Para reflexão do governo

A União Europeia e o Governo Regional parecem estar prontos para subsidiar com 25,9 milhões de euros a duas empresas que se querem dedicar à exploração de energias renováveis a partir da energia solar, bem como no fabrico de “pellets” de biomassa para exportação.
Tudo estaria bem se os capitais próprios dessas empresas fossem avultados e condicentes com o valor dos investimentos. Porém, e a fazer fé no que vem escrito nos jornais, o capital social de cada uma das empresas é de uns “míseros” 5.000,00 € e, mesmo assim, uma delas com o capital repartido por três sócios e a outra com o capital dividido por dois sócios que, por acaso, são marido e mulher.
Curioso é notar que esta iniciativa tem origem na ilha Terceira de Jesus Cristo, terra do nosso Vice-Presidente que, como sabemos, também tem as finanças regionais a seu cargo e que, dentro do governo, parece ter uma força muito maior do que a sua estatura física pode fazer crer.
Se as pessoas envolvidas quisessem aventurar-se a fazer o que têm em mente, mas com o seu próprio dinheiro nada a opor. Agora, fazer investimentos de duvidosa rentabilidade e ainda por cima com um deles - o das pellets – sem garantia de matéria-prima suficiente para alimentar as três unidades previstas, parece-me que está, à partida, condenado ao fracasso. Não é preciso ser economista, com licenciatura, para ver que não vai dar certo. Basta ter alguma idade e prática de vida ligada ao comércio e à indústria.
De resto, muito embora uma das personalidades associadas a uma das empresas esteja, ao que parece, em nome individual, não a inibe de culpas noutras sociedades a que o seu grupo está ligado e que, infelizmente, tanto mal tem feito às gentes destas ilhas. Já não bastam os investimentos que estão parados há vários anos e com dívidas até dizer chega, os quais foram altamente financiados com dinheiros públicos que teriam sido melhor empregues na modernização de algumas fábricas existentes por esses Açores fora.
Ora com o insucesso nos investimentos atrás referidos, como é possível aprovar candidaturas para investimentos de tão elevado valor a empresas cujo capital social parece ser de uma empresa de vão de escada?
Convenhamos que é, no mínimo, estranho!
Desconheço como se desenvolveu todo o processo da candidatura aos 25,9 milhões de euros. Todavia, atendendo a vários insucessos anteriores, em projectos que também pareciam dar certo, e que envolveram grandes montantes em matérias de subsídios, há que estudar muito bem os projectos agora apresentados para evitar repetições.
Há que analisar tudo ao pormenor, nomeadamente, onde se irá buscar a matéria-prima respeitando o impacto ambiental. Se há, ou não, mercado local para absorção dos milhares e milhares de toneladas de pallets que irão ser produzidas. Quantos postos de trabalho se irão criar com as novas indústrias; enfim, uma série de questões que têm de ser ponderadas para se ter a certeza de que não se trata de mais um “chico-espertismo” entre tantos que já aconteceram.
Todos sabemos que são necessários novos investimentos para o desenvolvimento da nossa economia. Porém, há que ter os pés assentes na terra e olhar à nossa volta para avaliarmos o que poderemos fazer para o nosso mercado, que é pequeno, e que para exportar para a Europa é preciso ter transportes muito baratos que não é o nosso caso.
Nós já temos elefantes brancos que chegue! É costume dizer-se que a vida não está para graças. Com a austeridade que vivemos presentemente, pior ainda. Vamos a ver se há juízo e deixemo-nos de megalomanias!

Bombeiros ARRISCA(m) solução difícil!

Os sócios da Associação Humanitária dos Bombeiros de Ponta Delgada e Lagoa vão ter hoje ocasião de se pronunciar, em Assembleia Geral, sobre uma importante questão que se prende com a localização da sede da Arrisca. Já o dissemos e voltamos a repetir que não podemos ver tão importante matéria tornar-se numa arma de arremesso político e instrumento de medição de forças numa questão que não devia servir para dividir, mas sim para unir. Não se pode pensar que tudo se resume a um jogo de interesses e que se passe a imagem de um “quero, posso e mando” que esconde uma tremenda falta de autoridade e de diálogo social. Razão têm os comerciantes em não querer aquele serviço no centro da cidade. Não é uma questão de discriminação. Mas a razão já começa a falhar quando se nota que “nenhum lugar é bom”. Os sócios dos Bombeiros de Ponta Delgada vão ter de pronunciar-se e devem fazê-lo livremente.
Há considerandos que devem estar presentes na reflexão. O dinheiro que se vai pagar aos Bombeiros e que são alguns milhares de euros por mês, o que dá muito jeito à Associação, somado ao valor das obras que se vão fazer para o necessário pavilhão, não dará para investir na Casa da Saúde de São Miguel que tem espaços mais que suficientes para albergar a estrutura da Arrisca? É que nos Bombeiros vamos ter uma estrutura sempre provisória, ou seja,  vai ser investido dinheiro para um determinado tempo e depois o processo terá de recomeçar de novo e a escolha de novo lugar levará ao que se está a viver agora. Decidindo-se pela Casa de Saúde, a solução é definitiva. Não se pode entender que haja uma decisão baseada em alguém que tem motivos para não querer a Casa de Saúde. Para a decisão de hoje, a questão da proximidade de uma escola é secundária, porque infelizmente o problema está lá e não vai ser diferente com a presença dos doentes.
O que está em questão é encontrar uma solução definitiva, segura e não politizada. Que não haja vencedores e vencidos.
Dinheiro? Mas então não houve um milhão de euros há pouco tempo para comprar o solar da Glória no Livramento? E não há mais um milhão de euros para a sua recuperação para apenas 30 camas de tratamento de toxicodependências?  Não poderia a Arrisca ficar com este espaço? Não teria este solar espaço suficiente para numa obra só se concentrar todas as valências da Arrisca? Quem o vai explorar? O futuro dirá, mas não é difícil adivinhar.
Ainda há dias, Roberto Moniz, num artigo com toda a propriedade e oportunidade sugeria o edifício do velho Hospital da Misericórdia de Ponta Delgada para sede da Arrisca. Tem tanta validade como esta que se discute hoje nos Bombeiros. Seria de estudar e pensar se a estrutura poderia ficar nas antigas instalações da enfermaria de retaguarda ou nas antigas consultas externas, com obras a fazer, naturalmente, como acontecerá em qualquer lado. Mas subsiste o argumento que naquele velho Hospital há uma Escola, ATL”s, e outras valências com crianças e jovens. Se é para usar este argumento, ele também vale para ali.
E vistas, não todas, mas várias hipóteses, vamos sempre dar ao mesmo: não se percebe a argumentação de que a Casa de Saúde não serve, quando lá há espaço suficiente para tudo quanto se queira fazer. Isto não pode ser tratado como se fosse um negócio, para que não fique a ideia de que o mal de uns é proveito para outros.
E não vale os políticos andarem a arregimentar pessoas para defender as suas teses, porque há sempre quem pense pela sua cabeça. Felizmente!

