Monumento hoje inaugurado no Pico da Pedra “reconhece a coragem” dos que deixaram a ilha

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É hoje inaugurado, no largo do coreto, no Pico da Pedra, pelas 18h00, um monumento em homenagem à diáspora, concretizado e inaugurado no âmbito do Prémio Laurinda Mota, prémio concebido pela sua família de forma a reconhecer os esforços feitos por personalidades do Pico da Pedra em prol do desenvolvimento daquela freguesia.
De acordo com Octaviano Mota, esta é uma iniciativa que já dura há cinco anos, tendo já sido atribuído este prémio por três vezes. Este ano, explica o promotor desta iniciativa, o prémio principal foi atribuído a Gilberto Bernardo, uma pessoa que descreve como sendo “muito querida na freguesia e que tem trabalhos feitos na área da história, do desenho e experiência de medalhista”, resultando agora num “trabalho muito bonito que contém um desenho lindíssimo de homenagem à diáspora”.
Assim, de acordo com o jornal da Casa do Povo do Pico da Pedra do passado mês de Agosto, intitulado “Voz Popular”, Gilberto Bernardo diz que deste trabalho consta um pedestal e um plano, “o pedestal em pedra, com três camadas: a menos trabalhada na parte inferior, no centro e base superior estão pedras mais regulares e polidas a significar aqueles que partem em busca de uma melhor vida, os quais acabam, na sua maioria, por conseguirem ilustração, conhecimentos, etc. (ficam mais polidos)”, contando ainda com um painel de azulejo com um poema “a sugerir o sentido deste trabalho”.
Por seu turno, o plano “em forma de ovo simboliza o nosso mundo e, também, a vida nova encontrada por aqueles que partem ou chegam, em busca de futuro melhor”, descreve o artista na publicação da freguesia, indicando que “no interior do oval, na parte esquerda, foram recortados e retirados o homem e a mulher, os quais foram transferidos e colocados na parte direita, sobre a silhueta de um semicírculo e de um oval com asas, meios marítimo e aéreo”, sendo este quadro uma forma de simbolizar “a deslocação e a mudança, representando a dispersão dos povos pelo mundo, a diáspora”.
Para Octaviano Mota, marido de Laurinda Mota, a ideia para a construção deste monumento começou ao aperceber-se que, ao longo do tempo, sempre houve no Pico da Pedra “muita gente de fora e muita gente que emigra ou que regressa”, levando de imediato à premissa de que essas seriam pessoas que “merecem uma homenagem pública de reconhecimento pela sua coragem para saírem e melhorarem ou alterarem a situação em que se encontram”.
No entanto, também para o promotor desta iniciativa a temática da emigração é muito próxima, uma vez que para além de uma das suas filhas viver na Alemanha e de ter tido outra das suas filhas a viver em Madrid, também os seus pais foram emigrantes e um dos seus irmãos encontra-se também fora de Portugal ainda hoje, acreditando por esse motivo que este monumento poderá impactar um grande número de pessoas, tanto directamente como indirectamente, uma vez que é também “uma homenagem àqueles que desconhecemos mas devem ser enaltecidos pela sua coragem e pelo seu valor”.
Inicialmente, o monumento deveria ficar situado atrás da igreja da freguesia, que concordou com essa decisão, no entanto era desconhecida a opinião da Comissão Fabriqueira, indicou Octaviano Mota, indicando que por esse motivo a homenagem aos emigrantes da diáspora está “num local junto ao coreto que é lindíssimo (…), um sítio que apanha luz todo o dia e que não só é um local digno para a localização do monumento como é um local digno de passagem e de dignidade”.
Para a inauguração, Octaviano Mota adianta que foram convidadas algumas entidades e pessoas que “de forma directa ou indirecta representam a emigração e que fazem parte do núcleo da freguesia, como o caso do cônsul dos Estados Unidos da América, o cônsul do Canadá, o Director Regional das Comunidades, a Associação de Emigrantes e a Câmara Municipal da Ribeira Grande, bem como diversos amigos e conterrâneos.

