primeiro ano que fizeram questão de envolver toda a população: “fomos falando com a população mais idosa”, diz o presidente da Associação admitindo que eram pessoas que não se identificava com o festival. “A noite de fado é um pouco também por isso, queremos que toda a população se identifique” e “enquanto as pessoas mais novas preferem a música electrónica as pessoas mais velhinhas preferem o fado”. Refere também que há uma “faixa etária que prefere os grandes concertos das bandas nacionais” e que vai à Povoação: “temos esses três públicos, temos esses três tipos de concertos para que toda a população se identifique com o festival”.
Garante que a Povoação “é um local muito característico que envolve uma vila inteira” e que “é deliciante ver toda a população envolvida”, recordando que no ano passado “foram cerca de 15 mil a passear-se naquela vila que estava completamente cheia”. Considera que o Festival se diferencia também “pelo espirito, pelo campismo, pela boa música, pelo bom convívio, a água, as praias, portanto é todo esse espirito de final de Verão”, ou não fosse, como gostam de reforçar “a última grande festa de Verão nos Açores”.
“O festival mais barato dos Açores”
O orçamento é “praticamente equivalente” ao do ano anterior e, em relação aos artistas André Ávila confirma que “o cachê tem vindo a diminuir atendendo à crise e à possibilidade de poderem actuar em vários sítios”. Ainda assim tiveram de aumentar “ligeiramente” o valor dos ingressos, para garantir a renovação da imagem e para poderem “inovar com outras coisas”. Para além do voleibol e do futsal, este ano vão-se realizar “no porto recreativo da Povoação”, algumas “actividade náuticas”. Apesar dos bilhetes serem mais caros do que na edição passada, André Ávila garante que o Festival da Povoação by Nissan 2014 “continua a ser o festival mais barato dos Açores”.
“O nosso cartaz vai dos 8 aos 80”
Na edição de 2014 são esperados cerca de 15 artistas no palco principal do Festival da Povoação, para garantirem cerca de 30 horas de música e animação num recinto com mais de 6000 m2. Entre nomes internacionais destacam-se artistas como: Inner Circle, Lucenzo e os Dj´s Jay Hardway, Sidney Samson e Quintino. Em termos nacionais, para além dos The Gift que incluíram este Festival na sua Tour Nacional, também vão marcar presença na Povoação os DJ´s Cristian F, Djane Percy, Dj Feminino e o Dj Dafonseca. Entre os artistas dos Açores destacam-se os Passos Pesados, os Preludium, os Dj´s Pedrinho, Antoine C e Petha. Também os criadores do Hino do Festival, a Banda Luso canadiana, os Além Mar voltam a actuar na Povoação. O concerto de fado na fachada da Praça Velha fica a cargo da Fadista Barbara Moniz.
Preocupações ecológicas
“Vamos ter letreiros nas nossas zonas de campismo para as pessoas terem atenção”, adianta André Ávila explicando que vão ter “muitos recipientes de lixo para, principalmente nas zonas de campismo, as pessoas colocarem o seu lixo dentro dos caixotes”. Também dentro de recinto das festas vão “fazer uma campanha para que as pessoas em vez de deixarem o copo no chão, deixem nos nossos contentores do lixo”. André Ávila adianta que a organização quer que as pessoas tenham “alguma mentalidade ambiental relativamente ao festival”.
A identidade do festival também é marcada pelo slogan “bom c’mo milho” que se prende com a história do próprio concelho já que, como explica André Ávila, durante muitos anos o concelho da Povoação foi considerado “o celeiro da ilha”, porque “era a zona onde se produzia o milho e o trigo que abastecia o resto da ilha de São Miguel”. No entanto, esta expressão também está ligada, admite ao “trocadilho que é característico do açoriano, do piropo, que dizem ‘bom como o milho’ ou ‘boa como o milho’”.
