Ponta Delgada é uma oportunidade de negócio para a ‘easyJet’

O que é a easyJet em Portugal e na Europa? Terão os açorianos razões para recear a companhia ‘low cost’? Como é que a easyJet pode contribuir para os açorianos voarem a preços mais baixos dos Açores para Portugal continental e outros destinos? Como é que a easyJet pode contribuir para aumentar os fluxos turísticos para a Região? O que é, afinal, o destino Ponta Delgada para a easyJet? Há, de facto, uma multiplicidade de questões que os açorianos colocam que não têm ainda respostas totais...

 

Ainda recentemente, o director-geral da easyJet em Portugal, José Lopes, deu uma entrevista à ‘Económico TV’, - ainda se procedia às negociações que levaram ao modelo de transporte aéreo que vai agora ao Conselho de Ministros para aprovação - onde se percebe melhor o que é a ‘low cost’ e qual o seu interesse nos Açores. É desta entrevista que publicámos hoje alguns excertos para que os nossos leitores tenham uma percepção mais próxima do que podem ganhar com a easyJet.
No total a companhia aérea opera mais de 630 (seiscentas e trinta) rotas para 138 (cento e trinta e oito) destinos. Voa para 34 (trinta e quatro) países e tem 24 (vinte e quatro) bases aéreas. Para esta operação diária a companhia conta com mais de 200 (duzentos) aviões airbus319 (trezentos e dezanove) e 320 (trezentos e vinte) comandados por 2300 (dois mil e trezentos) pilotos e acompanhados por 4800 (quatro mil e oitocentos) tripulantes.
Em Portugal a easyJet voa para 25 (vinte e cinco) destinos a partir de 4 aeroportos – Lisboa, Porto, Faro e Funchal. Em Lisboa a companhia começou a operar numa base própria, em 2012, no terminal 2 do aeroporto da Portela. É daí que voam dois milhões de passageiros, dos quatro milhões que são transportados em Portugal. A easyJet começou a operar na base portuguesa com 2 aviões e actualmente já tem 4 aeronaves.

 
 Económico TV -  Foi em Abril de 2012 que abriram a base operacional em Lisboa. Que balanço é que fazem passados este período?
José Lopes (director comercial da easyjet em Portugal) - Um balanço bastante positivo. Conseguimos cumprir todos aqueles objectivos a que nos tínhamos proposto, que era basicamente atingir 4 milhões de passageiros voados aqui em Portugal, dois milhões dos quais, aqui, em Lisboa. Esse objectivo está cumprido. Temos vindo a consolidar e a aumentar, também, a nossa presença no país, através do número de empregados que aumentou 88%

Com a abertura desta nova base, em 2012, criaram-se 100 postos de trabalho e estavam dois aviões estacionados no aeroporto de Lisboa. Que upgrade é que se pode fazer?
Dos dois aviões passámos para quatro e dos 75 funcionários directos, da altura, estamos actualmente em 141.
Tudo isto está em linha com aquilo que eram, no fundo, as vossas expectativas. O que se pode dizer desta evolução de 1998 até  2014.
Bem, nós começámos a ter presença em Portugal, precisamente, desde 1998. Desde então, muito mudou, quer na indústria quer na própria easyJet. Aquilo que, na altura, era praticamente só transporte de tráfego étnico, hoje em dia mudou completamente. Abandonámos um pouco essa primazia – que continua a existir dentro dos nossos aviões – mas alargámos o nosso universo de clientes. Somos hoje uma companhia completamente transversal, no mercado, dando muita prioridade, nestes últimos anos, ao segmento de negócios, que cada vez mais (e mais!) opta pela easyJet como o seu meio de transporte preferencial.

Transportaram 4 milhões ‘de’ e ‘para’ Portugal. Qual é a vossa perspectiva para este ano?
Perspectivamos um crescimento que andará entre o 1,5% ou 2,5% de crescimento de tráfego. O que tem muito que ver com algumas situações que apareceram, entretanto, no mercado português, nomeadamente, o aumento dos custos de operar para Portugal. Os aumentos constantes - vamos no terceiro aumento consecutivo - de taxas aeroportuárias, aqui, em Portugal. Tornou-se menos competitivo voar para Portugal e temos estado a fazer uma aposta em outros mercados, onde o benefício que podemos ter na alocação de meios é maior.

