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“Se não fosse o derrube do Governo Regional, 2023 seria um ano memorável para os bombeiros a todos os níveis,” afirma Rui Melo, Presidente da Associação de Bombeiros de Vila Franca do Campo

Correio dos Açores – Em que condições se encontra o quartel?
Rui Melo (Presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo) – Nós não temos quartel. Há mais de 20 anos que estamos instalados num grande pavilhão, que era de uma fábrica de móveis. Com poucas condições de organização, de instalações exíguas, para o apoio às nossas bombeiras e bombeiros, quando regressam de emergências, sejam na área da saúde ou acidentes motorizados, naturais ou mesmo para o desinfectar as viaturas.
Está concluído o Estudo Prévio para Ampliação e Remodelação destas instalações, com novos acessos, distribuição de viaturas, com espaços condignos e legais para todos, que será analisado e discutido no próximo mês, para se avançar para o projecto, ainda no primeiro trimestre de 2024. Um quartel tem que ser um espaço de trabalho humanizado, onde todos se sintam bem e com atractivos para os voluntários.
Sem o apoio do Governo Regional e da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, era impossível avançar para este grande projecto. A Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente Dr. Ricardo Rodrigues, tem sido um parecer activo e imprescindível nas actividades da nossa Associação e no apoio ao corpo de bombeiros.

Em que medida a inflação, nomeadamente o aumento do preço dos combustíveis, produtos e equipamentos, está a afectar a Associação?
A inflação começa a dar sinais de ser o mal menor. Agora os custos com vencimentos, em mais 8%, as progressões justas nas carreiras e os custos com os “comestíveis” das viaturas, nomeadamente, de um parque velho, que os governos de Vasco Cordeiro em 8 anos, interrompeu o curso de renovação iniciado pelos governos de Carlos César, que o actual Governo Regional de Bolieiro recuperou, reforçando os valores anualmente a disponibilizar para novas aquisições.
Acresce que SRPCBA só tem comparticipado em 80%, as despesas de utilização, logo exigindo às associações o restante que é um grande esforço das suas poucas receitas próprias.
O Governo Regional terá que olhar com outra disponibilidade para esta situação e para o apoio indirecto às associações, diminuindo os valores a pagar à Segurança Social e ao reembolso do IVA na sua totalidade, na actividade do corpo de bombeiros.
Assim como os valores a pagar por km do transporte de Doentes Urgente e não urgentes. Até a este ano, estivemos a ser pagos por valores de 2014, (irreal para qualquer contabilista ou gestor) foram actualizados este ano 2023, mas estão muito aquém dos valores reais.
Espero que não seja necessário parar as ambulâncias, para obrigar hospitais e Unidade de Saúde de S. Miguel a fazerem contas compatíveis com as despesas realizadas.
A situação é tão discriminatória, que no presente, a Unidade Saúde de São Miguel paga um valor mais alto do que Hospital Divino Espírito Santo… será que alguém percebe? A mesma tutela, mas autonomia de gestão diferentes.

Com quantos elementos conta o corpo de bombeiros?
Temos 21 assalariados, um contratado e uma estagiária. A média mensal dos bombeiros voluntários a participar é de 30. A charanga é composta por cerca de 40 elementos.

Como está a Associação em termos de recursos humanos? Há falta de bombeiros?
Registe-se uma crise no voluntariado que tem vindo a agravar-se. Impõem criar incentivos para fomentar o voluntariado, para os actuais e para futuros.
É necessário rever os requisitos para entrada de bombeiros, para tarefas indiferenciadas. A maior quantidade de actuações dos nossos bombeiros é no apoio à Protecção Civil Municipal no âmbito dos temporais, nomeadamente inundações. Custa-me ver bombeiros voluntários credenciados, com centenas de horas de formação para emergência, alguns de formação médica, enfermeiros e engenheiros, professores e etc., a desentupir e a limpar lama, a transportar mangueiras… Serviços que podem ser realizados por pessoas vocacionadas para esta área de serviços gerais, dispensando ou aliviando o l grau da escolaridade obrigatória.

Quais são as actuais necessidades da Associação?
Para além das necessidades referidas, ficam poucas, reafirmo: novas e modernas instalações, renovação progressiva das viaturas, muitas com mais de 25 anos e pessoal animado, com Estatuto Social do Bombeiro e novo sistema financiamento às associações. Assim teremos um futuro bom.

Que balanço faz ao ano de 2023?
Se não fosse o derrube do Governo Regional, seria um ano memorável para os bombeiros a todos os níveis. Conseguimos, todos juntos: Federação e associações de Bombeiros, corpos de bombeiros, Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores e Governo Regional, os consensos para implementar direitos e garantias que aguardam há duas décadas, para serem implementadas nos Açores. Recordo que na Madeira e continente, há muito que já são aplicadas.
O excesso de sucesso nos consensos do Governo Regional do Dr. José Manuel Bolieiro, com as forças vivas da nossa sociedade, levou-o à porta da “rua”, por aqueles que não puseram o interesse dos Açores acima dos interesses pessoais.

Quais são os projectos e ambições para 2024?
Na primeira linha, o quartel, o actual está em ruptura e o pagamento justo pelo serviço que prestamos a valores de mercado. Não queremos subsídios, queremos trabalho e exigimos o pagamento a valores justos e devidos.

Há alguma outra questão que gostaria de apontar?
Desejo sublinhar que quanto melhor funciona o nosso sistema de saúde, o que tem vindo acontecer nos últimos dois anos, mais serviços fazem os bombeiros. Porque mais sessões de fisioterapia, mais tratamentos na área da oncologia, mais exames a realizar, mais pessoas a fazer hemodiálise, etc.etc…
Nós nos últimos dois anos, diariamente duplicamos o transporte de doentes não urgentes, que nos obrigou a adquirir, a expensas nossas, mais uma viatura de 9 lugares, passando a quatro viaturas.
Deixo uma palavra de apreço aos colegas das associações bombeiros dos Açores, aos senhores comandantes pelo empenho e disponibilidade em encontrar as melhores soluções ao melhor preço, com qualidade. Registo como exemplo ainda, as reuniões de trabalho assíduas das Associações da Ilha de S. Miguel e respectivos comandantes. Connosco os bombeiros de São Miguel não ficam para trás.
Termino felicitando o Presidente Major Eng. Rui Andrade e o Vice-presidente, Eng. Bruno Nogueira do SRPCBA-Serviço Regional Proteção Civil e Bombeiros dos Açores e seus colaboradores, pelo sucesso da sua acção com disponibilidade e empenho, na procura de soluções, junto do Governo Regional para aspirações das Associações e Corpos de Bombeiros.
Não se conseguiu tudo, mas deu-se passos firmes na valorização e promoção da Protecção Civil, que queremos continue a ser o melhor socorro açoriano.


Mariana Rovoredo

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