É preciso ter lata
- Categoria: Opinião
- Criado em 28-05-2013
- Escrito por Valdemar Oliveira
Já não sei o que hei-de pensar deste governo e deste Primeiro-ministro. Mas aquilo que sei, e tenho a certeza, é que os políticos portugueses, sob a sua incompetência e falta de tino, levaram o país a uma situação em que todos temem o futuro, todos perderam a confiança, ninguém acredita nas instituições e nos seus líderes, todos se lamentam por cá viverem, parecendo que apenas a classe política vive com um sorriso nos lábios.
Desde há muitos anos a esta parte, que os sucessivos governos deste país têm lapidado a nossa economia, empobrecendo escandalosamente os cofres do Estado e os bolsos dos seus contribuintes. E se há uns poucos que nada os afecta, pela riqueza que possuem, a esmagadora maioria da nossa gente aperta cada vez mais o cinto, entrando numa situação de pobreza que jamais pensariam vir a ter: isso porque os governantes perderam o norte e o Estado, por via disso, tornou-se numa máquina louca em que a Constituição deixou de ser respeitada, os compromissos do Estado para com os seus cidadãos foram escandalosamente esquecidos, a usurpação aos bolsos dos portugueses com toda a espécie de impostos e de valores, alguns deles inconstitucionais, assumiu proporções absolutamente erradas e descabidas, enfim, o Estado assumiu-se como um papão, sem respeito pelos seus cidadãos, enveredando por políticas que só a cegueira da sua ignorância consente.
Na minha análise temos que esquecer o passado, aquilo que se fez na distância e abordar e viver o presente. Herdámos o passado recente que herdámos e quando Passos Coelho assumiu os destinos da Nação, ele sabia, perfeitamente, da situação em que Portugal se encontrava financeiramente, e deveria saber aquilo que tinha que fazer para nos libertar do espartilho em que o país estava mergulhado: mas falhou, em tudo, redondamente.
Posto isso, analisando o presente, tenho que assumir que Passos Coelho e o seu elenco, passado todo este tempo desde que foi eleito, falharam redondamente em todas as áreas. Tendo que chamar os bois pelo seu nome, não poderia deixar de reconhecer a incompetência deste Primeiro-ministro; a forma constante e viciosa como muda páginas e páginas da sua governação perante os sucessivos falhanços em que vai amiúdo caindo; a sua forma ridícula de continuamente justificar fracassos pela posição que, conscientemente, herdou de Sócrates, abordando as coisas com o bolor das suas desculpas, inventadas para justificar os seus taxativos insucessos por nunca ter encontrado saídas, soluções ou remédios para o estado caótico em que financeiramente nos encontramos.
Passos Coelho é por tudo isso, quanto a mim, o símbolo vivo da incompetência, o motor do desnorte, o maior pregoeiro de promessas, o míope que não encontra nem vê o que de mal tem feito na sua condução política sem sentido, criando paulatinamente mais e mais desemprego, impondo mais e mais pobreza aos portugueses, errando em tudo aquilo que faz, escudado na seriedade com que Portugal tem que pagar as suas dívidas à Troika, como se não houvessem contornos leais e sérios para se poder pagar essas mesmas dívidas com base na criação de políticas que permitissem estrangular o desemprego, incentivar-se e ajudar o empreendorismo, oferecer aos portugueses a esperança de melhores dias com a verdade e não com contínuas mentiras para justificarem os seus sucessivos erros.
Mas aquilo que mais me irrita neste Primeiro-ministro é a sua declarada apetência de assaltar e reduzir as pensões dos aposentados da função pública, numa demonstração escandalosa do seu descaramento em não reconhecer que a fazê-lo comete um erro tremendo. Esquece-se o senhor Primeiro-ministro que os reformados da função pública, até à sua idade da reforma, descontaram, religiosamente, todos os meses, por obrigação estatal, os valores que foram, pelos tempos fora, entregues ao Estado, para que lhes fossem devolvidos desde que se reformassem até à sua morte. Ora se esse dinheiro lhes foi descontado para a sua aposentação, competiria ao Estado ser o fiel depositário desses valores para lhes serem devolvidos. Só que isso, ao que se consta, não foi feito, tendo os políticos, abusivamente, gasto esses valores. Por isso os reformados não tendo culpa, absolutamente nenhuma, desses abusos, aquilo que querem e reclamam, é precisamente a devolução daquilo que lhes foi subtraído, enquanto trabalharam, para esse efeito. O Estado, não cumprindo com os seus compromissos assumidos com os seus funcionários, desvia-se do seu símbolo da honestidade para se tornar numa espécie de vigarista que usou fraudulentamente o dinheiro das reformas para outros fins que não aqueles para os quais estavam destinados.
Com as manigâncias actuais de descontos que não se previam; com a falta de pagamentos de subsídios os quais os aposentados contavam receber, o Estado criou-lhes um aperto económico ilegal porque aqueles valores eram e são seus. Também por isso, nem se admite os cortes das pensões que se ameaçam fazer pois aquele dinheiro não é dado mas reposto pelo pecúlio que cada funcionário público criou no Estado para que lhe fosse após a sua reforma devolvido. Assim o aposentado não pode, depois de uma vida de trabalho, se ver roubado daquilo que por direito lhe pertence, sendo alheio ao estado social vigente por culpa e incompetência do Governo.
Além disso, Passos Coelho ou odeia os reformados, ou então não foi capaz, ainda, de ver que o seu roubo aos mesmos, lhes amputa o importante papel social que, por força de várias circunstâncias, hoje desempenham, pois são eles, na maioria dos casos, ainda, o suporte dos seus filhos no encaminhamento dos seus estudos ou, ainda, na implantação na sua vida laboral e familiar.