“A minha ilha é os Açores”
- Categoria: Opinião
- Criado em 21-05-2013
- Escrito por José Terra Carlos
Segunda–Feira do Espírito Santo, é o Dia dos Açores, Dia da Autonomia, o Feriado Regional dos Açores.
A autonomia, tal como a concebemos (Político-Administrativa), foi uma das mais significativas conquistas do 25 de abril de 1974.
Quando ocorreu este evento histórico tinha eu 14 anos. Natural do Faial e residente numa freguesia rural, próxima da Horta, estudando no então Liceu Nacional da Horta, tive a oportunidade de assistir ao período de grande efervescência política que se seguiu e ao processo de profunda transformação da sociedade açoriana que se veio a verificar.
Estão decorridos quase 40 anos de um período caracterizado pela criação e aprofundamento da unidade açoriana (embora com várias vicissitudes), face a quase um século e meio de divisão distrital e à rivalidade inter-ilhas. Período, também, em que a criação das infraestruturas mínimas necessárias ao desenvolvimento regional se estendeu a todas as ilhas, não obstante os sobressaltos próprios de uma mentalidade herdeira de muitos anos de divisionismo.
Hoje, devido à grande mudança que entretanto se verificou, os nossos filhos têm muita dificuldade em apreender o que foi a vivência da geração que os antecedeu, agora já grisalha.
Eles não só dão como adquirido certos direitos, o divertimento, as férias, o computador, a televisão, como também nem sabem como apareceram esses direitos. Sabem que basta abrirem a torneira que a água vem quente, que dentro do frigorífico têm tudo fresquinho, que o carro tem sempre gasolina e que o dinheiro está nas máquinas de multibanco.
Eles só muito nebulosamente conseguem visualizar um tempo em que não havia, por exemplo, a energia elétrica nas zonas rurais nem a TV na Região.
É fundamental salientar o papel da RTP- Açores, cujas emissões começaram em 1975, a preto e branco, no processo de fortalecimento da açorianidade e esbatimento da ilha.
Em 1975, a maioria das ilhas não dispunha de estruturas portuárias que permitissem atracar um navio de médio porte. No que respeita a aeroportos, a principal porta de entrada nos Açores era em Santa Maria. A rede de estradas era calamitosa, com largos troços por pavimentar e em péssimo estado de conservação. A rede elétrica não cobria as zonas rurais mais distantes. A distribuição domiciliária de água apenas abrangia as principais zonas urbanas, recorrendo a restante população aos chafarizes e às cisternas privadas. No que respeita à educação e à saúde quase tudo era precário.
Neste contexto, tendo em atenção o todo regional, e as ilhas mais necessitadas, coube aos órgãos de governo próprio iniciar a infraestruturação das ilhas, começando pela construção dos portos e aeroportos necessários e procurar, primeiro, desenvolver as ilhas mais necessitadas
Não se pode esquecer, também, o grande contributo do poder local, outra das grandes conquistas do 25 de abril, no desenvolvimento das nossas populações.
Hoje, com a autonomia constitucional dos Açores, os distritos foram definitivamente extintos. Os bairrismos exacerbados perderam a intensidade. A ideia de Região está mais ou menos enraizada.
Mas, neste momento, neste Dia da Região, deve-se ter uma especial preocupação em fazer uma grande reflexão, e inflexão, sobre caminhos de segregação, baseados em conceitos economicistas, que agora já se começam a equacionar e a trilhar.