Quando os governos se tornam inacessíveis ao brador dos povos e corruptos no seu “governar”...

Realmente ninguém nasce com a ética incorporada em si, pelo que a ética se adquire e aprimora-se. Assim, a percepção de condutas socialmente acolhidas, dimanam da dinâmica dos exemplos. Baseamo-nos nas condutas alheias, geralmente nas pessoas a que temos como superiores a nós, inclusive os governos, seja por mera visualização da realização de uma conduta, seja pelo repassar dela, tendo como exemplo, pais e filhos, onde o pai repassa ao filho o que ele “deve” fazer por meio das suas atitudes, tidas como exemplos para o filho. Entre o “falar” e o “ser”, o filho terá como exemplo o “ser” do pai; portanto, se o pai falar ao filho para não beber, mas chegar bêbado a casa, esta última atitude será o exemplo a ser seguido. E assim por diante! Por conseguinte, a falta de ética não começa no campo da política, mas no campo pessoal. Por mais que o topo da falta de ética esteja acondicionado na conjuntura política, a base que institui a corrupção é a falta de ética no dia a dia, ou seja, no seio da família e da sociedade na qual interagimos diariamente, por meio das diversas relações que constituímos entre os nossos pares. Portanto, a meu ver, enxergar os escândalos políticos, impostos através de grande repercussão pelos meios de comunicação social e não olhar para as nossas próprias atitudes, é alimentar o próprio ego com vontades e impulsos de acordo com aquilo que nos faz bem, mesmo que esse “bem” seja o prejuízo de uma outra pessoa!
Chamo a atenção para todos aqueles da minha geração que tiveram a oportunidade de ler como eu Dostoievski às escondidas, lembro que o escritor em questão conduz-nos a uma reflexão, perturbadoramente actual. Pois bem, lembrando Rodion no romance de Dostoievski, e ao cometer os crimes fá-lo dentro do auto-entendimento de um ser diferente, especial e, consequentemente, tudo podia. Era o entendimento de Dostoievski como os seres humanos auto classificam-se: eu mando e o outro obedece; eu exporto a verdade e o outro a recebe como definitiva. Em abono da verdade, a trama policial do romance acima descrito “Crime e Castigo” dá lugar a conceitos que mexem com as nossas cabeças e, por conseguinte, também com as formas como encaramos regras e conceitos. Na altura, quando li esse livro senti-me meio perdido. Mas, com o tempo parece que os conceitos vão refazendo-se. Encontrei no personagem de Dostoievski, isto é, Rodion, a arrogância de quase todos os dirigentes actuais. E, além do Governo da República, assumo que o Governo Regional não escapa ileso. De acordo com o que se pode verificar, o governo socialista dos Açores tem a postura arrogante e autista de TUDO SABER e TUDO PODER. Tal como no universo citado de Dostoievski, e segundo o GR a administração do Arquipélago somos nós e os açorianos estão domados para obedecer, por que somos o PODER do BEM. E quem não está do nosso lado é PERVERSO. É esta a arrogância – inimiga da democracia – que faz com que a política seja um “folgazão parque de negativas e esconsas diversões”, infelizmente!
Entretanto, persiste o secretismo sobre o gravíssimo problema da Ilha Terceira, relativo à Base das Lajes e, mormente, à contaminação dos solos, sobre o qual nada se sabe de concreto. De igual forma, temos os problemas internos e económicos da SATA que, sobre os quais, apenas se entreveem trocas e baldrocas dessa administração que há muito está “sem rei nem roque”. É também, a demanda sobre o processo negocial com os trabalhados da RIAC, tendo em conta a existência de equipamentos avariados em vários locais da região. Para além disso, temos o autismo do governo regional sobre o eventual uso indevido por parte de administração hospitalar de Angra de um helicóptero para evacuar familiar de uma administradora. Enfim... haveria por certo tantos temas para inquirir e para poder exercer o nosso dever de cidadania. Nomeadamente, se estivéssemos todos de acordo, para evidenciar e exigir que os governos, sejam eles quais forem, não devam ser impassíveis aos apelos do povo, notadamente de quem como eu abre e escancara a voz publicamente e solicita aclarações!

Osório Goulart 150 anos

Poeta e jornalista que se evidenciou nos apelos contínuos para dar a conhecer a ilha do Faial e as outras ilhas, para relançar temas históricos e promover a salvaguarda do património
material e imaterial