É assim que combatem, de alguma forma, esse aumento das taxas aeroportuárias em Portugal?  
Sim. Os recursos que nós temos são sempre limitados e, apesar de termos mais de 210 aviões, esses 210 aviões têm de ser colocados onde nós temos uma maior rentabilidade para o nosso acionista e Portugal, infelizmente, no último ano e meio, tem vindo a perder alguma competitividade. Por isso, tivemos de optar por alocar os aviões, que têm vindo a chegar novos, noutros destinos que não Portugal. Sendo que em Portugal, através de alguns ajustes que temos vindo a fazer ao produto e, também, por dar a conhecer o nosso top business, também conseguimos, apesar de tudo, e sem termos um aumento da oferta, continuar a crescer em termos de tráfego.

Essa condicionante (aumento das taxas aeroportuárias), poderia acabar por resultar numa menor aposta em Portugal?
Menos aposta não diria. Nós estamos sempre atentos a oportunidades. Logicamente, temos que ter mais cuidado, de ano para ano, para essas escolhas. Portugal continua a ser visto como um mercado de futuro. Por exemplo, nós continuamos a olhar com muita atenção para a tentativa que existe de liberalização do mercado dos Açores. Esta é uma rota em que temos todo o interesse em entrar, assim que houver condições no mercado que nos permitam operar. É uma oportunidade de crescimento que existe aí (…). Aquilo que teremos sempre de fazer é optar, em determinado momento, por aquela que é a melhor opção. Se a melhor opção for voar em Itália em vez de Portugal temos, também, de tomar essa decisão.   Agora, continuamos a crer que, de futuro, poderemos vir a crescer bastante em Portugal.

O que têm feito para aumentar a aposta nos passageiros de negócios?
JL: Temos, mais do que tudo, escutado o mercado. Em determinado momento, a easyJet apercebeu-se que uma grande fatia dos seus passageiros viajava em negócios e que não estavam confortáveis com alguns detalhes do nosso produto. Então, temos vindo a adaptar o nosso produto de forma a satisfazê-los. Por exemplo, todos os nossos aviões passaram a ter lugares marcados. Antigamente, não havia lugares marcados na easyJet, o que causava algum incómodo a esse tipo de passageiros. Depois, criámos tarifas dedicadas a esses passageiros, tarifas que são flexíveis e que permitem ao passageiro fazer alterações ilimitadas das datas de voo. Permitem ter balcões dedicados, ter embarque prioritário, passagem naquilo que nós chamamos o ‘fast track security’ - que são os filtros de segurança prioritários - para o passageiro, também, perder menos tempo, nessa passagem sempre incómoda nos aeroportos (mas que tem de ser cumprida).
Temos pequenos detalhes de coisas de que, realmente, o passageiro precisa e que não têm um impacto muito grande no custo de transporte. Portanto, continuamos a não ter todas aquelas coisas que consideramos que são supérfluas e de que o passageiro não precisa, como por exemplo, uma taça de champanhe. Achamos que é mais importante o passageiro chegar a horas ao seu destino e daí nos podermos gabar, de ser uma das companhias mais pontuais na Europa e a mais pontual aqui em Portugal, do que dar essas coisas que encarecem o preço do bilhete e que o passageiro, depois, não tem o retorno real daquilo que está a pagar. Esta relação preço-qualidade do nosso produto, que temos vindo a desenvolver, tem vindo, cada vez mais, a trazer passageiros de negócios a experimentarem e quando experimentam, por norma, ficam fidelizados.

Qual é a percentagem total desta área?
Nós, actualmente, temos em Portugal cerca de 15% de passageiros de negócios, em todo o nosso tráfego. Em termos internacionais estamos um pouco mais acima: Temos cerca de 17% a 18%.
E aqui em Portugal há margem para que esses 15% sejam mais?
Sim. É um trabalho que temos vindo a desenvolver, com mais intensidade, desde que temos uma presença física. Desde há dois anos, quando abrimos aqui a base, passámos a ter uma presença também comercial no país. Temos vindo a estabelecer e a divulgar o produto, quer através de agentes de viagens quer através das próprias empresas. (…) Há uns anos atrás seria impensável termos, banqueiros ou empresas de seguros, a voar easyJet e hoje em dia são nossos clientes regulares e gostam bastante dos nossos produtos.

