Quando os governos se tornam inacessíveis ao brador dos povos e corruptos no seu “governar”...

Realmente ninguém nasce com a ética incorporada em si, pelo que a ética se adquire e aprimora-se. Assim, a percepção de condutas socialmente acolhidas, dimanam da dinâmica dos exemplos. Baseamo-nos nas condutas alheias, geralmente nas pessoas a que temos como superiores a nós, inclusive os governos, seja por mera visualização da realização de uma conduta, seja pelo repassar dela, tendo como exemplo, pais e filhos, onde o pai repassa ao filho o que ele “deve” fazer por meio das suas atitudes, tidas como exemplos para o filho. Entre o “falar” e o “ser”, o filho terá como exemplo o “ser” do pai; portanto, se o pai falar ao filho para não beber, mas chegar bêbado a casa, esta última atitude será o exemplo a ser seguido. E assim por diante! Por conseguinte, a falta de ética não começa no campo da política, mas no campo pessoal. Por mais que o topo da falta de ética esteja acondicionado na conjuntura política, a base que institui a corrupção é a falta de ética no dia a dia, ou seja, no seio da família e da sociedade na qual interagimos diariamente, por meio das diversas relações que constituímos entre os nossos pares. Portanto, a meu ver, enxergar os escândalos políticos, impostos através de grande repercussão pelos meios de comunicação social e não olhar para as nossas próprias atitudes, é alimentar o próprio ego com vontades e impulsos de acordo com aquilo que nos faz bem, mesmo que esse “bem” seja o prejuízo de uma outra pessoa!
Chamo a atenção para todos aqueles da minha geração que tiveram a oportunidade de ler como eu Dostoievski às escondidas, lembro que o escritor em questão conduz-nos a uma reflexão, perturbadoramente actual. Pois bem, lembrando Rodion no romance de Dostoievski, e ao cometer os crimes fá-lo dentro do auto-entendimento de um ser diferente, especial e, consequentemente, tudo podia. Era o entendimento de Dostoievski como os seres humanos auto classificam-se: eu mando e o outro obedece; eu exporto a verdade e o outro a recebe como definitiva. Em abono da verdade, a trama policial do romance acima descrito “Crime e Castigo” dá lugar a conceitos que mexem com as nossas cabeças e, por conseguinte, também com as formas como encaramos regras e conceitos. Na altura, quando li esse livro senti-me meio perdido. Mas, com o tempo parece que os conceitos vão refazendo-se. Encontrei no personagem de Dostoievski, isto é, Rodion, a arrogância de quase todos os dirigentes actuais. E, além do Governo da República, assumo que o Governo Regional não escapa ileso. De acordo com o que se pode verificar, o governo socialista dos Açores tem a postura arrogante e autista de TUDO SABER e TUDO PODER. Tal como no universo citado de Dostoievski, e segundo o GR a administração do Arquipélago somos nós e os açorianos estão domados para obedecer, por que somos o PODER do BEM. E quem não está do nosso lado é PERVERSO. É esta a arrogância – inimiga da democracia – que faz com que a política seja um “folgazão parque de negativas e esconsas diversões”, infelizmente!
Entretanto, persiste o secretismo sobre o gravíssimo problema da Ilha Terceira, relativo à Base das Lajes e, mormente, à contaminação dos solos, sobre o qual nada se sabe de concreto. De igual forma, temos os problemas internos e económicos da SATA que, sobre os quais, apenas se entreveem trocas e baldrocas dessa administração que há muito está “sem rei nem roque”. É também, a demanda sobre o processo negocial com os trabalhados da RIAC, tendo em conta a existência de equipamentos avariados em vários locais da região. Para além disso, temos o autismo do governo regional sobre o eventual uso indevido por parte de administração hospitalar de Angra de um helicóptero para evacuar familiar de uma administradora. Enfim... haveria por certo tantos temas para inquirir e para poder exercer o nosso dever de cidadania. Nomeadamente, se estivéssemos todos de acordo, para evidenciar e exigir que os governos, sejam eles quais forem, não devam ser impassíveis aos apelos do povo, notadamente de quem como eu abre e escancara a voz publicamente e solicita aclarações!