Figuras de representação pública, em diversas áreas da cultura e da política, nasceram na década de 60 do século XIX. A lista que é abundante, envolve Manuel Teixeira Gomes e António José de Almeida, dois presidentes da República, o primeiro um dos maiores prosadores da língua portuguesa. Mas também se estende a poetas com a singularidade de António Nobre e a escritores e dramaturgos com a amplitude de Raul Brandão.
Todos se encontram ligados a jornais e revistas, mas há, pelo menos, quatro jornalistas, que, devido aos locais e órgãos de comunicação, onde exerceram a profissão, se destacaram com repercussão internacional, com projeção nacional, com militância regional e, ainda, com evidência insular. Evoquei-os, em traços sumários, no auditório da Biblioteca da Horta quando, recentemente, falei dos 100 anos da génese do Mau Tempo no Canal, obra-prima de Vitorino Nemésio, recorrendo a fontes documentais da época como o jornal Telegrapho que, durante décadas, registou a vida quotidiana da cidade, da ilha, das outras ilhas e do que ocorria em Portugal e no resto do mundo.
Os quatro jornalistas são: António Lobo de Almada Negreiros  correspondente de O Seculo durante mais de 30 anos em Paris(Aljustrel, 15 de Agosto de 1868 - Paris, 12 de Junho de 1939); Tito Martins, nascido em Lisboa a 17 de maio de 1886 e, em Lisboa, falecido a 9 de novembro de 1946) fundador com Manuel Guimarães d’A Capital e durante 30 anos subdiretor d’ O Século; João Arruda, nasceu em Santarém em 18 de Novembro de 1867  e faleceu em Santarém,  a 14 de Maio 1934, que fundou o Correio da Estremadura, que depois adotou o nome  Correio do Ribatejo; e, finalmente, Osório Goulart ( nascido na Horta a 12 de Dezembro de 1868 e falecido na Horta 9 de Janeiro de 1960), poeta, professor, jornalista, fundador e diretor do Correio da Horta.
Osório Goulart escreveu, desde o final do seculo XIX, em muitos outros jornais do Faial, (caso d’O Telegrapho) da Terceira e de São Miguel onde, por exemplo, no semanário O Norte, da Ribeira Grande, manteve uma coluna regular, na qual assinalou a morte de Paul Verlaine.
Empenhou-se Osório Goulart na defesa e a valorização do património edificado e do património imaterial, adotando o critério preconizado por Almeida Garrett, nas Viagens na Minha Terra e, posteriormente, na Etnografia Portuguesa, de José Leite de Vasconcelos que conheceu, durante a visita do grupo de intelectuais que, em 1924, se deslocou aos Açores.
A obra poética de Osório Goulart iniciou-se, em 1892, com Murmúrios e prolongou-se, até 1956 com Névoa Dourada, numa sucessão de dezenas de livros e opúsculos em que conjuga a confidência lírica, o arrebatamento místico, o fervor patriótico e a exaltação dos Açores, em especial do Faial e da estreita relação com o Pico e São Jorge, as ilhas que constituem o triângulo e acentuam a imagem e o conteúdo do arquipélago.
Insere-se no conjunto de numerosas publicações de Osório Goulart a obra Um Lusíada, poema em dez cantos, editado em 1934, um livro de incondicional louvor à ação governativa e à personalidade pessoal e política de Salazar.
Refira-se, a propósito, que outros poetas açorianos enalteceram, igualmente, Salazar e o regime. Entre os mais conhecidos podemos citar: Espínola de Mendonça no livro Gerânios; Oliveira San-Bento, em largas desenas de sonetos publicados no Diário dos Açores, durante mais de quarenta anos, para se congratular com as sucessivas viagens presidenciais e também de cada uma das visitas ministeriais a São Miguel. Também é de mencionar Armando – Cortes Rodrigues autor dos Autos de Saudação em honra dos presidentes Óscar Carmona, Craveiro Lopes e, ainda, Américo Tomaz, nas respetivas visitas presidenciais à ilha de São Miguel.
Contudo, o livro Um Lusíada de Osório Goulart destinou-se a concorrer ao Prémio Antero de Quental, instituído pela primeira vez pelo Secretariado da Propaganda Nacional, presidido por Antonio Ferro, que viria a contemplar A Mensagem de Fernando Pessoa.
Na opinião de Rui Galvão de Carvalho, divulgador de poetas, escritores e dramaturgos açorianos no seculo XX, a poesia de Osório Goulart exprime «nobres ideais, ao mesmo tempo que acusa uma inspiração superior e uma sensibilidade muito requintada». Em contrapartida, Pedro da Silveira excluiu Osório Goulart dos 83 poetas da Antologia da Poesia Açoriana do seculo XVIII a 1975 (1977– Edição Sá da Costa).
A exclusão motivou fortes reações de José da Silva Peixoto e Tomaz Duarte. Este último, membro do Governo Regional presidido por Mota Amaral promoveu, entre outras homenagens, a colocação de um monumento com o busto de Osório Goulart, em lugar emblemático da cidade da Horta, frente ao Pico, a São Jorge e à Graciosa proferindo, no ato inaugural, uma alocução com o título «Amortização de uma divida em Aberto».
Para avaliar a importância e a dimensão da obra de Osório Goulart, falta, todavia – e perante uma produção bastante desigual – a elaboração de uma antologia poética, com introdução crítica, tábua cronológica e bibliográfica e uma exigente seleção dos vários ciclos de criação literária.
Os quatro jornalistas sesquicentenários enquadram-se nas possíveis comemorações a celebrar, ou não, este ano. Tito Martins, apesar do ruído que provocou na Imprensa e no teatro está, porventura, condenado ao esquecimento.
Para já António Lobo Almada Negreiros – pai do artista e poeta do Orpheu José de Almada Negreiros – com obra dispersa em jornais e revistas (e, por vezes, recolhida em livros, opúsculos e separatas) aguarda avaliação critica, em função das conceções políticas e ideológicas da época em que viveu ou do caráter pioneiro que, em alguns aspetos, manifestou ao escrever sobre as colónias portuguesas de África.
Osório Goulart, nos Açores e João Arruda, no Ribatejo, devido à proximidade que sempre mantiveram com o leitor, aos apelos sistemáticos para conhecer e amar a terra, para recuperar tradições, para relançar temas históricos e para salvaguardar monumentos vão certamente ter comemorações, tanto mais que continuam a ser, através do legado que deixaram, motivo de identificação e orgulho com as suas raízes.

