Quem não Arrisca... não petisca
- Categoria: Opinião
- Criado em 25-05-2013
- Escrito por João Aguiar
A D. Benta ficou para Deus lhe levar com a novela criada à volta da mudança da sede de uma instituição particular de solidariedade social, do centro para o centro da cidade. Certamente existem diferenças entre a Rua dos Capas e a Rua do Aljube. A primeira é uma rua residencial e está mais escondida dos olhares do povo. A segunda, está rodeada de comércio e é zona de passagem obrigatória para turistas e para os poucos cidadãos que, tal como a velhinha da Calheta, ainda vão de vez em quando fazer compras no comércio tradicional.
Não queremos entrar em miudezas que levariam todo o espaço e o tempo de que dispomos, a favor de uma melhor localização, mais recatada e protetora dos utentes/doentes assistidos pela ARRISCA.
Para dar melhores condições de funcionamento à instituição, maior proteção à identidade dos utilizadores e sensação de segurança ao comércio e frequentadores do centro histórico, foi sugerido a instalação da sede da associação nuns terrenos na periferia da cidade, propriedade dos Bombeiros de Ponta Delgada. Pelo que a nossa amiga leu nesse nosso jornal, o promotor da ideia, José Contente, pôs a ARRISCA a falar com os Bombeiros e houve um acordo entre a Dra. Suzete Frias, o Professor Vasco Garcia e, segundo o declarado pelo último, José Manuel Bolieiro, na qualidade de Presidente da Câmara “mostrou-se disponível para ajudar no projeto”. Ótimo! Ambas as associações e ambos os candidatos à Câmara estavam em sintonia. Melhor ainda!
Foi aí que começaram uns zum-zuns e surgiram algumas opiniões contrárias, mais ou menos inflamadas. A escola das Laranjeiras e a Junta de Freguesia de S. Pedro vieram abominar a ideia pela proximidade à escola e pelos perigos que a instalação, na rua de S. Gonçalo, traria aos jovens do estabelecimento de ensino e da freguesia.
Como mulher da Calheta, compreendo, em parte, a legítima preocupação da Escola e da Junta. O que estranho é que, há meses, esteja a ser distribuída metadona nas imediações e, nem o conselho diretivo nem a autarquia deram por isso! Será que estavam distraídos e agora alguém os “alembrou”? Realmente é estranho, mas é também um bom sinal! Afinal, o tratamento ambulatório de doentes, não significa obrigatoriamente insegurança, mal-estar e influência negativa para os nossos jovens e para a população em geral.
Não queiramos tapar o sol com a peneira! A droga existe! A droga circula à porta das escolas e os nossos jovens e menos jovens são vítimas desse flagelo transversal a toda a sociedade.
Mais do que pelejar por ser mais aqui ou mais ali, temos é de dar as mãos na busca de soluções para um problema que já atingiu grande parte das famílias, quer sejam habitantes de bairros sociais quer residam nos melhores e luxuosos condomínios fechados!
Nesse momento, para a velhinha da Calheta, é nossa obrigação evidenciar, elogiar e incentivar a meritória ação da ARRISCA! Essa associação que lida não apenas com “drogados”, tem desempenhado um papel da maior importância em diversas valências do apoio social, entre as quais, a mais mediatizada, é a do tratamento dos doentes atingidos pelas toxidependências, no qual se inclui a distribuição de metadona.
Estamos a falar num universo de cerca de 1350 utentes, de 42 funcionários e diversas valências que vão da carpintaria a quintas de jardinagem e a casas de transição fisicamente colocadas em Ponta Delgada, Lagoa e Livramento, para além do serviço móvel. A D. Benta não entende a teimosia de alguns ao querer enfiar a ARRISCA dentro de outra instituição, no caso, a Casa de Saúde de S. Miguel de onde, por razões que a nossa amiga desconhece, foi retirada a distribuição de metadona…
A ARRISCA e outras meritórias associações, entre as quais nos permitimos destacar a ALTERNATIVA, devem merecer de todos nós a maior consideração, estima e respeito. É nosso dever manifestar-lhes o nosso incondicional apoio pela magnífica obra que têm vindo a realizar junto das populações mais fragilizadas, oriundas de manjedouras de palha ou de berços de oiro e que constituem os grupos mais vulneráveis da nossa sociedade!
Para terminar, tudo isto me faz lembrar a história de um filantropo cidadão que intercedeu por uma família que vivia numa barraca sobrelotada, em péssimas condições de segurança, conforto e higiene. Por ser uma situação de enorme gravidade, foi disponibilizada uma moradia em boas condições e adequada ao agregado. Dias depois, o mesmo senhor veio “exigir” que retirassem a família da sua vizinhança, nem que fosse para o meio do mato, pois ouviam rádio até à meia-noite!...
Resolvam os problemas, sim… mas, o quanto mais longe da minha porta, melhor!
Oh santa hipocrisia!
P.S. - João Ponte, presidente da Câmara da Lagoa, marca pontos mais uma vez ao disponibilizar-se para receber a ARRISCA no seu concelho. Se assim for… a história repete-se: - perde Ponta Delgada a favor da Lagoa.
P.S. – Os mesmos de sempre, muito têm falado mal dos portos dos Açores mas, afinal, quatro deles estão no mapa da rede europeia de portos! E essa, hein?