12/05/2013

Meus Queridos! Já não posso ouvir falar de troika, de cortes aqui e ali, e de tanto desemprego. Estamos quase com um milhão de desempregados e desse milhão vinte mil são desempregados nos Açores, o que corresponde a dezassete por cento da população activa. Dos cento e vinte mil empregos que os Açores tinham quando em dois mil e nove rebentou a crise, perdemos em quatro anos, vinte mil, afectando muitos milhares de famílias. Já não se pode ouvir o disco rachado do Primeiro Passos Coelho, nem a cassete de António José Seguro. O meu conselho é que essas duas almas se sentem à volta de uma mesa com uma máquina de somar e diminuir, comprada nos chineses, de preferência, para ser mais baratinha, e digam de uma vez por todas o que é preciso cortar, e onde, para que o choque seja de uma vez só e deixem de nos matar aos bochechos. E quando falo desses dois responsáveis, é porque se Seguro chegasse hoje a Primeiro-Ministro teria exactamente a mesma dor de cabeça que tem Passos, e que é, por o orçamento do Estado a condizer com a receita a arrecadar. Já vai longe o tempo em que se podia imprimir notas em escudos, desvalorizar a moeda e ajustar a inflação, ou então fazer obras e obras para ganhar votos no presente e deixar as facturas para quem vier atrás pagar. A minha sobrinha-neta que está sempre muita atenta a estas coisas da economia e das finanças disse que não há outro remédio senão nos pormos dentro dos varais da União Europeia.


Meus queridos! Hoje vou descer daqui da minha Rua Gonçalo Bezerra para ir fazer uma visita à minha prima Maria da Vila que tem andado anafada na preparação da festa de São Miguel que leva uma dúzia de andores às ruas da velha capital na mais antiga procissão da Ilha, com os santinhos padroeiros de muitas profissões.
Uma tradição muito antiga e linda de se ver com os “quartos dos santos” ricamente decorados e muito visitados. Como cada vez há mais desempregados, diz a minha prima Maria da Vila que o melhor que se fazia era arranjar um “santinho” padroeiro desta nova classe que é a maior de todas as classes agora. Coisas novas de velhos tempos!

Ricos! Estou de alma e corpo lavado das festas e de mais chuva nos dias do Senhor Santo Cristo! Mas nada ficou por fazer, e se os arraiais tiveram pouca gente devido ao mau tempo, pelo menos escaparam as barraquinhas que, segundo o jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, até não tiveram um ano muito mau. E os petiscos estavam de morrer, diz quem lá foi… Mesmo mais longe do centro da festa, o cheirinho chegava ao Campo. Claro que nunca se pode agradar a todos, mas a opção deste ano agradou a muita gente e o esquema era muito mais arejado e amplo, para quem queria um momento de convívio diferente. Há sempre que aperfeiçoar, mas valeu o esforço!

Meus queridos! E já que estou a falar das festas, ainda não percebi porque é que este ano os foguetes (eu gosto tanto de dizer roqueiras) foram para o ar sempre fora de tempo. A minha prima Jardelina andava de ouvido à escuta para ver quando havia a girândola por no Sábado por altura da saída da Imagem do Senhor e nada… Quando  estralejaram as roqueiras, já o andor estava no lado sul do campo… E depois no recolher do Domingo foi a mesma coisa… Já se tinha fechado o Portão do Convento quando rebentaram os foguetes. São pormenores, mas são pormenores importantes, porque na tradição, os foguetes, sinos e música fazem parte da emoção do acto da saída da Imagem… A corrigir para o ano!

Ricos! E ainda sobre as festas, quero deixar um ternurento beijinho ao grande coro musical que animou a Missa e o Te Deum de Sábado, com músicas originais do Maestro Francisco Botelho e com a presença de vários coros de São Miguel e do Coro da Sé de Angra. Músicas leves, cantantes, bonitas e sonoras, a encher o Campo, onde pontificou a simplicidade do cardeal de Boston, com uma homilia que merece ser arquivada porque é um hino de Fé verdadeira no Senhor Santo Cristo. Valeu este ano a transmissão no Canal 1 que infelizmente cortou os minutos finais da Missa para dar publicidade… Enfim, o pilim que faz cantar os cegos… Para todos, parabéns!

Meus queridos! Claro que não podia falar das festas do Senhor sem me referir à justiça que foi a entrega da Medalha de Ouro da cidade de Ponta Delgada ao meu querido e sempre charmoso Engenheiro Costa Santos, até há pouco Provedor da Irmandade do Senhor Santo Cristo. O salão nobre da Câmara foi pequeno para tantas pessoas que quiseram estar presentes em tão grande homenagem que coroa uma vida de trabalho pelos Açores e pelo culto do senhor Santo Cristo. Eu, que não fui à cerimónia porque estive atrapalhada do meu reumático, saúdo o homenageado e o meu querido Presidente da Câmara de Ponta Delgada, pelo gesto que tanto enobrece quem o concede como quem recebe! E para o meu querido Santos Narciso, Director Adjunto do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, que foi o orador convidado da cerimónia, um repenicado beijinho pela magnífica lição que li na reportagem publicada.

