Série Açores e a “malfadada Liguilha”!

Em 18 edições da Série Açores convém lembrar que nem tudo foi um mar de rosas, antes pelo contrário, houve clubes que pagaram e alguns ainda estão a pagar a factura de uma política/gestão errada e inadequada às pretensões para as quais a Série Açores foi criada (a promoção do atleta açoriano). Com a extinção da III Divisão Nacional e consequentemente o fim da Série Açores, o vencedor do futuro Campeonato dos Açores, que arranca na próxima temporada 2013/14, deverá subir directamente do Distrital/Regional à II Divisão Nacional. Quem eventualmente possa vir a disputar essa II Divisão nestes novos módulos, julgo ser importante, por parte de quem está a liderar as colectividades, ter bem presente a actual conjuntura sócio-económica, afim de não hipotecarem o futuro dos clubes que dirigem, pois acima de tudo há que salvaguardar e respeitar as Instituições a que se propuseram dirigir.
Após esta breve nota introdutória, avanço para o tema de fundo, que é a “malfadada liguilha” que surge na época 1998/99, pois a participação de clubes açorianos na II Divisão B/II Divisão Zona Sul estava limitada ao máximo de três clubes. Ao longo de 18 edições da Série Açores, por três vezes a Liguilha teve de ser disputada entre o Campeão da Série Açores (que por direito próprio deveria garantir automaticamente o acesso ao escalão superior) e a equipa açoriana que, apesar de ter garantido por direito próprio a manutenção na II Divisão B/II Divisão Zona Sul, mas sendo a menos bem classificada das equipas, tinha de se sujeitar a esta Liguilha, uma espécie de “Roleta Russa”, para muitos rotulada de “Liguilha da vergonha”.
A primeira Liguilha teve de ser disputada no final da época de 1999/2000, entre o Campeão da Série Açores - União Micaelense e o SC Lusitânia que nessa época foi 16.º classificado da II Divisão B – Zona Sul. A primeira mão foi jogada no João Paulo II, terminando com uma igualdade a um golo. O Lusitânia era comandado por João Eduardo Alves que tinha substituído Coentro Faria no comando dos “verdes” da rua da Sé, por seu lado a turma da rua dos Mercadores era orientada por Joaquim Mendes. Na segunda mão jogada no Complexo Desportivo da Grotinha, os Unionistas venceram o Lusitânia por 3-2, com um hat-trick de Emanuel Simão, garantindo assim aquilo que por direito próprio já haviam conquistado com a vitória na Série Açores, enquanto o Lusitânia acabou despromovido de forma injusta, após ter conseguido a manutenção de forma directa.
A segunda Liguilha surge no final da época 2004/05, com o Lusitânia novamente a ter de discutir a permanência na II Divisão B – Zona Sul, após ter terminado a época em 13.º lugar, desta feita o Campeão da Série Açores tinha sido o Madalena que curiosamente era comandado por Joaquim Mendes. A primeira mão teve lugar no Municipal da Vila da Madalena, a turma anfitriã venceu por 2-1 o Lusitânia, na altura orientado por António Simões que tinha substituído Carlos Gomes, que por sua vez tinha rendido José Dinis, que iniciou a época ao comando dos “verdes” de Angra do Heroísmo.
A segunda mão no João Paulo II terminou com a vitória do Lusitânia por 1-0, resultado este que empatava a “eliminatória”. O prolongamento não trouxe nada de novo, ironia das ironias, tudo teve de ser decidido através da lotaria das grandes penalidades. O Madalena acabou por ser mais feliz vencendo por 5-4, garantindo a subida à II Divisão B – Zona Sul, por seu lado a sorte voltou a ser madrasta para o SC Lusitânia que uma vez mais teve de voltar à Série Açores, após ter conseguido o 11.º lugar que dava e sobrava para continuar no mesmo patamar.
No final da época de 2006/07 foi necessário, uma vez mais, recorrer à “Liguilha da vergonha”, e como diz o velho ditado que não há duas sem três, eis que o Lusitânia se vê novamente envolvido nesta tremenda injustiça, após ter terminado a disputa da II Divisão – Série C, no 11.º posto. O outro injustiçado foi o SC Angrense que se havia sagrado Campeão da Série Açores. Na primeira mão o Lusitânia comandado por João Salcedas jogou na condição de visitante, registando-se um empate a dois golos. Na segunda mão o Lusitânia foi ao Municipal de Angra, tendo terminado o tempo regulamentar com um nulo. Decorrendo o tempo extra, a sorte finalmente sorriu ao Lusitânia, pois ao 4.º minuto da 2.ª parte do prolongamento, tudo ficou definido em virtude de um auto-golo de Bebé, que colocou o Lusitânia em vantagem por 0-1, resultado inalterável até ao final do prolongamento. A fava saíra ao SC Angrense comandado por João Eduardo Alves, para o Lusitânia à terceira foi de vez, conseguindo a manutenção por duas vias, sendo uma delas a malfadada Liguilha.
Resumindo:
- SC Lusitânia presente nas três Liguilhas e sempre na condição de equipa açoriana menos bem classificada na II Divisão B/II Divisão Zona Sul, mas sempre em lugar de manutenção;
- Por duas vezes a Liguilha foi vencida pelo Campeão da Série Açores com a curiosidade de em ambas as épocas o clube vencedor ser orientado por Joaquim Mendes;
- Treinador João Eduardo Alves esteve presente em duas Liguilhas de formas distintas, não sendo feliz em ambas.