Sem medo, com honra


Disse Carlos Rezendes Cabral, na sua crónica da passada quinta-feira, neste jornal, que “independência com Portugal, porque não?”.
De facto é esta a grande questão que se põe em relação aos Açores e ao destino do seu trajecto político: porque nada nos obriga a sermos portugueses quando entendermos não o dever ser por razões que possam por em causa a nossa dignidade como povo que somos neste arquipélago.
Quem viu o trabalho feito pela RTP-AÇORES, nos serões de quinta e sexta feira desta semana passada, intitulado “O verão quente açoriano”, certamente que tomou consciência daquilo que eu já havia dito, há muito tempo atrás sobre a FLA e a importância que aquele movimento teve para que alcançássemos a autonomia que nos foi constitucionalmente concedida por Portugal; assim como a FLA, funcionou muito mais como um estado de espírito do que propriamente como um movimento devidamente organizado militar e politicamente.
E talvez por a FLA ser muito mais um estado de espírito do que outra coisa qualquer, é que, mesmo desorganizadamente, mesmo com muitas células, algumas delas agindo à sua maneira, fez com que ela se conseguisse projectar, agregar milhares de pessoas, impor respeito, e tornar-se no ponto de partida para que os portugueses tomassem consciência de que não embarcaríamos na nova ditadura de esquerda que nos queriam impor, e nos concedessem esta castrada autonomia que ora temos. E digo castrada, porque esta autonomia parecendo uma coisa muito boa, ela não é mais do que o veneno do escorpião sempre pronto a morder quem o consente pela sua natureza prenhe de maldade.
Por isso temos um país tutor, diria um papão, de uma região e de um povo que controla, impondo um representante da república como um polícia que nos manieta, denuncia, e julga, sob os altos interesses lusos; estamos completamente manietados naquilo que diz respeito aos nossos ricos recursos estratégicos e marinhos sem os podermos gerir e explorar segundo a nossa vontade, como um bem que poderia trazer às nossas populações formas mais gostosas, ou menos penosas, pelo facto do isolamento a que estamos sujeitos; estamos dependentes da negociação, por Portugal, do nosso território por países terceiros quando deveríamos ser os primeiros a fazê-lo porque é território nosso, é risco nosso, é a nossa casa, onde vivemos e queremos viver segundo a nossa cultura, esforço, sacrifício e vontade; estamos sujeitos, quando usufruem de milhões e milhões dos Açores, a nos acusarem, (como o fez outrora Cavaco Silva, primeiro ministro de Portugal), de gastadores, de lapidarmos os cofres do Estado, de vivermos acima das nossas posses, como se fôssemos, de facto, “chulos” de Portugal; estamos sujeitos à debilidade de muitos dos cérebros doentes dos políticos que, arrastando Portugal para o descrédito, a bancarrota, nos levaram, a nós também, a pagarmos, aqui nestas ilhas, as vigarices, a arrogância e a incompetência dos sucessivos governantes que tão mal conduziram Portugal nas negociações com a Comunidade Europeia e que, desastrosamente, gastaram os dinheiros comunitários que entraram a rodos no rectângulo.
E hoje que autonomia temos? Que decisões a nós pertencem, na defesa e legitimidade do nosso povo? Que ganhámos nós em nos mantermos portugueses? Nada. Aquilo que ganhámos foram imposições por devaneios portugueses que conduziram Portugal e ilhas ao sofrimento, à miséria, ao desemprego e ao desnorte em que se chegou, ao ponto de um político não ser mais acreditado para ser mais tido como um novo gangster do que um homem que pode defender a cidadania.
Nós açorianos, para os portugueses, somos como uma espécie menor, de gente menor, descaradamente gastadores daquilo que Portugal resmunga dar-nos sem se lembrar daquilo que nos surripia; sem, ao menos se lembrar que somos os guardas e os faroleiros do extremo da Europa no meio do Atlântico, à borla; sem se lembrarem que nestes pedaços de terra, aguentamos as agruras do isolamento, trabalhando, produzindo riqueza, e guardando todo este lindíssimo património que embeleza as nossas ilhas; sem se lembrarem da nossa cultura em que nem um só jornal português fez referência à morte de Daniel Sá, um dos maiores escritores açorianos de sempre, quando um simples unheiro, sofrido por um qualquer futebolista é logo referenciado em primeira página, em qualquer jornal; sem se lembrarem na sua tacanha estupidez, do nome das nossas ilhas, agindo com a humildade que lhes seria imposta, se reconhecessem quão estúpidos são.   
Portugal só se preocupa connosco pela sua doentia maldade de escorpião, pronto a picar-nos com o seu letal veneno nascido nas glândulas da sua inveja e pequenez. Por isso a FLA, essa organização resultante do estado de espírito açoriano foi, é, e será, o maior bem que o povo açoriano tem, sempre pronto em agir para, defendendo a nossa cultura, o nosso bem-estar e sossego social dos Açores, expulse aqueles que, auto proclamados democratas, não passam de autênticos manipuladores e colonizadores deste arquipélago.
Quanto ao resto, qual o medo para sermos independentes? Qual o medo que teríamos com a posição estratégica que temos, a riqueza submarina que nos cerca, o valor e amor que o açoriano tem ao trabalho? Somos muito mais ricos, climática e geologicamente, do que São Tomé, Timor e Cabo Verde, territórios a quem Portugal os fez independentes. Porque não nós? Portugal não o quer, mas a sua ganância, a sua incompetência, o seu veneno de escorpião, a sua arrogância e falta de senso, levará a que, qualquer dia, por imposição nossa, sejam obrigados a darem-nos a independência. E dá-la-ão porque já estamos a ficar fartos de vigarices, incompetência e de tanto descrédito como aquele que conseguiram criar junto dos açorianos. E quem melhor do que a FLA para a exigir?    
 

