A resistência do Prior de Crato a partir de São Roque contra o domínio espanhol em Portugal

Na zona de Rosto de Cão, desde a Pranchinha até à então designada ‘Lagoa dos Mastros’  e, para Norte, até aos Fenais da Luz e Pico da Pedra, desenvolve-se, durante praticamente todo o século XVI, uma história medieval riquíssima enquanto guardiã da cidade de Ponta Delgada e das vilas da ilha.
Quem lê ‘com olhos de ver’ o Livro Quarto das ‘Saudades da Terra’ de Gaspar Fructuoso, apercebe-se que terá ocorrido em São Roque actos heróicos da resistência portuguesa, sob o comando de D. António Prior de Crato, ao domínio espanhol em Portugal.
É a partir da mansão de Jorge Nunes Botelho, filho de Diogo Nunes Botelho, no Poço Velho, em São Roque, - onde se encontra, actualmente, a Escola Primária cinquentenária da freguesia -, que se expandia o império da família ao longo de quase todo o Rosto de Cão. A força e poder desta família Botelho ultrapassa as fronteiras da ilha e já seriam do conhecimento da Coroa portuguesa, em Lisboa, antes da era filipina.
E havia razões para isso. Diogo Nunes Botelho era proprietário de grandes pomares, sobretudo laranjais, vinhas e extensões de pastel e trigo e conseguiu pôr toda a sua grande propriedade a produzir através de processos de cedência de direitos e partilha de produção com súbitos que, por sua vez, eram cabeças de casal de famílias já abastadas. Esta força humana e de produção passou a ser ainda melhor gerida pelo filho Jorge Nunes Botelho, de hábito de Cristo, que não só tem 250 soldados ‘sob a sua bandeira’ como a ele é atribuído o facto de ser um dos principais impulsionadores da criação de milícias populares em São Roque (formadas por pescadores e agricultores) prontas a entrar em acção sempre que houvesse qualquer ameaça de naus inimigas sobre a baía de Rosto de Cão. Estas milícias tinham por missão atacar as forças inimigas que pretendessem desembarcar nas actuais praias das Milícias e do Pópulo.
Já os 250 soldados que estavam ‘sob a bandeira’ de Jorge Nunes Botelho, sitiada em sua mansão no Poço Velho, defendiam a actual Prainha e toda a zona do Poço Velho a partir do castelo de São Francisco, parcialmente soterrado pela Câmara Municipal de Ponta Delgada para construir a via litoral a São Roque (ler caixa) e uma fortificação lateral à igreja paroquial de São Roque que foi também soterrada. Esta força defendia, igualmente, a zona do ilhéu Rosto de Cão.
Há, neste período medieval, uma grande actividade, disseminada em várias profissões ao longo de todo o território de Rosto de Cão, onde existia, como descreve Gaspar Fructuoso, uma população muito laboriosa. Entre as profissões tradicionais, a que mais resistiu no tempo foi a de correeiro, que fazia botas de montar, cabeçadas, celas e várias outros adereços para os cavalos. Esta actividade, que se tornou famosa, resistiu até aos anos 70 do século XX.
Fazia-se, então, em São Roque, grandes negócios, com os pomares e, sobretudo, com a laranja. “Até na flor da laranjeira”, conta Gaspar Fructuoso, “de que se destila, se faz muita água de flor, de que se dá, vende e gasta em muita quantidade; de modo que quase provê de fruta, principalmente de espinho, toda a cidade, de que para ela levam às vezes carros com sebes cheias, carregados de laranjas…”