Se calhar a crise aqui também deu uma ajuda?
Acho que sim. Acho que foi um pouco a ‘pedra de toque’. Fez com que se quebrassem alguns tabus e que se permitissem experimentar. Quando se experimenta e depois se vê que a realidade não tem que ver com aquilo que era contado. Que o produto é, na realidade, em muitos factores melhor, até, do que é apresentado pelos nossos concorrentes tradicionais – as companhias legacy – o passageiro acaba por ver que tem de mudar.

As pessoas olhavam um bocadinho com desconfiança para as companhias low-cost, não é?
É possível. Mas, por isso, nós tentámos também, como easyJet, distanciar-nos um pouco do tag. É verdade que somos uma companhia desse segmento e a nossa atenção é sempre no controlo de custos, porque é aí que se faz toda a diferença para podermos ser uma companhia rentável e, para termos o retorno que os nossos accionistas estão à espera. E, portanto, o controlo de custo é vital. No entanto, sempre fomos, desde o início, uma companhia com muita atenção à qualidade do serviço. Voar para os aeroportos principais, ser pontual, não dar o mínimo azo na questão da segurança para haver qualquer tipo de risco. Todos os detalhes de qualidade de produto, sempre estiveram lá. E, depois, temos uma atenção – que é uma expressão que a nossa CEO costuma usar muito – a tentarmos colocar-nos nos pés do passageiro. Tentar ver que coisas é que o passageiro não gosta no nosso serviço e tentar, constantemente, mudar. Em 1998, quando começámos a operar, eramos uma companhia que ia desafiar aqueles que estavam na liderança. Uma das coisas que mudou é que, hoje em dia, nós somos uma companhia líder na Europa. Somos a companhia com maior network europeu, somos a terceira maior companhia em termos de passageiros transportados – mais de 61,5 milhões de passageiros/ano – e isto é um desafio adicional porque, agora, somos nós próprios que nos temos que auto-motivar, porque começamos a ter outras companhias, que começam a surgir, que nos desafiam  a nós e temos que estar sempre um passo à frente.

Quantos clientes empresariais é que têm?
JL: O ano passado, no último fecho tivemos cerca de 10 milhões (destes sessenta e um milhões e meio).

A ideia para a easyJet este ano não será tanto aumentar em termos de passageiros mas mais em rentabilidade. Como é que isto se vai fazer?
Através de uma aposta na qualidade do produto e na qualidade do ‘cliente corporate’ que vamos à procura. A tendência é que, na maior parte das vezes, nos perguntem qual é a percentagem de ‘passageiros corporate’ que nós temos. Seria muito fácil nós aumentarmos muito este número se decidíssemos baixar tarifas, brutalmente, e perder rentabilidade. Não é isso que queremos. Nós queremos ter um produto com qualidade, que o passageiro compra porque existe uma boa relação preço-qualidade, mas continuando a dar uma boa rentabilidade, também, ao nosso acionista. Portanto, é aqui no equilíbrio que está este nosso crescimento, tentamos crescer com qualidade e olhando muito atentamente para o passageiro de ‘last minute’, que tem lugar disponível mesmo ‘à última hora’. Portanto, tentar controlar um pouco a tendência de vender o voo antes da data (de fecho do voo), porque esses passageiros, normalmente, compram no fim, nos últimos dois ou três dias. Portanto, estes pequenos detalhes de produto têm sido o nosso objectivo principal, mais do que baixar rentabilidade por forma a crescer exponencialmente. Não é esse o objectivo.

