Pranchas de surf de criptoméria dos Açores tão normais como todas as outras pranchas
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 21-09-2018
- Escrito por João Paz
Gonçalo Belmonte, proprietário da empresa Breklim, com oficina principal em Alenquer, vende pranchas de surf de madeira de criptoméria açoriana para países do Norte da Europa. Este ano a empresa pretende vender 200 pranchas todas iguais nas características e performance, todas diferentes na estética. E a empresa pretende crescer, “de forma sustentada”, nos próximos anos.
Gonçalo tem três filhos e todos eles fazem surf. As suas pranchas são de criptoméria açoriana certificada com o FSC de sustentabilidade. O jovem empresário, que já vendeu pranchas para o Norte da Europa, Holanda, Alemanha e países escandinavos, considera “interessante” que as escolas de surf de São Miguel possam utilizar este tipo de prancha ecológica.
Foi há quatro anos que encontrámos Gonçalo com um expositor em frente ao stand dos Açores na Bolsa de Turismo de Lisboa onde exibia algumas pranchas de criptoméria que fazia à mão. Nesta altura, afirma, “surgiram muitas oportunidades de desenvolvimento e de colaboração com as direcções regionais do Turismo e das Florestas que, ainda hoje, têm sido uma alavanca espectacular” do projecto.
Quando estive na BTL, a prancha era feita à mão com resinas e colas mais ecológicas. Na altura, a prancha custava à volta de dois mil euros. Mas o preço foi baixando, ao longo do tempo, com a automatização da construção da prancha…
À quatro anos fazer uma prancha de surf era um hóbi. A sua profissão, foi, durante 15 anos, publicitário, mas as pranchas foram-lhe ocupando todo o tempo. Há cerca de um ano e meio a dois anos, passou a dedicar-se, a 100%, à empresa.
Cedo Gonçalo Belmonte viu que as suas pranchas de surf de criptoméria certificada dos Açores ‘tinham mar para surfar” e, então, procurou formas de produzir melhor e mais barato. Ou seja, industrializaram, ao máximo, a produção. E, em simultâneo, começaram a melhorar o produto.
Como explica, as pranchas de madeira “são, normalmente, associadas a pranchas mais antigas, com maior peso, com menos performance do que as pranchas que são feitas à base de produtos petrolíferos. E a grande evolução que nós conseguimos fazer foi transformar um produto que era bonito mas de nicho num produto mais universal. Reduzimos o peso da prancha, mantivemos a madeira de criptoméria que é o material principal das pranchas e conseguimos um produto mais universal. Um produto que pode ser usado por qualquer surfista em qualquer onda do mundo como se fosse uma prancha normal”, afirma.
O foco principal da empresa é o seguinte: as pranchas de surf são construídas “com produtos altamente poluentes, essencialmente derivados de petróleo. Quando se deixaram de construir pranchas de madeira, começaram a usar-se materiais (porque o mercado assim o exigia) que levassem a uma maior produção e a ter pranchas de forma mais rápida, com menos peso. E, nesta altura (anos 40 a 50), até hoje em dia os materiais evoluíram muito pouco e continuam a ser, essencialmente, derivados do petróleo.
Em contraponto ao uso de produtos petrolíferos, o propósito de Gonçalo Belmonte “é reduzir o impacto ambiental da produção das pranchas, fugir ao máximo de materiais com base em petróleo, embora isso não aconteça a 100% hoje em dia. O facto é que já conseguimos, em muito, diminuir a quantidade destes materiais de maneira a ter uma prancha mais ecológica, mais durável que mantém a criptoméria açoriana como o elemento fundamental da prancha”.