Privatização da EDA: O pior cego é aquele que não quer ver


 


Aprendi nos bancos da antiga escola primária que uma ilha é “uma porção de terra rodeada de mar por todos os lados”. Afinal, e segundo o EUROSTAT, uma ilha é definida como uma porção de território com pelo menos 1km2, localizada no mínimo a 1km de um continente e com uma população residente igual ou maior a 50 pessoas, sem ligação física permanente ao continente e sem albergar uma capital da união Europeia.
Com base nesta definição, a Comissão Europeia identificou 286 ilhas integrando a União Europeia. Juntas são a “casa” de quase 10 milhões de pessoas e ocupam uma área de cerca de 100.000 km2. A sua população concentra-se maioritariamente em três áreas geográficas: Atlântico, Norte da Europa e Mediterrâneo, sendo que este último conta com 85% da população destas ilhas. Pertencem a 11 países, com 5 estados-membro a possuírem 75% das ilhas. Assim, cerca de 2% da população da União Europeia vive em ilhas. A situação destes europeus em termos de abastecimento energético é particularmente diferente dos restantes cidadãos do velho continente. As ilhas europeias enfrentam desafios importantes e determinantes no sentido de satisfazerem as suas necessidades energéticas de forma sustentável, ou seja, ambientalmente equilibrada, segura e com custos racionais, adaptados aos tempos de crise económica.
Os sistemas energéticos em ilhas, apesar da sua diversidade, partilham características comuns e enfrentam desafios semelhantes. Atendendo à reduzida dimensão dos seus territórios, não existem economias de escala capazes de financiar produção energética própria. Como tal, boa parte das ilhas europeias não possuem muitas opções para diversificar as suas fontes energéticas, baseando a sua produção elétrica em centrais que operam queimando derivados de petróleo (gasóleo ou fuel). Este facto traduz-se numa elevada dependência de importações de combustíveis para a produção de eletricidade. Como tal, as ilhas são extremamente sensíveis à volatilidade do preço do petróleo. Outro aspeto reside no facto de, frequentemente, os sistemas energéticos em ilhas serem aparentemente um modelo “copy-paste” das soluções aplicadas nos seus países, muitas vezes desfasadas da realidade local. Os mercados ilhéus possuem características distintas, portanto, requerem uma abordagem diferente simultaneamente razoável e proporcional.
Devido ao seu isolamento, as ilhas necessitam de assumir medidas extraordinárias para garantir a estabilidade dos seus sistemas energéticos e a segurança no abastecimento. Estas medidas exigem uma especial e particular atenção nas ilhas comparativamente aos seus territórios nacionais, com a crescente penetração de fontes renováveis.
Desta forma, as duzentas e oitenta e seis ilhas existentes em território da União Europeia, sobretudo as mais pequenas como as açorianas, possuem sistemas energéticos muito peculiares que diferem substancialmente dos continentais em vários aspetos que determinam a sua atual situação e as suas opções em matéria de adoção de soluções sustentáveis.
A inexistência de economias de escala, o isolamento que impossibilita a interligação com outras redes de maior dimensão e o reduzido número de consumidores que estabilizam o mercado, inviabilizam a privatização das empresas eletroprodutoras. Os sistemas energéticos em ilhas necessitam de um quadro regulatório e de incentivos públicos estável que respondam aos desafios inerentes ao seu desenvolvimento e sustentabilidade.
Qualquer governo que não encare seriamente o setor energético como altamente estratégico, não é sério ou não sabe o que diz. Por tudo isto, caso a privatização da EDA se torne uma realidade, poderemos assistir a um tremendo erro político com consequências imprevisíveis para os açorianos e para a estabilidade do nosso sistema elétrico. Como diz o ditado, pior cego é mesmo aquele que não quer ver.

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maisenergiamaisvida.blogspot.com

