Grande insatisfação açoriana na Bermuda
- Categoria: Opinião
- Criado em 24-05-2013
- Escrito por João Paz
Portugal autorizou o Clube Vasco da Gama a proceder à distribuição dos documentos que ficaram retidos no Consulado na Bermuda. A notícia seria caricata se a situação não fosse tão grave. Imaginar um clube da comunidade açoriana a distribuir os documentos (passaportes e bilhetes de identidade) porque não há lá ninguém no Escritório Consular. De facto, é uma tristeza.
Apesar das promessas de muitos anos de que a comunidade açoriana na Bermuda teria um Cônsul ou um Cônsul honorário, a verdade é que tal nunca veio a acontecer. Há vários anos que reduziram o Consulado Português da Bermuda a um simples escritório consular, por onde passou uma funcionária que não passava recibos, levava o preço que queria por procedimentos consulares básicos, abria e fechava as instalações quando queria e fazia-se passar por cônsul nos mais diversos contextos. Ganharia mais do que um Embaixador, já que recebia ordenado e ajudas de custo internacionais diárias.
Para alívio da comunidade açoriana local, finalmente, esta funcionária reformou-se. Foi substituída por uma outra, da área de Nova Iorque, que ficou por pouco tempo, uma vez que foi substituída por Catarina Velosa, administrativa do Consulado Geral de Inglaterra. Que também se fazia passar por cônsul. As notícias que nos chegam da Bermuda é que abria e fechava o escritório quando queria, sempre a queixar-se que não ganhava o suficiente para se manter na Bermuda. A comunidade soube mais tarde “fazia férias pelo mundo fora e era filha de um político português”.
Em Fevereiro passado, Catarina Velosa teve um acidente grave com uma mota que acabara de comprar. No momento do acidente não teria seguro e os testes terão mostrado que tinha acabado de consumir bebidas alcoólicas. Desde Fevereiro que andou em tratamentos e acabou por regressar a Portugal.
Portanto, desde Fevereiro (há praticamente três meses) que a situação é bastante complicada para a comunidade portuguesa, onde existem muitos açorianos.
Em Março, a Secretaria de Estado das Comunidades enviou outro funcionário para o serviço consular, Luís de Matos, para dar encaminhamento aos assuntos pendentes e resolver situações de maior urgência.
No dia 6 de Maio, Luís Matos deixou as instalações consulares sem ter avisado ninguém. Só na noite anterior avisou a presidente do Clube Vasco da Gama que iria embora no dia seguinte e deixou-lhe as chaves das instalações onde ficaram passaportes e quatro dezenas de bilhetes de identidade por entregar.
Por tudo isso, há uma profunda insatisfação na comunidade portuguesa na Bermuda, expressa na comunicação social local.
A comunidade considera “urgente” um Cônsul para a Bermuda. Ou um Cônsul honorário escolhido dentro da própria comunidade.
Todos comungámos da opinião de uma região daquelas com tantos emigrantes não pode estar à mercê de funcionários de baixa categoria que só têm feito disparates na Bermuda.
Por que estão a demorar tanto?
P.S. – Mais 267 trabalhadores foram para o desemprego em Abril nos Açores. São, em média, nove desempregados por dia no desemprego. Cresce a dependência de subsídio de desemprego e de programas sociais. O drama continua a agravar-se.