Ser reconhecido

No testamento de Mouzinho da Silveira pode ler-se: “Quero que o meu corpo seja sepultado no cemitério da ilha do Corvo, a mais pequena das dos Açores (…); são gentes agradecidas e boas, e gosto agora da ideia de estar cercado, quando morto, de gente que na minha vida se atreveu a ser agradecida.” As palavras, que sintetizo, seguiram-se à demonstração de gratidão que os corvinos exibiram ao então Ministro Mouzinho da Silveira pela sua decisão de reduzir para metade o foro que pagavam, com enorme esforço, desde o século XVI ao século XIX.
Vem isto a propósito da União Europeia e do contributo que a União Europeia disponibiliza à Região Autónoma dos Açores. Olhando para os números do orçamento da Região dos últimos anos, podemos facilmente verificar que entre 10 e 15% da despesa é suportada por fundos europeus. Melhor apenas os contributos do Estado Português, um pouco mais de 15%, e do IVA gerado nos Açores, cerca de 20%. Os contributos financeiros europeus na sua totalidade materializam-se nos diferentes investimentos protagonizados pelo Governo Regional, mas também pelas autarquias açorianas e privados. A proporção do auxílio da União nestes investimentos pode ser, de facto, amplamente maioritária.
Obras como o Nonagon ou o preço reduzido nos transportes aéreos e marítimos entre ilhas, no meio de muitos outros exemplos, resultam parcialmente da “bolsa” da União Europeia. Através de uma consulta simples na internet, por exemplo nos sítios do ProRural ou dos Açores 2020, obtemos uma visão precisa do impacto que a União Europeia tem no nosso dia a dia.
Num artigo recente com autoria de Gualter Furtado, publicado no Diário dos Açores, defendia-se um uso mais abrangente da bandeira da União Europeia como reconhecimento pelo auxílio no estruturar dos valores democráticos e de desenvolvimento. Esta atitude, segundo o autor, seria também uma forma de demonstrar internamente e a quem nos visita que estamos integrados e queremos contribuir para a construção do projeto Europeu.
Parece-me bem e fui verificar quais os preceitos para a utilização da bandeira da União Europeia. Curiosamente, a bandeira da União Europeia não era originalmente desta organização ou das organizações que a precederam (Comunidade Europeia do Ferro e do Aço e Comunidade Económica Europeia). A bandeira europeia remonta ao ano de 1955, quando o Conselho da Europa a adoptou. Essa organização, sim, concebeu e usou originalmente as doze estrelas.
Apenas em 1983, e progressivamente, foi sendo incorporada pelas instituições daquilo que é hoje a União Europeia. Agora, esta bandeira é universalmente utilizada para simbolizar o Conselho da Europa e a União Europeia (duas organizações bem distintas). Hoje em dia, os direitos de autor da bandeira são da União Europeia, mas os princípios de utilização por terceiros foram estabelecidos pelo Conselho da Europa e publicados no Jornal Oficial da União Europeia. É mais uma benigna originalidade da União Europeia…
Tudo isto para concluir que, ao contrário do que acontece com a utilização das bandeiras dos diferentes países, não há regras muito severas para a utilização da bandeira da União Europeia. Ou seja, qualquer pessoa ou instituição pode usar as “doze estrelas douradas dispostas em círculo sobre um fundo azul, que simbolizam os ideais de unidade, solidariedade e harmonia entre os povos da Europa” desde que o faça com respeito e que não tente abusar da presunção de ligação entre a União Europeia ou o Conselho da Europa com o utilizador.
Associarmo-nos ao espírito e valores europeus e demonstrar gratidão à organização de que fazemos parte de pleno direito parece-me também um acto de inteligência e de redundância civilizacional. É um orgulho poder demonstrar a tripla pertença: Açores, Portugal e União Europeia. Hoje em dia, pertencer a esta tríade é saber que, por muitas contrariedades e sobressaltos que hajam, estamos numa sociedade que pretende fazer o Bem e melhorar constantemente.

Promover os produtos regionais?… Sim, mas cá dentro primeiro!