Empresário fica com terrenos da Região por usucapião em Santa Maria e Governo faz queixa-crime ao Ministério Público
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 25-08-2014
- Escrito por Nélia Câmara
O representante da sociedade “Praia de Lobos Empreendimentos Turísticos, SA” disse no cartório notarial que a doação foi feita verbalmente mas nem o presidente do Governo da altura, Mota Amaral, nem os seus secretários das Finanças e Obras Públicas têm conhecimento do caso, nem o podiam ter, como dizem, porque os governos não tomam decisões verbais mas sim por escrito, pois tratam-se de actos públicos que têm de ficar registados!
Uma empresa privada de Santa Maria no ramo da hotelaria e turismo decidiu ficar para si com parte dos terrenos do Governo Regional, outrora sob gestão da ANA, Aeroportos de Portugal, SA, por usucapião [Direito de posse que um indivíduo adquire sobre um bem móvel ou imóvel em função de haver utilizado tal bem por determinado lapso temporal, contínua e incontestadamente, como se fosse o real proprietário desse bem], mas que voltaram para o domínio do Executivo açoriano, num processo de transferência do Governo da República, por decisão do Conselho de Ministros, e publicado em Diário da República. Este foi um processo que levou algum tempo como mais tarde veremos. Contudo, agora importa centrar-nos no cerne da questão. Isto é, Rui Santos, representante da sociedade “Praia de Lobos – Empreendimentos Turísticos, SA” , com sede em Vila do Porto, freguesia e concelho de Vila do Porto, declarou que a sociedade sua representada, com exclusão de outrem, é dona e legítima possuidora do prédio urbano composto de parcela de terreno, com a área de dezassete mil setecentos e dezasseis metros quadrados, sito na Rua da Horta, no lugar do Aeroporto, freguesia e concelho de vila do Porto. Para fazer este acto, estiveram presentes testemunhas, conforme confirmou o Correio dos Açores junto do Cartório Notarial da Batalha, e na altura o representante afirmou que a sociedade adquiriu estes terrenos em 1992 por doação verbal da Região Autónoma dos Açores, não possuindo qualquer título formal para o registar no cartório, mas desde logo entrou na posse do terreno, e como consequência da doação está na posse do prédio há mais de 20 anos, conforme se verifica no anúncio publicado no Jornal “Baluarte”.
Das diligências efectuadas pelo Correio dos Açores para apurar se o Governo da altura tinha procedido a esta doação verbal confirmamos que nem o chefe do executivo açoriano, liderado na altura por Mota Amaral, nem os seus secretários das Finanças e das Obras Públicas tomaram qualquer decisão neste sentido, nem o podiam ter feito, como apuramos, pois os governos não fazem doações verbais, mas sim fazem tudo por escrito.
Também soubemos que o Governo açoriano, agora liderado por Vasco Cordeiro, ao tomar conhecimento desta situação fez as diligências necessárias para averiguar a veracidade dos factos e para salvaguardar o património da Região - pedindo a nulidade da escritura - entregou já uma queixa-crime no Ministério Público, para que sejam feitas as investigações necessárias ao caso, que pode chegar a julgamento, caso assim o Ministério Público entenda que há matéria de facto para constituir algum arguido. Como decorre o período de férais, o Correio dos Açores não conseguiu saber qual o andamento deste processo. Também enviamos um mail ao representante da sociedade já há algum tempo para aferir das razões que levaram a este processo de usucapião mas até ao momento Rui Santos não se pronunciou.
Mas voltando agora à história destes terrenos, de que parte foram alvo de usucapião. Estávamos em 2009, mais concretamente no dia 24 de Agosto de 2009, o que faz precisamente hoje, domingo, cinco anos, em que Carlos César, então presidente do Governo Regional dos Açores recebeu, em Santana, presidente do Conselho de Administração da ANA – Aeroportos de Portugal, Guilhermino Rodrigues, para falar da transferência, para a administração regional, dos terrenos do aeroporto de Santa Maria que não estavam afectos à operação aeroportuária.