Para conseguirem evoluir, “trabalhamos com engenheiros, com as pessoas que fazem as pranchas que são os shapers e temos um em específico que é o Luís Lacrau. Conseguimos passar de um processo essencialmente artesanal para um processo já semi-industrial e em grandes quantidades”. O facto é que uma prancha feita à mão leva cerca de 60 a 80 horas a fazer e a mesma prancha consegue-se fazer hoje em dia em 12 horas. “É um grande passo que conseguimos dar, mais uma vez mantendo os elementos essenciais que são a criptoméria açoriana, usando neste processo os materiais menos poluentes existentes no mercado. É o início de um ciclo”, sublinha.
A empresa funciona muito com base em encomendas mas tem um stock mínimo entre 40 a 60 unidades dos modelos que produz. E quando aparece um comprador “podemos vendê-las logo mas, essencialmente, temos funcionado por encomenda. Ou seja, uma pessoa quer uma prancha, contacta-nos e nós produzimos a prancha para aquela pessoa…
Actualmente, uma prancha de criptoméria normal custa entre 800 a 1.700 euros. “Depende dos tamanhos, das horas de trabalho empregues, e da quantidade de material”.
Com o evoluir do processo, as pranchas de criptoméria dos Açores “tornaram-se muito mais leves e com uma performance muito parecida às pranchas que são feitas nos processos normais com base no petróleo. Ou seja, o caminho da Breklim foi aproximar o produto de madeira de criptoméria açoriana para a performance de uma prancha feita com os materiais actuais”, reforça.
O próximo passo da empresa “é tentar que o projecto cresça no sentido de ter mais expressão nos mercados internacionais. O nosso mercado, apesar de estar a crescer muito, cinge-se quase só muito ao mercado nacional. O grande investimento agora é o da internacionalização de uma empresa relativamente pequena como é a nossa e esperamos o apoio – que tem sido continuado – das direcções regionais do Turismo e das Florestas dos Açores”.
Quando questionado sobre porque é que se compra uma prancha de surf de madeira, o empresário explica que a opção resulta de “uma consciência mais ecológica, pelo aspecto estético do objecto e espero eu que se passe a comprar porque a prancha, efectivamente, funciona a alto nível de competição. E é este o nosso trabalho de consciencialização das pessoas”, reforça.
Quando diz que a prancha funciona, está a dizer que tem os mesmos performances que uma prancha normal feita à base de produtos petrolíferos? “Exactamente, que funcione tecnicamente em termos de performance. E esta é a grande questão: os surfistas perceberam que este produto funciona tão bem uma prancha produzida por outros materiais. Este é o nosso desafio porque, apesar de tudo, as pessoas ainda têm uma ideia – que tem existido até agora – de que uma prancha de madeira não funciona tão bem como uma prancha de materiais petrolíferos. O nosso trabalho tem sido exactamente provar o contrário – que é chegar a um produto que funcione tão bem como aquela prancha normal à base de produtos petrolíferos. Este é o nosso grande desafio. E nós temos resultados de pranchas com características praticamente iguais às pranchas normais. A nossa grande evolução foi ao nível de produto e a outra grande evolução foi marcar (e temos isso como um objectivo permanente) um ponto na compra de madeira de criptoméria dos Açores com certificado SFC.
Na opinião de Gonçalo Belmonte, a gestão das florestas nos Açores “ está ao nível das melhores práticas da Europa e mesmo do mundo. E este certificado SFC atesta isso e esta é a nossa preocupação. E este tem sido um aspecto muito importante”, completa, a propósito.
Outra pergunta é se cliente que compra uma prancha de criptoméria dos Açores sai da loja satisfeito porque tem um produto diferente? A resposta do empresário é positiva: “Sai satisfeito porque tem um produto diferente, sai satisfeito porque tem um produto com as mesmas características técnicas que uma prancha normal. Para o nosso cliente, o aspecto estético também conta muito porque estas pranchas são diferentes de todas as outras que e vêem no mercado e sai satisfeito porque a performance da prancha é muito parecida com todas as outras”.