Em que ponto é que está essa liberalização dos voos para os Açores?
Nós sabemos que estão a decorrer negociações entre o Governo Central, o Governo Regional e a própria autoridade reguladora, o INAC. Nós, da nossa parte, já transmitimos às três entidades o nosso desejo de voar. Explicámos, em detalhe, em que condições é que a easyJet poderá operar, basicamente em condições de liberalização de mercado, tal como aconteceu há uns anos atrás na Madeira.
Também explicámos, através de um estudo usando a Madeira como exemplo, dos benefícios que tem para o mercado – especialmente para os açorianos e para a economia dos Açores – a entrada da easyJet. Nós lembramos sempre que a entrada da easyJet na Madeira provocou uma quebra, na tarifa média do mercado em 30%, sendo que, em média, a nossa tarifa média está outros 30% abaixo da tarifa de mercado. Ou seja, os madeirenses (e os outros passageiros que querem visitar a Madeira) passaram a poder comprar os seus bilhetes por menos de metade do que compravam, antes da easyJet ter entrado no mercado. É isso que poderá acontecer nos Açores.

Acha que ainda faltará muito para se concluir o processo?
Infelizmente não está nas nossas mãos e, se estivesse nas nossas mãos, nós dissemos desde o início que queríamos voar já este inverno IATA que vem aí (que começa no final de Outubro). Existe ainda uma pequena janela de oportunidade mas é, neste momento, quase impossível. Sabemos que estão a decorrer negociações e estamos a aguardar.
O nosso objectivo é começar a operar Lisboa-Ponta Delgada. Estando Ponta Delgada no mapa de rotas da easyJet - e estamos a falar de um mapa de rotas que recebe 34 países e tem perto de setecentas rotas – seria muito bom ter um ponto no meio do atlântico. Aí abre-se uma oportunidade, não só de servir outras rotas para Portugal mas também de, no futuro, vir a servir directamente outras rotas europeias. Estando a operar um destino tudo se torna mais fácil, seria um ponto de abertura, de entrada no arquipélago.

E novas rotas?
Acabamos de lançar algumas. Começámos recentemente o Luxemburgo que era uma rota que, desde que abrimos a base, nos era muito pedida (inclusive havia um grupo criado no facebook a dizer ‘Queremos a easyJet a voar Lisboa-Luxemburgo’). Começámos a operar no final do ano passado. E já lançamos o Lisboa-Nice.

E como é que estão a correr essas duas?
Estão a correr bem. Logicamente nós não podemos dar detalhes destas rotas, por segredo de negócio, mas estão a correr bem dentro das nossas expectativas. Também reforçámos a nossa operação para Londres, aí tendo muito em conta as necessidades do tráfego ‘corporate’, com o voo matinal a complementar o nosso voo da tarde e o resto da nossa oferta de dois voos diários, que já existiam também para Luton, com o voo agora matinal para Gatwick a completar o voo da tarde. O mercado também está a reagir, muito, muito, bem com crescimentos bastante fortes nos nossos voos.

Lançaram uma nova rota para Faro?
Sim. Faro no Verão é sempre um bom destino e, felizmente, (aqui para a economia portuguesa), também temos beneficiado bastante da crise nos países árabes, que tem trazido muitos passageiros do centro da Europa que costumavam, tradicionalmente, ir para esses destinos. Têm-se desviado para Faro, para o Algarve e têm-nos ajudado a continuar a crescer nesse mercado. Faro é um mercado que nós continuamos sempre a estudar, é um mercado em que o tráfego de lazer é mais forte. (…) É sempre um desafio conseguir convencer os passageiros a vir, ano após ano. (...)

