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Chegou a hora de “entendimentos de regime”

1- O ano que agora se inicia está carregado de incertezas quanto ao futuro, com duas eleições nos primeiros três meses, as regionais em 4 de Fevereiro e as nacionais em 10 de Março, e pelo andar da “carruagem”, quer nos Açores quer a nível nacional, o que se ouve dos partidos políticos é mais do mesmo, quando devíamos estar a discutir um modelo que devia estar pensado para a próxima década.
2- A sustentabilidade da Região está ancorada nos activos humanos que tem, nos recursos financeiros que resultam das receitas próprias, das transferências do Estado através da Lei de Finanças Regionais e dos Fundos de Coesão da União Europeia, bem como da actividade económica que desenvolve.
3- Como activos tangíveis temos os recursos económicos provindos do sector primário, (agricultura, pecuária e pescas), que potenciam a indústria agro-alimentar, e no futuro os recursos do mar e do turismo. A Região tem ainda como activos intangíveis a sua posição geoestratégica, e o valor que ela representa em termos aéreos e marítimos.
4- A aposta na inovação e na tecnologia é fundamental, e os Açores têm de se apresentar como actor liderante relativamente ao espaço aéreo e marítimo recrutando as gerações mais novas e qualificadas que temos e propiciando-lhes nessa área trabalho e incentivo para a investigação.
5- A Região dispõe de uma rede de infra-estruturas adequada à sua natureza arquipelágica, mas padece dos constrangimentos inerentes aos transportes aéreos e marítimos, enquanto o aumento da população flutuante consequência do incremento turístico, exige a reapreciação da mobilidade da rede viária regional, adequando-a às necessidades que são já sentidas e às que virão nesta década.
6- Outros constrangimentos que têm de ser tratados estão no abandono escolar, na falta de qualidade do ensino, na reconversão dos desempregados de longa duração, no combate às tóxicas dependências, e na preparação de um programa de repovoamento que passa pela imigração de população jovem que se fixe nas ilhas atingidas pelo flagelo da desertificação, a quem tem de ser atribuído um conjunto de apoios destinados ao começo de vida, sendo este um problema que não pode esperar mais.
7- O nosso futuro está balizado pelos constrangimentos específicos que temos, pelo contexto global e pela mundialização, que é a marca da sociedade pós moderna, facto que exige imaginação e muito realismo no terreno.
8- A nova sociedade esqueceu o ser humano, despojou os Estados ocidentais dos valores assentes na liberdade, solidariedade e fraternidade, e as elites políticas que governam são fracas em pensamento e capacidade de liderança, incapazes, por si, de arquitectarem um modelo de organização e responsabilização dos grandes grupos que dominam a sociedade através da internet, e sem a segurança capaz de evitar a manipulação feita através dos meios que a globalização colocou ao serviço da humanidade.
9- Se não formos capazes de inverter a marcha que está em curso, estaremos a caminhar para uma nova escravatura mundial, mercê da incapacidade de liderança politica, que é aproveitada pelos mercados, e pela tecnologia, que sendo um importante instrumento não deixa de ser portadora de virtudes e defeitos, que não podem ser ignorados e para os quais é preciso encontrar respostas a nível global.
10- Isto é, os Açores estão no meio deste grande vulcão, e temos necessidade de conceber um modelo que acompanhe a evolução, mas não desampare as pessoas e bloqueie o necessário desenvolvimento em termos sociais, económicos e culturais.
11- Por isso, em tempo de eleições é preciso lembrar que os partidos do arco da governação têm a responsabilidade de procurar entre si “entendimentos de regime”, contendo políticas arrojadas para responder aos enormes constrangimentos regionais e globais.
12- O nosso modelo social, económico e cultural para a década 2020/2030, tem de ter em conta o que fomos, o que somos e como querermos ser no futuro dentro do espaço europeu a que pertencemos sendo para o efeito necessário um consenso lato.
13- Ainda agora o Presidente da República, a propósito da situação que se vive na Comunicação Social, declarou que “este é o momento” de chegar a um entendimento de regime sobre os Media e “encontrar fórmulas de modo transversal para viabilizar aquilo que é fundamental para a democracia”. É preciso seguir nos Açores o mesmo apelo!

Américo Natalino Viveiros

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