A chegada do Prior de Crato  

D. António Prior de Crato era pretendente ao trono de Portugal contra Filipe II de Espanha após a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir. O facto é que Felipe II (Filipe I em Portugal) fez valer os seus direitos dinásticos e proclamou-se rei de Portugal. Mas, D. António Prior de Crato, considerado o “bastardo” pelos espanhóis, resistiu até mais não poder contra o domínio filipino.
E nesta luta, D. António contracta naus e tripulações francesas para integrarem a sua armada e, pela descrição do historiador Gaspar Fructuoso, veio resguardar-se ao largo da Lagoa, a Sul de São Miguel.
A folhas 403 do Livro Quarto das ‘Saudades da Terra’, de Gaspar Fructuoso, pode, a propósito, lêr-se (sic): “Andando D. António com parte de sua armada junto da costa da vila da Alagoa, o foram ver algumas pessoas de Vila Franca, com o vigairo dela, e lha entregaram, por não serem sequeados. E depois se lhe renderam outras vilas, como foi Água de Pau e Ribeira Grande, com o mesmo receio”.
O facto é que, apesar desta vassalagem das vilas de São Miguel, D. António Prior de Crato opta por desembarcar a 17 de Julho de 1582 com Filipe Strosse “e outros senhores e fidalgos de França, com dois mil homens” em Rosto de Cão. Na escrita de Gaspar Fructuoso, foi “pousar nas casas de Jorge Nunes Botelho em São Roque, donde passou depois para as de Amador da Costa”. Foi a partir daqui que os franceses que acompanharam o Prior de Crato começaram a saquear o que foram encontrando até aos Fenais da Luz e de lá até ao lugar da Fajã “até chegar onde D. António estava, sem ousar entrar na cidade…”
O Prior do Crato acabou por determinar o fim do saque, impondo “a pena de morte a qualquer soldado de seu exército que tocasse em alguma coisa dos vizinhos de toda a ilha”.
“E porque a igreja matriz do mártir S. Sebastião, da cidade de Ponta Delgada, ficara armada com muitos e ricos panos de amar, cartas de Frandes e outras cousas ricas, da festa que se tinha celebrado do Santíssimo Sacramento e do Anjo Custódio”, o cura Gaspar Manuel “foi pedir a D. António que mandasse pôr guardas na dita igreja, para não ser saqueada nem roubada, o que ele mandou fazer”.
Ao longo deste tempo, o exército e dois mil homens de Prior de Crato que se encontravam em terra além dos que se mantinham nas naus ao largo de São Roque, precisavam de mantimentos e, “neste tempo”, segundo Gaspar Fructuoso, “havia por muitas partes da ilha muitos recados e feitores de D. António que, com grande pressa, faziam levar à cidade muitos carros carregados de trigo e pão e pipas para água e muito gado de toda sorte…”
Intimidação ao Castelo
de São Brás

Na altura, os espanhóis já tinham ocupado o Forte de São Brás, em Ponta Delgada, e, de São Roque, D. António Prior de Crato fez uma intimidação às forças militares de Filipe I. Narra, a propósito, Gaspar Fructuoso, -  historiador que ninguém, hoje em dia, ousa pôr em causa publicamente - que “estando D. António no lugar de S. Roque, mandou uma carta a D. João de Castilho, capitão da fortaleza (Forte de S. Brás), (…) em que dizia que lha entregasse, pois sabia que era sua e via seu grande poder”.
Em contrapartida, Pior de Crato “prometia passagem” às forças espanholas e “perdoaria” os soldados portugueses que aderiram ao exército espanhol.
Mas, se D. João de Castilho não entregasse o Forte de São Brás, D. António Prior de Crato “mandaria tirar em terra das naus sete peças de bater, com que a bateria”.
Nesta intimidação, a partir de São Roque, Prior de Crato procurava dissuadir os espanhóis sitiados no castelo de S. Brás de que não teriam reforços do Reino. Fez saber a Castilho “que não vinha armada de Espanha aquele ano” para socorrer as forças espanholas em Ponta Delgada.
A verdade é que a tentativa de António Prior de Crato de intimidar os espanhóis não surtiu efeito e, segundo Gaspar Fructuoso, “o dito D. João de Castilho, e o governador Martin Afonso de Melo, e o bispo D. Pedro de Castilho e o corregedor Cristóvão Soares de Albergaria, que dentro na fortaleza estavam, respondem que aquela fortaleza era de el-Rei de Espanha e não se lhe entregaria”.
O facto é que bem resguardados e cheios de mantimentos no Forte de S. Brás, os espanhóis resistiram a António Prior de Crato até que se abeirou de São Roque e de Ponta Delgada a grande armada espanhola do Marquês de Santa Cruz que arrasou com a resistência portuguesa que se fazia a comando do Prior de Crato, sobretudo, a partir das casas de Jorge Nunes Botelho, no Poço Velho, em São Roque. A era filipina em Portugal ocupava, assim, um dos últimos bastiões – senão mesmo o último – da resistência portuguesa à ocupação filipina.
A partir de então, de D. António Prior de Crato pouco se sabe depois da derrota a Sul de Rosto do Cão, tudo levando a acreditar que terá ido para o exílio.
Para o investigador espanhol Javier Marcos a relação entre o rei castelhano Filipe e D. António “era, especialmente depois de 1580, uma história de perseguição, em que os perseguidos ficaram temporariamente presos. Javier Marcos, historiador e co-autor do livro “Spies de Philip II”, apresenta dados inéditos até a luta entre o monarca espanhol e D. António, como a captura do pretendente e o suborno aos seus captores, o que pode constituir uma nova luz sobre a biografia do Prior.

