Onde está a solidariedade europeia?

Vítor Gaspar, o Ministro das Finanças veio anunciar que o país dá um novo passo, entrando numa nova fase, caracterizada pela diminuição das restrições financeiras e pelo relançamento do investimento. Se assim for, seria uma ótima notícia, dado que até agora os aumentos de impostos constituem o pão nosso de cada dia.
Há poucos dias, ele mostrou em Bruxelas uma outra faceta sua, até agora desconhecida, ao declarar que estava preocupado com as políticas de disciplina orçamental, em vez de manter a habitual postura do aluno bem-comportado da Troika, tudo levando a crer que começa a ficar sensibilizado para os problemas reais das pessoas, que não são apenas números.
Apesar de Vítor Gaspar estar satisfeito com a operação de emissão de dívida portuguesa, realizada, ele admitiu que o desemprego é realmente um problema irresolúvel, a não ser que se avance com um programa de políticas ativas de emprego. Ora aí está o busílis da questão, pois o programa de austeridade que ele quer levar a cabo a todo o custo não é solução para que o nosso país levante a cabeça e acabe por morrer da cura imposta pelos países do centro da Europa.
O governante declarou que, ao fim de dois anos de ajustamento, a economia está com bases estruturais mais sólidas, um sistema financeiro mais estável e as finanças públicas mais equilibradas. Os resultados obtidos são convincentes. Portugal está em condições de sair de forma sustentada do programa de ajustamento em Junho de 2014, reafirmando novamente que o Portugal está preparado para dar início a esta terceira fase de investimento. Oxalá assim fosse.
Vítor Gaspar está a ser pressionado pelos membros do governo e mesmo pelos deputados da maioria parlamentar e o clima de crispação no seio da maioria é grande, ao ponto de Miguel Frasquilho, deputado do PSD, vir defender que a pesadíssima carga fiscal sobre as famílias e empresas dever ser aliviada, pedindo mais sensibilidade ao Governo para com alguns sectores da sociedade, que estão em situações verdadeiramente dolorosas e isso devia ser tido em consideração, receando, ao mesmo tempo, que as medidas de austeridade estejam a ser verdadeiramente desastrosas para algumas pessoas.
Como se sabe e acordo com os dados agora divulgados pelo INE, o desemprego sobe e afeta já mais de 20 mil açorianos e 950 mil portugueses. Trata-se de um número record que nos leva a temer o pior, dado que a taxa de desemprego subiu em Portugal para os 17,7% no primeiro trimestre.
Por outro lado, a taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a agravar-se e estar a tornar-se numa tragédia, pois chegou no primeiro trimestre aos 42,1%, afetando 165,9 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos, em que no primeiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 36,2% e no quarto trimestre era de 40%.
A sensação que temos é que o velho Continente está a regredir e a vir para trás a olhos vistos, não sendo capaz de lidar com os problemas concretos e reais das pessoas, designadamente com o desemprego que está a atingir números assustadores. Onde está a solidariedade europeia?