Armadores e pescadores queixam-se de condições de trabalho “degradantes” no porto de Vila Franca do Campo

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Armadores e pescadores que trabalham diariamente no porto de pescas de Vila Franca do Campo falam em condições de trabalho “degradantes” com que se deparam todos os dias e alegam que há falta de segurança no porto.
Primeiro, as torres de iluminação estão avariadas “há mais de dois anos” o que dificulta o trabalho de quem chega ou parte para o mar ainda de noite, “ficando os barcos mais sujeitos a roubos”.
Há ainda o cais flutuante partido “também há bastante tempo, tem quase dois anos também”. Para quem quer entrar e sair tem de “fazer uma ginástica enorme” para conseguir passar sem cair ao mar, uma vez que várias tábuas do cais estão partidas a meio.
Os pescadores queixam-se também que as tampas de protecção do guincho eléctrico, que puxam os barcos na rampa de varagem estão soltas “e parece que estão à espera que aconteça uma desgraça para arranjarem”.
Há ainda a entrada para o porto “que está muito mal”, já que a ilha de entrada “está danificada” e toda a gente pode entrar no porto e pode “danificar os barcos” que ali se encontram ancorados.
Os armadores e pescadores dão conta que já fizeram chegar à Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia o desagrado em relação às condições daquele porto, bem como à Federação das Pescas e até à Lotaçor chegou o descontentamento dos pescadores. No entanto, “há mais de dois anos que as coisas estão assim e ainda nada foi feito”, referem manifestando a intenção que tudo seja reparado para que possam exercer as suas funções em condições. “Até porque o Inverno vem aí e muitos dias temos de trabalhar sem luz”, explicam.

Baixar a quota do chicharro
Ouvidos outros armadores do porto de Vila Franca do Campo, não quiseram falar das condições de trabalho mas sim “da situação que estamos a viver há umas duas ou três semanas”. É que um dos armadores, com uma embarcação dedicada à pesca do chicharro, diz que o peixe que têm pescado chega à lota “e não é vendido porque há muita abundância e é distribuído depois por instituições de solidariedade social”.
Cada barco pode pescar até 400 quilos de chicharro, para venda em lota, “mas como há abundância, só os primeiros barcos é que conseguem vender. Ainda há dias foram mais de mil quilos de chicharro que não foram vendidos e foram para instituições”.
Mas porque é que continuam a ir para o mar, se trabalham, têm despesas e não recebem pelo trabalho? A resposta é aparentemente simples: “estamos a ir para o mar por sorte, porque se formos os primeiros a chegar à lota temos a sorte do nosso peixe ser vendido”, caso contrário “se chegarmos em quinto ou sexto como já aconteceu, o peixe foi para a Cruz Vermelha”.
Os armadores defendem que nesta altura de maior abundância de chicharro devia ser reduzida a quota permitida para cada saída, e em vez dos 400 quilos serem apenas 300 quilos permitidos. “Assim ia permitir que todos ganhassem”, explicam os armadores.
Armadores e pescadores alertam ainda para a fuga à lota e para a falta de fiscalização, “porque há armadores que não se queixam, nem podem queixar porque não têm estes problemas”. Aliás, referem que a lei “devia ser devidamente aplicada pois quando se é apanhado em flagrante devia haver mão pesada”, já que a legislação indica que toda a embarcação que for apanhada pela primeira vez na ilegalidade fica três meses sem licença. “Mas isso não acontece. Ainda há três semanas uma embarcação foi apanhada em flagrante e continuou com a licença e anda no mar ao nosso lado”, referem os armadores que voltam a pedir um reforço da fiscalização.
O Correio dos Açores contactou a Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia que estava, até ao fecho desta edição, a recolher elementos para poder dar uma resposta aos anseios dos armadores e pescadores do porto de Vila Franca do Campo. 