Cerâmicas Regionais

No conjunto de artigos que temos vindo a publicar sob o mote “A Riqueza Natural dos Açores e a Construção Civil”, a inclusão de um artigo sobre revestimentos cerâmicos pode parecer, à primeira vista, despropositada. No entanto, a argila, tal com a cal, embora dependessem quase na totalidade da importação, tinham uma aplicação generalizada, pois eram utilizadas em argamassas, caiações e no fabrico de telha e de revestimentos cerâmicos, assim como de loiça e peças de decoração. Deste modo, julgamos que os produtos cerâmicos regionais merecem algumas considerações específicas, uma vez que são produtos que incorporam parcialmente argilas locais e, sobretudo, porque possuem um valor identitário, não só estético, mas também de labor manual, tanto na moldagem como na pintura, que lhes dá o carácter artesanal característico, aspecto este actualmente valorizado e com potencial enorme em nichos específicos de mercado.
Em relação à matéria-prima, as argilas existentes nos Açores resultam da alteração de basaltos, traquitos ou pedra-pomes, são de má qualidade e apresentam reduzida plasticidade. Neste cenário, a ilha de Santa Maria constitui a excepção. Santa Maria possui uma constituição geológica peculiar, que inclui argila e calcário, e que a tornou, a nível do arquipélago, o centro fornecedor destas matérias-primas.
A partir da argila, considerando apenas os produtos de construção, era produzida telha, tijoleira e azulejos. Estes produtos eram fabricados manualmente recorrendo à mistura de argilas locais com argila proveniente de Santa Maria e do Continente. Ainda hoje, a Cerâmica Vieira recorre ao trabalho manual e à mistura de argilas de Santa Maria com argilas do Continente em todos os seus produtos.
Actualmente, para o universo da construção, as duas cerâmicas em funcionamento na ilha de São Miguel apenas disponibilizam azulejos. Excecionalmente, e sob encomenda, a Cerâmica Vieira também fabrica telha regional de canudo. A telha regional de canudo possui particularidades interessantes, o recurso ao barro e a materiais pomíticos muito porosos proporciona um maior conforto térmico, porém, quando as telhas são sujeitas à chuva tornam-se pesadas e frágeis, ainda assim, o aumento de peso beneficia o seu comportamento ao vento. Esperamos futuramente, nesta série de artigos, abordar mais profundamente a telha regional, desde o seu desuso até ao seu contributo visual e cromático na vista aérea dos centros históricos.  
O processo de fabrico do azulejo implica duas cozeduras, a primeira denomina-se de chacota e a segunda permite fixar o vidrado e a cor numa das faces. Esta face pode ser monocromática ou policromática, lisa ou com elementos que conjugados criam padrões de variada complexidade. O azulejo associado à arquitetura é utilizado como revestimento de superfícies interiores ou exteriores, possui qualidades óbvias para a utilização em zonas húmidas, mas também pode ser utilizado como elemento decorativo, em grandes superfícies ou isolado.
Outra qualidade do azulejo como revestimento, para além da carga histórica e identitária e da sua funcionalidade, é a reflexão da luz, através do seu brilho, o que, associado ao caracter artesanal da cerâmica regional, potencia a vibração da luz. Estas propriedades constituem uma mais-valia na exploração das qualidades espaciais e cenográficas da Arquitectura.
A maior procura do azulejo regional surge na reabilitação de edifícios antigos onde é possível obter cópias de azulejos existentes de modo a reparar, completar ou aumentar áreas revestidas com azulejos antigos. Também se assiste a uma procura destes produtos pela nova geração de arquitectos. É de destacar o recorrente uso arquitectónico de painéis decorativos, elaborados tanto por artesãos como por artistas plásticos, dos quais existem exemplos muito ricos de complementaridade entre os azulejos e o conceito de espaço, quer na arquitectura tradicional, quer na arquitectura contemporânea.
À semelhança de muitos outros materiais, técnicas e produtos de fabrico Regional devia-se, por um lado, apostar no estudo e no conhecimento das suas características, através da realização de testes e ensaios, por forma a melhorar algumas das fragilidades, sem nunca perder a sua identidade, e, por outro lado, apostar numa maior promoção destes elementos por parte dos Donos de Obra e dos Arquitectos, inclusivamente criar mostruários, catálogos gráficos, etc. que permitissem a divulgação dos produtos disponíveis.
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Luís Leite, Arquitecto
Francisco Câmara, Eng. Civil
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A Europa precisa encontrar a sua “alma”

No passado dia 30 de Maio, representantes de instituições políticas e de várias comunidades religiosas reuniram-se na sede da Comissão Europeia em Bruxelas, para falar sobre o importante papel que as comunidades religiosas são chamadas a cumprir na consolidação das instituições e do bem comum da sociedade, através da promoção do positivismo da integração comunitária.
Participaram do encontro representantes de várias confissões cristãs, islâmicas, do judaísmo e do hinduísmo. Estiveram presentes delegados das Comissões dos Episcopados da Comunidade Europeia, cuja iniciativa serviu e foi ocasião para um amplo intercâmbio acerca das diversas perspectivas e visões sobre questões actuais, desde a crise económica que grassa na União, passando pelas situações de pobreza nos diversos estados, bem como da necessidade de construir pontes entre os povos e à abertura da União Europeia aos países vizinhos e ao resto do mundo.
Outros temas abordados foram os valores inspiradores que estiveram na génese da Europa, como sejam os direitos fundamentais, as raízes cristãs históricas e religiosas do velho continente, o respeito pela liberdade de fé, tanto na Europa, como além das suas fronteiras, a discriminação religiosa. Um dos pontos cruciais de carácter prioritário teve a ver com a situação em que vivem os jovens, os trabalhadores e as famílias que estão sofrendo os piores efeitos da crise económica.
Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, explicou que enquanto estamos empenhados em acabar com a crise económica na Europa, resulta claro que é necessário enfrentar outro desafio: a crise de confiança e de valores que atravessa o continente. E acrescentou que a participação das comunidades religiosas é indispensável para o êxito deste objectivo, que também passa pelo situar os cidadãos no coração do projecto europeu.
Por seu lado, o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, enfatizou as múltiplas perspectivas oferecidas pelos representantes das diferentes comunidades e crenças religiosas existentes na Europa, pois elas são uma grande ajuda para a construção do projecto europeu.
Também interveio Patrick Daly, secretário-geral da COMECE, destacando que a Igreja Católica sustenta o projecto europeu e está envolvida na sua realização, lembrando que, como disse o Cardeal Marx, presidente da COMECE, durante o encontro com o Santo Padre Francisco, temos a tarefa de transmitir uma ideia positiva da integração europeia, promovendo-a junto dos fiéis e cidadãos da Europa.
Entretanto, em declarações públicas após aquele encontro, a COMECE informou que os bispos representantes daquela instituição reiteram o papel histórico, cultural e espiritual do cristianismo na construção da Europa de hoje e da noção moderna de cidadania. A característica mais importante é que no conceito cristão de cidadania, os deveres devem equilibrar-se com os direitos, pois os nossos direitos devem estar vinculados às responsabilidades cívicas.
De facto, o cristão deve pensar primeiro nos deveres e responsabilidades, e deve tentar criar uma sociedade que seja acolhedora, aberta e particularmente sensível às pessoas cujos direitos não estão a ser plenamente respeitados ou que, apesar de viverem na Europa, não desfrutam de nenhum dos privilégios da respectiva cidadania. Este desafio à consciência cristã é ainda mais urgente no momento actual de crise sócio económica, assim como a necessidade de injectar o conceito de cidadania com a sua dimensão espiritual própria, essencial para que a Europa possa encontrar sua “alma”.

