O Dia dos Açores
- Categoria: Opinião
- Criado em 21-05-2013
- Escrito por António Pedro Costa
Amanhã, segunda-feira, comemora-se o Dia dos Açores, data instituída pelo Parlamento, pelo Decreto Regional nº 13/80/A e destinado a celebrar a açorianidade e a autonomia, coincidindo com a maior festa religiosa e cívica da nossa Região Autónoma.
Esta comemoração está recheada de um grande simbolismo de unidade das ilhas e é mais um sinal indelével da própria identidade de povo açoriano, pois constitui um referencial insubstituível do modo do viver ilhéu, com um alcance político, social e cultural da maior relevância.
A escolha da Segunda-Feira do Espírito Santo ancora-se no facto da comemoração da festa em honra da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade constituir, desde os primórdios em que arribaram gentes vindas de Portugal a estas terras, uma celebração de sentimentos de solidariedade, de esperança e da festa da própria vida, entrelaçando-se com as mais nobres tradições cristãs que o povo açoriano sempre cultivou.
Celebrar a açorianidade e a autonomia, de forma muito expressiva e intensa, é por isso um modo dos açorianos reconhecerem o valor das suas raízes e da sua memória e reforçarem, e mesmo testarem, a sua capacidade para se auto governar, ultrapassando barreiras de séculos de costas voltadas e vencendo desconfianças e velhas rivalidades entre ilhas.
Nestas três décadas de Autonomia Politica, Administrativa e Financeira um dos traços e a própria força da açorianidade perpassa na vitalidade e especificidade com que se comemora este Dia, dentro de cada ilha, de cada Concelho, de cada pequena povoação, ou mesmo alargada às comunidades de açorianos, espalhadas pelo mundo, mantendo um profundo significado de tão espontânea e vivida forma de celebrar a nossa história e a nossa cultura, numa afirmação do vigor da cidadania das gentes destas ilhas.
Nestas pequenas ilhas, de grande diversidade e democracia, o nosso sistema Autonómico constitui o reconhecimento político de uma diferença, não apenas geográfica e histórica, mas um testemunho fortemente identitário da cultura própria do povo açoriano, cujo conceito a própria Constituição da República Portuguesa consagra no seu artigo 225º.
A Autonomia de hoje não é comparável ao conceito do passado, pois ela tem de estar aberta às novas realidades em que a Região está inserida. Não pode ser uma Autonomia estanque, só para dentro de portas, mas afirmando-a perante os desafios da integração na União Europeia, perante e os desafios da globalização e perante os desafios que o desenvolvimento do país exige.
Sermos Autónomos hoje, significa afirmar e praticar a nossa Autonomia em Bruxelas, em Londres ou em Lisboa, ocupando os espaços onde se decide também o futuro dos Açores e dos Açorianos, sob pena de um dia nos sentirmos minguados no território das nossas ilhas.
Por isso, celebrar do Dia dos Açores, é homenagear com respeito todos os açorianos, quer vivam dentro de cada uma das nossas belas ilhas, quer labutem em qualquer partilha do mundo, reafirmando a forte convicção de que o simbolismo desta data nos aproxime e nos incentive a trabalhar cada vez mais, em prol deste torrão atlântico que tanto amamos.
O Correio dos Açores foi ao encontro de alguns cidadãos desta terra, pedindo-lhes um depoimento acerca da conquista da Autonomia Político-Administrativa dos Açores e das suas repercussões na vida económica, cultural, social e política de todos os Açorianos, aqui retratadas nas suas opiniões.