Investigação de Mário Jorge Costa
texto de João Paz

Governo diz que aquacultura é boa ferramenta para atrair empresários

primeira

O Governo Regional dos Açores acredita no potencial da aquacultura nos mares da região. Para já vão investir 57.600,00€ para que a Fundação Gaspar Frutuoso apresente uma espécie de mapa do mar dos Açores com as melhores áreas para este tipo de investimento. O Secretário Regional do Mar acredita que esta vai ser uma boa ferramenta para, no futuro, atrair empresários que queiram e possam investir nos Açores.

 

O Governo Regional dos Açores acaba de conceder 57.600,00€ à fundação Gaspar Frutuoso para a realização de um projecto “para determinação de locais com potencial para a instalação de unidades de aquicultura na Região Hidrográfica dos Açores”. O investimento no sector da aquacultura foi um dos compromissos assumidos pelo executivo regional no seu Programa de Governo: “avaliar a possibilidade de se implementarem sistemas de aquacultura de espécies endémicas dos Açores”, relembra o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia. De acordo com a Secretaria de Fausto Brito e Abreu “desde 2007  já foram realizados 10 diferentes projetos em cracas, lapas, ouriços-do-mar e peixes, maioritariamente nas ilhas do Faial e São Jorge num total de 310 mil euros”.
Apesar de ter assumido a pasta a meio do mandato, o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, faz questão de deixar “alguma diferença no cenário da aquacultura nos Açores” e está “satisfeito” por se ter avançado com este estudo, este “primeiro passo”, que espera que seja “utilizado” em projectos futuros. Admite que o estudo “pago com dinheiros públicos” pode “beneficiar a instalação de negócios privados” mas, Fausto Brito e Abreu acredita este projecto é de “interesse público” e que as informações resultantes também vão facilitar a gestão do espaço marítimo, por exemplo, “saber no caso da aquacultura quais são as zonas mais importantes e não entrar em conflitos com outras actividades, que porventura podem ser feitas noutros locais”.
O projecto da Universidade dos Açores (Uac) e da Fundação Gaspar Frutuoso que vai permitir obter uma espécie de mapa do Mar dos Açores, envolve duas professoras e dois investigadores da Uac, arranca no próximo mês de Setembro e tem a duração de 12 meses. Ana Cristina Costa, professora da Universidade açoriana, uma das responsáveis pelo projecto, lembra que nem todo o espaço marítimo é adequado para a aquacultura, causa dos constrangimentos legais, ambientais, geográficos e até meteorológicos. Este primeiro passo para o sector da aquacultura nos Açores passa por “organizar e analisar toda a informação existe”, diz Ana Cristina Costa, mais “em termos geográficos” do que em termos biológicos.

A importância
da informação

A investigação que vai ser levada a cabo visa identificar os melhores espaços para a “instalação” equipamentos no mar, ou seja aquacultura offshore, tendo em conta critérios bem definidos. Alguns desses critérios são por exemplo, ao nível da “segurança das próprias instalações”, das “zonas de valor ambiental”, da existência de cabos submarinos ou até dos apoios em terra. Ana Cristina Costa acredita que a aquacultura pode ser uma “boa solução para algumas espécies” cujos “stocks naturais estão em declínio a nível da pesca”. Defende que a informação obtida vai permitir que no caso da aquacultura as decisões futuras “sejam fundamentadas” e ao sinalizar as áreas em que a aquacultura é viável, a docente considera que no futuro se conseguirá minimizar os riscos para todos os envolvidos. Para além de permitir aos investidores “poupar algum dinheiro”, explica Ana Cristina Costa, os resultados que vão ser obtidos vão beneficiar o trabalho de que autoriza os investimentos “para perceber quais são os sítios que, de ponto de vista ambiental, tem menos custos”.

Mar dos Açores pode
afastar investidores

Fausto Brito e Abreu defende que “há um potencial muito elevado” para o negócio da aquacultura nos Açores mas reconhece que “há um elemento de risco considerável”. Ao “desconhecimento” junta-se o facto do mar dos Açores nem sempre ser “bondoso”, o que é arriscado para as infraestruturas necessárias para a aquacultura offshore. Para além deste estudo, o Governo Regional diz-se disponível para “estimular” o investimento, “através de pontes com a ciência e através de um regime jurídico favorável para facilitar os licenciamentos e o início da actividade”, mas o sector privado tem de se envolver nesta área.
O Secretário do Mar considera que, actualmente, não se justifica dizer que o negócio da aquacultura “não é atraente” e defende que o investimento pode ser compensado se, por exemplo, nos Açores se conseguir fazer “como no Japão”, em que se aposta na “aquacultura offshore de algumas espécies de atum”. Admite que o “atum é uma espécie difícil de produzir em aquacultura” e “está ainda numa fase inicial” mas que j´casos de sucesso no Japão que pode ser transpostos para os Açores onde a qualidade do mar até pode ser uma vantagem para o produto final. Ainda sobre a ‘produção’ de atum Fausto Brito e Abreu adianta que este é um exemplo de como a aquacultura pode interagir com outros sectores, nomeadamente com as conserveiras açorianas que podem aproveitar essas produções, nos anos em que as capturas forem mais reduzidas.