2013-06-09

Meus Queridos! Não resisti e no dia 6 de Junho lá tirei o meu vestido azul bandeira do fundo do baú para o arejar, sacudir a naftalina e usá-lo no dia que se comemoravam 38 anos da “revolução de Verão” em São Miguel. Convidei para um chá a minha prima Maria do Espírito Santo, uma açoriana dos pés à cabeça, e que sempre me acompanha em todos os eventos que promovem e invocam a açorianidade. Além disso juntei ainda outras amigas que militam em partidos diferentes. Juro que mais parecia um serão da Assembleia da Região. O chá foi acompanhado de umas queijadas da Vila, outras de feijão da Graciosa, e de biscoitos de orelha de Santa Maria. Só faltaram as queijadas da D. Amélia da Terceira porque o portador adoeceu antes de partir da Ilha de Jesus. O serão serviu para ver a reportagem televisiva da autoria do jornalista Herberto Gomes sobre o 6 de Junho. A peça era uma obra que honra o jornalista e os artífices da produção. É um documento bom e barato que fica para a história recente dos Açores. Gostei de rever quantos intervieram no programa, os que se consideram vítimas do 6 de Junho e os que se consideram seus agentes ou autores. Mas juro que fiquei menente com as declarações de Carlos César. O rico não deixa de me surpreender. De protestante do 6 de Junho, não só se converteu às virtudes que ele teve, como ainda confessou que trouxe armas para os Açores e que não sabe onde elas estão. Só me falta saber se as armas que trouxe eram para combater os que foram naquele tempo para a cadeia ou eram para apoiar os camaradas do Copcon comandados pelo general Fabião e por Otelo Saraiva de Carvalho que queriam limpar os fascistas e os contra-revolucionários. O mundo dá tantas voltas e desde há dois mil anos que há cristãos novos. Mas vira casacas é o que mais há nesta terra e o que interessa agora saber é que a convivência com independentistas não é doença contagiosa como a lepra… coisa que outrora dava direito às maiores patifarias políticas…

Ricos! Desde que o director do Jornal que tão generosamente me acolhe no seu pós o dedo na ferida que será aberta com a pretensa privatização da EDA, a sociedade tomou consciência do que é que está em causa. Bem sei que o governo precisa de dinheiro, mas neste caso não se vão só os anéis com a privatização. Vão-se os anéis e os dedos juntamente. O governo de Passos Coelho também pensava privatizar a Caixa Geral de Depósitos e percebeu a tempo o erro colossal que seria tal medida. Recuou e até agora já usa a Caixa como instrumento para dinamizar a economia. Não fica feio corrigir o erro. Feio é reconhecê-lo e não evitá-lo.


Ricos! O meu querido antigo reitor da Universidade dos Açores Machado Pires está em grande forma e numa entrevista concedida à rádio pública açoriana falou da Universidade e dos seus problemas como um verdadeiro catedrático. Foi ao fundo da mercantilização que invadiu muitos professores, e que instalaram por isso nas universidades a corrupção que hoje atormenta o sistema do ensino superior. Indicou caminhos a seguir e só espero que o sangue novo que agora entrou para o conselho geral da Universidade dos Açores, com destaque para ingresso do meu querido caçador e banqueiro Gualter Furtado possa encontrar o norte que abra o futuro que a Universidade dos Açores no presente não tem…


Meus Queridos! Fui apanhada no meio de um almoço onde estavam muitos empresários comendo uma saborosa carne guisada com batata nova. Fiquei zonza com o burburinho que faziam à volta daqueles generosos projectos de pellets e de painéis solares recentemente aprovados pelo governo. Todos queriam saber como é que empresas com cinco mil euros de capital social conseguirão fazer investimentos de quase trinta milhões de euros. Eu não tive resposta para lhes dar porque não sou mulher entendida nessas coisas de números, mas juro que fiquei com as mesmas dúvidas daqueles que estavam à volta da mesa e sabem quanto custa a vida…


Meus queridos! Amanhã é Dia de Portugal. Não fui convidada para a Madre de Deus e confesso que aquelas festas nunca mais deram que falar desde os tempos do meu querido general cinzentão. Aí eu não falhava para degustar um bom croquete. Agora tudo está diferente com a crise que por aí vai, mas quero aproveitar este dia para felicitar todos os condecorados. É bom reconhecer o trabalho e o mérito de quem tenta vencer dificuldades nesse país que anda todo sem esperança. Um ternurento beijinho a todos. Sei que o meu vestido azul bandeira destoa das cores do dia de amanhã, mas como sou uma mulher de acreditar, quero viver ainda para ver um Portugal diferente e que respeite os Açores e mereça o respeito dos Açores.