Após a audiência, Carlos César disse: “Isso vai permitir um investimento do Governo Regional e da autarquia na reabilitação de toda aquela zona, quer do ponto de vista ambiental, quer do ponto de vista habitacional, da rede viária, da rede de esgotos e, até, da conjugação dos investimentos que a ANA já fez em abastecimento de água para a rede pública doméstica e abastecimento à lavoura na ilha de Santa Maria”. Mas este foi um processo demorado, o que levou em 2011, a ANA SA, o Governo Regional e a Câmara Municipal de Vila do Porto, assinaram um protocolo, com vista à transferência daqueles terrenos, que nunca chegou, no entanto, a ter correspondência prática. Um ano e dez meses depois, já com novo governo e outros ministros, o pedido de parecer sobre o assunto chegou ao parlamento açoriano. Por essa razão, o PCP decidiu avançar agora com uma proposta de resolução, aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa Regional dos Açores e, recomendando ao Governo da República para que desenvolvesse “todas as diligências necessárias” à transferência dos referidos terrenos para a posse da região. Mas só passados dois anos é que o assunto teve a atenção da República.
Até Sérgio Ávila, hoje vice-presidente do Governo, na altura lamentou que os referidos terrenos não tivessem sido já transferidos para a posse dos Açores, adiantando que o Governo da República só não o fez mais cedo, devido ao alegado receio da medida “poder interferir” com a campanha das regionais de Outubro de 2012. A resolução só foi publicada Diário da República, 1.ª série — N.º 37 — 21 de Fevereiro de 2013, em que entre outros pontos, se diz que a não transferência para a região dos terrenos prejudica o desenvolvimento da ilha.
Certo é que a 11 de Abril de 2013, o Conselho de Ministros aprovou a transferência de terrenos e edifícios no aeroporto da ilha de Santa Maria para o “domínio privado” da Região Autónoma dos Açores.
O diploma aprovado “procede à desafectação do domínio público aeroportuário do Estado de parcelas de terreno e edifícios implantados no Aeroporto de Santa Maria e transfere os referidos bens para o domínio privado da Região Autónoma dos Açores”, conforme se lê no comunicado do Conselho de Ministros.
“As parcelas de terreno e os edifícios em causa não estão efectivamente afectos, directa ou indirectamente, à prossecução do serviço público aeroportuário de apoio à aviação civil, justificando-se desafetar os mesmos do domínio público aeroportuário do Estado”, acrescenta.
Esta era uma longa aspiração da população de Santa Maria: recuperar um vasto património de terrenos e moradias abandonadas, na posse da ANA que já não se encontram afectos à actividade aeroportuária.
Conforme nota do Governo, os terrenos da ANA, situados na ilha de Santa Maria, junto ao aeroporto, perfazem uma área total de um milhão e 900 mil metros quadrados, e incluem cerca de duas centenas de moradias abandonadas, que constitui uma zona de expansão urbana de Vila do Porto. Uma parte destes terrenos fora agora alvo de usucapião.
Família Plesov investe na marca Açores mas foi por engano que vieram parar a São Miguel
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 25-08-2014
- Escrito por Bárbara Almeida
Supostamente deviam estar na Madeira mas um engano fez com que viessem viver para ‘a’ Ponta Delgada dos Açores. Estão cá há cerca de 13 anos, criaram raízes afectivas e profissionais. Actualmente têm duas empresas que apostam no turismo e nas exportações. Investem na promoção dos Açores, como destino e como marca, em vários países da Europa do Leste.
Alexander Plesov tem 29 anos e nasceu na Rússia, na “cidade onde nasceu Lenine” diz para nos ajudar a situar a cidade de Simbirsk (que desde 1924 se passou a chamar Ulianovsk em homenagem a Lenine). “Foi por engano” que veio parar aos Açores. Explica que o pai tinha estado um ano a trabalhar em Portugal continental até que um colega lhe falou de um emprego em Ponta Delgada. Acontece que esta Ponta Delgada era na Madeira (freguesia da costa Norte, no concelho de São Vicente) mas ao comprar a passagem de avião, o pai ‘selou’ o seu destino com São Miguel. “Veio parar aqui por engano mas gostou tanto que disse que queria continuar por cá”. A família – a mãe, Alexander e o irmão – juntaram-se ao pai e desde há 13 anos que vivem nos Açores. Foi uma “surpresa” e “decidimos deixar tudo lá e vir para cá”. Admite que no início se sentiram “um pouco perdidos no meio do Atlântico” e, acrescenta “é um pouco assustador”. Destaca o facto de desde os primeiros dias sentirem que as “pessoas eram muito amigáveis”, garante que não sentiram “frieza”, o que a ajudou a que se sentissem “em casa”.