“Boas sinergias entre
os sectores da pesca
e da aquacultura”

O Governo Regional dos Açores acredita que há condições para “haver boas sinergias entre os sectores da pesca e da aquacultura” e não há razões para desconfianças ou para falar de “competição entre o peixe pescado e o peixe produzido”. Fausto Brito e Abreu garante que “há espaço para coexistirem as actividades” e que “a aquacultura será um sector que pode trazer rendimentos adicionais complementares aos pescadores” já que o trabalho nos ‘viveiros em alto mar” “normalmente envolvem homens do Mar para trabalhar” com competência. Outra das vantagens destacadas pelo governante é a produção de “isco em aquacultura” que pode ser “mais eficiente e mais barato para os pescadores”.
Também a professora da Universidade dos Açores considera que os investidores terão mais interesse em investir em espécies que “possam suprir as lacunas do mercado”, ou seja, “vão dirigir a produção para espécies em dificuldades de captura”, em vez de apostar em espécies abundantes na pesca. Ana Cristina Costa também considera que o Governo Regional até pode optar por investir em produzir espécies que possam servir para repovoar os mares dos Açores, o que é uma ajuda aos próprios pescadores. A professora da universidade defende também que “não há competição entre os sectores” e que futuramente “pode haver reconversão” de alguns profissionais da pesca para a aquacultura.

Qualidade do peixe
de aquacultura

É frequente ser posta em causa a qualidade dos peixes de aquacultura, principalmente quando se compara com a excelência do peixe pescado nos Açores. O secretário do Mar confirma que o Governo Regional quer, “através de certificação e reconhecimento internacional”, promover e valorizar o pescado dos Açores como “um dos melhores peixes do mundo produzido num eco-sistema de elevada qualidade e pescado de uma forma sustentável”. Acrescenta Fausto Brito e Abreu que essa “imagem” de qualidade “em nada conflitua” com a existência de “uma produção de aquacultura controlada com elevada qualidade”.
Também a professora da universidade açoriana defende que, sem ser os especialistas, a maioria dos consumidores tem dificuldade em distinguir, o sabor dos peixes de cativeiro dos peixes selvagens: “em termos de sabor, efectivamente existem algumas diferenças muito subtis, que 99,9% das pessoas não vão saber distinguir”.
Sobre as espécies mais adequadas para a aquacultura nos Açores Ana Cristina Costa considera que “há, ainda, algumas espécies em que era importante olhar com mais cuidado para perceber se do ponto de vista biológico elas têm potencial para ser cultivadas em cativeiro ou não”. Adianta que as experiencias feitas noutros países, e regiões, deve ser tida em conta mas admite que são necessários estudos concretos sobre as espécies concretas dos Açores.

A aquacultura
                  é inevitável

Os dados mais recentes levam a crer que a aquacultura é inevitável. Ainda no inicio deste ano a ONU lançou uma previsão de que em 20301 “quase dois terços do peixe será de aquacultura”. No relatório “A pesca até 2030: Perspetivas da pesca e a aquacultura” a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) garante que 38% de todo o peixe produzido atualmente no mundo é exportado e, em termos de valor, mais de dois terços das exportações de pescado dos países em desenvolvimento destinam-se aos países desenvolvidos. O mesmo documento prevê que, em 2030, a Ásia represente 70% do consumo mundial de peixe. No sentido contrário, a África subsariana vai registar uma diminuição do consumo de peixe per capita, de 1% ao ano, desde 2010 até 2030.