É um gosto para qualquer açoriano que se preze, chegar a uma esplanada e ver os turistas deliciados com uma “Especial” da Fábrica de Cervejas e Refrigerantes Melo Abreu. Até se presta atenção ao balcão, quando um jovem estrangeiro solicita uma “Kima” bem fresca, para consumir com deleite junto à família, enquanto saboreiam um manjar que se espera, de produtos regionais…
É uma tristeza quando se olha à volta, e só se vê os locais a beberem cervejas e águas importadas do continente; refrigerantes internacionais, iguais em qualquer parte do mundo e até mesmo gelados, sem qualquer ligação e especificidade relacionada com os Açores. Que saudades dos gelados “Eskimó”, cujas ruínas da fábrica para os lados de Santa Clara, até tiveram que ser fechadas a blocos…
Promover os produtos regionais lá fora? Sem dúvida! E cá dentro, não é para promover? E já agora, o que é “lá fora”? Se há uma característica que nos acompanha enquanto arquipélago, infelizmente, é que esta “norma” não se aplica a outras ilhas… Poucos são os locais nos Açores, leia-se fora de São Miguel, em que se encontra a nossa cerveja e refrigerantes. Uma autêntica vergonha, seguindo-se à resposta negativa, um simpático sorriso tipo “… infelizmente é assim”.
Mas que governo, e demais entidadezinhas são estas, que usam estes “slogans” tão bonitos, de promover lá fora mas que nada fazem cá dentro? Então não há que os promover, também nos Açores, em especial se os privados não estão em condições de o fazer? Se a situação não é tão grave como era há alguns anos, nomeadamente no que concerne aos laticínios, vinhos e chá, não deixa de ser ridícula a falta de estratégia para educar os nossos jovens a consumirem os nossos próprios produtos. Outras entidades, das que saem caro ao erário público (pago por nós), apregoam e assinam protocolos disto, daquilo e dacolá mas cujo efeito prático é francamente nulo! Tomemos por exemplo o facto dos Açores terem crianças (e não só…) com excesso de peso, superior à média nacional, ou de batermos recordes no consumo de álcool. Alguém já se lembrou de proibir a publicidade a este tipo de produto, como há anos se fez para o tabaco? Pode não resolver o problema, mas irá certamente contribuir de forma exemplar por não incentivar o consumo, sendo esta publicidade substituída por outras relacionadas com produtos de baixo teor de açúcar ou mesmo água.
Considero hipocrisia, ir à televisão anunciar basicamente o mesmo de sempre; repor leis que já existiam e que algum “iluminado” se lembrou de trocar; e gastar fortunas em ações que pelo seu histórico, já se adivinham t erem pouco efeito, quando em qualquer evento público, ou pior ainda nos festivais para jovens, ondulam por todo o lado bandeiras, insufláveis, copos, chapéus e enormes plásticos, os tais que revestem as tasquinhas, com marcas de cervejas… Até a seleção nacional é apoiada por uma! E depois, a letras pequenas diz-se “beba com moderação”… Isto faz sentido? É isto que queremos para a juventude Açoriana?  “Relembro os tempos em que nos “balcões” dos bares dos Açores, bebia-se a “Água das Lombadas”, a “Serra do Trigo” e a “Kima” de laranja, para além da de Maracujá e Ananás, e claro está, a nossa resistente e ainda atual Cerveja “Preta Doce”, essa sim, deliciosa e para beber sem moderação… porque não tem álcool! Esta resistente junta-se à “Kima” de Maracujá e à medalhada a ouro por três vezes, “Especial”, que anteriormente existia em grande e pequeno formato. Que nunca nos falte a “Laranjada”, para beber pura ou misturar com vinho ou cerveja (muito melhor que um “panaché”), e que nunca se junte às desaparecidas “Concha” e “Kima” de Laranja, ou se torne menos visível como a “Kima” de Ananás ou a “Munich”, antes grande e pequena, a nossa cerveja preta amarga.”
Em resumo, não percebo os gastos que por aí se fazem na ordem dos milhões (que ninguém explica de forma racional e lógica): investe-se em toscas e parcas campanhas (que já sabemos, à partida, terem pouco efeito) quando nos festivais de jovens e festas de carácter popular, pululam cadeiras, mesas, plásticos, bandeiras e afins com marcas de bebidas alcoólicas ou ricas em teor de açúcares, a incentivar o consumo. Por outro lado, não incentivamos os nossos jovens a beber o que é nosso, nomeadamente bebidas altamente nutritivas e não alcoólicas como a nossa Cerveja “Preta Doce”, que bebemos desde pequenos, excelente para corrigir ausências vitamínicas e enriquecer o sangue. Que a nível governamental se estudem estratégias para proteger o produto regional em relação a outros importados, que com eles rivalizam diretamente; que se faça propaganda séria nas nove ilhas aos nossos produtos, em especial aos que não colocam em causa a sua e a vida dos outros, e que se promova a investigação de produtos derivados, baixos em teor de açúcar, para os atualizar em relação à concorrência. É por demais conhecido o efeito da publicidade sobre a mente, em especial de um jovem, ainda em formação.
É uma questão de tal forma pertinente, que não pode ser deixada apenas aos privados, principalmente se as indústrias estão com problemas financeiros. Que se promova a sua qualidade, defendendo-se os postos de emprego açorianos. Exige-se um governo que intervenha de forma construtiva na economia, defendendo o produto regional muito além da forma envergonhada com que o faz, sob pena de como já se vê, o Capitalismo selvagem destruir o pouco que temos. Protegendo os interesses dos que aqui nasceram, passando a Identidade Açoriana e orgulho aos nossos jovens, divulgando a nossa indústria, assegurando se necessário o transporte, pelo ar e pelo mar, dos nossos produtos. Que nunca falte, em ilha nenhuma, o produto regional! Por fim, não utilizem as festas, em muitos casos dos nossos santos, para promover o culto à cerveja ainda por cima importada. Se a Centenária Melo Abreu fechar as portas um dia, acho que nem o Senhor Santo Cristo irá perdoar àqueles que na sua festa, promovem o capitalismo selvagem, em vez da defesa dos postos de trabalho dos Açorianos.