Os irmãos Plesov estudaram ambos na Domingos Rebelo. O irmão de Alexander escolheu a área de economia e obteve bolsas para estudar em Lisboa, onde ainda vive. Alexander ficou por São Miguel, na Universidade dos Açores onde estudou ciência e tecnologia de computação. Quando acabou o curso esteve a trabalhar na área da informática – em programas de software hospitalar – mas teve que deixar essa área porque, hoje em dia, se divide entre o turismo e as exportações.
Por causa do trabalho tem que se deslocar a outros países mas não se imagina a viver noutro sítio: “desde criança que sonhava em viver numa cidade pequena, junto ao mar, com uma baia, com barquinhos (…) depois de ver os Açores sinto que é o que sonhei desde criança”.
O pai Plesov começou por trabalhar na construção civil, depois na restauração de barcos, na marina, e mais tarde voltou ao ensino, a sua área de trabalho na Rússia. Começou por dar explicações, foi professor na escola profissional do Nordeste e nos últimos dois anos, mudou-se para o Turismo.
Desde o tempo que viviam na Rússia que a mãe de Alexander estava ligada ao turismo, era directora de uma agência de viagens “e até já tinha enviado turistas para o continente e para a Madeira”. Com mais de 25 anos de experiência no Turismo a mãe de Alexander começou, há sensivelmente 8 anos, a promover o destino Açores junto dos turistas russos. Desde que está nos Açores que tem colaborado com vários operadores regionais e nacionais. Há dois anos abriram uma agência de viagens “familiar” em São Miguel. Considera que há três aspectos dos Açores que podem cativar mais turistas russos. Para além da natureza, destaca o facto de que os Açores são vistos como um “destino limpo”, ou seja, “ecológico”. Por outro lado, realça a facilidade com que “se criam amizades, mesmo no curto prazo”.
Turistas gostam da
natureza, da ecologia
e do acolhimento dos açorianos
“Agora está a ser mais fácil vender o destino Açores” adianta Alexander Plesov recordando que, por exemplo, há 8 anos a informação que havia era pouca e incompleta: “era extremamente difícil vende um destino que não era conhecido”. Mais grave é que alguns turistas da europa do Leste pensavam que os Açores “eram umas ilhas quase desertas, sem transportes, achavam que de barco de pescas podiam visitar todas ilhas”. Esta informação incorrecta fazia com que as estadias fossem “quase sempre mal planeadas”. Até se lembra de ter lido textos, traduzidos em Russo, sobre os Açores, em que se dizia que “em todas as ilhas, menos no Corvo, havia caminhos ferroviários”.
Para tentar resolver este problema de falta de informação começaram, há quase 5 anos, por criar um portal em russo onde colocaram informação “sobre todas as ilhas, localização geográfica, pontos de interesse, ligações aéreas e marítimas”. Para além de ter o seu próprio fórum na net, Alexander começou também a participar nos maiores fóruns online de turismo russo, “respondendo às dúvidas relativamente aos Açores”.
Hoje em dia, têm parcerias com “maiores operadores” de turismo na Rússia, fazem excursões e têm o próprio barco, também têm parceiros regionais que fazem, por exemplo a observação de baleias.