Ricos! Continua um pouco por todo o lado a grande contestação à remodelação do serviço de saúde nos Açores. Mas, mesmo que digam e jurem o contrário, toda a gente sabe é que não há pilim para manter as coisas como estão. Por isso não percebo bem aquela do meu querido Presidente Vasco que, ao tentar responder a acusações de atrasos nos pagamentos, afirma que não paga porque Lisboa deve muito dinheiro e só na Saúde são 50 milhões em atraso. Mas se a Saúde dos Açores deve quase mil milhões e se Lisboa deve 50 milhões, porque não pagam o resto e deixam esses 50 milhões para quando o rectângulo pagar? É que a gente já não acredita que tudo o que corre mal aqui seja culpa de Lisboa…


Meus queridos! No Domingo passado saí daqui da minha Rua Gonçalo Bezerra e com a minha prima da Lomba da Maia que me veio fazer uma visita, fomos ver a procissão do Corpo de Deus, muito participada, que saiu da Matriz de Nossa Senhora da Estrela com muita ordem e respeito. Não sou mulher que perceba muito dessas coisas de ritos religiosos, mas confesso que não gosto nada da ideia de andarem com a Custódia do Santíssimo, em cima de um andor, como se fosse uma imagem ou um símbolo religioso, tipo coroa do Divino. Para que se saiba, o Santíssimo é a presença real, não é uma imagem, e por sinal de respeito, na Igreja, ou está num sacrário, num baldaquino ou debaixo de uma ‘umbrela’. Na rua, a tradição é o pálio. Por isso mesmo não gostei da ideia e já não é a primeira vez. Se querem levar um andor, pois que façam como vi na cidade da Horta. O andor debaixo da pálio, com varas mais altas. Confesso que não gostei. Há coisas que não é preciso mudar nem inventar. Tá?


Ricos! Com que então vamos ter os professores a ensinar o hino dos Açores nas escolas! E vamos ter o içar da bandeira da Região! Acho muito bem. A ideia só peca por vir tarde. Quem é que se lembra dos milhares de euros que o Governo do meu querido ex-presidente César gastou há anos em “Kits da Autonomia” para todas as escolas? Quais foram os resultados? Houve escolas que nem os receberam e outras que nem os abriram. E lá havia bandeiras, bandeirinhas, brasões e cassette com o Hino. Tudo para nada… Só espero que agora a ideia não seja comprar tudo de novo… se for para comprar, olha, que comprem nos chineses que sempre é mais barato… Naquele tempo não havia chineses como agora e alguém ganhou muito com a ideia!


Ricos! Juro que isto não tem nada a ver com eleições autárquicas. Mas ao ver alguns programas de televisão fico abismada com a quantidade de tarecos que as Câmaras e juntas de freguesia compram e mandam fazer para ofertas e promoção. Jarros e jarrinhos, pratos e pratinhas, camisas e camisolas, em tudo se gasta pilim que tanta falta faz noutras coisas. E o pior é que muitas vezes se oferecem coisas que em nada correspondem às peculiaridades da terra. Se querem oferecer lembranças, ricos, façam-nas com prata da casa… Comprem livros de autores da terra e divulguem a sua cultura. Aproveitem os artistas locais… Quando o pilim ficar na terra já é bom sinal… Ou não é? Tanta vaidade vai por aí!


Ricos! E já que estou a falar de Câmaras e Juntas… Começou a época da caça ao voto. Vão ver este ano que não vai faltar pilim para concertos e conjuntos, com pimbalhada importada a peso de ouro para pagar em votos dos felizes contemplados… Há Câmaras que não têm dinheiro para fazer cantar um cego mas apresentam através das empresas estrategicamente criadas para o efeito, programas de festa de fazer inveja a gente rica… Tenham juízo. Quem não tem dinheiro para apoiar uma banda de música ou um grupo da terra como é que gasta ou apoia a vinda desta gente de fora? É obra e já se sabe que nem vale a pena falar!

Qual a urgência?

Surpreende os observadores mais atentos que, quer na decisão do Conselho do Governo, como na resolução ontem publicada em ‘Jornal Oficial’, não se explique a dimensão do interesse público destes projectos de investimento de 28 milhões de euros em painéis solares e três ‘pellets’ de biomassa, para além da anunciada criação de 60 novos postos de trabalho.
Despende-se à volta de 19 milhões de euros de verbas públicas em projectos de energias renováveis para criar seis dezenas de postos de trabalho, sabendo que a EDA já tem hoje dificuldade em injectar mais energia renovável na rede por razões técnicas de incompatibilidade?
Na resolução, o executivo açoriano não explica o que vão ganhar os consumidores açorianos com a instalação dos painéis solares por empresas privadas, cujo objectivo é a obtenção de lucro, nem os estudos que levaram à decisão de instalar ‘pellets’ de biomassa nas ilhas de São Miguel, Terceira e Pico e quais os seus objectivos.
E isso depois de, ainda recentemente, o presidente da EDA, Duarte Ponte, vir a público na edição de aniversário deste ‘Correio dos Açores’, a 1 de Maio, reafirmar a intenção da empresa de capitais públicos e privados avançar para a central hidroeléctrica irreversível nas Furnas que tem uma componente de transformação de biomassa em energia. Conhecendo tudo isso, - e a intenção de privatizar mais capital do grupo EDA - a resolução publicada ontem em ‘Jornal Oficial’, em vez de explicar, ao pormenor, as razões deste projecto, ‘emaranha’ nas teias da legislação em vigor a justificação para a decisão.
Indica-se que se tratam de empresas com designações inglesas (com excepção para a Empresa de Electridade e Gás que é, até, a que menos incentivos tem para o projecto que apresenta nas Flores), mas não se referem quais os seus principais sócios.
Será que a urgência deste projecto se justifica numa altura em que uma parte substancial da população açoriana passa por grandes dificuldades e uma parte significativa vive da caridade directa das instituições e vizinhos para conseguir subsistir? Serão estes projectos prioritários que, em termos de energia renovável, justificam tanta urgência, que justifica que passem por cima de outras necessidades prementes das populações açorianas? São estas questões que nos são colocadas por alguns dos nossos leitores.                                                          
                                                                                                                                   

Redes transeuropeias – e os Açores?