Suspeito do crime de tráfico detido na posse de 4.551 doses de liamba

A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve na ilha do Pico um homem de 35 anos, suspeito do crime de tráfico de estupefacientes, tendo-lhe sido apreendidas pelos agentes de autoridade a totalidade de 4551 doses.
A PSP revelou ontem  que  a detenção decorreu no sábado, dia 14, e no âmbito de uma investigação conduzida pela Esquadra da Madalena, através da Brigada de Investigação Criminal da Ilha do Pico.
 “No decurso da operação policial, foram apreendidas 17 plantas de Liamba com um peso total equivalente a 4551 doses de produto estupefaciente”.
A PSP adianta no relatório policial  que o detido foi presente ao Tribunal Judicial da Comarca de São Roque do Pico para aplicação das correspondentes medidas de coação tendo sido aplicada a medida menos gravosa, isto é a de Termo de Identidade e Residência.
Também relacionado com questões de material estupefaciente, pela Esquadra de Angra do Heroísmo, no dia 16, no decurso de uma operação de combate ao tráfico e consumo de estupefacientes, foram identificados dois indivíduos, , de 27 e 31 anos de idade, por consumo de droga, tendo sido elaborados os correspondentes autos de notícia por contraordenação e notificados para comparecerem na comissão para a dissuasão da toxicodependência local.
Já pela Esquadra da Praia da Vitória, foi detido, um jovem , de 16 anos de idade, por condução de um ciclomotor, sem habilitação legal. Ao detido foram ainda apreendidas; 0,6 doses de haxixe.
No mesmo dia, na Lagoa, a PSP deteve uma mulher, de 44 anos de idade, por ter-se introduzido sem consentimento em propriedade privada. Foi Também detido pelos agenets da esquadra lagoense por desobediência, um indivíduo, de 30 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, com a carta de condução apreendida.
Já pela Esquadra de Ribeira Grande , no dia 16, foi detido, um homem, de 33 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sob a influência de álcool, com uma taxa de 1.79 g/l, bem como foi detido um outro, de 35 anos de idade, por condução de um ciclomotor, sem habilitação legal, tendo o veículo sido aprendido por circular com matricula falsa.
Foram ainda elaborados dois autos de notícia por contra ordenação, nomeadamente por falta de seguro de responsabilidade civil obrigatório e circulação de veículo sem estar matriculado nos termos da lei.
Foi detido ainda um homem, por ameaças e coação sob Agente de Autoridade e plo mesmo crime foi detido também um jovem de 18 anos de idade, no dia 17, e será presente ao juiz de instrução criminal.
Um dia antes, em Rabo de Peixe os agentes de autoridade detiveram uum homem de 46 anos de idade, por tentativa de furto em interior de estabelecimento comercial.
No dia a seguir, a PSP daquela vila deteve um homem, de 53 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sob a influência de álcool, com uma taxa de 1.35 g/l e ainda um outro de 28 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sob a influência de álcool, com uma taxa de 2.38 g/l. Foi também detido um jovem, de 20 anos de idade, por condução sem habilitação legal; desobediência e ameaças a Agente de Autoridade.  Na fregeusia da Maia, foram detidos, dois jovens de 21 anos de idade, por furto de oportunidade na Praia da Viola (Lomba da Maia), de uma mala contendo diversos artigos pessoais. Os artigos foram apreendidos e entregues ao lesado.
Na ilha de São Jorge, os agentes de autoridade detiveram na sequência de um acidente de viação, um homem, de 23 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sob a influência de álcool, com uma taxa de 1.21 g/l. Enquanto que na ilha do Faial, a Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial através da brigada de Fiscalização Policial, procedeu a uma operação de fiscalização conjunta com dois inspectores da IRAE tendo sido fiscalizado um estabelecimento de restauração e bebidas que já havia sido notificado anteriormente para cessar com a actividade e não o fez.  O estabelecimento incorreu no crime de desobediência resultando numa auto de noticia por parte da IRAE-Horta, sendo aquele estabelecimento selado, revela a PSP no comunicado.
                                            

Louis Victorino empresário de sucesso nos Estados Unidos ensina solidariedade ao neto

Louis Victorino é natural dos Arrifes e foi residir para o Cabouco onde a família da mãe tinha uma exploração pecuária. O pai foi para Bermuda em 1965 e, dois anos depois, chamou toda a família. Cinco anos mais tarde, emigraram para Bristol, nos Estados Unidos, onde Louis tinha uma irmã que fez a carta de chamada.
Saiu do Cabouco com 11 anos e teve que se integrar na escola bermudense com uma cultura muito diferente. Com cerca de 17 anos sai da Bermuda para os EUA e iria integrar-se em outra escola com uma nova cultura. Toda esta evolução não é fácil para uma criança. E Victorino, quando chegou aos Estados Unidos, não quis voltar à escola. O governo americano tinha, na altura, um programa em que os jovens e adultos na sua condição poderiam tirar o High School, estudando em casa. Quer Victoriano como os pais fizeram o exame e o jovem açor descendente deu um passo em frente.

