Cada tempo tem a sua realidade
- Categoria: Opinião
- Criado em 29-05-2013
- Escrito por Gustavo Moura
A morte de alguém lembra-nos, sempre, como é efémera a passagem por esta vida terrena. E quando se trata da partida de quem somos amigos, mesmo distantes e de ocasionais contactos, de alguém que apreciamos e nos ajudou com a sua escrita e reflexões a compreender a nossa terra e suas gentes, a admiração aumenta a mágoa.
É este misto de sentimentos, comovidamente vividos, que registamos a morte de Daniel de Sá, que conhecemos há muitos anos, desde os tempos da sua vivência mística, no início de uma carreira literária que o colocaria no primeiro plano da cultura portuguesa.
Outros, mais competentes e melhor conhecedores do Daniel de Sá do que eu, escreverão sobre a sua obra e o seu caminhar. Eu fico-me por este pequeno, ligeiro, mas muito sentido, registo.
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Já aqui referimos uma frase de Winston Churchill, “quem quiser julgar o passado perderá o futuro” que nos volta à ideia ao ler alguns plumitivos da nossa praça conduzidos por uma partidarite aguda que pensam poder subvalorizar o presente sobrevalorizando o passado. Esquecem que as circunstâncias são diferentes como diferentes são as exigências de cada tempo.
O importante, e é isto que importa, é procurar cumprir, corresponder às necessidades do momento, agir dentro do que as circunstâncias permitem e ter uma visão do futuro, num diálogo permanente e descomprometido com a sociedade, para melhor a servir.
As comparações são, sempre, injustas. Porque cada época tem condicionalismos próprios e oportunidades irrepetíveis. Que podem, e devem, ser melhoradas mas nunca copiadas a papel químico.
Julgar o passado dando-lhe a exclusividade do que foi bem feito para denegrir o presente é pura perca de tempo e testemunho de déficit democrático. Devemos inspirar-nos no passado, mas para sugerir alternativas, concretas e exequíveis, ao que considerarmos que no presente poderia ter sido feito de outra forma.
Isso requer independência de espírito, capacidade de pensar acima das conveniências partidárias do momento, o que em tempos eleitorais como os que agora atravessamos não está ao alcance de alguns, a avaliar pelas suas intervenções públicas.
Marcelo Caetano, citado por Manuel Goucha Soares no seu livro sobre o antigo Presidente do Conselho, dizia que quem se agarra ao passado, porque tem sobretudo passado, estamos a citar de memória, perde a capacidade de viver, porque terá afirmado o último Presidente do Conselho do Estado Novo, “viver é ter horizontes à frente, um futuro para o qual lançar projectos.”
Não se convence o eleitorado propondo a reedição do passado, mas, sim, lançando novos desafios, com novas propostas e soluções inovadoras.
Terminamos como começamos, citando Winston Churchill, “quem quiser julgar o passado perderá o futuro”.
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Muitas vezes temos realçado nesta coluna semanal o valor da nossa gente e as enormes potencialidades da juventude açoriana. Conhecemos, agora, um novo testemunho desse valor e dessas potencialidades. Apesar da singeleza dos primeiros passos, o projecto de dois jovens concebendo, construindo e pondo a voar um pequeno veículo não tripulado prova a capacidade de iniciativa e de trabalho, de inovação e de estudo, de atenção ao que vai pelo mundo. Os jovens Elizabete Pacheco e Rui Costa, uma gestora financeira e um engenheiro aeronáutico, cujo trabalho foi recentemente divulgado por um matutino local, merecem ser acarinhados e o seu espírito de empreendedorismo apoiado. E o Governo dos Açores tem os meios para o fazer. Um dos factores para o sucesso do trabalho dos dois jovens, por eles mesmo reconhecido, é a existência do Parque Tecnológico Nonagon cuja construção é contestada por quem o faz movido por curteza de mentalidade ou, o que é bem pior, por conveniência partidária. Retomando Marcelo Caetano que acima citamos, “viver é ter horizontes à frente, um futuro para o qual lançar projectos.”
Os jovens Elizabete Pacheco e Rui Costa e o seu pequeno “UAV “, a sigla inglesa de veículo não tripulado, são eloquentes testemunhos dessa verdade.