Festivais de Verão

Os festivais de música que acontecem nos Açores são como as “moscas de verão”, ou seja estão por toda a parte, até nos mais recônditos lugares, levando os jovens aos magotes de ilha em ilha,   ávidos para participarem nas festas mais envolventes e aguardadas pela juventude açoriana.
Promovem-se festivais em tudo o que é vila ou cidade e mesmo em algumas das nossas pequenas e pacatas freguesias montam-se os palcos para a cantoria, com mais ou menos profissionalismo na sua organização, todos eles com sucesso garantido, pois a receita é fácil: música altíssima e uma tasquinha.
O sucesso destes festivais de verão passa também pela importação de artistas de fora das ilhas, com nomes arrevesados quanto baste, e quanto mais classificados estiverem no “top ten nacional”, mais importância emprestam ao evento e mais jovens arrebanham, fazendo com que o frenesim reine   até às tantas.
Estes são os meses do apogeu da sociedade do divertimento e do prazer nestas ilhas de bruma e de verde esfusiante. Dá-se música, muita música e outras manifestações pseudo-culturais, com laivos de solidariedade pelo meio e o povo lá se vai divertindo noite dentro.
É certo que as festas são importantes porque estas sempre foram tão indispensáveis para a vida de cada um de nós, como o betão ou a ação social. No entanto, festas e mais festas parece um pouco exagerado, para não dizer desnecessário, mesmo que o povo adira e goste de festanças para conviver e esquecer as agruras do dia a dia.
Impressiona constatar como é possível que, mesmo nas mais pobres localidades, se mandam vir várias bandas, para animar a festa, num autêntico devaneio. Noutros tempos, o povo divertia-se à sua maneira e não se era menos feliz por isso. Por outro lado, não se registava sobreposição de festas nos arredores mais próximos, pois havia uma preocupação em se programar as festividades, de modo a acabarem na precisa altura em que noutra zona da ilha iniciava as suas.
As festas em si são boas, apenas questiono muitas festas ao mesmo tempo, até porque é também uma forma de animação turística, porque são inúmeros os forasteiros que também assistem entusiasmados aos concertos que aqui se realizam e que também eles não arredem pé até aos aplausos finais.
O certo é que estamos a ser massificados pelo turismo, pelo que se devem articular os festivais, para que constituam uma mais valia para a animação turística, dado que viajar para os Açores é agora muito mais fácil e barato, devido à liberalização do espaço aéreo no arquipélago, que permitiu às companhias lowcost começarem a fazer ligações entre Portugal Continental e os Açores, nada como promover o nosso destino aproveitar as suas férias para desfrutar de um dos muitos festivais de verão nestas ilhas.
Assim, se poderá enriquecer e vender este destino turístico com mais esta vertente de animação, garantindo cartazes apelativos, em que os turistas possam conciliar os momentos de diversão, como é apanágio de um festival, com o turismo de aventura na descoberta das belezas naturais das nossas ilhas, necessitando, no entanto, estes eventos de serem devidamente divulgados e promovidos, de forma concertada não apenas pelas organizações, como também pelos serviços oficiais de promoção turística.
Por tudo isto, há que haver peso, conta e medida, na promoção de festivais para que não se descuide de dar prioridade à dinamização em investimentos produtivos e a avaliação da importância de uma festa não deveria ser feita pelo ruído mais alto, mesmo que os organizadores considerem que há um retorno económico muito expressivo com os festivais, coisa que nunca vi ainda confirmada pelas estatísticas.

O legado de José do Canto

Muito já se escreveu sobre o legado de José do Canto para a sociedade açoriana; contudo penso que ainda muito há a pesquisar para conhecermos a fundo o homem multifacetado que ele foi.
José do Canto, em criança, sonhou ser médico, na juventude queria estudar botânica e, ao contrário do que pretendia, acabou por se matricular em Matemática. Tendo desistido da frequência universitária para casar com sua prima Maria Guilhermina, acabou por ser gestor de uma empresa agrícola de sucesso e um botânico amador, isto é, que amava o que fazia.
Sobre o seu amor ou a sua paixão pelas plantas escreveu: “… mas o que me restabeleceria completamente ao meu antigo vigor seriam umas férias absolutas… ver e examinar as plantinhas, classificá-las, descobrir algumas novas que, introduzidas, possam ser úteis ou elegantes…”
José do Canto não se distinguiu, apenas, pelo contributo que deu ao desenvolvimento da agricultura, sobretudo através da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense. Com efeito, também, se preocupou com o ensino/educação, tendo sido membro ativo da Sociedade dos Amigos das Letras e Artes, instituição que criou várias escolas primárias em diversos locais da ilha de São Miguel, apoiou instituições de solidariedade como o Asilo da Infância Desvalida e o Hospício de Maria Tereza, cujas instalações mandou construir em memória de sua irmã D. Maria Teresa do Canto que faleceu num desastre, em 1857.
Ainda no que diz respeito à sua preocupação para com os mais desfavorecidos, José do Canto por diversas vezes teve intervenção durante as crises dos cereais, no sentido de impedir a subida dos preços dos alimentos essenciais à sua subsistência.
Relativamente às artes/letras, José do Canto foi um mecenas que apoiou os estudos de Marciano Henriques e custeou a publicação de livros de Bulhão Pato, de Feliciano de Castilho e de Gomes de Amorim. Como bibliófilo José do Canto deixou-nos uma biblioteca camoniana que é considerada, pelo Professor universitário Justino Mendes de Almeida, um “monumento imperecível”
José do Canto foi também coautor de estudos importantes, como a “Memória sobre a possibilidade e utilidade da construção de um molhe em Ponta Delgada”, tendo na luta pela construção da doca, segundo ele, perdido anos de vida.
José do Canto teve uma pequena participação política, tendo presidido à Junta Geral. Contudo, tendo, em 1852, sido proposto para se candidatar a deputado, recusou. Na ocasião escreveu um pequeno texto intitulado “Aos micaelenses que pretendiam eleger-me deputado”.  
Para despertar a curiosidade para a sua leitura, aqui vai um pequeníssimo extrato sobre a caracterização da sociedade do seu tempo:
“Uma dívida pública enorme, impossível de pagar na totalidade, e que só com o pagamento dos juros dessagra o país, e extinguirá em pouco tempo o seu numerário ..;
“Os homens públicos, sem fé, nem honestidade, os cidadãos honestos, poucos em número, e sem a força ou energia de suplantarem os que abusam da sua cordura;
Termino, com uma citação de um texto que o Dr. Eugénio Pacheco, professor, republicano e autonomista, escreveu aquando do seu falecimento:
“Recordemos apenas que, apesar dos seus méritos, José do Canto tinha a rara virtude da modéstia. Desprezou todas as honras e jamais se armou à popularidade. Podendo aspirar a muito alto, circunscreveu-se apenas a bem servir a sua Pátria. O seu desprendimento de vaidades assinalou-se primeiro no opúsculo em que rejeitou a candidatura de Deputado por este círculo e realizou-se depois em toda a sua vida. Das mercês que lhe quiseram conferir aceitou unicamente a de sócio da Academia Real das Ciências porque nessa eleição ia um preito ao seu querido Camões. Nobre e grandioso exemplar de vida prestante e pura!”