“Não dizia o que queria ganhar…”

O pai de Louis transmitiu-lhe a ideia de que, nos Estados Unidos, se poderia ser tudo o que quisesse, “menos Presidente”. Frequentou uma universidade pública, onde se distinguiu e surgiu-lhe, então a oportunidade da sua vida: Ir trabalhar para uma companhia americana que fazia componentes para submarinos construídos para a Marinha dos EUA. Esta companhia permitia-lhe estudar e sempre que se distinguia na sua formação, mais subia na empresa. “O que fiz foi procurar formar-me, ao nível técnico, na área em que desempenhava funções na companhia. Tínhamos que fazer as peças para o submarino e trabalhar em modelos matemáticos, na altura, no estilo de ‘régua e esquadro’ já que nada ainda era computorizado”.
O facto é que o jovem açoriano não parava e assumiu uma cultura que não é muito usual nos nossos dias: “Eu nunca dizia ao nosso patrão quanto é que queria ganhar. Só pedia para que me desse uma oportunidade e quando chegar lá, pagas-me o que podes. E, em determinada altura o meu patrão era presidente e a seguir estava eu. E tínhamos 150 pessoas a trabalhar na nossa companhia.”.
Quando o patrão decidiu vender a companhia para se instalar na Carolina, deu duas opções a Louis Victorino: Ou acompanhava-o ou dava-lhe uma indemnização para ficar em Bristol.

Montar uma empresa
de sucesso…

O açoriano optou por ficar junto dos pais e criou a sua própria empresaem Bristol, a ‘East Bay MFG’, conseguindo subcontractos de trabalho na área da construção de componentes e instrumentos para submarinos. É a Secretaria de Estado da Defesa dos EUA que estabelece os contractos de construção de submarinos à ‘Electric Boat’ que, por sua vez, faz subcontractos com a empresa do açoriano.
A ‘East Bay MFG’ já teve 50 trabalhadores especializados mas, com a evolução tecnológica, a maioria foi sendo dispensada e, actualmente, tem 16 especialistas ao seu serviço. Ao longo do tempo foi expandido a sua área de actuação e, hoje, já não faz apenas componentes para sofisticados submarinos, com capacidade e autonomia para ficarem longas temporadas debaixo de água. Trabalha em outros domínios e já subcontracta serviços a outras empresas.
Dada a especialização que atingiu, a ‘East Bay MFG’ já faz também testes de peças e instrumentos para a NASA. Só depois de ser provada a eficácia destes equipamentos, é que estas peças são construídas em série.
 O volume de negócios ‘East Bay MFG’ varia muito. Num ano pode ser de três milhões de euros mas, no ano seguinte, pode atingir os sete milhões de euros. Depende sempre dos contactos anuais que têm entre mãos.
 Recentemente, o governo americano já manifestou a intenção de construir sete novos submarinos de última geração e a empresa do açoriano prepara-se para ficar com uma parte deste trabalho. “Estes contractos”, admite Louis, “dá-nos sempre muito serviço”.
A este nível de especialização, a ‘East Bay MFG’ foi eliminando muita da concorrência em seu redor que não conseguiu a evolução tecnológica da empresa de que o açoriano é proprietário. É por isso que diz, com ironia, que “os chineses já não mexem connosco”.
Louis Victorino nunca esqueceu a sua terra natal. O que aconteceu, como explica, é que – enquanto jovem – se dedicou, por inteiro, ao trabalho com o objectivo de atingir aquilo que todos os emigrantes açorianos ambicionam: “o sonho americano”.
Nas suas palavras, todos querem ter “a sua casa grande, os melhores carros, toda a comodidade”. E, depois de atingir o que desejava, chegou o momento em que Louis se virou mais para a solidariedade, com os olhos nos Açores. Foi parar aos Rotários através de um amigo advogado e, em Bristol, - passava o ano de 1996 - foi o grande anfitrião de um grupo de rotários de Ponta Delgada que visitou Bristol. Logo, na altura, os dois grupos de rotários tornaram-se irmãos. “Tornei-me amigo deles e eles são, agora, a minha família sempre que venho aos Açores ou quando eles lá vão”, afirma Louis.
Ao longo dos anos o grupo rotário de Bristol tem apoiado a campanha do Rotary Clube de Ponta Delgada no apoio à Pediatria e Oncologia do Hospital do Divino Espírito Santo e o Lar da Mãe de Deus.

