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Jovem empreendedora Helena Alves vendeu 1.200 cookies em três dias no Natal

Inspirada numa cookie shop em Amesterdão, Helena Alves sonha em abrir a sua própria loja e este Natal triplicou o número de cookies vendidos. Introduziu as bolachas recheadas e afirma que a preferida de todos é a ‘Red Velvet’.

Correio dos Açores – Como surgiu a ideia de fazer bolachas para vender para fora?
Helena Alves – Eu já fazia bolachas em casa desde 2019 e os meus pais e amigos sempre me incentivaram a vender, mas na altura achei uma ideia de loucos, até que no ano passado fiz uma viagem a Amesterdão com o meu companheiro e, claro, houve uma paragem obrigatória numa Cookie Shop. Achei muita graça haver uma loja só dedicada a bolachas e pensei “porque não começar um negócio em São Miguel?” Cheguei de viagem em finais de Outubro e em Novembro já tinha o menu e a página de Instagram prontos. Costumo dizer na brincadeira que a minha próxima viagem será a Nova Iorque, pois é cidade original destas bolachas e, então, um dia vou lá fazer um estudo de mercado e junta-se o útil ao agradável.

As receitas são suas? Quais são os tipos de bolachas que tem na sua ementa?
É 50/50. A minha receita é inspirada em muitas outras, mas acabei por chegar à minha própria fórmula. São cookie chips normais de chocolate negro, manteiga de amendoim e chocolate de leite. Em Janeiro deste deste ano tirei um curso e foi aí que aprendi a fazer as cookies recheadas: brigadeiro de limão com mirtilo; red velvet com compota de morango e cheesecake; bolacha de chocolate com brigadeiro de caramelo; com recheio de Nutella e recheio com brigadeiro de pistácio.

A sua formação base está ligada à cozinha ou à doçaria?
Não, a minha formação base é o Curso Técnico de Turismo, mas sempre gostei muito de cozinhar e sempre tive muita curiosidade nessa área. Mas digo a verdade, não faço outro tipo de sobremesas para além das bolachas.
Este ano tirei o curso especializado em cookies para profissionalizar-me neste sentido e, em Janeiro de 2024, quero tirar mais um. Infelizmente teve de ser online, pois aqui estamos muito limitados neste sentido. Mas, no final, o curso acaba por funcionar normalmente. Nós mandamos as fotos e os resultados para o professor e a única diferença é que ele não prova as nossas bolachas. Depois há uma avaliação e recebemos o nosso diploma. E eu já recebi o meu.
Outra conquista deste ano foi a minha primeira parceria com uma marca açoriana, a Nova Açores.

Qual é a sua bolacha mais popular?
É sem dúvida a ‘Red Velvet’. Mas a bolacha de pistacho vem logo a seguir, pois o contraste do doce do brigadeiro com a bolacha salgada não é muito comum e as pessoas gostam imenso.

Este Natal fez mais de 1.200 bolachas em apenas três dias. Como foi esta experiência?
Foram três dias de caos total, mas que no fim compensou. As bolachas podem ficar congeladas até 90 dias, mas têm de ser cozinhadas no próprio dia. Então, no dia 22 estive a produzir para as encomendas de dia 23 e, no dia 23 estavam no forno a cozer, a fazer entregas e, ao mesmo tempo, a fazer a produção para dia 24.
O ano passado fiz 400 bolachas e estava felicíssima com este número. Nunca pensei fazer mais de 1.200. Este ano não tive mãos para tudo e precisei da ajuda dos meus pais. Enquanto a minha mãe estava comigo na produção, o meu pai fez de Uber, ou seja, sempre que faltava farinha ou outra coisa qualquer, era ele que ia. Eu não os queria sobrecarregar, mas eles ofereceram-se e apoiaram-me muito.
Os meus pais são proprietários dos carrinhos de choque da feira em São Miguel e, por sua influência, tenho uma veia empreendedora desde pequena. Costumo vender pipocas e algodão doce com a minha mãe e é muito bom ter uma base no que toca a segurança alimentar e todos os devidos cuidados que vão desde a confecção ao embalamento. Os meus pais são uma grande referência para mim.

Vende mais no Natal, ou já começa a ter mercado para o ano inteiro?
Costumo ter algumas encomendas durante o ano inteiro. Lanço três ou quatro datas num mês, normalmente Sábados ou Domingos, porque durante a semana tenho o meu trabalho base. No Natal e no Dia dos Namorados há sempre um fluxo maior de encomendas. Apesar de ter packs fixos, também faço encomendas personalizadas e, por exemplo, para o dia dos namorados já fizemos uma encomenda só com cookies de ‘Red Velvet’.

Tem planos para expandir o negócio?
O meu sonho era poder trabalhar só com isto e abrir uma loja no futuro. Apesar de ter o meu próprio espaço, já se está a tornar pequeno e cheguei a esta conclusão este Natal. Sem dúvida que a Cookie Shop em Amesterdão foi uma inspiração e, se não tivesse feito esta viagem, provavelmente não teria aberto o meu negócio.

O que é que diferencia as suas bolachas?
No que diz respeito a semelhanças e diferenças, há espaço para todos. Temos outras pessoas a fazer bolachas na ilha e acho que até podemos ajudar-nos uns aos outros. Já tive lojas no continente que me ajudaram com algumas receitas que não estavam a correr bem. A diferença das minhas cookies talvez passe pelo menu. O Natal ainda agora acabou e eu já estou a pensar no que vou fazer no Dia dos Namorados onde, por exemplo, no ano passado fiz cookies gigantes em forma de coração. Temos de estar sempre um passo à frente e também ter o máximo de cuidado com a personalização. Não basta fazer as bolachas e entregar, tem de haver um acompanhamento do início ao fim, ou seja, desde a primeira mensagem até ao dia da entrega.

Tem alguma história que a marcou particularmente este Natal?
Sim. Tive duas situações que marcaram o meu Natal. A primeira foi a entrega das cookies aos bombeiros voluntários do Ponta Delgada que estavam de serviço na noite de Natal. Tenho um amigo do Porto que costuma fazer uma doação todos os anos aos bombeiros e este ano também queria ajudar o meu negócio. Fiquei comovida com a iniciativa e também decidi dar a minha contribuição. Junto com a encomenda do meu amigo, fiz uma cookie gigante para os bombeiros.
A segunda situação que me marcou muito foi a de uma cliente que me mandou mensagem a dizer que as minhas bolachinhas a faziam lembrar de umas bolachinhas que comia em criança. Isso é muito bom porque traz recordações que estavam um pouco esquecidas e, então, fez-me lembrar um pouco a cena filme do filme Ratatui quando o chefe prova a comida e lembra-se da comida da mãe. Achei engraçado e foi uma situação bastante parecida.
Para mim são uma conquista. A minha linguagem de amor é fazer comida para os outros. Quando faço um jantar para amigos ou para os meus pais, estou sempre a perguntar se está bom e se eles estão a gostar. É uma conquista e uma realização saber que fiz as outras pessoas felizes. É um orgulho de mim para mim.

Quer deixar alguma mensagem?
Gostaria muito de agradecer por esta oportunidade. Agradecer aos meus pais por toda a ajuda e incentivo. E ao meu namorado, Nuno Martins, que tem sido um porto seguro e, claro, por ser responsável por todas as fotos da página. Sem ele, isto também não seria possível.

Daniela Canha

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