Pobreza envergonhada e a outra a dos estudos e das estatísticas

Ou será que pobre é vergonha?
Este tema é susceptível de perturbar algumas consciências mais sensíveis. É demasiado político.
E logo agora que estamos de férias. Vem este tipo “chatear”. Logo em Agosto. Sim! É o mês ideal, para “mexer”, para despertar consciências. Quando a canícula aperta e as festas levam ao “deixar passar e logo se vê”.
É o tempo certo de incomodar. De nos levar a pensar. A começar pelo subscritor deste texto.
“Os pobres envergonhados”.
“Desaparecem” para que os filhos “sejam” e os netos “cresçam”.
O futuro já não lhes pertence, serão os filhos e os netos esse porvir.
Contudo temem o futuro!
Renunciam, escondem as dores, mais as da alma do que as do corpo. Estas últimas, eventualmente, mais fáceis de suprir.
A vida física já não lhes pertence, “ trespassaram” para os seus mais queridos.
Abnegaram.
 Discretamente.
Passam despercebidos. Disfarçam as tristezas e mágoas, com um mal disfarçado humor de ocasião, que só os amigos, de ontem, de hoje e de amanhã, entendem, porque esses, têm da lealdade, do carácter e da verdade, valores supremos.
Porque, os compreendem e continuam a tratá-los com a mesma dignidade, de quando eles, agora “ pobres envergonhados”, ontem, “tinham” , eram importantes e respeitados.
São os tais amigos sempre. A “onça”  não faz parte dos seus vocabulários.
Assim vale! Os Homens virtuosos são-no sempre. Nas boas e más horas!
“Pobres envergonhados”, não tenhais medo nem muito menos vergonha.
Não vou perder tempo com as causas, ou melhor da raiz do problema que vos levou a situação dramática em que vivem. Seria “chover no molhado. E porquê? Porque, os tais do sucesso, terão sempre resposta para vos dar.
Afinal o ser POBRE, é apenas “ um instante”, na ETERNIDADE que nos espera.
 Vamos à pobreza referenciada nas estatísticas. Aos que afirmam “ pobres sempre os haverá”. E ainda  para os outros, temos de estudar, analisar, são os cientistas que há anos estudam esta temática.
Governo aprova plano de combate à pobreza nos Açores (Julho de 2018). Existem organizações públicas e privadas, mais duma dezena e fundações que apoiam estudos de cientistas destas matérias, com provas dadas.
Entretanto a estatística oficial destes dias, informa que os” pobres dos pobres”, os que recebem um rendimento do governo para sobreviverem, aumentaram nos Açores, nos últimos meses mais 650 cidadãos, ainda maior da registada em Portugal – Irmão.
Um  “louvor d’alma” para os nossos concidadãos, que  abandonando  o conforto dos sofás , dia a dia, procuram minimizar o sofrimento daqueles que, não sei como os enquadrar, se pobres envergonhados ou apenas pobres, mas o que sei é que aquela gamela de sopa, os anima a retomar um novo dia, tenham eles as culpas que tiverem da situação em que vivem.
É que, se por aí caminharmos, lá vem o velho ditado  “há muitos  telhados de vidro”.
Recuso-me a acreditar que estes nossos concidadãos, estejam a ser instrumentalizados, para objectivos de pura táctica partidária – eleitoralista. Se assim for a situação é muito grave.
Na CAUSA e nos AÇORES, estaremos atentos. E no futuro agiremos em conformidade, com os VALORES e PRINCÍPIOS que os nossos MAIORES nos deixaram!
E já lá vão muitos séculos.

AÇORES SEMPRE!!!

