Tolerantes com os intolerantes?

Será um dilema?
Nos tempos que vivemos, existem indecisões nas opções.
Que preço temos de pagar ou iremos pagar pelo silêncio cúmplice?
Será que não aprendemos com o que a história nos tem ensinado?
“ Vamos a ver se nos entendemos”, na feliz expressão recorrente dum amigo.
Há uma imagem que retenho em memória, que leituras e um ou outro documentário fílmico, me ajudou a recordar.
Finais de 1938. Por toda a Europa são poucas as nações onde a Democracia vence. A leste e  a oeste, os populismos avançam, com vários matizes, mas todos têm em comum um ódio à Liberdade e à Democracia. O Povo adere. Pudera, o medo e a ignorância campeiam a par de algum progresso (quem não se lembra dos carros do povo.  o celebérrimo “Volkswagen”, lançado pelo camarada Adolfo, com o apoio da grande indústria germânica).
Nesse ano a mais velha Democracia da Europa,  o Reino Unido de Sua Majestade, na pessoa dum seu ilustre governante Neville Chamberlain, depois de assinar em Munique, um acordo de paz, com o todo poderoso  Adolfo Hitler,  já sobejamente conhecido como populista, nacional e socialista, declara na chegada a Londres:
“Acredito que ele é a paz no nosso tempo”.
No Portugal do Professor Salazar e  nas ilhas, há quem  se regozije, apenas porque o senhor do “bigodinho”  é um feroz inimigo do seu camarada Estaline, com quem pouco tempo depois faz um acordo de paz, deixando enfurecidos os dois lados da “barricada” os ditos “fascistas e comunistas” . Unem-se, ontem como hoje, quer seja no paraíso da Florida ou na “cidade-estado” mais rica do planeta, Singapura.
Estávamos nos anos 40 do século XX. E hoje. Verão de 2018? A que assistimos?
Fukuyama, Fukuyama,  será  que te enganaste? É uma atitude corajosa reconhecer os erros.
 Passados meses Hitler invade a Polónia, Neville declara guerra à Alemanha. É substituído por Winston Churchill que declara:
“Entre a desonra e a guerra escolheste a desonra, e terás a guerra”.
Para os mais distraídos, que é o meu caso, fui consultar e confirmei que o Sr. Churchill era conservador e da direita.
A guerra mundial, a 2.ª num espaço de 20 anos, estava aí, com os seus milhões de mortos e holocaustos. Os populistas no seu melhor. Aliados de ontem inimigos de hoje.  Os camaradas Adolfo e José, de tão amigos que eram, tornam-se inimigos “fidagais” . Ontem como hoje, são assim os populistas.
Em comum têm a ausência de ideias, tão pouco de ideologias. Partilham um ódio aos POLÍTICOS e aos JORNALISTAS, aos dignos desse nome. Ontem como hoje, afirmam que não são da direita nem da esquerda. Almejam apenas o poder pelo poder.
Contudo há sempre umas “elites” que os apoiam, os tais do “capitalismo selvagem”, sem Pátrias, pior, “sem rosto”, nem princípios morais, os tais da tal “economia que mata”, na profética expressão de Sua Santidade o Papa Francisco.
Os que se aproveitam das brechas deixadas pela tolerância, que a liberdade e as democracias, e também as suas fraquezas, lhes proporcionam, para amanhã, que até pode ser, já hoje, como ontem, o foi, e a história, sempre ela, nos ensina, se tornarem famigerados intolerantes. Para esses, que, e de que maneira, por aí já se insinuam, não só na chefia de várias nações, como através dos seus “caixeiros-viajantes”, dos quais o Steve  Bannon é exemplo, temos de ser INTOLERANTES, e recordar mais este pensamento do grande Homem de Estado que foi WINSTON CHURCHILL:
 “Se Hitler invadisse o Inferno, eu faria uma referência favorável ao diabo na Câmara dos Comuns”.
(na altura decorriam conversões com Estaline, por quem Churchill  não nutria qualquer simpatia, mas depois  deste ter sido traído pelo seu “camarada nacional-socialista” Hitler, havia necessidade imperiosa de abrir um frente militar a leste, para enfrentar o “inferno”  que a Alemanha Nazi  representava, daí a  conhecida expressão do Winston: “para derrotar o inferno até me aliava ao  diabo”).
O que diria hoje Churchill dos populistas de hoje e dos intolerantes de amanhã?
E hoje, aqui “ao pé da porta” o que dizem alguns reputados pensadores do nosso “Universo” do saber  e  do conhecimento:
“ …temos de ser intolerantes com os intolerantes…”  e  este outro, “… o tribunal de Nuremberga poderá ter novas competências e atribuições… “
Fiquei contente, porque, pelo menos estes nossos doutos universitários cá do burgo, têm a consciência “ que temos um problema”, ao contrário de alguns dos seus pares, dos anos 30 do século passado, que não só eram do governo, como “mandavam nisto tudo” . E o povo? Bem fica para o “polvo” que com os seus tentáculos tudo domina.