“É uma tremenda alegria dar um destino a uma criança que não teve culpa do seu passado”, afirma Ricardo Pacheco

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Ter filhos é sempre uma aventura e três gémeos mais ainda. Porém, há quem consiga aumentar esta responsabilidade adoptando mais uma criança. A verdade é que Ricardo Pacheco já tinha dado o nome para a adopção há muitos anos, quando aumentar a família parecia uma realidade difícil. Após muito tempo, quando os gémeos já eram maiores, chegou a tão esperada chamada. O advogado contou-nos como tudo se processou. “Só há duas coisas que verdadeiramente entendo serem sagradas neste nosso mundo: a primeira e mais importante são as nossas crianças; a segunda são os nossos idosos que nos permitiram chegar aonde estamos. E cresci sempre com um grande sonho de ter filhos, sendo que já com 18 estava decidido que também iria adoptar.”
Porém, ser pai parecia mais difícil do que Ricardo esperava. “Após sete anos de casamento, estava triste por não ter alcançado o sonho de uma vida. E fizemos de tudo. Nunca desisti. Um dia, e depois de recorrer a tanta gente, fui pedir a última das ajudas que pensei possível. Fui a uma linda senhora que me leu o livro do Senhor Santo Cristo. Disse-me as palavras mais fortes que ouvi e que só as esquecerei quando a Providência me impuser que não mais abra os olhos. Disse-me: “vais ter três pepitas”. Depois de ouvir isso fui para casa e contei o sucedido. Ouviram-me, mas ninguém me levou verdadeiramente a sério. Isto passou-se pelo Natal de 2008. Poucos meses depois, a minha mulher estava grávida de gémeos”.
A história do filho adoptivo, porém, começou antes de tudo isso, mas só mais tarde o quarto filho entrava na família de Ricardo Pacheco. “Em Julho de 2007, inscrevemo-nos na lista de adopção. Esperamos quase nove anos para que o telefone tocasse. A verdade é que tocou em Outubro de 2015. Fomos buscar o Rui a 1 de Dezembro e ele está connosco muito feliz e integrado com os irmãos”, conta emocionado. “Há algumas diferenças entre uma gravidez biológica e uma adopção, mas, que ninguém o duvide, é uma tremenda alegria poder dar um destino a uma criança que não teve culpa das circunstâncias do seu passado, sendo certo que o retorno é extraordinário.”
O advogado vai mais longe e é da opinião que a adopção deveria ser algo mais normal na vida das pessoas. “Respeito muito todos aqueles que não pretendem ter filhos. Mas aqueles que gostariam de os ter e não recorrem à adopção cometem um profundo erro. É impressionante a gratidão que uma criança de dois anos consegue revelar. Quando o fomos buscar, soube que o Ruizinho dormia todas as noites dando a mão a um amigo do berço ao lado. Durante os primeiros meses fiz questão de ser eu a dar-lhe a mão até adormecer. Hoje, dorme com o seu boneco preferido como todas as crianças o gostam de fazer. Deixo aqui o meu apelo a todos aqueles que desejem muito e não tenham filhos. Não tenham receio em avançar para a adopção.”
Questionado sobre as dificuldades da adopção, Ricardo Pacheco contou-nos que “as pessoas que contactei que trabalham na área deixaram-me verdadeiramente surpreendido. Foram e são exemplares e de um grande profissionalismo. A grande questão é que a maioria das pessoas candidatas pretende crianças até aos três anos. E a grande maioria até já passou essa idade”. O micaelense afiança, ainda, que “a alegria que uma criança nos dá é bem superior ao trabalho e dedicação que se nos impõe”.
O advogado admite-se “como um como um cidadão normal com virtudes e defeitos. Vivo com a certeza que o mais importante nesta vida é sorrir e não fazer mal a ninguém. Não sei se a felicidade existe, mas tenho a certeza de que existem momentos felizes. Por isso, vivo procurando diariamente ter momentos felizes pois, tendo-os, sei que serei feliz. Sempre desejei e colaborei em projectos de intervenção social, sendo que o faço por gosto mas também por entender que todos temos o dever de o fazer em prol dos mais desfavorecidos”. Diz-se, ainda, fortemente influenciado por “Teresa de Calcutá, Luther King e Ghandi”.
