QUE AUTONOMIA?
- Categoria: Opinião
- Criado em 16-05-2013
- Escrito por Carlos Rezendes Cabral
Na próxima segunda – feira, dia 20, comemorar-se-á mais um dia da Autonomia.
A escolha deste dia - oitava da festa do Divino Espírito Santo que é adorado em todas as ilhas - foi feita justamente por ser uma festa comum a todo o povo açoriano e com o objectivo de unir todos os Açorianos em volta do mesmo propósito:- a transformação destas nove ilhas separadas pelo mar, numa só Região e num só Povo!
De resto, a FLA - Frente de Libertação dos Açores já tinha feito o mesmo anos antes, quando escolheu a música do Hino do Divino Espírito Santo para estandarte representativo da união dos Açorianos separados pelo mar, o qual, para a FLA, era o mar que nos unia e não, como os partidários do centralismo português afirmavam ser o mar que nos separava.
Mas, falemos da Autonomia que se vive no presente.
Não fora os milhões que se gastam anualmente para a manutenção de uma Assembleia de 57 deputados, que pouco ou nada produzem, dir-se-ia que aquilo a que, pomposamente, chamam de Autonomia não passa de uma mera descentralização do poder central, em determinadas matérias que ele, poder central, não tem interesse em actuar localmente.
Assim, para mim, a Autonomia pressupõe ter-se iniciativas legislativas próprias, mesmo que diferentes das nacionais.
Autonomia é aprovar as leis regionais na Assembleia Regional que é quem representa o povo dos Açores e pô-las ao serviço da Região, sem mais “filtros” ou entraves.
Autonomia também pressupõe não aceitar qualquer tipo de opressão, venha ela de quem vier, ou de onde vier.
Autonomia significa ser-se capaz de administrar aquilo que se tem, e não andar constantemente de mão estendida “à caridade” do governo central, quase como que mendigando aquilo que é nosso por direito próprio.
Autonomia significa não deixar que o nosso povo seja fiscalmente massacrado, como acontece presentemente, quando pouco ou nada contribuiu para o descalabro nacional.
Autonomia significa não deixar que, os nossos recursos económicos, financeiros, patrimoniais, e outros, sejam administrados à distância por leis avulsas, ditas de âmbito nacional, com o objectivo de “sacar” aos Açores alguma riqueza que haja no nosso mar.
Autonomia significa não deixar que um qualquer sindicato venha da “capital do império perdido” “botar faladura” sobre como administrar as nossas empresas públicas. Mesmo que as ditas sejam mal administradas, isto é matéria reservada às entidades açorianas e não a qualquer figura sindical.
Autonomia significa não se ser subjugado e, quando alguém o tente, que seja “travado” pelos deputados regionais, eleitos pelo povo dos Açores.
Autonomia não é a independência mas, como diz o dicionário, é o direito de se governar a si próprio, segundo as suas próprias leis.
Autonomia é, todavia, independência administrativa, e ainda, liberdade moral e intelectual.
Como se pode verificar, muito pouco, ou mesmo nada do que atrás escrevi se verifica na autonomia que vivemos no presente. Alguns dos pressupostos acima citados já foram, em parte, praticados nos primeiros tempos dos governos de Mota Amaral porém, com o decorrer dos anos, foram sendo paulatinamente retirados sem qualquer reacção digna de registo por parte dos nossos deputados à Assembleia Legislativa Regional.
Mas que não se pense que só os políticos são culpados da perda da autonomia. A chamada sociedade civil também tem culpa, nomeadamente as suas organizações de classe, desde as ordens profissionais aos sindicatos, passando pelos próprios trabalhadores. Todos têm sido verdadeiras marionetes das suas congéneres centrais porque nunca pugnaram por uma autonomia sindical regional.
Costumo a classificar estes meus conterrâneos de autonomistas q.b.! Ou seja, para algumas coisas dizem-se autónomos; todavia, quando a autonomia implica algum sacrifício, a maioria deles são mais alfacinhas do que os próprios lisboetas.
A continuar assim, não chegamos a lado nenhum!
Precisamos, urgentemente, de açorianos que amem a sua terra e que, por ela, estejam dispostos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance.
Por outras palavras: precisamos de jovens açorianos com a coragem suficiente para “dar um murro na mesa” e dizerem a Portugal que somos um Povo que quer ser respeitado E que não toleramos tutelas nem grilhetas legislativas que nos colonizam.
BASTA!
P.S. Aquilo que aconteceu ao passageiro da SATA que desejava fazer um UP GRADE da sua passagem é simplesmente vergonhoso podendo considerar-se uma afronta. O Presidente do Conselho de Administração da SATA deve explicações públicas aos açorianos, antes que comecem a duvidar da sua capacidade administrativa.