May day: M’aider

Tendo em conta que, no vocabulário português, o som “may day” ou “m’aider” se aproxima facilmente de “meu Deus!”, é caso para o invocarmos no desejo de salvação das nossas companhias aéreas.

 

Depois da II Guerra Mundial, a aviação internacional teve um desenvolvimento espetacular e a constituição da ICAO (Organização Internacional da Aviação Civil) foi um dos principais fatores para a consolidação de regras para a segurança operacional.
Ainda não era tão óbvia a escolha do inglês como língua universal para o transporte aéreo, a França também fazia parte dos vencedores da guerra, tinha os seus pergaminhos de império colonial, e a aviação tinha crescido com grande influência dos Blériot, Breguet, Caudron, Farman…
Alguns estudiosos identificaram um percurso curioso na evolução da terminologia para as comunicações de emergência na condução das aeronaves. Já existia a sigla gráfica S.O.S., como tradução do sinal sonoro via rádio para pedido internacional de socorro, quando a ICAO decidiu adotar, para sinal de socorro na aviação civil, a expressão “mayday”, dita três vezes seguidas. Este sinal, parecendo sonoramente inglês, teria, no entanto, tido origem no vocábulo francês “m’aider”, o que seria uma prova da importância das tecnologias gaulesas e do uso da respetiva terminologia na aviação.
A SATA e a TAP nasceram logo a seguir à II Guerra Mundial e ainda hoje vivem recorrentemente em grande turbulência de gestão. A complexidade do negócio e a globalização da concorrência tornam dura a luta pela simples sobrevivência!
Tendo em conta que, no vocabulário português, o som “may day” ou “m’aider”se aproxima facilmente de “meu Deus!”, é caso para o invocarmos no desejo de salvação das nossas companhias aéreas.
Se não se levar a sério esta missão de salvamento, restará um S.O.S., tradução do “Save Our Souls” da religiosidade ocidental. Ou, o termo aeronáutico de meados do século passado, quando se utilizava “pan-pan”, com origem no termo francês “panne”, em situação de iminente desastre.
Ao serem avaliados os resultados das acrobacias financeiras necessárias para manter as nossas companhias aéreas em velocidade de cruzeiro, tenhamos a compreensão de considerar que o transporte aéreo se tornou um bem essencial, particularmente para a nossa condição de ilhéus. E olhemos com mais admiração para os decisores públicos, investidores e trabalhadores, que se mantêm determinados na crença de lutar pela sobrevivência das nossas empresas voadoras.