Podem vir mais turistas
do leste e ir mais
açorianos para a Rússia
Alexander Plesov explica que não se pode comparar o mercado açoriano com, por exemplo o turismo nos países nórdicos mas garante que “tem aumentado” a vinda de turistas russos para os Açores. Conta que desde que começaram a divulgar melhor informação “começámos a receber muito mais turistas”. Confirma que mesmo sem ser através da sua agência Alexander tem-se cruzado mais vezes com turistas russos que estão nos Açores a passar férias com as familias.
Sobre a possibilidade de liberalização de algumas rotas para os Açores, prefere esperar para ver mas acredita que possivelmente “vai trazer mais turistas” e “simplificar” a vinda de turistas do leste. Alexander explica que “tendo em conta que existe esta barreira em termos de preços” e “toda a logística que está associada”, normalmente o turista da Europa do Leste que vem para os Açores “tem algum poder de compra e já está disposto a pagar um pouco mais dos que a média”. Quanto ao ‘trajecto’ inverso, admite que é uma das próximas apostas e que ainda este ano vão “promover a Rússia e países da antiga União Soviética cá nos Açores”.
Projecto russo-açoriano aposta forte na exportação da marca Açores
O alvo são os restaurantes e nas lojas gourmet. Exportar não é difícil mas conseguir vender já dá mais trabalho, diz Alexander Plesov.
Começaram há sensivelmente dois anos a trabalhar na área da exportação e desde Fevereiro deste ano que abriram a sua própria empresa. Decidiram investir nesta área porque, como explica Alexander Plesov, perceberam que “havia procura dos produtos e da gastronomia açoriana” por parte do mercado russo mas “não havia oferta”.
Alexander Plesov, empresário do grupo Russian-Azorean Trading Company (R-ATC) conta que os primeiros contactos com as empresas regionais correram bem e que a empresa já tem acordos com alguns dos produtores regionais. Para já, não estão a apostar nos produtos ‘não animais’, ou seja, nos refrigerantes (Kima), produtos enlatados, doces e conservas que são mais fáceis de exportar”. Alexander Plesov explica que a certificação, para esse tipo de produtos, é mais rápida de obter.
Para facilitar a entrada dos produtos na Rússia estabeleceram uma sociedade com um empresário russo que detém, em São Petersburgo, um grupo (IC Centre) com 24 empresas de pequena e média dimensão de várias áreas. No caso da indústria alimentar, por exemplo, essa holding tem parceria com empresas internacionais como a KFC, Pizza Hut, Avico, a Nestlé, a Unilever e a Heinz. O sócio, Konstantin, garante todo o apoio e assegura todas questões logísticas – “desde o booking dos contentores, aos transportes terrestres, carros de distribuição, espaços de armazenamento, até empresas de certificação, contabilidade. Conta que o mais difícil não exportar mas sim “conseguir vender” os produtos dos Açores, principalmente porque são desconhecidos dos consumidores russos.
Marca: eco produto açoriano
Alexander não tem dúvidas quando à qualidade de alguns produtos açorianos, como por exemplo o queijo, que “é muito bom”, mas explica que “se colocar ao lado do queijo de França, vão comprar o queijo francês porque a origem é mais conhecida”. Para contrariar este desconhecimento, a empresa não quer apenas “colocar os produtos no mercado russo”, mas também “dar a conhecer a origem” Açores. Explica que a estratégia implicou o registo de uma marca que traduzido do russo para o português significa “eco produto açoriano” que é para facilitar a associação do destino. Vão sempre preservar os logotipos das marcas regionais mas acrescentar esta nova marca que permita os consumidores identificarem os diferentes produtos dos Açores.
