Honrar os autonomistas
- Categoria: Opinião
- Criado em 13-08-2018
- Escrito por Carlos Rezendes Cabral
No gaveto do Largo Mártires da Pátria com a Travessa do Desterro, e em terreno do jardim do Palácio da Conceição, está uma placa de identificação da obra de remodelação daquele palácio onde é informado o valor da dita, explicitando o prazo de execução da mesma, que, se não me falha a memória, deveria ser cerca de 365 dias, ou seja, um ano. Em boa verdade, aquele prazo já foi excedido largamente. Confesso que já perdi a noção de há quantos anos se iniciou aquela obra.
Julgo até que o actual Presidente do Partido Socialista Português e líder parlamentar daquele partido na Assembleia da República, senhor Carlos Manuel Martins do Vale César, ainda era Presidente do Governo Regional dos Açôres. Julgo também que, foi naquela altura, que aquele palácio passou a designar-se de Casa da Autonomia, onde “habita” (?) a galeria dos maiores vultos da luta autonómica de 1895, e não só.
Atendendo a que lá irá ser instalado o museu da Autonomia foi também, naquela altura, nomeada para curadora do museu a Dr.ª Luísa César que, por sinal, até é esposa de Carlos César.
Há quantos anos que já foi isto, meu Deus!
Aquele vetusto palácio já albergou vários serviços públicos, nomeadamente, a antiga residência e serviços de apoio aos Governadores Civis do Distrito Autónoma de Ponta Delgada, em cujo rés-do-chão esteve aquartelada a Polícia de Segurança Pública desta cidade, bem como, os serviços administrativos da Junta Geral. Logo após o 6 de Junho de 1975, passou a ser a sede da Junta Governativa dos Açores, até à tomada de posse do primeiro Governo Regional dos Açores, que ali instalou a sua Presidência e serviços de apoio, em Outubro de 1976, salvo erro.
Para além da Presidência do Governo Regional, também ali havia instalações para o Ministro da República quando a esta ilha se deslocava e ainda a Secretaria Regional de Finanças, Contabilidade Pública, Direcção Regional do Tesouro e, porventura, outros serviços que não me vêm à memória neste momento.
Com a “oferta” à Região por parte da Família Jácome Correia do Palácio de Santana e jardins anexos - o preço pago pela Região àquela Família foi irrisório tendo em conta o valor patrimonial do imóvel – tanto a Presidência do Governo como os seus diversos serviços foram sendo transferidos do Palácio da Conceição para o de Santana.
Com a decisão de César em transformar o Palácio da Conceição em Casa da Autonomia fez com que saíssem os serviços ainda lá instalados para começar as obras, que ainda perduram. Cabe aqui perguntar:- estarão, porventura, à espera do regresso a esta terra de Carlos César e Excelentíssima Esposa, após cumprimento da missão (em curso) por parte deste nosso ilustre conterrâneo?
Bom. Uma vez que estão em obras (de Santa Engrácia?) e atendendo a que aquele palácio será a Casa da Autonomia, os 4 nichos existentes no seu frontispício - 2 no bloco leste e 2 no bloco oeste - deveriam ser ocupados por estátuas de quatro autonomistas da primeira campanha autonómica.
Alem disto, no espaço compreendido entre os dois blocos que acabei de referir, dever-se-ia erigir um pedestal com estátua - de corpo inteiro - do primeiro Presidente da Região Autónoma dos Açores – Doutor João Bosco Mota Amaral.
Pese embora o facto de não ser autonomista, mas sim independentista convicto, não me repugna sugerir esta solução para homenagear e honrar quem, por obras valorosas se foi da lei da morte libertando, como diria o pai da língua portuguesa, Luís Vaz de Camões.
Poder-se-á argumentar que o Doutor Mota Amaral já tem uma avenida com o seu nome. É verdade, sim senhor! Porém, em minha opinião, o espaço que sugeri no Palácio da Conceição está mais de acordo com a função que ele exerceu durante quase vinte anos como Presidente do Governo Regional, fazendo, do quase nada existente, uma Região com portos aeroportos, escolas, estradas, e muito mais obras. Isto para além da constante luta travada com Lisboa para que fossem reconhecidos os poderes autonómicos inscritos na Constituição da República Portuguesa.
Penso que esta sugestão não sairá muito cara ao Governo Regional e pode ser executada com a “prata da casa”. Se quiserem nomes, eu digo.
Honrar os nossos maiores é um dever de todos nós.
Honrar, em vida, quem se distinguiu no exercício das suas funções é, a meu ver, uma obrigação.
P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
12 AGO2018