Meus queridos! A minha prima Maria dos Flamengos disse-me que aquilo para os lados do Faial está em polvorosa porque fizeram um cais para Cruzeiros e nenhum consegue lá entrar. Este mês já foram três que passaram ao largo e cancelaram a escala para desespero do comércio e dos táxis. Diz ele que ouvia na RTP/A que quando alguém pede satisfações aos responsáveis, a resposta é “não há comentários”. Então quem projectou aquela obra? Quem acompanhou os trabalhos? Quem é o responsável pelo imbróglio agora criado? Não se averigua o que é preciso averiguar? Não se responsabiliza quem deve ser responsabilizado? A culpa vai morrer solteira e o Zé-povinho vai pagar os milhões que vai custar aquele elefante branco? Agora ninguém aparece? Talvez tenha de se pegar nas imagens da inauguração para ver os cabecilhas que lá aparecem para se poder perguntar como é?!...

 Meus Queridos! Muito se tem falado do caso SATA e por ser coisa que já enjoa, tinha jurado a mim mesma não voltar a falar tão cedo da companhia que me enche de orgulho por ser açoriana, mas que nos últimos tempos me tem revoltado pela ganância desmedida com que parte dos seus empregados tem vindo a reclamar autênticos privilégios face à miséria que por aí vai… Mas, o que se passou um destes dias com um passageiro é de bradar aos Céus e não resisto a publicar  o que foi relatado na primeira pessoa pelo passageiro em causa:
“Fui levantar o meu cartão de embarque para o voo SATA 44012 Ponta Delgada-Lisboa e perguntei à simpática menina se podia fazer um ‘upgrade’ para classe executiva, dizendo a mesma que não era possível porque só iam nessa classe comandantes da SATA.
Fiquei calado mas preparado para verificar se o que ela dizia era verdadeiro.
Chegado ao avião verifico que estavam ainda quatro cadeiras da executiva livres e as restantes ocupadas com alguns comandantes e outros tripulantes da SATA.
Fechada a porta do avião, verifico uma corrida de uma família de quatro pessoas que estava na classe Económica para ocuparem os lugares vagos da executiva.
Disseram-me que um membro da família era piloto também e por isso a ocupação dos quatro lugares que estavam vagos.
Indignado e revoltado, chamei a chefe de cabine que me diz que tinha sido o comandante que tinha autorizado. Repliquei que a classe executiva estava cheia só com borlas da SATA e os mesmos que provocaram milhões de prejuízos com as recentes greves, que iam ter ao seu serviço dois assistentes de bordo, comida quente, bebidas e jornais de forma gratuita, e nós os pagantes ficávamos a comer meia sandes e um sumo e para mais de cem pessoas só dois assistentes de bordo.
A chefe de cabine que tinha pronúncia não açoriana e com cara de poucos amigos, acabou a minha conversa dizendo que podia reclamar para a SATA e entregou-me o endereço eletrónico. Naturalmente que irei fazer a reclamação, mas para quê se isto é frequente e a administração sabe?
Não é revoltante ver que aqueles que causaram os prejuízos à SATA, aos Açores e ao seu povo, tenham estes privilégios.
Alguém tem que parar com isto a bem ou a mal.
Já agora a chefe de cabine era a Sra. Carla Nascimento e o comandante o sr. António Cepeda”.
Palavras para quê? Cada um dos meus queridos leitores que tire a sua conclusão… Passa fora!...

Ricos! Que bernarda vai por aí com a demissão de militante do PSD/A anunciada pelo meu querido antigo Reitor da Universidade dos Açores e antigo deputado Vasco Garcia? Segundo me disseram foram-lhe pedir que convencesse um prestigiado professor universitário para se candidatar à Câmara da Lagoa, coisa que Vasco Garcia fez com sucesso. Depois procurou contactar os dirigentes concelhios que tinham feito tal pedido para lhes dar conta das diligências e não conseguiu encontrar ninguém. Dois dias depois, é surpreendido com a indigitação de um desconhecido para encabeçar a lista do seu partido à cidade da Lagoa. Segundo me disse a minha prima Virgulina que mora no Rosário e conhece bem Vasco Garcia, ele não podia nem é capaz de aceitar tal deslealde e desfeita com laivos de irresponsabilidade e decoro político e com estrondo bateu com a porta. Se eu fosse dirigente partidária, o que felizmente não sou, para resolver o caso só restava ao Presidente da Comissão política da Lagoa demitir-se e repor como cabeça de lista a personalidade que pediram a Vasco Garcia para convencer. Disse-me a minha prima Virgulina que sabe dessas coisas partidárias, que só desta forma os laranjas se credibilizariam. Doutra forma será um coice que pode abrir muitas feridas…