Cortejo etnográfico em Água de Pau - Imagens vivas de tempos idos

As festas em honra de Nossa Senhora dos Anjos, em Água de Pau, voltam, este ano, a despertar o interesse de várias centenas de micaelenses e turistas nacionais e estrangeiros, muito pela entrega dos pauenses às festividades mas também pelo simbolismo religioso e a sua dimensão profana. A tarde solarenga de domingo não impediu que muitos se fosse perfilando, de um lado e outro da rua, para assistirem a um cortejo que tem muito de tradicional, mas também de cenas que provocam o riso e as gargalhadas de quem assiste.
Os cerca de um milhar de pessoas foram-se vendo envolvidos no cortejo etnográfico e de oferendas, pelos participantes que eram lavadeiras a sacudir roupa molhada por cima de todos; que eram sapateiros que, ora arranjavam os sapatos velhos ou, então, estavam a dar lustre nos sapatos de quem via passar o cortejo. Participantes que estavam também na mercearia tradicional, na escolha das uvas, no cenário da prensa que transforma a uva em vinho.
O cortejo abriu com a Filarmónica Fraternidade Rural, à frente da qual se encontrava o pároco de água de Pau, João Furtado e a comissão de festas, a que se seguiu a jovem charanga dos Bombeiros Voluntários de Nordeste e um agrupamento de jovens com tambores.
Em grande destaque estava o cenário de uma mercearia – que existe, na realidade, na vila de Água de Pau – com o corte de bacalhau à moda antiga, com os ‘beijinhos’ e biscoitos vendidos à dúzia, com o açúcar, farinha, milho e feijão e fava vendidos a retalho, com o rolo de palha-de-aço, com o sabão clarim e outros artigos a fazer lembrar um passado recente que parece tão longínquo.  
À frente da mercearia, um lenhador de molho de lenha às costas e garrafa de vinho nas mãos, captava todas as atenções. Tinha duas mulheres que brigavam entre si por causa dele e com outras mulheres que assistiam ao cortejo em cenas quase contínuas de ciúmes com simulações de pancadaria e puxões de cabelo.
Outro cenário que mais saltou à vista de todos foi o de uma mulher em cima de um pónei integrado no cortejo. A mulher zaragateava com tudo e todos, mostrava medo de andar de burro mas não queria, de maneira nenhuma, deixar de lá estar.
De praticamente todas as viaturas integradas no cortejo saíam, ou malassadas, chicharros fritos com pão de milho, favas guisadas com pão e mistura, praticamente tudo a um euro, além da massa sovada oferecida e provas de licores e de vinho abafado ao dispor de quem quisesse.
No meio de tudo isso, quase passando desapercebido, via-se um tear de mantas de arraiolos.
À mercearia fomos comprar meia dúzia de ‘beijinhos’ para pôr no rol de fiados que um dos funcionários exibia sempre que alguém levava algum dos produtos à venda. Provámos licores e vinhos e a massa sovada e biscoitos. E como nós outros o fizeram em ambiente de festa que cativa quem vai, por estes dias, a Água de Pau.

Jovem de 22 anos ter-se-á enforcado e deixa um filho pequeno e a mulher grávida

Bombeiros encontraram o corpo do homem
rodeado de pessoas e já no meio da rua

 

Na Vila de Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, um jovem servente de 22 anos, alegadamente, enforcou-se no Domingo à noite em casa dos pais. O rapaz trabalhava como servente da construção civil, deixa um filho e a esposa grávida do segundo bebé do casal. Vizinhos confirmaram que ao ‘Correio dos Açores’ que o jovem, tido como “delicado e bem-disposto”, enfrentava problemas de dependências.
Os bombeiros da Ribeira Grande receberam o alerta às 22 horas, de Domingo, e quando chegaram ao local o corpo da vítima estava no meio da rua, rodeado de familiares, amigos e vizinhos. Apesar de não ter a corda com que, alegadamente, se enforcou, fonte dos bombeiros confirma que era visível que “alguma coisa lhe tinha apertado o pescoço”. Também não há, para já, confirmação oficial sobre a existência de algum bilhete de despedida mas a Policia Judiciária está a investigar o caso.

Bombeiros sofreram
agressões verbais

Quando os bombeiros da Ribeira Grande chegaram à rua de São Paulo, em Rabo de Peixe, encontraram o corpo do jovem na rua e sem sinais vitais. A população que estava no local agrediu verbalmente os bombeiros por causa do tempo de resposta. Alguns familiares tentaram entrar na ambulância enquanto se ouviam insultos. A falta de condições de segurança, confirmadas por fonte da corporação “não havia segurança, estava muita gente à volta”, fez com que o corpo fosse transportado para longe da confusão.
Os bombeiros pararam cerca de 500 metros à frente do local para em segurança reavaliar a situação, confirmando que o corpo já estava cadáver, disseram ao nosso jornal.
                                        

Produção de leite em São Miguel atinge recorde surpreendente

Em seis meses foram produzidos mais treze milhões de litros de leite em São Miguel do que em igual período do ano passado. Custos de produção “acessíveis” e preços de leite “aceitáveis” estão entre as razões apontadas.

