Edit Template

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Prematuridade – A taxa de mortalidade dos prematuros nos Açores varia entre os 5 e 10%e é igual à que se verifica no continente

Lucinda Pacheco, médica responsável pela Unidade de Neonatologia do HDES, destaca a importância da sensibilização quanto aos desafios enfrentados por bebés prematuros e as suas famílias. Nesta entrevista, sublinha a necessidade de investimentos a nível de infra-estrutura e equipamentos no HDES, de modo a proporcionar cuidados ainda mais eficazes aos prematuros. Partilha, ainda, que no próximo Sábado, dia 18 de Novembro, no Pavilhão das Portas do Mar, estarão presentes vários prematuros e as suas famílias no IV Encontro de Prematuros dos Açores.

Correio dos Açores – Que relevância atribui ao Dia Mundial da Prematuridade?
Lucinda Pacheco (Médica responsável pela Unidade de Neonatologia do HDES)
O Dia Mundial da Prematuridade é uma data de grande relevância que procura sensibilizar, informar, educar, prevenir e apoiar as famílias afectadas pelos partos prematuros. Contribui para dar visibilidade a esse problema e promover acções, para melhorar a saúde e o bem-estar dos bebés prematuros e das suas famílias.

Como é que o HDES vai celebrar o Dia da Prematuridade e aumentar a sensibilização sobre esta questão?
O HDES vai celebrar o Dia da Prematuridade com um convívio social: “IV Encontro de Prematuros dos Açores” que vai decorrer no dia 18 de Novembro, no Pavilhão das Portas do Mar em Ponta Delgada, entre as 15h00 e as 18h00. O evento envolve ex-prematuros e as suas famílias, e toda a equipa envolvida no tratamento e acompanhamento dos prematuros, nomeadamente médicos, enfermeiros, terapeutas, assistentes sociais, psicólogos, auxiliares. Além deste convívio, vamos partilhar informações sobre prematuridade nas redes sociais.

Quais são as principais dificuldades que os bebés prematuros enfrentam no que toca à sua saúde e desenvolvimento?
Os bebés prematuros enfrentam várias dificuldades relacionadas com a sua saúde e com o seu desenvolvimento, devido à imaturidade fisiológica de todos os órgãos e sistemas, nomeadamente problemas respiratórios, risco de infecções, problemas de alimentação, complicações neurológicas que podem afectar o desenvolvimento cognitivo e motor, problemas de regulação térmica, entre outros.
Além de todas essas dificuldades de saúde, os bebés prematuros também enfrentam desafios emocionais e sociais. Muitas vezes precisam de cuidados intensivos neonatais prolongados, o que pode afectar o envolvimento com a família e o estabelecimento de vínculos afectivos.

Quais são as principais causas da prematuridade e como se pode reduzir o risco de ter um bebé prematuro?
As principais causas da prematuridade não são completamente compreendidas, mas existem vários factores de risco que podem aumentar a probabilidade de um parto prematuro, tais como a idade materna avançada, o baixo nível socioeconómico, o consumo de álcool e tabaco em excesso, história anterior de parto pré-termo, gravidez múltipla, alterações da quantidade de líquido amniótico, infecções, hemorragias e malformações uterinas, restrição do crescimento fetal e ainda diversos problemas de saúde materna, como a obesidade a diabetes a hipertensão arterial.
Para reduzir o risco de ter um bebé prematuro, é importante adoptar medidas preventivas, como vigilância adequada da gravidez, a fim de identificar e tratar precocemente quaisquer factores de risco; evitar o tabagismo, o consumo de álcool e drogas ilícitas; manter uma alimentação saudável; controlar as doenças médicas pré-existentes; prevenir infecções adoptando medidas como lavar as mãos regularmente, evitar o contacto com pessoas doentes e fazer as vacinas recomendadas; reduzir o stress promovendo estratégias, como exercícios físicos, técnicas de relaxamento e procurar apoio emocional.