“Estas são pranchas de colecção mas para usar. Não são pranchas para ter na parede porque é bonito. São pranchas para usar dentro de água. Se fossem pranchas para serem bonitas, o nosso trabalho de desenvolvimento do produto no sentido de aumentar a sua performance não valia a pena. E, então, para além do aspecto estético que é mesmo muito atraente, o aspecto funcional também tem de estar muito presente na cabeça das pessoas”, afirma.
Prancha de criptoméria é única
mas com a mesma performance
As pranchas em madeira são todas iguais ou são todas diferentes? “As pranchas são todas diferentes porque não se conseguem fazer duas pranchas iguais com madeira. Isso é óbvio. Portanto, quando compra uma prancha em madeira, tem uma prancha diferente de todas as outras que existem. Aquela já não se repete. Portanto, em termos de características funcionais, são todas iguais. Em termos de aspecto visual são todas diferentes. Não se conseguem fazer duas iguais”, sublinha
Gonçalo Belmonte elogia muito o apoio do Governo dos Açores. Afirma mesmo que os Açores “têm sido fundamentais para o desenvolvimento deste projecto, ao nível das entidades responsáveis pelo Turismo como das Florestas. Têm visto com muitos bons olhos. Graças a Deus temos tido sempre as portas abertas para aquilo que vamos precisando e, sem estas ajudas, seria difícil conseguir chegar onde chegámos”.
“Um projecto destes”, prosseguiu”, “serve para cumprir objectivos do projecto mas também pode servir e esta é a nossa intenção, para promoção da Região como destino, para atrair públicos mais jovens a este destino espectacular que são os Açores, para atrair mais pessoas que queiram praticar este desporto aqui. Há todas as condições nos Açores para fazer surf e de boa qualidade. E este projecto tem de servir também como atracção por esta beleza que existe nas ilhas e que é inquestionável”.
Gonçalo Belmonte está em São Miguel, a convite da organização do ‘Master’ que está a decorrer no Areal de Santa Bárbara para entregar uma prancha de madeira de criptoméria certificada dos Açores como prémio “a uma das lendas do surf, quase todos eles ex-campeões que trouxeram consigo as famílias e vivem hoje o surf de forma mais próxima às localidades onde se realiza o campeonato”.
Este é um campeonato, acentua Gonçalo Belmonte, que “trás um olhar diferente sobre as ilhas e sobre o surf nas ilhas”. E o seu desejo é que o seu prémio, uma prancha de surf, “contribua para a divulgação tanto da Região como da criptoméria como da minha marca”.
Pizzas da Forneria São Dinis foram eleitas as segundas melhores de Portugal
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 20-09-2018
- Escrito por Carla Dias
A Forneria São Dinis, de Ponta Delgada, ganhou o título de Vice-campeã nacional no Campeonato Português de Pizza 2018, que decorreu a 17 de Setembro em Vila Nova de Gaia.
A quinta edição do Campeonato Português de Pizza 2018 contou com a presença de 100 pizzaiolos nacionais e internacionais e de dois fornos a lenha que serviram para confeccionar as iguarias que se serviram para chegar à melhor pizza portuguesa.
A equipa da Forneria São Dinis foi liderada pelo pizzaiolo chef Marcello Costa, que apresentou ao júri uma “pizza simples”, a pizza Margherita na categoria “Pizza Napolitana S.T.G.” que é considerada a categoria rainha das pizzas. Actualmente, a Forneria São Dinis conta com uma equipa de três pizzaiolos, sendo que Marcello Costa, que trabalha no Grupo The Positive Group há dois anos, vai liderar a equipa da Forneria a tempo inteiro a partir desta semana.
Esta foi a primeira vez que o restaurante participa no Campeonato Português de Pizza, e de acordo com a equipa da Forneria São Dinis, situada em Santa Clara, vencer com uma pizza aparentemente tão simples, “faz-nos acreditar que é ainda mais difícil conseguir um prémio tão bom com um produto base”. O segredo para aquela pizza ser considerada a segunda melhor de Portugal “está na massa! No molho! E mais não podemos dizer”. Esta pizza que é agora considerada a segunda melhor de Portugal pode ser encontrada na carta do restaurante, bem como outras que constam da ementa e cujo segredo também reside em serem confeccionadas em forno de lenha.