 

Os 195,3 milhões de litros de leite produzidos nos primeiros seis meses deste ano na ilha de São Miguel representam um novo recorde de produção e mais 13 milhões de litros de leite que em igual período de 2013, revelam dados do Serviço Regional de Estatística.  
Limitamos os números a São Miguel, por opção jornalística, porque, na produção de leite, a ilha tem condições e variáveis muito específicas no todo regional.
 O presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, atribui este aumento de produção, entre Janeiro e Junho deste ano, a vários factores, com relevância para a redução dos custos de produção, para um preço do leite adequado às circunstâncias que se vivem no sector leiteiro regional, e em resultado de maior procura dos produtos lácteos açorianos nos mercados nacional e internacional.
Jorge Rita apontou como outras razões um melhor maneio das vacas, com uma contínua formação dos agricultores e a existência até Junho de condições climatéricas favoráveis.
O que está a acontecer, explicou o presidente da Associação Agrícola de São Miguel, é que temos as mesmas vacas a produzir mais leite e esta realidade é resultado da forma como os agricultores tratam e alimentam o seu gado.
Maio deste ano foi extraordinário na produção de leite em São Miguel, atingindo-se um quantitativo nunca antes atingido. Os 37.134 mil litros de leite produzidos na maior ilha açoriana é um número até agora inimaginável para um único mês. No mês de Maio dos últimos dois anos, não se chegou a atingir os 34.200 mil litros de leite. Isto para compreender que, de 2013 para 2014, a produção de leite cresceu três milhões de litros apenas no mês de Maio.
Também no mês de Junho deste ano se atingiu um recorde de produção em relação ao passado. Na verdade, os 34,6 milhões de litros de leite produzidos em Junho deste ano não têm paralelo no mesmo período de tempo dos anos de que há memória.

O Pico de 2012

A ilha de São Miguel tinha atingido, em 2012, uma produção inigualável de leite, chegando, nos primeiros seis meses, aos 185,5 milhões de litros de leite. Neste ano, a produção de Maio foi de 34,1 milhões de litros de leite, e a produção de Junho foi de 33,4 milhões de litros de leite.
De 2012 para 2013 ocorreu uma quebra na produção sobretudo devido às condições meteorológicas e a custos de produção considerados elevados. A verdade é que a produção de Janeiro a Junho do ano passado foi de 152,3 milhões de litros de leite em São Miguel, menos cerca de três milhões de litros de leite que em 2012.
Mas, se formos há 22 anosa atrás, em 1992, produziu-se em São Miguel 108,9 milhões de litros de leite, menos 86,3 milhões de litros de leite que em igual período de 2014. Fica-se, assim, muito próximo de uma duplicação de produção de leite na ilha em 22 anos.

Aumento de produção
representa pressão?

Este aumento significativo da produção de leite em São Miguel, nos primeiros seis meses deste ano, pode ser interpretado como uma forma de pressionar as autoridades governamentais e legislativas regionais para encontrarem, em tempo útil, soluções rápidas e eficazes para colocarem em prática caso haja um excedente de produção leiteira na Europa e os países emergentes se auto-abastecem de produtos lácteos. Até agora, as quotas leiteiras eram uma salvaguarda porque limitavam a produção europeia e o fim das quotas desobriga os países da União Europeia dos limites impostos pela União Europeia.
Ora, caso ocorrem excedentes de produção de leite na Europa e os países em desenvolvimento atingem produções suficientes para o seu auto-abastecimento, o leite açoriano perde vantagens comprativas no mercado para além da sua elevada qualidade. Ou seja, o leite açoriano neste cenário (que é uma probabilidade) perde competitividade nos seus mercados tradicionais. E é para esta possibilidade que a Região tem de ter um plano de acção, em cooperação com o governo da República e a Comissão Europeia, para manter os níveis de rentabilidade do leite na sua produção. É acreditando que isso vai acontecer que nos Açores se está a produzir mais e melhor leite.
Mas, ao aumentar a produção de leite para os níveis dos primeiros seis meses deste ano, os agricultores micaelenses não estão mais do que a ir ao encontro do investimento realizado com apoios financeiros regionais e nacionais, nas fábricas de lacticínios da Região. Este investimento representou um aumento da capacidade de produção das unidades fabris que só é plenamente ocupada com uma maior produção de leite.
Assim, ao criarem-se condições – ao nível industrial – para uma maior produção leiteira na ilha de São Miguel, a que estão a corresponder os agricultores, esta premissa aumenta a responsabilidade das entidades governamentais açorianos em actuarem, de forma antecipada e acertiva, para fazer face a todos os cenários que possam ocorrer num futuro a curto prazo, mesmo aqueles que possam ser menos favoráveis.
Nesta lógica, o aumento de produção de leite nos primeiros seis meses deste ano não representa qualquer tipo de pressão sobre as entidades governamentais e legislativas regionais mas, sim, uma resposta natural ao aumento da capacidade de laboração da indústria de lacticínios e em resultado de condições favoráveis (custos de produção relativamente baixos (“acessíveis”) e preço de leite “aceitável”).