Que carências existem no serviço de Neonatologia do HDES para fazer face à prematuridade?
A Unidade de Neonatologia do HDES precisa de novas instalações, mais modernas e adequadas. Desde que foi inaugurada, em 1997, não sofreu melhorias. É a única unidade da Região que presta cuidados aos prematuros abaixo das 32 semanas. Há que investir em novas técnicas, designadamente adquirir um aparelho para realizar hipotermia aos recém-nascidos com asfixias graves, um aparelho para administrar oxido nítrico nos casos de hipertensão pulmonar, assim como outros materiais que fazem a diferença dos cuidados.
No entanto, não posso deixar de referir que neste último ano fomos finalmente contemplados com dois ventiladores novos da última geração e quatro incubadoras novas.

Como é que a equipa médica do HDES trabalha para providenciar cuidados de qualidade aos bebés prematuros e apoiar as suas famílias?
A equipa médica do HDES trabalha em estreita colaboração para garantir cuidados de qualidade, com foco na saúde dos bebés prematuros, e no apoio emocional e prático às suas famílias.
A presença de uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, enfermeiros, terapeutas, assistentes sociais e psicólogas auxiliares de acção medica é essencial para fornecer o suporte necessário para esses bebés e as suas famílias durante essa fase crítica das suas vidas.

Qual a taxa de bebés prematuros que acabam por falecer no HDES?
A taxa de mortalidade dos prematuros na nossa unidade varia de acordo com vários factores, como idade gestacional, peso ao nascer e presença de complicações médicas. A nossa taxa de mortalidade está em consonância com a média nacional. No geral, estima-se que a taxa de mortalidade dos prematuros em Portugal seja de cerca de 5 a 10%. No entanto, é importante ressalvar que esses números podem variar e é necessário considerar cada caso individualmente.

Que conselhos tem para os pais de bebés prematuros para os ajudar a lidar com os desafios, a nível emocional e prático?
Os pais de bebés prematuros devem procurar apoio médico, psicológico e prático. É fundamental manter uma rede de apoio e estarem informados sobre as necessidades especiais dos seus filhos.
Estes são alguns conselhos para ajudá-los a lidar com esses desafios: procurar apoio emocional; estar informado sobre a prematuridade e as necessidades especiais destes bebes; estar presente e participar activamente nos cuidados diários do bebe; cuidar de si mesmo, priorizando o descanso adequado, alimentação saudável e exercício físico leve; estabelecer uma rede de apoio; pedir ajuda quando necessário; celebrar as pequenas conquistas do seu bebé; e, por fim, confiar na equipa médica.

Que mensagem quer deixar neste dia da prematuridade?
Quero deixar a mensagem de que a prematuridade é um grave problema de saúde pública. Aproximadamente um milhão de crianças menores de 5 anos morrem todos os anos devido a complicações do parto prematuro. Muitos sobreviventes enfrentam uma vida inteira de deficiência, incluindo dificuldades de aprendizagem, problemas visuais e auditivos. Em todo o mundo, a prematuridade é a principal causa de morte em crianças com idade inferior a 5 anos.
O problema da prematuridade não acaba com a alta hospitalar, antes pelo contrário, para a família é quando começam os verdadeiros desafios. Por isso, neste Dia da Prematuridade, quero transmitir a mensagem de esperança e encorajamento às famílias e à comunidade, destacando a importância da consciencialização e do apoio aos bebés prematuros e às suas famílias. Carlota Pimentel

Edit Template
Notícias Recentes
FACE A FACE!… com Rui Carvalho e Melo
Francisco Matos: “Há modalidades nos Açores que formam campeões nacionais e que têm pouco apoio institucional na Região…”
Artista plástica Nina Medeiros expõe “Mau Feitio” no Convento de Santo António, na Lagoa
Jovens arquitectos denunciam numa exposição em Lisboa a urgência de proteger a lagoa das Sete Cidades da excessiva fertilização dos solos
Vila Franca do Campo vai ter Núcleo da Cáritas a partir do dia 2 de Março
Notícia Anterior
Proxima Notícia
Copyright 2023 Correio dos Açores