Ferraria
- Categoria: Opinião
- Criado em 18-08-2018
- Escrito por Alberto Ponte
A notícia caiu que nem uma bomba nas redes sociais com grande impacto na opinião das gentes dos Ginetes sobre o possível pagamento, decidido na realidade não sei por quem, pois são tantos para governar um local tão pequeno que nem os conhecemos todos. Sempre foi um ex-libris “muito nosso”, das gentes dos Ginetes, mas que tranquilamente nos vão retirando o direito de livremente o utilizar.
Habituados há muito de serem “colocados de parte dos projectos do Governo” aqui na nossa terra os naturais da mesma estão revoltados, por isso sei que o braço de ferro que tudo isto venha a desencadear não vai ser fácil de solucionar. Mais uma vez fomos colocados de parte e nem a Junta de Freguesia onde se encontram eleitos democraticamente todos os nossos representantes não foi “tida nem achada”, como diz o nosso povo, para uma solução que merece ser tratada com o maior cuidado e respeito por esta gente.
Toda esta forma coberta de alguma “prepotência” da parte do Governo Regional dos Açores me leva a recuar alguns anos quando foi aqui apresentado o projecto actual da Ferraria pelo então Secretário Regional da Economia, hoje Presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Vasco Cordeiro, que cá veio com alguns membros da sua comitiva puramente por insistência da Junta de Freguesia de Ginetes da época, pois na realidade todas as decisões estavam tomadas antecipadamente sem ouvir quem “conhece verdadeiramente a Ferraria”. Na altura tive a impressão que o senhor Secretário se encontrava um pouco perdido pois era um projecto que tinha “herdado” do seu antecessor. Mesmo assim acreditámos que o tempo traria melhores dias, mas não, seguiram-se os famosos estrados em madeira que o mar em pouquíssimas semanas se encarregou de roubar, os vergonhosos balneários semelhantes aos de um país do terceiro mundo que ainda há poucos dias tive o “privilégio” de reencontrar na minha vasta colecção de fotos que guardo preciosamente para “memória futura”.
Já várias vezes aqui escrevi sobre a Ferraria. Conheço perfeitamente que o impacto da minha opinião de pequeno cidadão residente nos Ginetes não faz “mexer uma palha” no Gabinete de suposta gente formada que diz saber tudo mas que na realidade desconhece a realidade que envolve a Ferraria que nem todos aprendem na Universidade, e os que sabem, porque como bons alunos aprenderam alguma coisa, tenho a impressão que simplesmente foram esquecidos ou colocados de parte. Foi necessário há alguns dias um “pequeno acidente” sem consequências graves felizmente mas que poderia ter terminado numa grande tragédia para desencadear reacções através de alguns leitores do Correio dos Açores para nos “brindarem” com a bombástica notícia que a partir de Abril do próximo ano a entrada na Ferraria passaria a ser paga e até o tempo limitado pois que tencionam efectuar obras de melhoramento do local. Creio que estão a rir de nós como se o facto de apenas passar a ser pago fosse a solução para todos estes complicados problemas. Quantos às melhorias digam desde já o que pretendem fazer.
Sou pessoalmente de acordo com um projecto de controlo da entrada de um determinado número de pessoas na que podemos chamar zona balnear, pois sei que está a perder a qualidade de outrora devido ao exagerado número de banhistas num espaço relativamente pequeno mas que os residentes desta terra, embora sujeitos ao controle da quantidade, nunca devem ser penalizados com tarifas. Quanto às gentes que nos visitam é de justiça que paguem da mesma forma que qualquer um de nós pagará se desejar visitar local semelhante, porque igual não há, em qualquer país do mundo. Mais ainda, por uma questão de respeito, a Junta de Freguesia de Ginetes não pode ficar alheia à discussão de tal intenção que na realidade não sei exactamente onde partiu. As opiniões dividem-se, algumas com uma notória falta de coerência, através da rede Social do facebook, local de predilecção de falsos perfis escondidos e adulterados em muitos casos com receio de represálias.
Exigir pagamentos é um direito que me não escandaliza mas igualmente comporta obrigações para o bem-estar de quem paga e assim para a boa imagem desta terra.
Há mais de trinta anos, durante um curto período de férias, fui passar um dia com a minha família numa pequena praia nos Estados Unidos, país supostamente rico onde o nível de vida faz inveja a muita gente. Para satisfazer uma das necessidades mais básicas de qualquer ser humano tive que colocar a “moedinha” de 1 dólar americano tal como aqui fazíamos com 1 escudo no meu tempo de criança para os jogos de matraquilhos.
E que dizer do péssimo acesso à perigosa estrada, sem qualquer barreira de segurança nem iluminação que já várias vezes aqui denunciei, mas porque não sou pessoa “importante” os meus governantes olham para o lado e até alguns hipocritamente afirmam não ler jornais. É triste, mesmo muito triste mas cá estaremos à espera deles, se ainda tiver vida e saúde no único tempo que lhes interessa.
E esse tempo, embora pareça longe vai chegar e então aí o povo dirá de sua justiça.
Boa sorte meus amigos.