RTP Açores cumpriu a sua missão
- Categoria: Opinião
- Criado em 13-05-2013
- Escrito por Alberto Ponte
Terminadas as Festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres não posso ficar reduzido ao silêncio apesar das mesmas já fazerem agora parte de uma história com poucos dias. Tal como a maioria das gentes destas Ilhas, os que cá vivem assim como os que fazem parte da Diáspora Açoriana, dificilmente esquecerei este ano o tratamento de desprezo e falta de sensibilidade de um grupo de privilegiados ao serviço de uma companhia aérea conhecida por SATA que dizem estar ao serviço de todos nós, mas que na realidade não está. Preocupam-se apenas com as regalias que os fazem bem viver, e quanto a nós que colaboramos para que tenham “tão nobre estatuto” somos o menor de todos os males que os possa incomodar. Resta-nos a esperança agora que o Governo dos Açores assuma uma posição firme resolvendo um problema que se não pode prolongar por muito mais tempo, o que também não estou certo se terá coragem de o fazer. Vou mais uma vez, tal como a grande maioria silenciosa esperar e ver até que ponto temos um Governo preocupado em defender com “garra” os interesses das gentes dos Açores. Basta de discursos.
Por outro lado nem tudo foi mau, pois se a falta de profissionalismo de uns causou uma enorme deceção, talvez tenha contribuído mesmo assim de motivação para outros que assumiram com dignidade o que exatamente se esperava deles. Foi com imensa satisfação que assisti a um trabalho que pessoalmente considero de excelente da RTP Açores. Direi que de um certo modo soube muito bem suavizar na medida do possível o impacto negativo da greve dos pilotos da Sata levando as imagens principais das nossas festas até aos lares dos milhares de Açorianos espalhados sobretudo no Continente Norte Americano de que faz parte países tão importantes como os Estados Unidos e o Canadá.
Se há cerca de dois anos manifestei, tal como muitos outros, através das redes sociais o meu desencanto com o desempenho da nossa televisão na transmissão da procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o que vi este ano, para ser honesto, merece um “ Bravo RTP Açores”.
Devido ao tempo pouco convidativo para sair no passado Domingo, mas sobretudo ao nevoeiro que insiste em complicar a vida aos automobilistas desta zona, especialmente durante a noite na conhecida “Estrada do Monte Gordo” e do qual ninguém é responsável além da “mãe-natureza”, decidi não me aventurar até Ponta Delgada, pois já no Sábado a viagem de regresso aos Ginetes não foi fácil. A idade e a prudência que a mesma traz são de rigor, por isso mesmo escolhi ficar em casa com a minha mulher e seguir a procissão através da “nossa televisão”.
Devo dizer que além de uma boa decisão foi uma agradável surpresa pela qualidade e diversidade de imagens de um modo especial aquelas transmitidas através da “câmara móvel” que acompanhou a “Imagem do Senhor” uma parte do percurso, o suficiente para cativar a atenção das gentes que não puderam estar presentes. Sei que não é fácil, que as condições atuais não são as que podemos chamar de excelentes nem tão pouco a chuva miudinha ajudou, mas quando a boa vontade existe e o sentido de responsabilidade também é possível sempre “dar a volta” e assim fazer um bom trabalho, se não totalmente perfeito pelo menos aceitável.
Quanto à procissão propriamente dita, de há uns poucos anos a esta data tenho a sensação de que se está teimosamente a contribuir para a criação de um “grande vazio”. Parte das nossas Filarmónicas por razões que nunca compreendi foram afastadas e desde então a procissão do Senhor Santo Cristo não voltou a ser a mesma.
Em contrapartida continua a servir de palco ambulante para gente da política que lá está cada ano por interesses meramente pessoais.
Não sou contra a presença de representantes das nossas Instituições do mundo da política mas trazer toda uma comitiva, desde o presidente ao simples deputado ou vereador considero ser “gente a mais”. Evidentemente que a falta de coragem para solucionar estes casos continua a favorecer os maiores em detrimento dos pequenos mas tenho esperança de ainda ver o dia em que o bom senso acabe por resolver uma situação que se está a tornar cada vez mais ridícula.