Festivais de Verão

Os festivais de música que acontecem nos Açores são como as “moscas de verão”, ou seja estão por toda a parte, até nos mais recônditos lugares, levando os jovens aos magotes de ilha em ilha,   ávidos para participarem nas festas mais envolventes e aguardadas pela juventude açoriana.
Promovem-se festivais em tudo o que é vila ou cidade e mesmo em algumas das nossas pequenas e pacatas freguesias montam-se os palcos para a cantoria, com mais ou menos profissionalismo na sua organização, todos eles com sucesso garantido, pois a receita é fácil: música altíssima e uma tasquinha.
O sucesso destes festivais de verão passa também pela importação de artistas de fora das ilhas, com nomes arrevesados quanto baste, e quanto mais classificados estiverem no “top ten nacional”, mais importância emprestam ao evento e mais jovens arrebanham, fazendo com que o frenesim reine   até às tantas.
Estes são os meses do apogeu da sociedade do divertimento e do prazer nestas ilhas de bruma e de verde esfusiante. Dá-se música, muita música e outras manifestações pseudo-culturais, com laivos de solidariedade pelo meio e o povo lá se vai divertindo noite dentro.
É certo que as festas são importantes porque estas sempre foram tão indispensáveis para a vida de cada um de nós, como o betão ou a ação social. No entanto, festas e mais festas parece um pouco exagerado, para não dizer desnecessário, mesmo que o povo adira e goste de festanças para conviver e esquecer as agruras do dia a dia.
Impressiona constatar como é possível que, mesmo nas mais pobres localidades, se mandam vir várias bandas, para animar a festa, num autêntico devaneio. Noutros tempos, o povo divertia-se à sua maneira e não se era menos feliz por isso. Por outro lado, não se registava sobreposição de festas nos arredores mais próximos, pois havia uma preocupação em se programar as festividades, de modo a acabarem na precisa altura em que noutra zona da ilha iniciava as suas.
As festas em si são boas, apenas questiono muitas festas ao mesmo tempo, até porque é também uma forma de animação turística, porque são inúmeros os forasteiros que também assistem entusiasmados aos concertos que aqui se realizam e que também eles não arredem pé até aos aplausos finais.
O certo é que estamos a ser massificados pelo turismo, pelo que se devem articular os festivais, para que constituam uma mais valia para a animação turística, dado que viajar para os Açores é agora muito mais fácil e barato, devido à liberalização do espaço aéreo no arquipélago, que permitiu às companhias lowcost começarem a fazer ligações entre Portugal Continental e os Açores, nada como promover o nosso destino aproveitar as suas férias para desfrutar de um dos muitos festivais de verão nestas ilhas.
Assim, se poderá enriquecer e vender este destino turístico com mais esta vertente de animação, garantindo cartazes apelativos, em que os turistas possam conciliar os momentos de diversão, como é apanágio de um festival, com o turismo de aventura na descoberta das belezas naturais das nossas ilhas, necessitando, no entanto, estes eventos de serem devidamente divulgados e promovidos, de forma concertada não apenas pelas organizações, como também pelos serviços oficiais de promoção turística.
Por tudo isto, há que haver peso, conta e medida, na promoção de festivais para que não se descuide de dar prioridade à dinamização em investimentos produtivos e a avaliação da importância de uma festa não deveria ser feita pelo ruído mais alto, mesmo que os organizadores considerem que há um retorno económico muito expressivo com os festivais, coisa que nunca vi ainda confirmada pelas estatísticas.