A equipa do Forneria São Dinis revela que mais do que um segredo para as pizzas que dali saem “o nosso orgulho são os dois fornos de lenha nos quais elaboramos a maior parte dos nossos pratos. Mas temos outros aspectos diferenciadores”. Nomeadamente, “apostamos em produtos de alta qualidade de origem açoriana e mediterrânica”.
É que, de acordo com a equipa da Forneria São Dinis, “quem prova uma pizza confeccionada em forno de lenha, já não tem interesse em voltar a consumir outro tipo de pizzas”. Tudo porque a diferença é notável “nos produtos, na confecção e no sabor, sendo também mais saudável. Por outro lado, damos grande importância à digestibilidade das nossas massas que preparamos todos os dias com as melhores farinhas artesanais. Elas chegam a ter 90% de água, baixos índices de glúten e fermentação de até 100 horas, sendo o resultado um produto surreal, com muito mais sabor”, explica o restaurante.
A Forneria São Dinis tenta, sempre que possível, usar produtos regionais para dar a conhecer aos clientes locais e turistas “a qualidade incrível dos produtos açorianos nos nossos pratos”.
Desta forma, a equipa do restaurante, que vai fazer 4 anos no próximo dia 17 de Outubro, considera que a aceitação do público, quer local quer turista, tem sido “francamente positiva e com muitos clientes habituais”.
Com dois fornos a lenha e grelha a carvão, a Forneria São Dinis “empenha-se em servir as comidas mais gulosas, as carnes mais suculentas e as pizzas mais estaladiças, valorizando sempre a confecção artesanal”, sendo que o conceito do restaurante “assenta num ambiente informal e divertido com uma cozinha mediterrânica de produtos açorianos”.
O Campeonato Português de Pizza
Com Marcello da Costa da Forneria São Dinis a ter ficado em segundo lugar na quinta edição do Campeonato Português de Pizza, o grande vencedor foi Fernando Almeida, pizzaiolo de Ponta da Barca, sendo o terceiro classificado Daniela Batista, do Algarve. Os três pizzaiolos venceram na principal modalidade do Campeonato, a “Pizza Napolitana S.T.G.” e integram agora a selecção portuguesa de pizzaiolos.
Já na categoria de “Pizza Clássica”, o grande vencedor foi José Ivo, de Monção, em segundo lugar ficou Nuno Carvalhais, vindo do Porto, e em terceiro lugar Alessandro Mocciaro da Figueira da Foz.
Na modalidade “Pizza Arte” o grande vencedor foi também Fernando Almeida, da Ponte da Barca, com o segundo lugar a ser entregue a Aurora Peixoto, de Esposende, e o terceiro lugar a Miguel Oliveira, de Vila Nova de Gaia. O “Troféu Sergio Miccù”, para a melhor “Pizza Frita”, foi entregue a Céu Rodrigues, de Valença, enquanto o melhor pizzaiolo na “Pizza Acrobática” foi Gonçalo Queiroz, de Viana do Castelo.
Na categoria “Pizza Doce”, que este ano foi uma novidade no Campeonato, o vencedor foi Pedro Almeida, de Espinho, seguido de Casimiro Santos, de Oliveira do Hospital, e Andrea Turrini, de Veneza.
Organizado pela Associação de Pizzaiolos Napolitanos em Portugal, liderada por Michele Mezzero, o Campeonato Português de Pizza, integrado no Festival Italiano, incluiu workshops de gastronomia italiana, música e muita animação.
