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Lar Augusto César Ferreira Cabido tem lista de espera de mais de 100 pessoas e as instalações a beirar140 anos são insuficientes para acudir às necessidades

Com um total de 105 utentes, o Lar Augusto César Ferreira Cabido, na Ribeira Grande, conta actualmente com uma lista de espera de mais de 100 pessoas, sendo que a procura é cada vez maior, de acordo com Carlos Gaipo, que renova agora o seu mandato como Presidente da Direcção. A instituição engloba dois lares, um na freguesia da Matriz, na Ribeira Grande, e outro no Pico da Pedra, construído há cinco anos. No entanto, as instalações na Matriz, erguidas há já 130 anos, precisam de grandes obras de remodelação. De acordo com a Direcção, justifica-se a construção de um novo lar, sendo que a IPSS já se encontra a negociar com o Governo Regional para que tal aconteça. O aumento dos preços da alimentação e de equipamentos de saúde são outros factores que têm tido impacto na gestão da instituição, que luta para manter em dia as suas contas e continuar a dar todas as condições aos seus utentes.

Com quantos idosos o Lar Augusto César Ferreira Cabido conta actualmente?
Carlos Gaipo (Presidente da Direcção)
Neste momento, temos 105 utentes, distribuídos por três edifícios: dois no lar da freguesia da Matriz, na Ribeira Grande, na Rua João D’Horta, e outro no Pico da Pedra, que é um edifício recente com cinco anos, na Rua Padre António Furtado Mendonça. À volta de 80% dos nossos utentes corresponde a senhoras. O nosso lar é de dia e noite.

Os familiares destes utentes têm o hábito de os visitar ao lar?
Sim. Os filhos visitam os seus pais. Alguns dos nossos utentes não têm familiares, ou estes estão emigrados, mas estamos aqui e cuidamos deles.

Há uma lista de espera muito longa?
Sim, tem havido muita procura. Desde os últimos dois anos, temos uma lista única para todos os lares. Há uma necessidade de mais camas. Temos mais de 100 pessoas na lista de espera. Quando um utente falece, vem logo outra pessoa para ocupar o lugar. Os hospitais também estão cheios de utentes.

Tem havido muita procura por vagas?
É cada vez mais procurado. Os filhos dos utentes não têm tempo. Está a aproximar-se uma geração que faz com que cada vez mais haja necessidade de mais lares.

Os utentes são todos da Ribeira Grande?
Antigamente era, mas agora já é a nível de ilha. Tanto podem vir da Povoação, como os da Ribeira Grande podem ir para a Povoação ou Nordeste, por exemplo. Tudo depende das necessidades dos utentes.

A inflação e o aumento de preços têm tido um grande impacto nas contas da instituição?
Sim, cada vez mais impacto na gestão dos lares. Está cada vez mais difícil. A alimentação está cada vez mais cara, e todos os equipamentos de saúde também.

A instituição consegue então manter as contas mensais em dia?
Vamos conseguindo, mas não tem sido fácil, e este ano acho que as coisas vão ser ainda mais difíceis, pela maneira como os preços estão a subir. Fazemos o melhor para o idoso ter o seu dia-a-dia em condições.

O apoio governamental está adequado a este aumento de despesas?
O Governo tem ajudado e actualizado um pouco, apesar de não ser a 100%. A nossa gestão é difícil, mas vamos gerindo cada vez melhor. Temos de fazer com o que o utente tenha tudo o que precisa no seu final de vida. Faço por isso.

No que toca a recursos humanos, quantos funcionários tem a instituição?
Temos à volta de 80 funcionários.
Quais são as maiores dificuldades da instituição?
A maior dificuldade é o pessoal. Cada vez mais há necessidade de mais pessoal. As pessoas estão a sair para fora, queremos pessoal e não há, no que toca a pessoas especializadas no apoio ao idoso. Temos tido bastante dificuldade. Também na parte da enfermagem. Há cada vez menos enfermeiros. Há muita falta de mão-de-obra.

Como foi o ano de 2023?
Foi um pouco difícil, porque viemos de dois anos da Covid-19, e não foi fácil ultrapassar esses anos de pandemia. Mas vou fazer força para continuarmos.

Em que condições se encontram as instalações físicas dos lares da instituição?
O do Pico da Pedra é um edifício muito novo e este tem todas as condições. Mas nos lares da Ribeira Grande, já há necessidade de obras. Já é um edifício muito antigo. Estamos a negociar com o Governo para ver se há possibilidade de criarmos um novo lar, de raiz. Em princípio, penso que sairá mais em conta criar um de raiz do que remodelar o que existe. O lar da Ribeira Grande já tem 130 anos. Vamos fazendo remodelações e algumas obras necessárias, mas está a necessitar, realmente, de uma grande intervenção.

Um novo lar permitiria dar resposta a mais pessoas que estão à espera de vaga…
Sim, também para ter mais vagas para os utentes. Cada vez são mais as pessoas a procurar. Com o aumento da esperança média de vida, a velhice vai prolongar-se cada vez mais, e as famílias não têm tempo nem condições para depois aguentar os seus pais em casa.

A Direcção tomou posse para o próximo quadriénio, ontem. Quais são os seus membros. Quais são os projectos para estes próximos anos?
Assembleia Geral é constituída pelo Presidente José Pontes, a 1.º secretária Rosa Meneses e o 2.º secretário Gilberto Pinheiro. A Direcção conta com José Pacheco como Vice-presidente, José Medeiros como Secretário, Pedro Pavão como tesoureiro, e PE Manuel Galvão como vogal. O Concelho Fiscal é presidido por Frederico Gaipo, Carlos Anselmo como 1.º vogal e Luísa Cordeiro como 2.º Vogal.
O meu projecto, em si, é a remodelação do lar da Ribeira Grande, ou então conseguir um novo edifício e tentar aumentar as camas para os utentes.

Gostaria de acrescentar algo mais?
Gostava de agradecer ao Governo Regional tudo o que tem feito e de deixar uma palavra às pessoas para que cuidem bem dos seus idosos. Os lares têm todas as condições, mas mantenham os seus familiares nas suas casas.
Mariana Rovoredo

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