Para que tais situações ocorressem mais vezes, seria necessário mais pessoas com ideologias semelhantes a Ricardo Pacheco. Assim, para percebermos como de facto tudo se processa nos lares aonde muitas crianças aguardam um casal de pais adoptivos falamos com a Aldina Gamboa e com Sofia Tavares, Vice-presidente e Psicóloga, respectivamente, dos Lares Nossa Senhora dos Anjos, na Fajã de Baixo.
Aldina Gamboa disse-nos que a integração das meninas nos lares é muito diferente de caso para caso. A professora garante que influencia muito “a maneira como elas entram aqui, a família de onde vêm, se já têm estruturação ou não. Porém, o que é muito importante é fazer com que elas ganhem gosto pelo espaço, ou seja que haja uma fruição daquela área para que elas a sintam como a sua casa e comecem a ser um pouco orgulhosas de apresentar um lar em boas condições, limpo, cheiroso, para receber as pessoas e gostam de convidar amigas para virem cá.”
Mas antes da adopção muito há a tentar nos lares de acolhimento, conforme nos explicou a psicóloga Sofia Tavares. “Imaginemos que uma menina é acolhida, porque algo de muito grave aconteceu na família. Aposta-se na família e na reunificação da mesma com a criança. Faz-se a avaliação da possibilidade de a criança voltar para casa, o que se pretende que seja o mais rápido possível, e aí é que às vezes as coisas demoram mais tempo. Quando os resultados são negativos e não há capacidade de a família se reestruturar num tempo útil de vida da criança, pois ela não vai ser criança para sempre, então ela precisa de pais rapidamente.”
Outra agravante dos processos de adpoção é que “está estudado que a maior parte das pessoas que querem adoptar fazem-no com crianças até aos seis anos. Querem crianças muito pequeninas, regra geral, e todo o desenvolvimento da criança fica comprometido enquanto ela está em acolhimento ou fora da família”. Portanto, há um hiato de tempo que pode dificultar a vida das crianças. “Só quando é retirada a guarda dos pais, esta passa a ser da Segurança Social e o nome desta criança consta de uma lista até às vezes internacional, mas os lares não têm nada a fazer quanto a esse assunto. A Segurança Social é que faz isso. Aqui estamos disponíveis para receber os candidatos a pais. Já tivemos adopções de meninos mais pequeninos e adopções internacionais até, por casais estrangeiros”, conta a psicóloga.
A professora Aldina conta que “a adopção que mais me custou foi uma internacional de três irmãs que não ficaram todas com o mesmo casal. Estão no mesmo país, mas duas numa casa e a outra noutra. A barreira da língua também me preocupou mais. As mais pequeninas foram muito entusiasmadas, mas a mais velhinha foi muito apreensiva. Lembro-me de dia em que ela esteve na minha casa e percorreu-me a casa toda, quase como se me pedisse que ficasse com ela em vez de ir embora”, garantindo que este “é um trabalho muito evasivo”.
Neste seguimento, a Vice-presidente do lar contou-nos, também, outra história de adopção de um menino que muito a impressionou. “Recebemos um livro para ele enviado pelos pais, com a ajuda da equipa de adopção. Ele tinha três anos e era um menino muito especial. Era alegre, acordava a cantar, era muito feliz, muito bem-disposto. Este menino não tinha noção de família, só a teve quando foi para o jardim-de-infância e teve um educador. Mas também depressa percebeu que não eram todos os dias que os meninos iam para um lar. Ali, percebeu que era o pai e a mãe que iam buscar os colegas à escola e a