A Forneria São Dinis
Localizada em Santa Clara, a Forneria São Dinis nasceu há cerca de 4 anos, da vontade de Diogo Sousa Batista, um advogado “apaixonado por gastronomia e hospitalidade” que embora sendo natural e residente no Porto tem a maior parte da sua família na ilha de São Miguel “e é um absoluto entusiasta da beleza dos Açores e do muito que as nossas ilhas têm a dar ao mundo”.
Diogo Sousa Batista é também accionista maioritário do The Positive Group que detém entre outros negócios, o Café Progresso, o mais antigo da cidade do Porto.
Descarregadas nos Açores 6.845 toneladas de atum, quatro vezes mais que em 2017
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 20-09-2018
- Escrito por João Paz
Entre 1 de Janeiro e 13 de Setembro foram descarregadas em portos açorianos 6.845 toneladas de atum, no valor de 11. 501 mil euros. Estes valores representam quase o quíntuplo em termos de capturas e praticamente o quadruplo em termos de rendimento da pesca em relação ao mesmo período de 2017.
De facto, o ano transacto, foram descarregadas em portos açorianos 1.694 toneladas de atum, no valor aproximado de 3.158 mil euros.
De Janeiro a 13 de Setembro foram capturadas 4.134 mil toneladas de atum bonito no valor de 5.752 mil euros; 2.228 toneladas de atum patudo, no valor de 4.555 mil euros; 471,9 mil toneladas de atum voador, no valor de 1.187 mil euros: e 855 quilos de atum rabilho, no valor de 7.800 euros.
Foi, assim, evidente que se verificou uma grande captura de atum bonito este ano no mar dos Açores, quase quatro vezes mais do que em igual período de 2017.
Foi na ilha de São Miguel que foi descarregado este ano mais atum (3.187 toneladas no valor de 5.890 mil euros. Neste ano o peso do atum no total das descargas na ilha foi de 34,09%.
Um total de 35 embarcações descarregaram atum na ilha de São Miguel, com 211 pescadores de salto e vara.
É interessante apreciar o fenómeno de capturas de atum este ano na ilha de Santa Maria, em comparação com o ano anterior. Na ilha de Gonçalo Velho foram descarregadas de Janeiro a 13 de Setembro 829 toneladas de atum no valor de 1.503 mil euros. Neste ano, a pesca do atum representou 86,18% do total de peixe descarregado no porto de Vila do Porto. Isto quando no mesmo período de 2017 o peso do atum no total de descargas havia sido de 21,66%.
A segunda ilha onde foi descarregado mais atum foi o Faial (1.480 toneladas, no valor de 2.081 mil euros).
Na ilha do Pico foram descarregadas 934,6 toneladas de atum, no valor de 1.442 mil euros. o peso do atum no total de descargas na ilha montanha foi de 75,78%.
Na ilha de São Jorge, onde está instalada a fábrica de conservas de Santa Catarina, foram capturadas 68,7 toneladas de atum no valor de 96,1 mil euros. Este ano o peso do atum foi de 55% no total das pescarias descarregadas na ilha.
Depois de uma quebra de 5 anos...
Ao longo dos últimos 5 anos, as capturas de atum na Zona Económica Exclusiva dos Açores (Portugal) diminuíram dramaticamente. As principais espécies na pesca são o atum patudo e o atum raiado. Ao contrário de outras pescarias atlânticas, estas espécies são capturadas à linha, uma arte de pesa tradicional que tem sido reconhecida como selectiva e sustentável. Por essas características, a pesca do atum nos Açores foi devidamente certificada e reconhecida com o estatuto de Friend of the Sea [amigo do mar] e Dolphin Safe [seguro de golfinhos].
A redução da biomassa de atum patudo e de raiado nos Açores tem sido atribuída principalmente ao esforço de pesca excessivo na costa Atlântica africana. Pesca com FAD e a tecnologia associada podem potencialmente modificar os padrões de movimento do atum tropical e/ou sujeitar os stocks à sobrepesca.