Enquanto não se resolve o problema do embargo russo – que os impede de avançar com a exportação de queijo – vão trabalhando na divulgação da marca Açores. Estão a elaborar brochuras, em russo, com explicações pormenorizadas sobre os produtos açorianos. Acreditam que há um nicho de mercado onde os produtos açorianos podem ter sucesso, “vamos trabalhar as possíveis entradas nos restaurantes e nas lojas gourmet” e para clientes “com algum poder de compra”, diz Alexander, explicando que “a produção quase artesanal” dos produtos açorianos tem um valor acrescentado. Aliás, explica que, por exemplo, no caso dos restaurantes querem promover um produto de cada vez: “posso chegar a um restaurante e fazer a degustação do chá Gorreana e contar a história da fábrica e da produção de chá”, exemplifica. No caso das lojas gourmet a estratégia vai ser diferente: “o chá, é chá dos Açores. Os doces, são os doces dos Açores”, não vão promover as marcas específicas mas sim os produtos de uma maneira geral. Considera que esta é a melhor maneira de garantir a entrada no mercado “se um dia falhar a entrega de uma marca, eu não vou perder o espaço na prateleira porque terei outra marca de doce para dar ao cliente. O que interessa é que o doce dos Açores vai estar presente”.
Reconhece que por parte de alguns produtores açorianos também houve, inicialmente, algum receio por desconhecerem o mercado russo: “depois de explicarmos que, somos uma empresa local, também somos portugueses, não estamos a enviar os produtos para empresas desconhecidas, as pessoas ficam mais tranquilas e as negociações tomam outro rumo”.
Açores vão ter um stand exclusivo
na Feira de Moscovo
Outra das grandes aposta destes empresários é a participação na Worldfood Moscovo 2014, uma das maiores exposições de produtos alimentares na Rússia, que se realiza em meados de Setembro. Pela primeira vez, esta feira internacional vai ter um stand exclusivamente dedicado aos Açores e aos produtos regionais. A Russian-Azorean Trading Company já tem garantido um espaço com 36 metros quadrados no pavilhão central (um dos cinco que existem) da exposição, vai ajudar os participantes açorianos na tradução da publicidade para a língua russa e na exportação dos produtos que vão estar em exposição. Nesta feira vão apresentar produtos variados como por exemplo, carne, enchidos, peixe, queijos, fruta, vinho, chá. Alexander confirma que há mais de 10 produtores açorianos que confirmaram a sua presença na feira de Moscovo mas ainda há respostas pendentes. Depois deste encontro vão aproveitar para mais iniciativas de degustação e de contactos personalizados com possíveis compradores dos produtos açorianos.
Já seguiram 2 contentores
para a Rússia
Dois contentores de 20 pés seguiram para a Rússia com produtos dos Açores. Lá dentro levaram quase 20 mil litros de refrigerante Kima (de maracujá e de ananás) mais cerca de 400 quilos de doçaria regional (da Frutaçor, do Celeiro da Terra e do Quintal dos Açores) e pimentas da terra. Neste momento optam por dirigir estes produtos apenas para duas cidades russas – Moscovo e São Petersburgo – que “no total contabilizam mais de 40 milhões de habitantes”, esclarece Alexander Plesov. “Nós acreditamos que tem saída” mas para já têm que ir experimentando o mercado. Alguns destes produtos já têm destinatários identificados, “um restaurante em São Petersburgo quer ficar com parte dos doces e da Kima”. Vão também promover os produtos através “de acções de degustação e para oferecer”.
Fogo deflagra no Miradouro de Santa Iria
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 22-08-2014
- Escrito por B.A.
Cerca das 11 horas da noite os Bombeiros da Ribeira Grande foram chamados para apagar um incêndio avistado no Miradouro de Santa Iria, na costa norte de São Miguel. Ao chegar ao local confirmaram a existência de um incendio de pequenas dimensões mas que estava aceso numa zona muito difícil acesso, na pare das rochas. Fonte da corporação explicou ao ‘Correio dos Açores’ que a impossibilidade de aceder ao local faz suspeitar que o fogo tenha deflagrado por causas naturais e não por acção humana. Aliás, essa mesma fonte adiantou que os próprios bombeiros da Ribeira Grande não conseguir chegar ao local do incêndio mas ficaram na zona, como medida de prevenção, até o fogo se extinguir por si. Admite a mesma fonte que o facto de, na Quarta-feira passada, ter sido um dia de muito calor o fogo possa ter tido origem nalgum pedaço de vidro ou outro material inflamável que estivesse na zona das rochas do miradouro.