ele não. Mas ele era feliz. Entretanto, ele recebeu o livro que contava a história de uma estrela e de um sol que brilhavam e cada página tinha fotografias do quarto, do gato, da avó, da família: tudo para ele se ir acostumando à ideia. Contei-lhe que todos temos um pai e uma mãe e disse que ele também poderia ter. Ele começou a entrar na história e perguntou-me, assustado, se tinha que entrar para a barriga da futura mãe. Expliquei-lhe que era um amor muito grande, que nascia do coração, que era ali que nascia um filho. Não foi fácil, mas o processo foi seguindo, e foi lindo. Houve uns dias de adaptação, às vezes almoçavam e jantavam connosco, levavam-no para brincar e um dia ele ficou com eles. E ficou muito bem. Ele era fácil de se adaptar!”
Apesar de toda esta parte interessante, diz-nos a psicóloga que “os processos para tomada de decisão de adopção em si é que são longos”. Desta forma, há muitas crianças que não chegam a ser adoptadas e isso magoa-as muitas vezes. “Já tivemos meninas maiores que pedem para ser adoptadas e que começam a perceber que para a família não vão voltar e até nem querem, mas querem uma família. Vivem depois neste dilema. E sim, sentem a revolta”, explica a psicóloga. “Acontecem casos de meninas que se reunificam com a família, mas que voltam para o lar uma segunda ou terceira vez, o que é muito complicado. Estes são os casos mais difíceis, aqueles em que se dão muitas oportunidades à família e quando corre mal. Ficam muitas mágoas. Às vezes dar a oportunidade à família é um erro, mas mesmo que discordemos a decisão não é nossa. Isto ainda piora quando são acolhimentos em instituições diferentes da anterior, quando existem transferências. A revolta de estarem acolhidas às vezes é tão grande que acontecem fugas”, continua.
Outra realidade que já se conhece no país são as famílias de acolhimento, mas nos Açores a adesão é praticamente inexistente. Aldina Gamboa, sobre este assunto, é da opinião de que “uma família de acolhimento existe para dar algo que no fundo não vai durar sempre, mas as crianças querem algo duradouro. Acaba por ser como nos lares, mas a criança tem outro sossego nas famílias de acolhimento, é só isso. Esta base nunca é a mesma de uma família de verdade. Aqui no lar o nosso estatuto é que nos dá moral para educar, saber que nós temos obrigações e eles também enquanto crianças. Há obrigações mútuas. De outra maneira, eles acham que estão de passagem”. Por outro lado, Sofia Tavares apresenta uma outra perspectiva da questão. “Penso que para as crianças viver numa família é sempre mais positivo do que a passagem por um lar. Aqui estamos a trabalhar e as meninas têm noção de que recebemos os nossos salários. Eu estou a falar de famílias de acolhimento boas, claro. Com apoio individualizado, que ensinam a fazer compras, a manterem o seu quarto, etc. É um apoio lindo de se fazer à comunidade. Nos Açores as pessoas pensam muito e não querem uma experiência destas.” Porém, para a Vice-presidente a situação é complicada, porque “as famílias de acolhimento também recebem e às vezes também acolhem apenas pelo dinheiro. E as meninas sentem que para tratar das crianças há sempre um preço!” Esta realidade, tal como num lar de acolhimento, exige confrontos com a família biológica e um trabalho diário, explicam-nos estas mulheres.
Disse-nos que a psicóloga que “o norte do país é o único local aonde existem famílias de acolhimento com formação. Era preciso apostar muito nisso cá, na sensibilização e formação, mas não há candidatos sequer”.
De qualquer forma, a realidade dos lares de acolhimento serão sempre um mal necessário e poucos meninos sentem e vivem a sorte que o filho adoptivo de Ricardo Pacheco sente e vive diariamente, numa família que o acarinha e o aceita tal qual um filho de sangue.