A Região está apreensiva com o contínuo aumento de taxas de exploração no futuro e a possível perda de potencial rendimento, particularmente para os atuns patudo e raiado, as espécies com maior influência na economia regional. Particularmente quando a última avaliação concluiu que o atum patudo é sobreexplorado e a medida actual não tem sido eficaz para reduzir a mortalidade de juvenis. Assim, a Região acredita que a sustentabilidade de pesca só é possível limitando o número e assegurando o controlo e monitorização desses dispositivos de concentração de atum, assim como o impacto das pescarias da frota de cerco.
Mulheres acusadas de tráfico de droga já falaram e testemunhas vão ser ainda ouvidas
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 20-09-2018
- Escrito por CA
As duas mulheres que foram detidas no âmbito de uma grande investigação levada a cabo pela Polícia Judiciária (PJ) já começaram a ser ouvidas por um Tribunal Colectivo em Ponta Delgada.
As duas mulheres transportavam 125 quilos de pólen de haxixe numa viatura, dissimulada em embalagens de vestuário.
A sessão de julgamento teve início na Quarta-feira, altura em que foram ouvidas as duas mulheres, ficando agora nova sessão agendada para decorrer em meados do próximo mês, altura em que começarão a ser ouvidas as testemunhas arroladas neste processo.
Foi uma das maiores apreensões de sempre de pólen de haxixe, no arquipélago e aconteceu em Novembro de 2017. As mulheres, comerciantes, foram então presentes ao juiz de instrução criminal que lhes aplicou a medida de coacção mais gravosa, ou seja, a prisão preventiva. Estão desde então confinadas ao Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada.
Recorde-se que a prisão preventiva é uma medida de coacção destinada a garantir o normal desenvolvimento do processo e cuja aplicação exige, além de outros requisitos, tratar-se de criminalidade especialmente perigosa ou de crime punível com pensa superior a 5 anos, bem como a existência de “fortes indícios” de que o crime foi cometido pelo arguido.
Também é por isso que, tratando-se de um crime grave, as arguidas estão a ser julgadas por um Tribunal Colectivo, constituído por três juízes que julga os processos os crimes mais relevantes.
Em comunicado, na altura, a PJ informou que a operação de combate ao tráfico de estupefacientes, desenvolvida na Freguesia da Relva, “permitiu detectar o produto estupefaciente numa viatura, dissimulada em embalagens de vestuário destinado a comercialização”.
Segundo o comunicado do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada da PJ, além do pólen de haxixe, “suficiente para obter aproximadamente 250 mil doses individuais”, foram apreendidos “cerca de oito mil euros em dinheiro, um veículo automóvel, munições de arma de fogo, artefactos de marfim, equipamentos de comunicações e abundantes elementos com relevância probatória”.
As arguidas, à data da detenção com idades de 38 e 47 anos, foram detidas numa investigação que contou com a colaboração da GNR de Ponta Delgada, através da sua equipa cinotécnica.
Outras detenções
em Setúbal e Lisboa
Entretanto, em Abril do corrente ano, a PJ anunciava a detenção de dois indivíduos com ligações às duas mulheres que haviam sido detidas em Ponta Delgada na pose de 125 kg de pólen de haxixe.
As detenções ocorreram nas cidades de Setúbal e Lisboa, e os suspeitos, de 30 e 41 anos de idade, já estavam referenciados pelas autoridades por suspeitas de prática do crime de tráfico de estupefacientes. A localização e a detenção dos dois homens foram levadas a cabo pela Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada, com a colaboração da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE).
Professora afastada do Livramento com processo disciplinar a decorrer causa consternação a pais e alunos
- Categoria: Destaque Principal
- Criado em 19-09-2018
- Escrito por João Paz
Na carta, realça-se que “a consternação é visível entre os encarregados de educação, familiares e amigos dos alunos da professora Maria da Graça Constância Costa (…) uma vez que a suspensão preventiva da docente, no dia 3 de Setembro, a escassos dias do início das aulas, apanhou todos totalmente de surpresa”.