Polícia devolve por exigência da lei a fruta aos larápios das quintas de Rabo de Peixe quando não têm queixas de roubos

Os responsáveis pela Junta de Rabo de Peixe e os mais de 20 produtores e proprietários de quintas locais ficaram anteontem à noite perplexos com as declarações do chefe operacional da PSP da Vila de que, por obrigação da legislação em vigor, a fruta apreendida, sobretudo tangerinas, mandarinas e laranjas, que por não haver queixas de roubo, acabam por ser devolvidas aos larápios.
Os vinte produtores de fruta pediram o apoio da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe para solicitar a reunião com os responsáveis pela esquadra da PSP e, como refere o Presidente da Junta, Jaime Vieira, o encontro “foi produtivo” no sentido de encontrar soluções para dissuadir os larápios e os receptadores da fruta.
“Muitas vezes”, afirma Jaime Vieira, A PSP “fica de mãos amarradas ao ponto de, segundo a legislação, ter que devolver – quando não existem queixas – as tangerinas, mandarinas ou laranjas aos larápios que eles conhecem”.
“Ficamos abismados com esta situação”, sublinhou o autarca.
Aliás, todos os produtores mostraram-se surpreendidos, levando um deles a sugerir, em “tom de brincadeira” que, quando a PSP tenha que devolver a fruta aos larápios, “o faça 15 dias depois de a apreender”.

Polícia conhece larápios e familiares

Factual é que os proprietários, ao fim de algumas dezenas de queixas sem verem resultados, acabam por concluir que “não vale a pena telefonar para a autoridade policial”. Ficou, no encontro, entendido que os queixosos têm de continuar a insistir com queixas junto da autoridade.
Ficou também combinado que, quando a PSP tiver algum destes casos de apreensão de algum material e se não houvesse queixa, para ligar para os proprietários e produtores a saberem se foram eles os roubados. “Um procedimento que acaba por ser satisfatório para a esquadra da Polícia para que, como exige a lei, não tenha que devolver a fruta ao ladrão”.
O próprio responsável operacional pela PSP de Rabo de Peixe admitiu junto dos responsáveis autárquicos e proprietários de quintas de Rabo de Peixe que “uma das coisas que lhes custa é ir a casa das pessoas que eles sabem que são os ladrões e entregar-lhes o produto do roubo”.
“É que os larápios estão perfeitamente referenciados. A PSP sabe quem são. Têm os nomes deles, de quem são filhos. Tudo isso eles sabem”, disse um dos proprietários.
Ficou também acordado que a PSP “está disponível” para, quando os proprietários fizerem uma denúncia, os agentes “tentarem logo deter os larápios em flagrante com os sacos na mão”.
Foi, igualmente, entendimento de todos desenvolver uma acção de sensibilização junto das pessoas que sabem que compram a fruta roubada para os dissuadir de a adquirir quando desconfiarem que têm uma proveniência duvidosa. Isto porque, disse um dos proprietários, “actuar junto dos larápios é muito difícil mas actuar junto dos receptores já não é tão difícil. E intimidar os receptores com chamadas à polícia e a tribunal por comprarem uns quilos de laranjas pode dissuadi-los de comprar”.
Estava na reunião um indivíduo que é produtor e tem uma carrinha ambulante de venda de fruta. E ele disse que sabia a quem os larápios vão vender barato. Vão vender a casas particulares e a mini-mercados . “E eles vendem a um preço em que eu não posso competir”, salientou. Foi anunciado no encontro que a PSP já apreendeu 170 quilos de fruta. E, no mesmo encontro, só um casal que tem uma propriedade de fruta e uma pequena loja onde a vende anunciou que lhe roubaram mil quilos de tangerinas. Isto para evidenciar a diferença abismal que existe entre as apreensões feitas pela polícia e os roubos que têm sido feitos nas quintas.
Fica a nota de reportagem de que os proprietários não querem ver o seu nome nos jornais, muito menos a foto da reunião com a PSP com medo de represálias dos larápios que podem riscar os carros e fazer danos nas habitações dos proprietários. “Ao que se chegou...”

