Fez-se justa Homenagem a João Rainha
- Categoria: Opinião
- Criado em 29-05-2013
- Escrito por Armando Rodrigues
A Irmandade do Império dos Inocentes da Ribeira das Taínhas concretizou, por sugestão do povo daquela localidade, interpretada num gesto público por intermédio de um “Testemunho Sugestão” publicado por Santos Narciso (outro filho querido daquela freguesia), no jornal «A Crença» de 30 de Novembro de 2012, uma justa Homenagem a João Amaro Pacheco rainha, falecido a 23 de Outubro daquele ano.
Por coincidência ou por Obra e Graça do Divino Espírito Santo, o evento realizou-se a 23 de maio de 2013, precisamente sete meses após o seu falecimento. Sete (7), o número mágico, carregado de simbolismo mitológico e também religioso. São sete as Obras da Santissima Trindade.
E assim, após procissão da mudança da Coroa para o Triatro, Benção da carne, do pão e da massa, em cerimónia confiada ao Ouvidor da paróquia, o Pde Cassiano, foi interpretado pelo Grupo de Foliões de S. Pedro acompanhado por todos os presentes, o Hino em Louvor ao Divino Espírito Santo. De seguida, por um dos mordomos da festa, foram todos convidados a subir ao salão onde se viria a verificar o cerimonial da homenagem.
Na presença da sua viúva, Laurinda dos Santos Ferreira, sua companheira de sempre nos labores da vida e das festas, na presença de seus filhos (seus braços direitos), colegas da Irmandade, amigos e das muitas dezenas de conterrâneos, José Manuel Santos Narciso foi o responsável por testemunhar em vida o retrato sintetizado da vida e de uma grande obra deixada pelo agora homenageado em prol da sua querida freguesia. A Freguesia que João Rainha defendia a todo o custo sem requerer em troca qualquer reconhecimento.
A sua seriedade traduzia-se no tirar do seu bolso para, muitas vezes, colmatar em silêncio, as falhas de compromisso para quem as tinha para com a Irmandade.
A par de outros colegas (alguns já falecidos e lembro-me por exemplo do sr. Vitorino, outro grande homem da nossa terra), João Rainha foi dos grandes impulsionadores de grandes obras realizadas ao longo de 50 anos na sua e nossa freguesia e de mais de três décadas na realização das festas do Império dos Inocentes da Ribeira das Tainhas do qual foi co-fundador, “quando em 1978, foi restaurado o Império e, desde a primeira hora, foi dos principais impulsionadores tornando-se, de forma natural, um símbolo das mesmas, agregando à sua volta, a sua família e a comunidade” (Santos Narciso in «A Crença», idem.)
Tive a honra e grato prazer de o conhecer há quatro anos por intermédio e aproximação consentida pela amizade que nos une á sua família (filhos) e, a convite dos mesmos, eu e minha esposa passamos a colaborar como voluntários naquelas festas. Neste curto período percebi e auscultei testemunhos firmes direccionados a um homem íntegro, organizado, sensato nas suas decisões, que assentavam numa profunda experiência de vida e que, entre outras qualidades, contribuíram para «construir» uma das figuras marcantes na sua freguesia nas últimas décadas do século XX e primeira do século XXI, merecendo, por isso, que o seu nome ficasse gravado numa placa agora exposta no salão de convívio, uma das estruturas realizadas por sua diligência e com o apoio dos seus colaboradores e cidadãos da Ribeira das Tainhas e não só.
Foi assim concretizado o sentimento de um povo. Pelo reconhecimento da Irmandade e deste mesmo povo que lembrou o Homem que “partiu apenas para outra dimensão e que, não se tendo afastado de nós, está dentro dos nossos corações e, por isso, está mais perto de nós […] Normalmente não é fácil reconhecer os méritos daqueles que sem grande ruído ajudam a nossa terra a ir para diante. Agora resta a memória, mas acima de tudo está a presença.” (idem).
No silêncio da sua alma, cantemos agora alegremente em sua memória, o Hino em Louvor ao Divino Espírito Santo!