Uma das encarregadas de educação, Graça Silva, evidencia a propósito: “Não consigo perceber, parece um pesadelo. Esta professora sempre foi muito competente e querida por todos os seus alunos. Já foi professora da minha Alexandra, agora com 26 anos, da minha Claúdia e agora do rebento da família, a Fabiana. Foi a professora Graça que a ensinou a ler o ano passado, tinha ela já 9 anos.”.
A mesma encarregada de educação explicou que a Fabiana “fora diagnosticada com uma dislexia grave aos 7, aprendendo a ler apenas aos 9, com a docente em causa. Até já gosta de Matemática”, acrescentou a encarregada de educação, que evidencia “a sua profunda preocupação com o possível retrocesso escolar da filha”, que “até apanhar a professora Graça, era colocada na última fila e considerada um caso perdido… não percebo”, afirma.
“Penso que ela já é professora há mais de 30 anos e chegou a ser a responsável por aquela escola, e, nestes anos todos, só ouvi o melhor”, conclui a encarregada de educação.
Outra encarregada de educação, Júlia Rocha, não poderia estar mais em sintonia com esta opinião. Mãe de um aluno com uma disfunção ao nível do autismo, Júlia Rocha considera que a professora Maria da Graça Constância “conseguiu construir o equilíbrio” escolar do filho: “Com o seu carinho, o seu jeito, a sua atenção, a professora Graça fez um milagre com o Rodrigo [o nome do menino]. Ele gosta da escola, quer aprender, está ansioso até para recomeçar as aulas, perguntando todos os dias pela mochila”. Esta mãe “receia agora dar a notícia ao Rodrigo, com medo de que ele se destabilize”.
Pais querem professora
e não são ouvidos
A evolução do Rodrigo foi mencionada por outra encarregada de educação, a psicóloga Sónia Silva, que “elogiou a sua participação na festa de final de ano, pois ele e a filha, perante toda a comunidade escolar, leram de forma muito emotiva e expressiva um poema de Cecília Meireles”. E Sónia Silva acrescentou, a propósito: “Todo este caso é incomum, pois costuma suceder exactamente o contrário: os pais pedem a suspensão do professor; aqui, os pais querem que o professor fique e não são ouvidos”.
Na verdade, “não é a qualidade do trabalho desenvolvido enquanto docente que está em causa, a minha mulher tem 31 anos de serviço e nunca foi posto em causa o seu profissionalismo”, conforme explica o marido da professora, o médico Humberto de Sousa Costa, mas, sim, “a sua posição relativamente às práticas pedagógicas inerentes ao estabelecimento de ensino, nas quais muitas das vezes ela não se revê, não se coibindo de o expressar sempre que considera oportuno”.
Humberto Costa afirma que, já em 2016, quando a esposa voltou a exercer funções de docência após uma ausência devido a doença oncológica, solicitou formalmente ao Conselho Executivo do Agrupamento uma transferência para o outro edifício no Livramento, pertencente ao mesmo Núcleo Escolar, pedido que “nunca encontrou eco no órgão de gestão mencionado. O seu advogado, Fernando Gomes, enviou com celeridade o recurso hierárquico ao Secretário Regional da Educação e Cultura, dado o ano escolar estar a iniciar e a docente ter sempre a esperança de recuperar a sua turma, mas sem êxito”.
Pais insurgem-se contra
Robero Ivens...
O facto é que, na primeira semana de Setembro, antes do início deste ano lectivo, todos os encarregados de educação assinaram uma carta, na qual se consubstanciava este pedido, solicitando à tutela regional que a professora Maria da Graça Constância e todos os alunos da sua turma fossem transferidos para a “escola nova do Livramento”, como é conhecida. A resposta da Directora de Serviços de Recursos Humanos esclareceu que o pedido de suspensão partira do Conselho Executivo da Roberto Ivens, “no sentido de garantir, segundo este, o bom funcionamento do estabelecimento do Livramento, onde a professora se encontra, e o apuramento da verdade, esclarecendo que o prazo para a apresentação da defesa da trabalhadora está a decorrer neste momento”.