Honrar os autonomistas

No gaveto do Largo Mártires da Pátria com a Travessa do Desterro, e em terreno do jardim do Palácio da Conceição, está uma placa de identificação da obra de remodelação daquele palácio onde é informado o valor da dita, explicitando o prazo de execução da mesma, que, se não me falha a memória, deveria ser cerca de 365 dias, ou seja, um ano. Em boa verdade, aquele prazo já foi excedido largamente. Confesso que já perdi a noção de há quantos anos se iniciou aquela obra.
Julgo até que o actual Presidente do Partido Socialista Português e líder parlamentar daquele partido na Assembleia da República, senhor Carlos Manuel Martins do Vale César, ainda era Presidente do Governo Regional dos Açôres. Julgo também que, foi naquela altura, que aquele palácio passou a designar-se de Casa da Autonomia, onde “habita” (?) a galeria dos maiores vultos da luta autonómica de 1895, e não só.
Atendendo a que lá irá ser instalado o museu da Autonomia foi também, naquela altura, nomeada para curadora do museu a Dr.ª Luísa César que, por sinal, até é esposa de Carlos César.
Há quantos anos que já foi isto, meu Deus!
Aquele vetusto palácio já albergou vários serviços públicos, nomeadamente, a antiga residência e serviços de apoio aos Governadores Civis do Distrito Autónoma de Ponta Delgada, em cujo rés-do-chão esteve aquartelada a Polícia de Segurança Pública desta cidade, bem como, os serviços administrativos da Junta Geral. Logo após o 6 de Junho de 1975, passou a ser a sede da Junta Governativa dos Açores, até à tomada de posse do primeiro Governo Regional dos Açores, que ali instalou a sua Presidência e serviços de apoio, em Outubro de 1976, salvo erro.
Para além da Presidência do Governo Regional, também ali havia instalações para o Ministro da República quando a esta ilha se deslocava e ainda a Secretaria Regional de Finanças, Contabilidade Pública, Direcção Regional do Tesouro e, porventura, outros serviços que não me vêm à memória neste momento.
Com a “oferta” à Região por parte da Família Jácome Correia do Palácio de Santana e jardins anexos - o preço pago pela Região àquela Família foi irrisório tendo em conta o valor patrimonial do imóvel – tanto a Presidência do Governo como os seus diversos serviços foram sendo transferidos do Palácio da Conceição para o de Santana.
Com a decisão de César em transformar o Palácio da Conceição em Casa da Autonomia fez com que saíssem os serviços ainda lá instalados para começar as obras, que ainda perduram. Cabe aqui perguntar:- estarão, porventura, à espera do regresso a esta terra de Carlos César e Excelentíssima Esposa, após cumprimento da missão (em curso) por parte deste nosso ilustre conterrâneo?
Bom. Uma vez que estão em obras (de Santa Engrácia?) e atendendo a que aquele palácio será a Casa da Autonomia, os 4 nichos existentes no seu frontispício - 2 no bloco leste e 2 no bloco oeste - deveriam ser ocupados por estátuas de quatro autonomistas da primeira campanha autonómica.
Alem disto, no espaço compreendido entre os dois blocos que acabei de referir, dever-se-ia erigir um pedestal com estátua - de corpo inteiro - do primeiro Presidente da Região Autónoma dos Açores – Doutor João Bosco Mota Amaral.
Pese embora o facto de não ser autonomista, mas sim independentista convicto, não me repugna sugerir esta solução para homenagear e honrar quem, por obras valorosas se foi da lei da morte libertando, como diria o pai da língua portuguesa, Luís Vaz de Camões.
Poder-se-á argumentar que o Doutor Mota Amaral já tem uma avenida com o seu nome. É verdade, sim senhor! Porém, em minha opinião, o espaço que sugeri no Palácio da Conceição está mais de acordo com a função que ele exerceu durante quase vinte anos como Presidente do Governo Regional, fazendo, do quase nada existente, uma Região com portos aeroportos, escolas, estradas, e muito mais obras. Isto para além da constante luta travada com Lisboa para que fossem reconhecidos os poderes autonómicos inscritos na Constituição da República Portuguesa.
Penso que esta sugestão não sairá muito cara ao Governo Regional e pode ser executada com a “prata da casa”. Se quiserem nomes, eu digo.
Honrar os nossos maiores é um dever de todos nós.
Honrar, em vida, quem se distinguiu no exercício das suas funções é, a meu ver, uma obrigação.

                                                        P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
                                                        12 AGO2018

May day: M’aider

Tendo em conta que, no vocabulário português, o som “may day” ou “m’aider” se aproxima facilmente de “meu Deus!”, é caso para o invocarmos no desejo de salvação das nossas companhias aéreas.

 

Depois da II Guerra Mundial, a aviação internacional teve um desenvolvimento espetacular e a constituição da ICAO (Organização Internacional da Aviação Civil) foi um dos principais fatores para a consolidação de regras para a segurança operacional.
Ainda não era tão óbvia a escolha do inglês como língua universal para o transporte aéreo, a França também fazia parte dos vencedores da guerra, tinha os seus pergaminhos de império colonial, e a aviação tinha crescido com grande influência dos Blériot, Breguet, Caudron, Farman…
Alguns estudiosos identificaram um percurso curioso na evolução da terminologia para as comunicações de emergência na condução das aeronaves. Já existia a sigla gráfica S.O.S., como tradução do sinal sonoro via rádio para pedido internacional de socorro, quando a ICAO decidiu adotar, para sinal de socorro na aviação civil, a expressão “mayday”, dita três vezes seguidas. Este sinal, parecendo sonoramente inglês, teria, no entanto, tido origem no vocábulo francês “m’aider”, o que seria uma prova da importância das tecnologias gaulesas e do uso da respetiva terminologia na aviação.
A SATA e a TAP nasceram logo a seguir à II Guerra Mundial e ainda hoje vivem recorrentemente em grande turbulência de gestão. A complexidade do negócio e a globalização da concorrência tornam dura a luta pela simples sobrevivência!
Tendo em conta que, no vocabulário português, o som “may day” ou “m’aider”se aproxima facilmente de “meu Deus!”, é caso para o invocarmos no desejo de salvação das nossas companhias aéreas.
Se não se levar a sério esta missão de salvamento, restará um S.O.S., tradução do “Save Our Souls” da religiosidade ocidental. Ou, o termo aeronáutico de meados do século passado, quando se utilizava “pan-pan”, com origem no termo francês “panne”, em situação de iminente desastre.
Ao serem avaliados os resultados das acrobacias financeiras necessárias para manter as nossas companhias aéreas em velocidade de cruzeiro, tenhamos a compreensão de considerar que o transporte aéreo se tornou um bem essencial, particularmente para a nossa condição de ilhéus. E olhemos com mais admiração para os decisores públicos, investidores e trabalhadores, que se mantêm determinados na crença de lutar pela sobrevivência das nossas empresas voadoras.