 

Tempestade Helene atinge hoje com mais força as ilhas de Flores e Corvo mas São Miguel também será atingida

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Foi no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) – Delegação de Ponta Delgada, com o meteorologista Diamantino Henriques, que o Correio dos Açores obteve mais informações sobre a chegada da tempestade tropical Helene que, na ocasião, se encontrava “a cerca de 1000 kms do Grupo Ocidental, encontrando-se em deslocamento para norte com alguma velocidade. Deverá atingir, principalmente, os grupos Ocidental e Central a partir das seis da manhã, primeiro com precipitação e depois com vento”, explicou-nos o profissional da meteorologia. “As ilhas das Flores e Corvo serão talvez as mais afectadas, porque são as que estão mais próximas do centro da tempestade, a qual tem uma parte mais activa a norte no sector noroeste. É neste que estamos com maior preocupação, pois pode causar bastante precipitação, uma vez que o centro vai passar a sul.”
Pelas nove horas será a vez do Grupo Central começar a sentir com mais incidência este temporal, o qual se “deverá prolongar durante o dia de Sábado e até à madrugada de Domingo, quando ainda se prevê alguma chuva”.
Relativamente à agitação marítima, Diamantino Henriques diz que “estamos a prever ondas que vão atingir os oito metros de altura significativa, o que não implica que não existam ondas com alturas maiores, mas é o que se pode prever neste momento. Serão ondas do quadrante sudoeste, ou seja os portos mais afectados serão os mais expostos naquela direcção sudoeste. A onda máxima poderá atingir os cerca de 16 metros”.
Como consequência de tal condição meteorológica, as ligações aéreas e marítimas poderão ficar condicionadas, como nos indicou o meteorologista do IPMA. “Poderá haver condicionantes no canal Pico-Faial, pelo que naquela zona poderão haver condicionantes a nível de tráfego marítimo. Em relação ao tráfego aéreo, é natural que também haja alguns cancelamentos, porque aquela tempestade deverá ocorrer durante a tarde e os ventos normalmente são proibitivos deste tipo de operações.”
Para São Miguel, “estamos a contar com ventos de força de tempestade tropical, que, portanto, poderão ser fortes”, disse.
Diamantino Henriques garantiu, na ocasião, que as próximas horas seriam muito críticas, “porque qualquer desvio poderá mudar drasticamente o cenário que estamos a prever, e podem acontecer mudanças à última da hora”.
Assim sendo, o IPMA informou, ainda, em comunicado que as ilhas do Grupo Ocidental se encontram sob aviso vermelho devido à precipitação, entre o 12h de Sábado e talvez durante todo o dia de Domingo, enquanto o Central tem aviso laranja das 9h de Sábado às 9h de Domingo. O IPMA refere ainda que o vento médio esperado é de 90 km/h e as rajadas poderão atingir os 120 km/h. Por esta razão, foram também emitidos avisos laranja.

Tempestade mais próxima
de São Miguel do que se previa

A Capitania do Porto de Ponta Delgada ao fim do dia de ontem, emitiu um comunicado, a alertar a população em geral e a comunidade marítima em particular, para o previsível agravamento das condições meteorológicas e do estado do mar, sobretudo no final do dia 15 e no dia 16 de setembro, em virtude da atual previsão de passagem da tempestade tropical Helene mais próxima da ilha de São Miguel, do que o inicialmente previsto.
Será por isso expectável, segundo a mesma nota, que, sobretudo a costa sul da ilha de São Miguel, seja assolada naquele período por ondulação de sul que pode ultrapassar os 4 metros de altura, e ventos também de sul na casa dos 30 nós (60 km/h).
Face ás condições previstas, em comunicado assinado por José Zacarias da Cruz Martins, Capitão-de-mar-e-guerra, Capitão do Porto e Comandante Local da Polícia Marítima Ponta Delgada e Vila do Porto, pode ler-se ainda: “recomenda-se à comunidade marítima o reforço das amarrações das embarcações e a sua vigilância, em todos os portos e portinhos da costa sul da ilha da ilha de São Miguel.
À população em geral aconselha-se que evitem os passeios junto da orla costeira, próximo da linha de água, em particular nos molhes, quebra mares e zonas balneares expostas”
Releva-se que é fundamental da parte de toda a população a adoção de uma cultura de segurança ativa e uma atitude prudente junto da orla costeira.
Por outro lado, os meios de socorro já estão preparados e colocados de prevenção devido à tempestade em causa. Desta forma, o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) adiantaram “que as diversas entidades com responsabilidade no âmbito da Protecção Civil estarão todas de prevenção a partir do dia de Sábado, nomeadamente os Serviços Municipais de Protecção Civil, as direcções regionais das Obras Públicas e Comunicações, do Ambiente e da Saúde, assim como todas as 17 corporações de bombeiros da Região”, conforme se lê em comunicado. Além disso, a Protecção Civil dos Açores reforçou ontem os meios humanos no Grupo Ocidental, através do envio de um dispositivo operacional e de uma equipa da Direcção Regional de Saúde. Porém, diz a mesma entidade oficial que não será necessário causar alarmismos, “desde que sejam tidas em conta as informações oficiais transmitidas pelo SRPCBA e pelo IPMA, bem como a adopção de medidas de auto-protecção em caso de tempestade, tal como é recomendado pelo Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores”.
Como é de esperar de situações do género, as pessoas deverão trancar devidamente portas e janelas, bem como deverão ter também os cuidados habituais nestas situações.
A evolução da tempestade Helene vai ser acompanhada pelo SRPCBA e pelo IPMA, bem como por todas as autoridades e agentes de Protecção Civil e serão emitidos novos comunicados sempre que se revelar necessário.