Neste processo, o que os encarregados de educação “não conseguem compreender é o facto de o superior interesse dos alunos estar a ser negligenciado, principalmente o dos alunos com necessidades educativas especiais, que encontraram no acompanhamento da professora um interesse e uma estabilidade e evolução até aí desconhecidos”.
Questionados sobre os possíveis motivos desta suspensão, os encarregados de educação são unânimes em referir que “não conseguem entender as explicações fornecidas, pois nada têm a ver com a relação que a professora desenvolveu com a turma, que é excelente, reforçando que nunca existiu uma queixa por parte de nenhum dos seus alunos, só elogios à professora Graça Constância, como é conhecida”.
Uma antiga aluna da professora Graça, Alexandra Medeiros, irmã da Fabiana, é perentória quando diz: “A relação com os alunos é que deveria contar, não a relação com os colegas, que, devido até a questões pessoais, podem não gostar dela, não sei… Sei que foi a melhor professora que tive, muito atenta, muito humana, muito sensível à situação de cada aluno, que, por vezes, é difícil. Tem sempre tempo para nós, considero-a da família…”. A mãe do Rodrigo afirma igualmente que nunca conheceu uma professora tão dedicada aos alunos como a professora Graça: “Os pais, quando vão buscar os filhos, já sabem que têm mesmo de esperar, eles não querem deixar a sala, querem ficar mais um bocadinho com ela”.
Um grupo de encarregados de educação contactou o Conselho Executivo de Escolas, (a Básica Integrada Roberto Ivens) e foi-lhes afirmado que “não podiam fazer declarações sobre o caso, uma vez que há um processo disciplinar a decorrer”. Estes pais ainda hoje não percebem “a razão da suspensão da professora antes de ser apurada a verdade”.
Processo no âmbito da Inspecção
Regional da Educação
A Presidente do Conselho Executivo da Escola Básica e Integrada Roberto Ivens, Adelaide Gomes, confirmou ao Correio dos Açores que a Inspecção Regional da Educação abriu um processo disciplinar à professora Maria da Graça Constâncio por suspeita de ter cometido infracções e que a docente exerceu o seu direito de defesa dentro do tempo previsto que terminou anteontem.
Entretanto, no quadro dos seus poderes, o Conselho Executivo da ‘Roberto Ivens’ solicitou à Direcção Regional da Educação “a suspensão preventiva da docente até ao final do processo”, o que foi permitido.
Adelaide Gomes explicou ao jornalista que a medida preventiva solicitada “não é sancionatória” e, portanto, conforme a decisão da Inspecção Regional da Educação, a professora Maria da Graça Constâncio pode até regressar ao seu lugar que está a ser, entretanto, ocupado por uma professor em substituição.
A Presidente do Conselho Executivo da ‘Roberto Ivens’ confirmou que reuniu com os encarregados da educação tal como já o fez a Inspecção Regional da Educação mas não adiantaram quais as alegadas infracções cometidas pela professora.
Nestes termos, explicou Adelaide Gomes, os encarregados de Educação e os alunos estão a fazer um juízo de valor com base na sua relação com a professora, pois desconhecem - porque o processo em curso não pode ser revelado - quais as verdadeiras razões da suspensão da docente. “Os pais sabem apenas um lado da história”, referiu.
O facto é que todos os encarregados de educação querem ser ouvidos no âmbito do processo disciplinar e pedem que também os filhos sejam ouvidos. “Quem melhor do que eles poderá garantir a boa professora que é a professora Graça?”, questionam.
“Até lá, a mãe da Fabiana e a mãe do Rodrigo garantem que não vão desistir. E os restantes também”, conclui-se na carta.