O roubo, a queixa, o larápio e a sentença de trabalho
comunitário de que ninguém pretende beneficiar

Existem dois ou três médicos que têm quintas a Norte de Rabo de Peixe e que estiveram na reunião com a PSP. Um deles dá o seu próprio exemplo:
“Um indivíduo rouba-me cinco quilos de mandarinas. E eu vou à polícia apresentar queixa? Perco 45 minutos para fazer a participação e não tenho tempo para isso, até porque sei que a minha queixa não leva a lado nenhum”.
“Mas”, prossegue, “fui apresentar queixa e a polícia prendeu o larápio e leva-o ao Juiz? E o que é que lhe acontece? Ele vai preso por roubar cinco quilos de laranjas? Não vai. Então, dá-lhe uma pena de 30 horas de trabalho comunitário. Mas a Junta de Freguesia não os quer lá a trabalhar porque são indivíduos que causam distúrbios. E se ele for para a Junta fazer as 30 horas, cumpre 10 horas e não aparece as outras 20”.
“Então, perante tal situação, lancei uma ideia meio a brincar, meio a sério. O Juiz não devia obrigar estes indivíduos a fazer trabalho comunitário. Era obrigá-los a andar na Avenida Marginal de Rabo de Peixe com uma t-shirt com a inscrição à frente e atrás “Eu sou ladrão de quintas” das 8 às 9 da manhã e das 17 às 18 horas. A polícia iria atrás e eles à frente com estas t-shirts que é para terem vergonha. Sei que a lei não permite isso. Foi só para a brincadeira. Mas seria engraçado o Juiz dizer: “o senhor está condenado a passear na Avenida Marginal de Rabo de Peixe das 8 ás 9 horas da manhã todos os dias com esta t-shirt que nós lhe oferecemos”.
A Junta de Freguesia e os proprietários de quintas ficaram também a saber na reunião que, no dia anterior, um agente de autoridade passou a manhã inteira a fazer de táxi. “Isto porque os larápios são indivíduos que, quando ultimados para irem a Tribunal, dizem que não têm dinheiro para o autocarro e não vão. E é a polícia que os leva no seu carro. Em vez de estar a patrulhar, o agente está a polícia a fazer de táxi. E, no caso da PSP de Rabo de Peixe, em vez de terem três polícias a patrulhar, tem dois só. É um contrassenso”, conclui um dos proprietários.
É sabido que os larápios roubam a fruta para, com o dinheiro que fazem junto dos receptarores, poderem comprar a dose diária de droga. E esta questão das drogas sintéticas ou não “é um problema grave. Como diz o Jaime Vieira, é um problema na origem. Mas o problema na origem não é da responsabilidade dos proprietários”, salientou um deles. Ficou acordado entre a Junta de Freguesia e os proprietários convidar um Juiz para ir a Rabo de Peixe para “ nos dar algumas orientações em termos legais do que se pode ou não se pode fazer porque o que queremos é uma solução eficaz para o nosso problema”.
Vão também ser convidados para um encontro em Rabo de Peixe, com estes roubos na agenda de trabalhos, os deputados eleitos pela Ribeira Grande à Assembleia Legislativa Regional.