Como o neto foi para a escola
angariar apoios

Quando, este Verão, decidiu vir de férias a São Miguel, Louis Victorino incutiu um espírito de solidariedade em seu neto Isaac, de sete anos, que, na escola que frequenta fez uma angariação de donativos junto dos amigos destinados ao Lar da Mãe de Deus. Isaac dizia aos amigos que o avó ia aos Açores onde havia um lar de crianças com necessidades, incentivando-os a colaborar com um apoio monetário. No curto espaço de tempo em que desenvolveu esta acção solidária, - para orgulho do avó Louis -, o Isaac conseguiu angariar 100 dólares. No final, também pelo seu esforço, conseguiu uma contribuiu do avó o cheque entregue ao Lar da Mãe de Deus foi de mil dólares.
O que acontece, explica Louis Victoriano, “é que na área dos Estados Unidos onde vivemos, não falta nada aos nossos filhos e aos nossos netos. Mas eu procurei sempre ensinar aos meus netos que a vida não é bem assim. Informei-lhes que vinha aos Açores, onde havia um lar de crianças pequenas, muitas delas órfãs. Todos os Natais que fomos passando, fui sempre colocando uns trocos numa garrafa para quando viesse aos Açores, doar ao Lar. A minha intenção é que eles percebam que devemos ajudar aqueles que necessitam. E, então, o Isaac, de sete anos decidiu fazer o peditório na escola onde se encontra a estudar. O Caleb, de três anos, ainda não entende bem o sentido das minhas palavras ”.
Quer o Isaac como o Caleb vivem e estudam na cidade de Barrigtown com a mãe Christine onde é professora.  
Há um grande sentido de Açorianidade na família de Louis Victorino que não descansou enquanto a filha Christine e seu outro filho, o Brian, não tivessem dupla nacionalidade, adoptando, muito recentemente, a portuguesa.
Uma família que nunca quebrou o elo de ligação com as suas raízes. Enquanto Louis Victorino evoluía na companhia com o apoio da família, o pai manteve-se nos trabalhos da terra, agricultura e criação de animais. “E ainda hoje meu irmão gosta imenso de trabalhar a terra”, salienta com naturalidade.

Casos inquietantes da vida real - Socorro ao telefone desespera e preocupa

De férias, dois homens encontraram um indivíduo inanimado numa das rotundas da Fajã de Cima. Ao aperceberem-se que o caso era de alguma perplexidade, fizeram o que lhes competia, e não hesitaram em telefonar para os bombeiros e pedir socorro. Só que do outro lado, o elemento da corporação que atendeu disse-lhes para esperarem um pouco, que iam passar a chamada para uma senhora. E assim foi, e a chamada feita por telemóvel, começou a contar euros em vez de cêntimos. Pior do que isso, foi quando a tal senhora que começava a tomar conta da ocorrência, porque lhe tinha sido dito que era preciso uma ambulância para socorrer o tal indivíduo que estava desmaiado, quase na berma da estrada, começou a perguntar que sintomas o homem apresentava, insistindo que queria falar com ele, para perguntar-lhe se tinha tomado o pequeno-almoço. E o homem continuava sem dar sinal de si, a precisar de ser socorrido.
Passado algum tempo, e depois de alguma paciência de santo e muita insistência, a tal senhora terá finalmente percebido o sucedido, acabando a ambulância por chegar ao local, quase quinze minutos depois.

Afinal, como é?

Por falar em telefonemas, na nossa espinhosa tarefa de jornalistas, que nem todos parecem querer entender, por vezes necessitamos de contactar certas e, determinadas pessoas e entidades, para certificarmos da veracidade de alguns acontecimentos, independentemente do espaço temporal.
E na semana passada, ao ouvirmos aquilo que nos parecia ser as sirenes de uma ambulância ou de um outro veículo dos bombeiros, não hesitamos em telefonar para a corporação a perguntar se nos podiam dar alguma informação concreta. A resposta foi negativa e a justificação dada, por quem nos atendeu do outro lado, foi que não estavam autorizados a divulgar a informação pretendida. Apesar de estranharmos, porque nem sempre tem sido assim, acatamos, como sempre, a nova decisão.
O jornalista insiste, e procura, com “todos os meios” que tem ao seu dispor alcançar o pretendido, acabando muitas vezes por ser bem sucedido, dando razão a uma célebre frase, que diz que “paciência e perseverança têm o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem”. E nesse mesmo dia, a jornalista Bárbara Almeida acabou por saber que as sirenes por nós ouvidas eram, de facto, de um veículo dos bombeiros que tinha sido chamado a apagar um incêndio num edifício abandonado nas imediações do Jardim António Borges. Esse edifício continua a ser frequentemente usado por toxicodependentes.

Incêndio ou churrasco
na “casa da droga”?

No rescaldo do sucedido, soube-se que o incêndio foi provocado por uma fogueira, mas não foi encontrado qualquer indivíduo suspeito de ser responsável. Contudo, no local, foram avistados vários indícios de actividades ilícitas, tais como seringas e outros materiais que se comprovam que a casa continua a servir de esconderijo para consumidores de substâncias ilegais.  
A origem da fogueira fica por explicar, mas não se crê que a mesma tenha surgido por obra e graça, sabe-se lá do quê, apesar das temperaturas quentes que se fazem sentir nos últimos dias. Começo a temer que o meu sentido de humor me leve a pensar que, se calhar, o tempo convidava à preparação de algum churrasco, nem que fosse com casca de limão.