A concretização de uma rede transeuropeia de transportes é uma política da União Europeia que visa contribuir para o bom funcionamento do mercado interno e para o reforço da coesão económica e social. Os objetivos, as prioridades e as grandes linhas de ação, bem como os projetos que contribuem para o seu desenvolvimento, constituem um elemento essencial na sua implementação.
Esta rede de transportes pretende assegurar a mobilidade às pessoas e às mercadorias, oferecendo aos utentes infraestruturas de qualidade, incluindo todos os modos de transporte, alargando a sua cobertura à totalidade do território da União Europeia.
Isto é o que diz a legislação europeia, mas na prática, paradoxalmente, nem todos os territórios pertencentes à União são beneficiados por esta política de aproximação dos países, quando sabemos que se prevê ainda a sua extensão aos Estados-Membros EFTA, ou seja a Associação Europeia de Comércio Livre, aos países da Europa Central e Oriental e aos países mediterrânicos, que não fazem parte da EU.
Para além do mais, aquela rede transeuropeia engloba as infraestruturas, como estradas, vias férreas, vias navegáveis, portos, aeroportos, meios de navegação, plataformas intermodais, condutas de transporte de produtos, bem como os serviços necessários ao funcionamento das mesmas.
É que teria de se prever uma abordagem diferente desta política comunitária para a especificidade das Regiões Ultraperiféricas da Europa, como é o caso dos Açores e da Madeira, o que no território continental permite-lhes facilitar o transporte e a otimização da eficácia das infraestruturas existentes, garantindo aos utentes um nível de serviços, conforto e segurança elevado, homogéneo e constante.
A grande estrada que nos liga ao continente europeu e às outras ilhas dos Açores são os transportes aéreos, mormente através da SATA, que garante uma interligação segura, numa espécie de “verdadeira” continuidade territorial, mesmo com o mar a separar-nos dos outros povos europeus.
No entanto, constitui uma grande preocupação para a Região, a imposição da taxa de emissão de CO2 estabelecida para o transporte aéreo, o que é potencialmente penalizadora para os Açores e para os seus cidadãos, dado que o transporte aéreo é um meio de vital importância para uma região insular e muitas vezes, durante uma parte significativa do ano, o único meio de acesso ao continente português e às nove ilhas do Arquipélago.
O relatório da Comissão Europeia mostra que o total de emissões nos quinze países mais antigos da União Europeia, onde se inclui Portugal, é em média 14,2% inferior aos níveis dos anos de referência no período de compromisso, quando a meta prevista era de 8%.
Por isso, os nossos deputados europeus e portugueses têm a missão de continuarem a sensibilizar, tanto a Comissão Europeia, como o Parlamento e o Conselho, no sentido de fazerem valer a necessidade de aproximação “física” dos Açores ao resto da Europa, sem as penalizações previstas pela utilização do avião, dado a poluição ambiental provocada por este meio de transporte, quando sabemos que tanto a China, como os Estados Unidos nem assinaram o Protocolo de Quioto.

02-06-2013

Meus Queridos! Fiquei para Deus me levar com os números anunciados pelo meu querido Secretário da Educação quanto aos jovens que, com dezoito anos, saem da escola sem completar o ensino obrigatório, ou seja a mesma coisa que no meu tempo era não completarem a quarta classe. Reparem bem! São quarenta por cento os alunos que chegam aos dezoito anos e acabam de estudar sem chegar ao mínimo obrigatório. Isto é uma catástrofe. Que mão de obra qualificada vamos ter no futuro para gerar o desenvolvimento que os Açores precisam? Tenho pena do meu rico imperador César que reinou durante dezasseis anos. Apregoou mundos e fundos e deixou a Região com vinte mil desempregados, com quarenta por cento da população estudante sem completar o ensino obrigatório, e, tudo isso apesar dos biliões de euros que entraram nos Açores e dos elefantes brancos que estão por aí plantados. Isto é uma herança bem pior do que a dívida da Região ou coisa que se pareça… é o que se chama uma pesada herança…

Ricos! E já que falo em desemprego ouvi o meu querido Vice Serginho dar graças ao Altíssimo dizendo que o desemprego desceu no mês de Abril nos Açores. Mas isso também eu conseguia, mandando os desempregados fazerem cursos de reciclagem e retirando-os do caderno dos desempregados… Vamos assentar os pés na terra para depois as surpresas não serem ainda piores…

 
Ricos! Essa coisa que chamam reestruturação da Saúde e que mais parece um catálogo de cortes de estruturas e serviços, está a deixar muita gente nervosa. Um pouco por todas as ilhas. Mas é na Terceira que a coisa pia mais fino e que vai dar mais que falar, pois não se percebe que tenham enterrado milhões e milhões num novo hospital que afinal vai ter menos serviços e menos pessoal que o antigo. Percebo o descontentamento e acho bem que lutem pela sua ilha. O que não percebo é que andem a instigar bairrismos que já não têm cabimento quando dizem que São Miguel quer ficar com tudo, São Miguel tira tudo à Terceira e não sei mais quê… Qual São Miguel? Quanto menos se concentrar em São Miguel, melhor. Da maneira que está já levamos anos a conseguir uma consulta ou uma operação. Se trouxerem mais coisas, pior ainda. Isto quando toca a cortar para não gastar pilim, a desgraça é para todos. Essa coisa dos bairrismos é para inglês ver como dizia a minha amiga Jardelina.., porque enquanto se esgadanham por causa disso, lá  vão cortando a manta como dá jeito!


Meus queridos! Tenho seguido com atenção essa grande discussão sobre a futura localização da Arrisca. Nenhum dos defensores da igualdade ainda pediu para ter a coisa à sua porta, nem também são capazes de explicar porque é que aquela instituição há pouco mais de um ano estava para ir para o Livramento onde se investiu mais de um milhão na compra de um velho solar para se adaptar para centro contra as toxicodependências e agora tem de ser é na cidade. É muito fácil andarem a defender a não discriminação e coisas do género quando se sabe muito bem os interesses que estão no meio de tudo isto. É muito… e eu sou capaz de jurar que mais grave do que considerar as dependências como a lepra do nosso tempo é considerar as dependências como meio de satisfazer interesses de poder e dinheiro, esses sim que se podem considerar a lepra deste tempo…


Ricos! A minha prima Maria da Vila telefonou-me toda contente porque este ano o São João da Vila vai ser o patrono dos Impérios todos do Concelho. O meu querido presidente Cordeiro despede-se das festas de uma forma inédita, entregando medalhas aos 19 impérios do concelho. E faz muito bem. É uma forma de ter o salão nobre cheiinho de mordomos e de reconhecer que afinal o que é preciso é festa para fazer esquecer o resto. Claro que isto não tem nada… mas nada mesmo… a ver com o facto de estarmos em ano de eleições… Aguenta-te nobre Vila!