Partidos em ebulição

Não será apenas em resultado das altas temperaturas provocadas pelas vagas de calor, mas o certo é que se nota um certo frenesim dentro dos partidos políticos, nuns mais do que noutros, nas semanas do Verão em curso, apesar da pausa propiciada pelo período de férias.
O PS, primeiro responsável do Governo, discute, desde os tempos do congresso realizado meses atrás, as opções políticas para a legislatura a iniciar após as eleições legislativas de 2019. Predominam os entusiastas da fórmula “gerigonçal”, já que bem poucos se atrevem a sonhar sequer com uma maioria absoluta, cada vez mais fora do radar socialista, quando tantos problemas se estão agravando nos serviços públicos cruciais da saúde e da educação. Mas mesmo aí há divergências, mais ou menos disfarçadas, uns exigindo a conversão dos parceiros PCP e BE aos dogmas da União Europeia e da NATO, outros cheios de entusiasmo por um acentuar da viragem aos temas caros à extrema esquerda, nomeadamente a reforma das leis laborais e a questão societal  fracturante que ainda resta, isto é a liberalização da eutanásia.
O líder do PS, por seu turno, finge que esse debate não lhe diz respeito e debita optimismo a propósito de tudo, incluindo perante o grande desastre ambiental do recente fogo em Monchique, que devastou a serra algarvia e causou graves prejuízos. Não vai, porém, poder permanecer indefinidamente no Olimpo das suas indefinições.
O PCP tem vindo a dar sinais de vida, jogando na desestabilização laboral nas áreas onde goza de maior influencia, com destaque para a dos professores. Mas está dilacerado perante a necessidade de aprovar o OE 2019, apesar das restrições impostas pelo cumprimento dos requisitos financeiros europeus, a fim de permitir o cumprimento da legislatura em curso, evitando a queda do Governo e a antecipação das eleições.
O BE está a curar as feridas causadas pelo caso Robles, que atingiram a credibilidade do discurso habitual do partido. Dá sinais de querer chegar ao Governo, em acordo com o PS, desejavelmente com a sua posição eleitoral fortalecida e a do parceiro enfraquecida, mas isso pode vir a revelar-se apenas whishfull thinking…
O CDS anda eufórico com os resultados alcançados pela sua líder nas eleições últimas  autárquicas e pensa já que vai transpô-los para todo o País nas próximas eleições gerais. Mas o tema europeu também arrelia os seus dirigentes e é significativo que já tenha sido anunciado o cabeça de lista para as eleições de Maio de 2019, por sinal o mesmo de sempre…
No PSD há a confusão e o ruído comunicacional do costume, sempre que o partido está na Oposição. A saída de Pedro Santana Lopes para fundar o seu próprio partido foi finalmente concretizada. Além disso, ao líder eleito há escassos meses são feitos ataques contínuos por parte de militantes com pretensões de promoção mediática, todos se pondo em bicos de pés para serem lembrados quando soar a hora do ajuste de contas face aos iminentes resultados eleitorais do partido, que antevêem desastrosos e já agora colaboram activamente para que de facto sejam negativos.
Com amigos destes, Rui Rio não precisa mesmo de inimigos! Acresce que no meio das redes sociais, em que boa parte do debate político hoje, tristemente, decorre, quaisquer sinais de divisão interna do PSD são logo empolados para fragilizar a liderança legítima do partido, em benefício objectivo do statu quo, dominado pelo PS.
Ora, nem todos os que se auto propagandeiam como capazes para encabeçarem futuras, arrasadoras e vitoriosas movimentações politico-partidárias, têm reais e demonstradas qualidades para aspirarem ao desempenho das mais altas responsabilidades governativas nacionais, implícitas na liderança do maior partido da Oposição. Os seus méritos situam-se as mais das vezes na manipulação aparelhística, bem longe de uma verdadeira projecção de credibilidade nacional. Melhor fariam em estar quietos, reduzindo-se à sua reduzida significância!  
É certo que a degeneração das práticas democráticas tem permitido, em vários países, alguns até prestigiados, o acesso ao poder de personalidades evidentemente medíocres, várias delas ao fim de pouco tempo envolvidas em lamentáveis casos de falsificação de currículos e até de escandalosa corrupção. Mas os cidadãos têm vindo a aprender à sua custa que o correcto funcionamento do regime democrático exige, mais do que palavrosas declarações de intenção e ondas de apoio habilmente forjadas, qualidades de carácter e comprovada experiência no desempenho de cargos públicos. Rui Rio tem isso a seu favor e não deve tal ser desvalorizado!
Por cá, nas nossas ilhas dos Açores, também há sinais de ebulição partidária. Talvez me venha a referir a isso futuramente, após madura ponderação.

(Por convicção pessoal, o Autor não respeita ao assim chamado Acordo Ortográfico)