Banditismo chegou à Piedade

E porque de tudo um pouco acontece na nossa sociedade, e depois dos actos de vandalismo na Piedade Jovem, chegou agora a vez o banditismo entrar em cena no mesmo empreendimento. Pois, não é que no passado dia 8, dois encapuzados entraram num dos apartamentos, sabe-se lá com que intensão, e feriram uma jovem no pescoço com um objecto cortante. O sucedido foi comunicado às autoridades, que por algum tempo selaram o local, para se apurar os dados forenses.
Já aqui foi dito que os moradores sentem-se inseguros e revoltados, e não foi há muito tempo que uma fuga de gás, provocada por actos de selvajaria deixou a população apreensiva.
E continua-se a questionar os critérios aplicados na atribuição das moradias, porque se uns são merecedores, outros nem por isso.
Na Piedade Jovem, muitos apartamentos estão danificados. Portas e janelas arrancadas, vidros partidos, algumas canalizações, tomadas e quadros eléctricos, simplesmente desapareceram, assim como as loiças sanitárias parecem ter servido de tiro ao alvo ou arma de arremesso.
Os estragos estão à vista de todos, e como se isso não bastasse, aparece sempre este, ou aquele “gringo” (sem pistolas), morto de bêbedo em plena via pública, a blasfemar, desrespeitando tudo e todos, crianças inclusive.
E no mesmo dia da fuga de gás, um homem colocou a mulher e os filhos na rua, porque depois de beber uns copos, sentia-se o Sansão lá da zona.
Outros ainda pensam que a via pública serve para exibição das suas viaturas, com aceleradelas tipo “Need for Speed”, ou então, motoqueiros a fazerem-se passar por “Ghost Rider”, com direito a “cavalinhos” e tudo.
E é esta a sociedade que tem vindo a ser fomentada, glorificando-se quem tem tudo oferecido e de mão beijada, em detrimento daqueles, que com os seus trabalhos, muito se esforçam por terem o que têm, mas que entretanto, têm vindo a ser confrontados com estes deploráveis acontecimentos.

 

População lamenta auxílio lento

 

Na semana que findou, uma senhora tropeçou numa das grades de separação do fecho da via pública em frente à Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Como resultado, a senhora ficou deitada no chão e foi rapidamente ajudada por um agente da autoridade que estava de serviço, à porta do Banco de Portugal.
Depois de se inteirar da gravidade da situação, o agente ligou para os serviços de emergência médica, a solicitar uma ambulância, mas quem atendeu do outro lado, disse para esperar um pouco, que a chamada iria ser reencaminhada para outro lado, no caso concreto, para a ilha Terceira.
Debaixo de um Sol abrasador, a senhora sentia-se mal, e para complicar ainda mais a situação, as questões vindas do outro lado da linha eram tantas, que os populares revoltavam-se com a demora e continuavam sem saber o que se passava.
Entretanto, um dos populares foi buscar um guarda-sol para proteger a senhora porque o “adiamento” já era incompreensível.
A ambulância só chegou 20 minutos depois, com a senhora a debater-se com espasmos, mas é evidente que a demora pode fazer a diferença na vida ou na morte de um cidadão.
Ao “Correio dos Açores” as pessoas queixam-se que, quando ligam o 112, o tempo de espera é longo, e muitas vezes desistem de tentar.

Linha 112 apenas
para emergências médicas

A explicação veio da parte do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), que reporta que nos Açores a saúde estendeu a triagem de Manchester ao 112. Assim, as chamadas atendidas por um enfermeiro, podem e devem demorar algum tempo, porque a integridade física de uma pessoa pode estar em risco, ou até mesmo a vida, e o operador tem de manter um contacto permanente, no sentido de alcançar o máximo de informações que sejam depois utilizadas no terreno. Enquanto a conversa se mantém, já a ambulância ou a viatura SIV (Suporte Imediato de Vida) está a caminho.
No entanto, o mesmo serviço relembra que as chamadas para o 112 deverão ser apenas consolidadas unicamente para casos de verdadeira emergência médica, e as pessoas continuam a ligar, apenas para pedir informações, ocupando deste modo linha, tornando o serviço menos eficaz.
E para não impedir a linha tornando o serviço mais eficaz, a nossa reportagem deu o exemplo, e pediu esclarecimentos ao SRPCBA, através do número fixo (295 401 400).