Meus queridos! Ouvi na sexta-feira, na Rádio Atlântida, o meu querido doutor Dias Pereira dizer com todas as letras que a luta contra o tabagismo tem que passar pelos serviços de saúde e não por iniciativas individuais e desgarradas sem confirmação científica. Quero mandar-lhe um ternurento beijinho pela coragem, porque realmente a taxa de quase 30 por cento de fumadores na população açoriana é muito preocupante e o pior é que é ainda mais alta nos jovens entre os treze e 18 anos, o que quer dizer que nem lei, nem Educação estão a resultar. Se é proibido vender tabaco a menores de 18 anos, como é que há tantas crianças a fumar? Nas escolas, à vista de professores e contínuos! Algo vai mal neste reino insular… Mas como diz a minha amiga Angelina, o melhor é perguntar, o que é que está bem?


Ricos! Numa notícia desta semana do jornal que tão generosamente me acolhe referia-se que uma traineira tinha desembarcado 22 mil toneladas de atum em Ponta Delgada, quando se queria dizer 22 mil quilos. Lembrei-me da homilia de um eminente sacerdote que um dia disse: “Vede meus irmãos o milagre de Jesus, matou a fome a quatro pessoas com quatro mil pães e dois peixes!” Do fundo da Igreja retorquiu um amigo da onça: “Que vantagem! Isso assim também faria eu…” O sacerdote engoliu em seco e no Domingo seguinte procurou corrigir o erro e virando-se para o tal amigo da onça disse: “Domingo passado enganei-me. Jesus matou a fome foi a quatro mil pessoas com quatro pães e dois peixes…” e apontou perguntando: “E tu aí! Agora farias isso? Sem se desconcertar o amigo da onça responde: Faria com o resto que cresceu de Domingo passado...” Os erros acontecem mesmo aos melhores… mas a minha prima Jardelina lembrou-se logo que se calhar as 22 mil toneladas até nem era um número exagerado para as 12 mil caixas plásticas para pescado que o Governo manda fazer todos os anos para a Lotaçor e que desaparecem sem que lhes dêem com o rasto. Em 5 anos já se foram mais de sessenta mil caixas e quase meio milhão de euros que é o seu custo… E se começasse a haver um depósito devolvido contra a entrega das caixas? O dado sai sempre caro!


Meus queridos! Muito gostei de ver o meu querido presidente Vasco Cordeiro todo sorridente nas fotos do encontro com o Presidente da comissão Europeia, Durão Barroso. E também gostei muito do enlevo com que muitos fãs da rosa falam deste encontro e do que ele pode trazer para os Açores… Mas a minha amiga Gertrudes que me telefonou para contar os enredos que vão no Partido Socialista da minha cidade norte… começou por vociferar contra tais bajuladores pois, pergunta ela, se essas mesmas pessoas não se lembram que apregoaram aos quatro ventos que Durão é um mero fantoche nas mãos dos alemães e que não tem poder nenhum? Afinal em que ficamos? Qual dos encontros é só para a fotografia? Este ou outros dantes que com tanto afã criticaram? Quanto ao fogo que lavra no reino socialista aqui na minha cidade norte nem quero lembrar o que disse a Gertrudes. Contou-me ela que a coisa é de tal ordem que chega ao ponto de Ricardo Silva ter escolhido a Vila de Rabo de Peixe para fazer a apresentação da sua candidatura a novo mandato em vez de o fazer na sede do concelho, julga ela, depois da guerra feia que trava com o Presidente da Assembleia Municipal Eduardo Vieira que ainda um desses dias, na televisão, arrasou a gestão da Câmara da Ribeira Grande… Se não houver bombeiros que apaguem o fogo, vai sair muita gente queimada neste incêndio que lavra…


Meus queridos! Neste ano de eleições para as Câmaras e Juntas, vale tudo para prometer o que se sabe que não podem cumprir. E enquanto discutem o sexo dos anjos e mais tecnologia para aqui e para ali, mais trilhos e ciclovias, mais ruas e canadinhas, nem têm tempo de olhar para o que falta faz ou está a cair de podre sem que lhe ponham a mão. Que o diga a vizinha da minha prima da rua do Poço que esta semana deu um grande trambolhão e esfolou uma canela num passeio mesmo à entrada da rua do Laureano, na Calheta que já está partido há meses e ninguém repara. O boeiro, com as pedras do lancil partidas está completamente cheio com o lixo que lá vai caindo e lá vão pondo. Ela jura que vai levar lá os candidatos, quando os apanhar na rua…


Ricos! Eu não queria acreditar. Uma pessoa amiga chamou-me para ver o que ela tinha recolhido da lixeira de Ponta Delgada: Eram centenas de latas de atum de conserva “made in Azores” com validade até ao ano de 2015, acompanhadas de largas dezenas de garrafas de sumo com validade assegurada ainda por muito tempo. Ela não sabe quem vazou os produtos na lixeira, o que ela sabe é que estão em bom estado e não lhe restou outra alternativa senão fazer uma distribuição por quem lhe passava pela porta. Ofereço uma lata de 5 Kg de atum Bom Petisco que comprei e tenho em casa, a quem for capaz de dizer quem fez tal proeza e porquê. Se fosse para pôr fora, podia ter entregue no Banco Alimentar, coisa que a instituição agradece e distribui por quem precisa.