Vindimas no Pico alcançaram resultados extraordinários este ano, quer na qualidade, quer em quantidade

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Apesar da seca, este ano deverá ficar para a história do vinho dos Açores “como um dos melhores anos de sempre na ilha do Pico”, quer em termos de quantidade, quer no que se refere à qualidade da uva. Tudo devido às condições atmosféricas muito favoráveis para a cultura do vinho que este ano se registaram.
“A época das vindimas está a terminar e os resultados obtidos este ano só podem ser classificados de extraordinários. As melhores expectativas dos viticultores confirmaram-se”, explicou o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, no final de uma reunião com a Direcção da Cooperativa Vitivinícola da ilha do Pico.
João Ponte disse que até ao momento, a Cooperativa já recebeu 350 toneladas de uvas, quando no ano passado recebeu apenas 100 toneladas, representando um crescimento de 250%.
“É verdade que, do ponto de vista do clima, tivemos um ano bastante favorável, mas este resultado deve-se sobretudo à capacidade empreendedora dos viticultores do Pico, que souberam aproveitar as oportunidades criadas pelo programa VITIS, à experiência acumulada nesta área e ao grande empenho e dedicação que empreguem nesta cultura”, afirmou João Ponte.
Relativamente ao programa comunitário VITIS, para reestruturação e reconversão de vinhas, João Ponte revelou que, só nos primeiros sete meses deste ano, já foram pagos 2,4 milhões de euros aos viticultores açorianos.
De acordo com o Secretário Regional da Agricultura, desde 2014 já foram aprovados 470 projectos no âmbito do VITIS, com uma área de 765 hectares de vinha, num investimento de 20,3 milhões de euros, sendo a ilha do Pico a mais expressiva no todo regional, totalizando 94% das candidaturas.
João Ponte revelou que “estes indicadores dão bem nota do grande dinamismo e da pujança que a vitivinicultura tem presentemente na Região, com particular destaque para a ilha do Pico, projectando um futuro muito promissor para este sector”.
Mas não é só no Pico que se tem verificado maior pujança no sector, pois no Faial foi recentemente aprovado um projecto, no âmbito da submedida 4.2 do PRORURAL+, que visa criar uma indústria de vinificação de vinho branco, transformação e embalamento, num investimento proposto de meio milhão de euros.
João Ponte disse ainda que este projecto no Faial contempla a criação de 19 postos de trabalho, dois permanentes e 17 temporários.
Recentemente também Vasco Paulos, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional dos Açores (CVR – Açores), entidade certificadora dos vinhos regionais, já tinha garantido ao Correio dos Açores que as actuais condições atmosféricas iriam representar este ano um aumento na qualidade dos vinhos produzidos nos Açores.
Isto, “pelo simples facto de os dois últimos anos terem sido muito maus em termos de produção de uva por questões climatéricas adversas e que se traduziram numa diminuição muito considerável da quantidade de uva vindimada”.
O Presidente da CVR - Açores falava na possibilidade de se duplicar a produção de vinho com Denominação de Origem Açores (D.O. Açores), IG – Indicação Geográfica Açores e IGP – Indicação Geográfica Protegida Açores, estimando-se que possa chegar aos 300 mil litros de vinho certificado nos Açores este ano.
Para além de um aumento na quantidade, também é esperada melhor qualidade das uvas este ano. É que as condições climatéricas têm proporcionado uma maturação com ausência de doenças e teores de açúcar mais elevados. Por isso 2018 será “um bom ano vitícola, aumentando consideravelmente para o dobro o vinho que se espera seja certificado”, sendo este aumento maior na ilha do Pico já que é naquela ilha que se concentra cerca de 90% da produção do vinho certificado dos Açores.
Na Região passou-se de 230 hectares de vinha em produção para, “a muito breve trecho” os mil hectares em produção, “e isso vai-se traduzir num aumento exponencial do vinho a certificar nos próximos anos, se os anos forem normais. Se forem anos anormalmente maus como nos últimos 2 anos, esse crescimento não se vai verificar”, explica Vasco Paulos.