Daniel de Sá e a ilha de Santa Maria
- Categoria: Opinião
- Criado em 29-05-2013
- Escrito por Gualter Furtado
O Dr. Gualter Furtado, nas suas trocas de mails com o escritor Daniel de Sá, seu amigo de longa data, um dos quais sobre uma nota de um balancete da última época venatória, tendo o ilustre escritor micaelense, contado as suas venturas de caça na ilha do sol nascente, na qual passou parte da sua infância.
“Meu Caro Amigo, lá por eu preterir outras “caçarias”, não quer dizer que não me agradem estas, servidas assim num texto interessante e informativo, ou o seu resultado, num arroz de pomba que é sempre uma delícia, mesmo se feito por mim. Só cacei umas quantas vezes com espingarda de ar comprimido, e o último tiro que dei foi de mestre - a grande distância, tendo de compensar muito a pontaria porque a espingarda tinha um desvio de cerca de meio centímetro por metro em relação à mira. Foi um melro negro, que, devido à distância referida não morreu imediatamente, pelo que tive de acabar de o matar. Fiquei com pena do bicho e nunca mais cacei... Mas continuo a gostar de caça. A ilha de Santa Maria do meu tempo é que era um paraíso, sobretudo de coelhos e codornizes. Estas levantavam com muita frequência à minha frente, e não me lembro de ter visto um único ninho em mais de oito anos em Santana! (Bem, talvez tenha dado com um ou dois.) Quanto aos coelhos, tinham de convidar de vez em quando os caçadores a irem matá-los para as hortas do Aeroporto (não particulares). Eram centos deles. O meu padrinho de Crisma, Dédalo Leitão, era um bom caçador. (Lembro-me bem da sua cadela Mesquita, alimentada a sopas de leite, o que para mim era um espanto.) Num dia em que a mulher não estava em casa por ter ido fazer uma pequena operação cirúrgica, íbi ele que preparou o pequeno-almoço para os filhos. E que é que havia de ser?... Coelho guisado! Disse-lhes: “Vocês podem ter a certeza de que ninguém está comendo coelho a esta hora.” Um abraço. Daniel.”